{"id":1575,"date":"2011-06-17T00:00:00","date_gmt":"2011-06-17T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/psol50.org.br\/arquivo\/2011\/06\/17\/militante-do-psol-de-florianopolis-gert-schinke-fala-sobre-o-codigo-florestal\/"},"modified":"2011-06-17T00:00:00","modified_gmt":"2011-06-17T00:00:00","slug":"militante-do-psol-de-florianopolis-gert-schinke-fala-sobre-o-codigo-florestal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/psol50.org.br\/militante-do-psol-de-florianopolis-gert-schinke-fala-sobre-o-codigo-florestal\/","title":{"rendered":"Militante do PSOL de Florian\u00f3polis, Gert Schinke fala sobre o C\u00f3digo Florestal"},"content":{"rendered":"<p>O militante do PSOL Gert Schinke,\u00a0 de Florian\u00f3polis, concedeu entrevista ao  jornal Diarinho do Litoral, na sess\u00e3o \u201cEntrevist\u00e3o\u201d, sobre as mudan\u00e7as  aprovadas pela C\u00e2mara dos Deputados no C\u00f3digo Florestal brasileiro. A  entrevista foi publicada no dia 4 de junho de 2011. \u00a0Leia a \u00edntegra  abaixo.<\/p>\n<p><strong>\u201cSe eu posso comprar um inspetor, pagar uma propina pra um delegado, eu n\u00e3o posso comprar um parlamentar?\u201d<\/strong><\/p>\n<p>RAIO-X Nome: Gert Schinke<br \/>\nNaturalidade: Montenegro\/RS<br \/>\nIdade: 55 anos<br \/>\nEstado civil: divorciado<br \/>\nFilhos: um casal, j\u00e1 adultos<br \/>\nForma\u00e7\u00e3o: Curso Superior em Hist\u00f3ria<br \/>\nTrajet\u00f3ria profissional: comerciante, publicit\u00e1rio, empreendedor,  vereador de Porto Alegre\/RS, professor. Hoje \u00e9 coordenador do Centro de  Direitos Humanos da Grande Florian\u00f3polis e do Movimento de Saneamento  Alternativo (Mosal) e preside o Instituto para o Desenvolvimento de  Mentalidade Mar\u00edtima (Inmmar)<\/p>\n<p>Historiador por forma\u00e7\u00e3o, Gert Schinke  se autonomeia ecologista por a\u00e7\u00e3o. H\u00e1 37 anos ele est\u00e1 envolvido em  movimentos ambientais. \u00c0s v\u00e9speras do Dia Mundial do Meio Ambiente, o  DIARINHO foi at\u00e9 Florian\u00f3polis pra conversar com o especialista sobre o  que pode ser um dos maiores retrocessos em termos de legisla\u00e7\u00e3o: o novo  c\u00f3digo florestal brasileiro. O texto j\u00e1 foi aprovado pela C\u00e2mara Federal  e agora aguarda a vota\u00e7\u00e3o no Senado. Na entrevista que concedeu aos  jornalistas Cl\u00e1udio Eduardo e Mariana Vieira, Gert n\u00e3o mediu as palavras  pra defender a causa pela qual luta desde os 18 anos. As respostas do  historiador e ecologista ultrapassam a mera an\u00e1lise do novo c\u00f3digo.<br \/>\nGert aproveita a experi\u00eancia que adquiriu ao longo da milit\u00e2ncia  pr\u00f3-ecologia pra tra\u00e7ar um panorama do meio ambiente, mais  especificamente em Santa Catarina, e desmistifica\u00a0o termo  \u201cdesenvolvimento sustent\u00e1vel\u201d pregado, aos quatro cantos, por muitos  pol\u00edticos. Se voc\u00ea ainda n\u00e3o tem uma opini\u00e3o sobre as mudan\u00e7as no c\u00f3digo  florestal, vale a leitura. E se j\u00e1 tem uma tese formada, vale ainda  mais embarcar nesta an\u00e1lise, sem meias palavras. As fotos s\u00e3o de Minamar  Junior.<\/p>\n<p><strong>DIARINHO \u2013 Por que a bancada  ruralista define a aprova\u00e7\u00e3o do c\u00f3digo florestal como um avan\u00e7o e os  ambientalistas o consideram um retrocesso sem precedentes?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Gert Schinke<\/strong> \u2013 O c\u00f3digo  florestal de 1965 foi um dos primeiros c\u00f3digos, uma reuni\u00e3o de uma  legisla\u00e7\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o das florestas e n\u00e3o s\u00f3 das florestas. \u00c1reas de  Preserva\u00e7\u00e3o Permanente, as matas ciliares, aqu\u00edferos, ainda que n\u00e3o em  detalhes. Depois surgiu legisla\u00e7\u00e3o complementar, outras leis que diziam  respeito exatamente a outras \u00e1reas. Mas o c\u00f3digo florestal foi uma  reuni\u00e3o de regras pra dar uma cobertura geral pros ecossistemas no  Brasil. Esse c\u00f3digo resultou de uma discuss\u00e3o entre quatro paredes com  uma d\u00fazia de cientistas e t\u00e9cnicos que elaboraram uma lei dita e tida,  naquela \u00e9poca, como avan\u00e7ada em termos de restri\u00e7\u00f5es. Ningu\u00e9m observou e  o Estado n\u00e3o conseguiu cumprir. Ent\u00e3o, o que aconteceu l\u00e1 nos anos 90?  J\u00e1 existia, dentro dos movimentos sociais, ecol\u00f3gicos e camponeses, a  vis\u00e3o de que era necess\u00e1rio mudar esse c\u00f3digo, atualizar. Mas da\u00ed se d\u00e1 o  cabo de for\u00e7a. De um lado, a grande monocultura, um agroneg\u00f3cio  bombando, exportando cada vez mais, projetando um poder no Congresso, um  poder sobre os legislativos estaduais enorme. E a\u00ed existe um c\u00f3digo  perverso, que a gente situa at\u00e9 no que diz respeito \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o  eleitoral, porque, como tu podes financiar as campanhas por  financiamento privado, ora, quem tem mais dinheiro financia mais  campanhas. Os bancos, o grande agroneg\u00f3cio que, diga-se de passagem, n\u00e3o  \u00e9 s\u00f3 o cara que t\u00e1 andando em cima de um trator. S\u00e3o grandes empresas.  Ent\u00e3o, esses setores, eles projetaram um poder dentro das estruturas do  Brasil que os colocaram na dianteira pra quando for mexer na regula\u00e7\u00e3o,  ela pender pro lado deles. O agroneg\u00f3cio vai dizer que saiu vitorioso.  Por qu\u00ea? Porque eles conseguiram tornar aquela legisla\u00e7\u00e3o l\u00e1 de 65 menos  restritiva, mais frouxa. Ent\u00e3o sa\u00edram no lucro. Raz\u00e3o pela qual o  movimento ecol\u00f3gico, todos que est\u00e3o associados, esse nosso setor que  defende o contr\u00e1rio, saiu prejudicado. N\u00f3s temos que tornar a legisla\u00e7\u00e3o  cada vez mais restritiva porque n\u00f3s estamos comprometendo o planeta.  Porque as florestas t\u00eam um papel imenso. A Amaz\u00f4nia, a quest\u00e3o da \u00e1gua, a  quest\u00e3o dos oceanos que est\u00e3o em colapso. Enquanto alguns saem  festejando, o movimento ecol\u00f3gico aqui e no mundo vai desabar. T\u00e1 caindo  a biodiversidade do mundo. Enquanto n\u00f3s estamos falando aqui, t\u00e1  desaparecendo alguma esp\u00e9cie. Isso \u00e9 bom? \u00c9 \u00f3bvio que isso \u00e9 ruim. N\u00f3s  sabemos que biodiversidade \u00e9 um dos suportes pra ecologia. Ent\u00e3o, toda  essa grande tend\u00eancia nas \u00faltimas d\u00e9cadas, o texto que foi aprovado  agora no c\u00f3digo, ele ignora a defesa da biodiversidade, porque, na  medida em que ele afrouxa a legisla\u00e7\u00e3o sobre os biomas, sobre os  ecossistemas, sobre as \u00e1reas de APP, tu ignoras isso. N\u00f3s temos que  restringir, n\u00f3s temos que proteger essa biodiversidade. Por que os  ruralistas julgam a vit\u00f3ria? Na minha interpreta\u00e7\u00e3o, \u00e9 porque afrouxou,  pra eles, a legisla\u00e7\u00e3o, tornou ela mais branda. Fazendo essa vis\u00e3o do  desenvolvimento raso, que a gente pode apelidar, mas eu n\u00e3o gosto do  termo. Dizer que \u00e9 desenvolvimento sustent\u00e1vel, eu acho uma fal\u00e1cia, uma  engana\u00e7\u00e3o total. De sustent\u00e1vel n\u00e3o tem nada. O n\u00edvel de  desenvolvimento ele tem que ser ecologicamente orientado, porque s\u00f3 pode  ser desenvolvimento se for ecol\u00f3gico. A cultura hegem\u00f4nica tradicional  no Brasil ainda \u00e9 desse desenvolvimento raso, do asfalto. N\u00e3o precisa  ter esgoto, ter asfalto j\u00e1 t\u00e1 desenvolvendo. Esse \u00e9 um modo de  desenvolvimento suicida. Os recursos podem se esgotar pela falta de  minerais, coisa e tal, ou pelo colapso dos biomas, dos ecossistemas, que  n\u00e3o suportam mais. Como \u00e9 que tu v\u00eas isso? A contamina\u00e7\u00e3o dos  aq\u00fc\u00edferos, a terra esgotada, coisa e tal. Hoje, ao mesmo tempo em que o  agroneg\u00f3cio t\u00e1 entrando na Amaz\u00f4nia, t\u00e1 pegando terras virgens. O quadro  \u00e9 bem tenebroso. A conclus\u00e3o \u00f3bvia que se chega \u00e9 que o movimento que  prop\u00f5e esse outro rumo de desenvolvimento teve uma derrota, se o texto  do c\u00f3digo ficar assim.<\/p>\n<p><strong>DIARINHO -Quais s\u00e3o as  principais modifica\u00e7\u00f5es aprovadas? O senhor acredita que a vota\u00e7\u00e3o da  c\u00e2mara vai ser acatada pelas outras inst\u00e2ncias?<br \/>\n<\/strong><br \/>\n<strong>Gert<\/strong> -Existe um longo caminho pela frente. At\u00e9 seria  conveniente da parte dos ruralistas n\u00e3o soltar muito foguete agora,  porque eles tiveram uma vit\u00f3ria. O primeiro tempo eles ganharam. Agora  eu quero fazer um coment\u00e1rio aqui, que remonta o quadro aqui de Santa  Catarina. O ex-governador, atual senador Luiz Henrique da Silveira  (PMDB), viajou mundo afora e vendendo Santa Catarina pra grupos  empresariais chegarem no litoral. At\u00e9 apresentou um portf\u00f3lio que foi  bombasticamente anunciado na imprensa \u2013 isso na \u00e9poca, que foi h\u00e1 poucos  anos \u2013 o que t\u00e1 por vir pra Santa Catarina, as possibilidades  empresariais, principalmente de empreendimentos imobili\u00e1rios. Saiu ele,  entrou o Leonel Pavan (PSDB). O que se viu j\u00e1 era articulado como o  assunto da OSX [estaleiro que o milion\u00e1rio Eyke Batista pretendia fundar  em Bigua\u00e7u, mas desistiu depois dos impasses ambientais e transferiu o  projeto pro estado do Rio de Janeiro] e da fosfateira da Vale [a f\u00e1brica  pra produzir fosfato artificial pode ser aberta na cidade de Anit\u00e1polis  \u2013 cidade que fica a 60 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia de Florian\u00f3polis].  Fortemente ligado ao agroneg\u00f3cio em Santa Catarina e, diga-se de  passagem, n\u00e3o \u00e9 daquelas grandes monoculturas de soja, mas  principalmente da ind\u00fastria de prote\u00edna, exportadora, isso vira muito  dinheiro. Isso \u00e9 d\u00f3lar. D\u00f3lar pesado na balan\u00e7a dos pagamentos, manobra  com os portos, coisa e tal. Sob press\u00e3o desse lobby, ele tentou reformar  e conseguiu reformar uma esp\u00e9cie de c\u00f3digo ambiental de Santa Catarina,  um c\u00f3digo de meio ambiente estadual. E ele foi vendido Brasil afora  como a experi\u00eancia bem-sucedida para o agroneg\u00f3cio. Quer dizer, se n\u00f3s  pudemos fazer em Santa Catarina, por que n\u00e3o fazer no Brasil? Eles  pegaram a lei de Santa Catarina e botaram l\u00e1 no Congresso. Mais ou menos  assim. Porque os crit\u00e9rios s\u00e3o mais ou menos os mesmos, de APP, de  afrouxar a mata ciliar, de indenizar os caras, de liberar topo de morro.  O texto que eles apresentaram aqui na Assembl\u00e9ia foi praticamente a  minuta que orientou a primeira proposta do Aldo Rebelo [deputado federal  do PCdoB\/SP e relator do c\u00f3digo florestal que foi aprovado pela  c\u00e2mara], que era a base de discuss\u00e3o nas audi\u00eancias p\u00fablicas, era c\u00f3digo  de Santa Catarina. Ent\u00e3o voc\u00ea v\u00ea que o nosso estadinho aqui, pequeninho  do jeito que \u00e9, fica criando um tremendo embara\u00e7o numa proje\u00e7\u00e3o  pol\u00edtica que de longe corresponde \u00e0 for\u00e7a econ\u00f4mica que o estado tem no  Brasil, mas, por via das circunst\u00e2ncias, conseguiu criar uma janela pra  botar a confus\u00e3o no baralho. Porque esse epis\u00f3dio aqui, se n\u00e3o fosse  assim, aqui em Santa Catarina, talvez esse momento que n\u00f3s estamos  vivendo hoje nem existiria. Porque isso alertou o agroneg\u00f3cio nacional,  eles pegaram essa hist\u00f3ria de Santa Catarina e os caras foram pra cima e  leram as mat\u00e9rias ali e j\u00e1 se aproveitaram. Eles fizeram como se fosse  um bom exemplo. E \u00e9 um p\u00e9ssimo exemplo. Quando eles foram aprovar o  c\u00f3digo, eu fui na Assembl\u00e9ia e n\u00e3o consegui nem entrar, porque eles  arrebanharam a cabresto e \u00f4nibus de colonos vieram aqui, uns 50 \u00f4nibus,  ou at\u00e9 mais, porque na \u00e9poca era um grande problema, tinha milhares de  pessoas que nem conseguiram entrar na Assembl\u00e9ia. Tava entupido de  gente, de tudo que \u00e9 canto, dizendo \u201co c\u00f3digo \u00e9 nosso. Defenda nossa  lei!\u201d. Manipula\u00e7\u00e3o, porque esse pequeno agricultor que vive  dificilmente, ele n\u00e3o vai viabilizar a produ\u00e7\u00e3o dele por via do  afrouxamento da legisla\u00e7\u00e3o ambiental, \u00e9 por outras coisas. \u00c9 por cr\u00e9dito  agr\u00edcola, por assist\u00eancia t\u00e9cnica. Pra isso tem que ter assessoria,  consultoria.<\/p>\n<p><strong>DIARINHO -O Luiz Henrique da  Silveira tem a possibilidade de ser um dos relatores da mat\u00e9ria no  Senado. Da vis\u00e3o da ecologia, isso \u00e9 positivo ou negativo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Gert <\/strong>\u2013 Eu acho que lhe  falta uma moral pra pegar nisso. T\u00e1 claro que ele vai alimentado por um  c\u00e1lculo que lhe \u00e9 ben\u00e9fico nesse lobby que ele representa do grande  agroneg\u00f3cio, que ele representou no governo, no perfil do governo dele  aqui em Santa Catarina. Na nossa avalia\u00e7\u00e3o. Porque ele acha que foi um  brilhante governador. Eu acho que foi um desastre. Mas enfim, embalado  nessa \u00f3tica, ele t\u00e1 certo. Ele pegando isso acha que vai poder consertar  alguma coisinha. Ele agora t\u00e1 aventando, parece que aventou, se n\u00e3o me  falha a mem\u00f3ria. Ele estaria concordando com a hist\u00f3ria da anistia, de  tirar isso fora. Mas isso \u00e9 uma das quest\u00f5es. A anistia \u00e9 mais do \u00e2mbito  penal, fiscal. Se tu vais dar anistia, isso \u00e9 coisa da Receita Federal.  Isso \u00e9 importante, claro, mas isso n\u00e3o \u00e9 o que eles t\u00e3o pedindo agora,  vamos dizer assim, que vai defender a natureza. Claro, se eu dou anistia  pra ti, e se eu n\u00e3o tivesse nem a multa, subjacentemente a isso, tamb\u00e9m  t\u00e1 a ideia de que n\u00e3o precisa recuperar as \u00e1reas que ofendesse, t\u00e1  entendendo? J\u00e1 t\u00e1 bem colada essa ideia. Ent\u00e3o, n\u00e3o. Dependendo do  c\u00f3digo que n\u00f3s estamos propondo, \u00e9 o seguinte: \u00e1reas que foram  degradadas ilegalmente, os propriet\u00e1rios t\u00eam que refazer. Isso \u00e9  poss\u00edvel fazer. Assim como voc\u00ea faz um Termo de Ajuste de Conduta (TAC),  se d\u00e1 uma forma de compensa\u00e7\u00e3o. Isso at\u00e9 \u00e9 o mais usual que a Justi\u00e7a  t\u00e1 usando, mas nem isso. Ent\u00e3o fica complicado. Nesse ritmo a\u00ed, eu acho  que seria um p\u00e9ssimo relator, acho que o Senado poderia, tem gente muito  mais habilitada pra isso porque, primeiro, o que ele entende de  ecologia \u00e9 antiecologia, no meu ponto de vista. Ele t\u00e1 nesse rolo do  desenvolvimento sustent\u00e1vel, n\u00e9? Isso \u00e9 que preconiza a vis\u00e3o do Luiz  Henrique, que ele mostrou aqui no estado. E a gente acha que, ali, por  exemplo, eu n\u00e3o quero indicar nem sugerir nome algum porque haveria  v\u00e1rias possibilidades, sabe? Isso \u00e9 tudo t\u00e3o estranho hoje em dia,  porque uma coisa que chama a aten\u00e7\u00e3o nesse processo \u00e9 o fato de um  militante ligado a um partido comunista\u2026 Voc\u00ea tem o Aldo Rebelo  defendendo uma proposta, levantando uma bandeira clara de um projeto que  n\u00e3o tem nada que ver com o socialismo, nem comunismo, nem com nada  disso. Pelo contr\u00e1rio. [Incoer\u00eancia com a ideologia do partido dele,  n\u00e9?] \u00c9, e isso marca e chama a aten\u00e7\u00e3o, porque isso criou tamb\u00e9m uma  confus\u00e3o. De um lado tens os defensores da natureza, da ecologia, e de  outro lado um sistema que quer mudar isso. N\u00e3o \u00e9 um corte esse  tradicional da direita e da esquerda. Isso vem elucidar um pouquinho pra  n\u00f3s, eu acho que esse imbr\u00f3glio acaba sendo ben\u00e9fico, porque tu acabas  conseguindo discutir isso. E dizer: \u201colha, n\u00e3o \u00e9 o fato de voc\u00ea se  chamar de socialista que voc\u00ea \u00e9 um defensor da natureza\u201d. O comunista t\u00e1  todo ele envolvido com a defesa do projeto Aldo Rebelo que \u00e9, na  verdade, um projeto de desenvolvimento dos ruralistas, no meu ponto de  vista. \u00c9 claro, ele vai tentar justificar do ponto de vista dele.<\/p>\n<p><strong>DIARINHO -Como o senhor v\u00ea a  anistia das multas ambientais, como prev\u00ea o novo c\u00f3digo florestal? Hoje,  a anistia chegaria a R$ 2,4 bilh\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Gert <\/strong>\u2013 Ou at\u00e9 mais. Eu  acho uma safadeza. Eu acho que os outros setores econ\u00f4micos no Brasil  deveriam olhar com bons olhos, com olhos muito atentos, essa quest\u00e3o.  Porque se voc\u00ea d\u00e1 um precedente de uma anistia dessas pra um setor  econ\u00f4mico, claro que \u00e9 um peso pra economia, o peso do agroneg\u00f3cio. Mas,  daqui a pouco, n\u00e3o v\u00e3o mais valer as multas, ent\u00e3o da\u00ed fica f\u00e1cil. E  eu, como cidad\u00e3o, como \u00e9 que fico? Porque tenho que pagar multinha, se  n\u00e3o pago j\u00e1 incide juros. \u00c9 por isso que essa quest\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 remonta \u00e0  quest\u00e3o da defesa da natureza, mas entram outras quest\u00f5es. A cidadania  a\u00ed. Eu acho que \u00e9 uma vergonha voc\u00ea admitir uma coisa dessas.<\/p>\n<p><strong>DIARINHO -Sem a mata ciliar, j\u00e1  que o novo c\u00f3digo prev\u00ea a redu\u00e7\u00e3o, a probabilidade de aumento da  polui\u00e7\u00e3o por agrot\u00f3xicos n\u00e3o afetaria de maneira estrondosa os recursos  naturais h\u00eddricos? O Brasil n\u00e3o estaria formalizando um grande desastre  natural?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Gert<\/strong> \u2013 O Mosal  [Movimento de Saneamento Alternativo], qual \u00e9 a primeira quest\u00e3o que  enfatiza? O saneamento descentralizado que a gente advoga, o modelo  descentralizado. No que ele se baseia? Numa regra da natureza: o ciclo  da \u00e1gua. Se voc\u00ea perverte o ciclo da \u00e1gua, impede que ele se conclua, tu  come\u00e7as a comprometer todo o sistema de produ\u00e7\u00e3o, inclusive. Ent\u00e3o  voltamos \u00e0 import\u00e2ncia do c\u00f3digo ambiental. Se voc\u00ea come\u00e7a a comprometer  as nascentes dos morros, dos topos dos morros, onde o ciclo da \u00e1gua tem  as vertentes, onde come\u00e7am a nascer os rios, os arroios, daqui a pouco  tu n\u00e3o tens mais<br \/>\no rio l\u00e1 na ponta, n\u00e9? Existem v\u00e1rios rios no mundo que nem des\u00e1guam  mais nos oceanos, n\u00e9? A \u00e1gua j\u00e1 nem chega l\u00e1 mais, porque, por via de  irriga\u00e7\u00e3o, por via de outros sistemas, a \u00e1gua que antes flu\u00eda ali,  chegava na barra, n\u00e3o vem mais. Por que n\u00e3o vem mais? Tem uma  explica\u00e7\u00e3o. Voc\u00eas jovens ainda v\u00e3o ver ao longo da vida. Quem \u00e9 mais  velho pensa assim: \u201cmas esse rio era bem mais caudaloso h\u00e1 30 anos\u201d. Ele  tinha que viver aqueles 30 anos pra viver aquele processo. Ent\u00e3o,  muitas vezes fica um pouco abstrata essa id\u00e9ia porque esses fen\u00f4menos,  eles se d\u00e3o a longo prazo. N\u00f3s temos que defender as encostas de morros  de todas as matas ciliares pra defender o ciclo da \u00e1gua, que ele consiga  se manter sustent\u00e1vel a longo prazo. Se manter, mant\u00e9m, amanh\u00e3 ele vai  continuar correndo, mas vai diminuindo. Daqui a pouco n\u00e3o tem mais \u00e1gua  ali. Por que n\u00e3o tem mais \u00e1gua ali? Claro, se rasparam todas as  encostas, ocuparam, a \u00e1gua corre por cima da terra, ela nem consegue  mais penetrar na terra. Por que caem as encostas todas? A \u00e1gua percorre  por baixo, ela entra com uma velocidade tal e por cima que aquilo ali  n\u00e3o consegue mais penetrar, ent\u00e3o vai tudo pra baixo. Parte fen\u00f4meno  natural e parte n\u00e3o, parte criado pelo homem. Ent\u00e3o por isso que a  defesa dessas APPs s\u00e3o t\u00e3o importantes. Isso \u00e9 ci\u00eancia ecol\u00f3gica. Isso \u00e9  ci\u00eancia biol\u00f3gica. Isso n\u00e3o tem nada de chut\u00f4metro.<\/p>\n<p><strong>DIARINHO \u2013 E com essa redu\u00e7\u00e3o da mata ciliar, n\u00e3o estar\u00edamos mais sujeitos a enchentes?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Gert <\/strong>\u2013 Claro que sim.  Se voc\u00ea olhar a Mata Atl\u00e2ntica de Santa Catarina, n\u00f3s ainda temos um bom  percentual conservado na encosta da nossa serra. \u00c9 uma exuberante Mata  Atl\u00e2ntica que t\u00e1 sendo muito assediada. Aqui nas periferias das regi\u00f5es  metropolitanas, o que se v\u00ea s\u00e3o resorts, condom\u00ednios de luxo, o sonho do  s\u00edtio. E eles pegam o que antes era de um pequeno produtor rural. Mas  isso ambientalmente n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o ruim, porque ele conserva e tal. O  problema \u00e9 quando isso se torna aquela coisa da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria,  que vai derrubando a floresta mata acima, encosta acima, e vai  comprometendo a Mata Atl\u00e2ntica. Ent\u00e3o, em termos num\u00e9ricos de perda de  Mata Atl\u00e2ntica, Santa Catarina foi o terceiro estado no Brasil, no ano  passado: 3,7 mil hectares o estado perdeu de mata atl\u00e2ntica virgem. Isso  \u00e9 um dado p\u00e9ssimo e mostra que os \u00f3rg\u00e3os de Estado n\u00e3o funcionam. H\u00e1 de  se perguntar, desses todos, quem que foi multado? E o que foi pago  disso? \u00c9 uma grande piada, \u00e9 de indignar todos n\u00f3s que o c\u00f3digo  florestal, por exemplo, passou quase que em branco. Essa chamada  legisla\u00e7\u00e3o infraconstitucional, aquela mais mi\u00fada, que d\u00e1 justamente a  normatiza\u00e7\u00e3o das regras, como que tu pagas multa, como que ela \u00e9  recolhida, t\u00e1 um verdadeiro caos. Outro dia saiu na grande imprensa os  n\u00fameros que o Ibama [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos  Recursos Naturais Renov\u00e1veis] divulgou que milh\u00f5es de multas foram  aplicadas, mas parece que s\u00f3 1,2% foi arrecadado. \u00c9 uma piada. Multa de  tr\u00e2nsito \u00e9 melhor paga no Brasil do que de crime ambiental. Quanto \u00e0  enchente, voltamos \u00e0 hist\u00f3ria do Mosal \u2013 porque tem tudo a ver,  saneamento, drenagem urbana. E tem uma conjuga\u00e7\u00e3o mais perversa ainda  porque, ao mesmo tempo em que a ocupa\u00e7\u00e3o se d\u00e1 encosta acima, ela se d\u00e1  nas \u00e1reas baixas tamb\u00e9m, inund\u00e1veis. E em Florian\u00f3polis n\u00f3s temos v\u00e1rios  exemplos de grandes extens\u00f5es de plan\u00edcies sediment\u00e1rias, antigas,  chamadas de plan\u00edcies quatern\u00e1rias \u2013 que antes eram oceano, depois  acabou conjugando em lagoas, hoje s\u00e3o areais que viraram plan\u00edcies, a  restinga tomou conta e depois a Mata Atl\u00e2ntica. L\u00f3gico que isso tudo foi  em eras geol\u00f3gicas, milhares de anos. Mas agora esse processo se  acelerou tanto que, por via de mecanismos de drenagem e devasta\u00e7\u00e3o da  regi\u00e3o, essas \u00e1reas t\u00e3o sendo ocupadas agora. E \u00e9 a\u00ed que n\u00f3s ecologistas  dizemos: \u201ctu n\u00e3o podes colocar condom\u00ednio em cima de banhado, velho!\u201d.  Olha a cretinice que \u00e9 ter um banhado bonito, ou mangue, e dizer que  voc\u00ea pode aterrar e fazer condom\u00ednio. Claro, tecnicamente sim, mas quais  s\u00e3o as conseq\u00fc\u00eancias disso pro lago? Se eu aterro aqui, claro que a  \u00e1gua vai pro lado.<\/p>\n<p><strong>DIARINHO \u2013 Com o novo c\u00f3digo, os  desmatamentos em \u00e1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente (APP) at\u00e9 2008 ser\u00e3o  considerados como \u00e1reas consolidadas e n\u00e3o haver\u00e1 replantio. Como  garantir que \u00e1reas degradadas em 2009 e 2010 n\u00e3o entrem neste contexto?<br \/>\n<\/strong><br \/>\n<strong>Gert<\/strong> \u2013 Tem que ter uma regra que contemple isto. Porque  n\u00e3o pode ficar um vazio. Depois, claro, isso vai remeter pra um  imbr\u00f3glio judicial em que um vai dizer \u201cah, porque nesse per\u00edodo a lei  n\u00e3o remete\u201d. S\u00e3o coisinhas importantes dentre as tantas que t\u00eam que ser  questionadas. Eu tamb\u00e9m vou lembrar que existe nessas discuss\u00f5es feitas  em audi\u00eancias p\u00fablicas de um ano pra c\u00e1, quando a coisa come\u00e7ou a  esquentar, v\u00e1rios textos de entidades e at\u00e9 de parlamentares  isoladamente, com uma s\u00e9rie de propostas que foram ignoradas pelo  relat\u00f3rio do Aldo Rebelo. A audi\u00eancia p\u00fablica hoje \u00e9 vista como uma mera  ausculta\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, tu d\u00e1s a tua opini\u00e3o, fica registrado, mas  n\u00e3o acontece nada do que tu prop\u00f4s. Tua opini\u00e3o, teu brado, acaba n\u00e3o  tendo conseq\u00fc\u00eancia nenhuma sobre um relat\u00f3rio. O processo de discuss\u00e3o  do Aldo Rebelo teve o mesmo esquema: v\u00e1rias audi\u00eancias Brasil afora, mas  que n\u00e3o mudou nada no relat\u00f3rio do cara. E da\u00ed, dentre as discuss\u00f5es  sobre os substitutivos apresentados pelo PSOL [Partido Socialismo e  Liberdade, sigla partid\u00e1ria em que Gert \u00e9 filiado], por exemplo,  acabaram determinando que o do Aldo Rebelo seria o substitutivo global,  derrubando todos os outros. O governo negligenciou completamente a  discuss\u00e3o, antes por raz\u00f5es eleitorais porque tinham o rabo preso com os  ruralistas. Tanto \u00e9 que a bancada do PT [que comp\u00f5e a base governista  da presidenta Dilma Rousseff] se dividiu, a maioria votou pelo projeto  do Aldo Rebelo e 35 deputados votaram \u201cn\u00e3o\u201d ao projeto dele. Se o  governo tivesse se empenhado j\u00e1 no ano passado, entrado nessa onda,  porque foram alertados que eles dariam o bote, que o projeto iria \u00e0  vota\u00e7\u00e3o, no meu entender, a Dilma cometeu um absurdo, porque ela deveria  estabelecer e orientar os l\u00edderes de bancada no congresso a se  preocupar com essa hist\u00f3ria do caso, provavelmente ter\u00edamos um desfecho  diferente. Ela entrou tardiamente no processo. A discuss\u00e3o foi  caricatural, os remendinhos de \u00faltima hora no texto. Isso conotou uma  vis\u00e3o pequena que eles fazem da natureza no Brasil. Eles poderiam at\u00e9  pedir que o Aldo Rebelo n\u00e3o fosse o relator. Eu ainda gostaria de saber  com mais detalhes por que ele acabou sendo o relator do c\u00f3digo florestal  na C\u00e2mara. Porque teriam outros nomes, com muito mais tradi\u00e7\u00e3o dentro  do movimento social e ecol\u00f3gico. O Aldo Rebelo n\u00e3o tem nenhuma, o cara  pode ser um sindicalista que lutou no tempo da ditadura, mas na \u00e1rea  ambiental, n\u00e3o tem nada. Mais tarde foi-se descobrir que a Coca-Cola e o  McDonald\u2019s contribu\u00edram na campanha dele, tal. \u00c9 um jogo de interesses  que \u00e9 dif\u00edcil tentar descolar, porque o cara vai l\u00e1 e cobra a fatura.<\/p>\n<p><strong>DIARINHO \u2013 O que o senhor acha  da n\u00e3o obrigatoriedade de manter reserva legal na mesma microbacia onde  acontece o desmatamento? Pode ser ruim pra preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente?<\/strong><br \/>\n<strong>Gert<\/strong> \u2013 Isso \u00e9 de uma perversidade total, porque eu  comprometo aqui uma microbacia e vou achar que posso compensar de outra  maneira l\u00e1 adiante, num outro ecossistema. Isso a\u00ed eu acho que \u00e9 uma  f\u00f3rmula daquelas que voc\u00ea piora cada vez mais ao querer remendar. Do  ponto de vista ecol\u00f3gico, n\u00e3o \u00e9 compensa\u00e7\u00e3o alguma.<\/p>\n<p><strong>DIARINHO \u2013 O senhor acompanhou o  caso dos extrativistas que denunciavam desmatamentos e que foram  assassinados nos \u00faltimos dias no Par\u00e1? A que atribuiu as mortes?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Gert<\/strong> \u2013 N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 na  Amaz\u00f4nia. De Bras\u00edlia pra cima, \u00e9 um faroest\u00e3o. \u00c9 a lei do mais forte.  Voc\u00ea vai denunciar, vai fazer boletim de ocorr\u00eancia onde? Numa dist\u00e2ncia  de 300 quil\u00f4metros tem um delegado, mas voc\u00ea nem sabe se ele vai estar  l\u00e1. Esse conforto que a gente tem de que chama o 190 [n\u00famero de  emerg\u00eancia da pol\u00edcia militar] e a pol\u00edcia vem, l\u00f3gico que vai demorar  os 15 ou 20 minutos, \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o existe l\u00e1. Ent\u00e3o, o cara que  te aponta uma arma e te faz uma amea\u00e7a, de duas coisas, uma: se tu  saires vivo da primeira vez, melhor tu n\u00e3o passares por perto do cara. \u00c9  uma terra de pistoleiros. E a impunidade, a forma como a Justi\u00e7a est\u00e1  organizada hoje no Brasil, alimenta isso. \u00c9 um problema de direitos  humanos, de cidadania, do Estado, de C\u00f3digo Penal. H\u00e1 d\u00e9cadas est\u00e1 se  falando em reformar o c\u00f3digo do processo penal, que te d\u00e1 a vantagem de  sair da cadeia, mesmo sendo criminoso, pra cumprir s\u00f3 cinco anos dos 30  que deveria cumprir. E n\u00e3o se faz nada nunca. De outro lado, se tu  olhares os crimes financeiros, os crimes de colarinho branco, que s\u00e3o os  mais perversos\u2026 Quando se fala em tr\u00e1fico de influ\u00eancia\u2026 Se eu posso  comprar um inspetor, pagar uma propina pra um delegado, eu n\u00e3o posso  comprar um parlamentar? \u00c9 s\u00f3 uma quest\u00e3o de n\u00famero.<\/p>\n<p><strong>DIARINHO \u2013 Em 2007, a pol\u00edcia  deflagrou a opera\u00e7\u00e3o \u201cMoeda Verde\u201d em Santa Catarina, em que prendeu  empres\u00e1rios, pol\u00edticos e servidores p\u00fablicos por libera\u00e7\u00e3o de licen\u00e7as  ambientais. Depois, todos foram soltos. Como em casos de esc\u00e2ndalos  pol\u00edticos, a \u00e1rea ambiental tamb\u00e9m sofre com a impunidade?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Gert<\/strong><strong> \u2013 <\/strong>Toda  vida. Eu vou at\u00e9 remontar \u00e0 pergunta anterior. Esses casos dos  assassinatos que eu, como ecologista, eu rotulo essas pessoas de outra  forma. N\u00e3o s\u00e3o l\u00edderes camponeses; s\u00e3o tamb\u00e9m ecologistas. N\u00e3o gosto  quando a imprensa diz que era l\u00edder seringueiro s\u00f3 porque o cara  trabalhava na extra\u00e7\u00e3o do seringal. Mas, antes de mais nada, ele era um  l\u00edder ecologista. O Chico Mendes [l\u00edder sindicalista e ativista  ambiental que foi assassinado em 22 de dezembro de 1988, no Acre], por  exemplo, era um seringueiro, mas era um cara ecologista como eu,  articulado, com uma vis\u00e3o. Essa impunidade \u00e9 uma coisa que no Brasil  est\u00e1 cr\u00f4nica, n\u00e3o est\u00e1 correspondendo \u00e0 nossa riqueza ambiental. O  sistema judici\u00e1rio brasileiro t\u00e1 dissociado de uma exuber\u00e2ncia material  que a gente vive na sociedade, porque o Brasil \u00e9 um pa\u00eds rico. \u00c9 a regra  de uma Bol\u00edvia instalada numa Europa. Nossas institui\u00e7\u00f5es vivem essa  elite. Como \u00e9 que voc\u00ea vai imaginar que tem um sal\u00e1rio de R$ 34 mil na  Assembl\u00e9ia Legislativa de Santa Catarina, acima do teto? [Gert se refere  a uma lista que foi divulgada, inclusive no DIARINHO, na semana  passada, e apontava servidores e ex-parlamentares ganhando acima do  sal\u00e1rio dos deputados estaduais]. A conclus\u00e3o mais simpl\u00f3ria \u00e9 que eles  legislam em causa pr\u00f3pria. Tem meia d\u00fazia de parlamentares que jamais  entrariam numa furada desta, mas s\u00f3 representam uns 5%. N\u00e3o diziam  antigamente que tinha os 300 picaretas? Agora chegamos \u00e0 conclus\u00e3o que  tem mais que 300, bem mais. Ao inv\u00e9s de diminuir, aumentou. Eles fazem  as corpora\u00e7\u00f5es, legislam em causa pr\u00f3pria. Ent\u00e3o, enquanto n\u00e3o  conseguirmos reverter este padr\u00e3o, n\u00f3s vamos de mal a pior tamb\u00e9m na  legisla\u00e7\u00e3o ambiental. Quando eu fui parlamentar, h\u00e1 20 anos, em Porto  Alegre, eram grupos de apoio, vaquinha, passar o chap\u00e9u. Nenhuma empresa  colaborou com a minha campanha e eu n\u00e3o tinha o rabo preso com ningu\u00e9m.  Tinha absoluta autonomia e n\u00e3o precisava prestar contas nem pro  McDonald\u2019s nem pra Coca-Cola. Enquanto tiver beneficiando as elites,  eles n\u00e3o v\u00e3o mudar as regras do jogo. Em janeiro eles come\u00e7aram a falar  da reforma pol\u00edtica, agora j\u00e1 amaciaram, j\u00e1 saiu da pauta. O que estamos  vivendo hoje no Brasil \u00e9 muito desalentador, muito triste pra n\u00f3s que  estamos engajados nessa luta. \u00c9 de pensar que estamos de novo diante dos  pr\u00f3ximos 20 anos correndo atr\u00e1s da mar\u00e9 e as coisas s\u00f3 v\u00e3o piorar. Mas,  por outro lado, n\u00e3o vamos jogar a toalha. A maioria dos parlamentares  cometeu um erro, votou errado, e esperamos que a situa\u00e7\u00e3o possa se  reverter no Senado. Ent\u00e3o, calma com o foguet\u00f3rio, com o churrasco dos  ruralistas. Esse modelo vai bater nos limites ecol\u00f3gicos que j\u00e1 est\u00e3o  anunciados. A natureza vai reagir da pior forma poss\u00edvel, n\u00e3o dando mais  \u00e1gua, sufocando no ver\u00e3o e congelando no inverno, causando enxurradas. A  natureza j\u00e1 est\u00e1 reagindo da pior forma pra humanidade. No sistema  biol\u00f3gico, tem o ponto de satura\u00e7\u00e3o, o ponto de n\u00e3o-retorno. Quando se  chega num determinado ponto do ecossistema, ele entra em colapso. A vida  come\u00e7a a ficar comprometida. Mas quem t\u00e1 fazendo isso, \u00e9 a natureza?  N\u00e3o. S\u00e3o rios inteiros de cloacas que est\u00e3o sendo derramados, e tamb\u00e9m  de t\u00f3xicos. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 merda dilu\u00edda, os t\u00f3xicos que v\u00eam do agroneg\u00f3cio  que tamb\u00e9m chegam, seja por via da \u00e1gua ou pelas nuvens. Ent\u00e3o, n\u00f3s  temos de mudar.<\/p>\n<p><strong> <\/strong><\/p>\n<p><strong>DIARINHO \u2013 Hoje, qual o principal entrave que a quest\u00e3o ambiental vive em Santa Catarina?<\/strong><\/p>\n<p><strong><strong>Gert<\/strong> \u2013 Pois eu  destacaria duas quest\u00f5es: a amea\u00e7a da fosfateira da Vale, em Anit\u00e1polis,  que \u00e9 um complexo tremendamente poluidor e que vai na linha do fomento  ao agroneg\u00f3cio, pra produ\u00e7\u00e3o de fosfato pra usar no adubo artificial; e a  outra coisa que \u00e9 mais capilar e ampla geograficamente \u00e9 a especula\u00e7\u00e3o  imobili\u00e1ria do litoral. A natureza tem um problema: quando voc\u00ea acha uma  coisa bonita, essa beleza se torna atra\u00e7\u00e3o pra <\/strong>explora\u00e7\u00e3o. O  litoral catarinense \u00e9 muito bonito por causa desses recortes de  montanhas permeadas com plan\u00edcies, mangues, praias bonitas e que \u00e9  aquela vis\u00e3o do para\u00edso. Quem n\u00e3o quer ter o seu bangal\u00f4 num pedacinho  do para\u00edso? E a\u00ed vem o dinheiro atr\u00e1s. Eu ofere\u00e7o pelo teu peda\u00e7o de  para\u00edso R$ 2 milh\u00f5es. A\u00ed, atr\u00e1s disso vem um complexo tur\u00edstico,  conjunto de campos de golfes, da\u00ed como n\u00e3o tem terreno voc\u00ea tem que  aterrar um pouquinho do banhado ali, tirar um pouquinho da restinga. E  assim vai. Este ano faz 20 anos que eu estou em Florian\u00f3polis. Eu vi  isso mudar completamente na \u00faltima d\u00e9cada, num estalar de dedos,  praticamente. Do ano 2000 pra c\u00e1, a cidade se transfigurou. E a\u00ed as  coisas todas se complementam, tudo aumenta junto: renda, exporta\u00e7\u00e3o,  carros. O ordenamento territorial hoje na nossa regi\u00e3o \u00e9 uma piada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O militante do PSOL Gert Schinke,\u00a0 de Florian\u00f3polis, concedeu entrevista ao jornal Diarinho do Litoral, na sess\u00e3o \u201cEntrevist\u00e3o\u201d, sobre as mudan\u00e7as aprovadas pela C\u00e2mara dos Deputados no C\u00f3digo Florestal brasileiro. 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