{"id":1925,"date":"2013-04-17T00:00:00","date_gmt":"2013-04-17T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/psol50.org.br\/arquivo\/2013\/04\/17\/de-carajas-a-felisburgo-violencia-contra-trabalhadores-do-campo-persiste\/"},"modified":"2013-04-17T00:00:00","modified_gmt":"2013-04-17T00:00:00","slug":"de-carajas-a-felisburgo-violencia-contra-trabalhadores-do-campo-persiste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/psol50.org.br\/de-carajas-a-felisburgo-violencia-contra-trabalhadores-do-campo-persiste\/","title":{"rendered":"De Caraj\u00e1s a Felisburgo, viol\u00eancia contra trabalhadores do campo persiste"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\">\n\t<em>Iris Pacheco<\/em><em>, <em><a href=\"http:\/\/www.mst.org.br\/content\/de-caraj%C3%A1s-felisburgo-viol%C3%AAncia-e-impunidade-contra-trabalhadores-do-campo-persiste\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">da P\u00e1gina do MST<\/a><\/em><\/em><br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tA tens\u00e3o causada pela disputa por terras tem se agravado e elevado o n\u00famero de mortos em conflitos fundi\u00e1rios no Brasil. Na maioria dos casos o poder judici\u00e1rio omite sua responsabilidade em solucionar de assegurar aos trabalhadores e trabalhadoras rurais a garantia do direito \u00e0 terra.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tEm 2012, o n\u00famero de assassinatos no campo cresceu 10,3% em rela\u00e7\u00e3o a 2011, subindo de 29 para 32. As mortes aconteceram, em sua maioria, no Par\u00e1 e em Rond\u00f4nia, estados onde os conflitos por terras e as disputas em torno da explora\u00e7\u00e3o ilegal de madeira t\u00eam recrudescido nos \u00faltimos anos. No pa\u00eds, de 2000 a 2012, os conflitos agr\u00e1rios provocaram 458 mortes.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tPara Alexandre Concei\u00e7\u00e3o, da coordena\u00e7\u00e3o nacional do MST, \u201c\u00e9 preciso combater a impunidade contra a viol\u00eancia do latif\u00fandio. Os dados dos conflitos no campo atestam o crescimento de crimes referentes \u00e0 viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos e conflitos agr\u00e1rios. Enquanto isso o judici\u00e1rio permanece complacente na hora de julgar o latifundi\u00e1rio\u201d.<br \/>\n\tAbaixo, os assassinatos mais recentes e simb\u00f3licos daqueles que dedicaram sua vida lutando pela terra:<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\t<strong>Rio de Janeiro<\/strong><br \/>\n\t<strong>C\u00edcero Guedes &#8211; Trabalhador rural e militante do MST<\/strong><br \/>\n\tEm janeiro de 2012, C\u00edcero Guedes foi assassinado por pistoleiros, nas proximidades da Usina Cambahyba, no munic\u00edpio de Campos dos Goytacazes (RJ). C\u00edcero foi baleado com tiros na cabe\u00e7a quando sa\u00eda do assentamento de bicicleta.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tA usina \u00e9 um complexo de sete fazendas que totaliza 3.500 hectares. O local tem um hist\u00f3rico de 14 anos de luta pela terra. Em 1998 a \u00e1rea recebeu Decreto de Desapropria\u00e7\u00e3o para fins de Reforma Agr\u00e1ria. No entanto, at\u00e9 hoje a desapropria\u00e7\u00e3o n\u00e3o ocorreu.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\t<strong>Regina dos Santos Pinho \u2013 Militante do MST e CPT<\/strong><br \/>\n\tOnze dias ap\u00f3s a execu\u00e7\u00e3o de C\u00edcero Guedes, Regina dos Santos, \u00e9 encontrada em sua resid\u00eancia com um len\u00e7o vermelho amarado no pesco\u00e7o e seminua. Residente no assentamento Zumbi dos Palmares, Regina sempre contribuiu na milit\u00e2ncia do movimento e era refer\u00eancia em agroecologia no assentamento.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\t<strong>Par\u00e1<\/strong><br \/>\n\t<strong>Massacre de Eldorados dos Caraj\u00e1s<\/strong><br \/>\n\tEmblem\u00e1tico por ser considerado o maior caso contempor\u00e2neo de viol\u00eancia no campo, o Massacre de Eldorados dos Caraj\u00e1s, ocorrido em 17 de abril de 1996, resultou em 21 mortos e 37 feridos de bala. A a\u00e7\u00e3o policial se utilizou de 155 homens de dois grupos da Pol\u00edcia Militar do Par\u00e1 para atacar os Sem Terras.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tEm maio de 2002, em Bel\u00e9m, o coronel Mario Colares Pantoja, foi condenado a 280 anos de pris\u00e3o pelo tribunal do j\u00fari e pelo assassinato dos trabalhadores. Mesmo sendo condenado, o r\u00e9u s\u00f3 foi cumprir pena no Centro de Recupera\u00e7\u00e3o Anast\u00e1cio das Neves (Crecran) em 7 de maio de 2012, 10 anos depois.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\t<strong>Mamede Gomes de Oliveira \u2013 Trabalhador rural e militante do MST<\/strong><br \/>\n\tEm dezembro de 2012, \u201cseu Mamede\u201d foi assassinado dentro de seu lote na regi\u00e3o metropolitana de Bel\u00e9m, com dois tiros disparados por Luis Henrique Pinheiro, preso logo ap\u00f3s o assassinato.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tMamede era uma grande refer\u00eancia na pr\u00e1tica da Agroecologia e criou o Lote Agroecol\u00f3gico de Produ\u00e7\u00e3o Org\u00e2nica (Lapo), onde desenvolvia experi\u00eancias de agricultura familiar para comercializa\u00e7\u00e3o e consumo pr\u00f3prio.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\t<strong>Jos\u00e9 Cl\u00e1udio Ribeiro da Silva e Maria do Esp\u00edrito Santo Silva &#8211; Extrativistas<\/strong><br \/>\n\tO casal de extrativistas foi assassinado em maio de 2011, no interior do Projeto de Assentamento Praia Alta Piranheira, munic\u00edpio de Nova Ipixuna, Sudeste do Par\u00e1.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tDois anos depois, o j\u00fari popular absolveu Jos\u00e9 Rodrigues Moreira, apontado pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico como mandante da morte do casal. O mesmo j\u00fari condenou a 42 anos e oito meses o irm\u00e3o dele, Lindonjonson Silva Rocha, por ter armado a emboscada, e Alberto Lopes Nascimento, a 45 anos, como autor do duplo homic\u00eddio.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tAinda aguarda o julgamento de Gils\u00e3o e Gilvan, propriet\u00e1rios de terras no interior do Assentamento, que tamb\u00e9m teriam participado do crime como mandantes.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\t<strong>Paran\u00e1<\/strong><br \/>\n\t<strong>Sebasti\u00e3o Camargo \u2013 Trabalhador Sem Terra<\/strong><br \/>\n\tO trabalhador Sem Terra foi morto durante um despejo ilegal na cidade de Marilena, no Noroeste do Paran\u00e1, que envolveu cerca de 30 pistoleiros, entre eles Augusto Barbosa da Costa e Marcos Prochet, autor do disparo que matou o agricultor, todos integrantes de mil\u00edcia organizada pela Uni\u00e3o Democr\u00e1tica Ruralista (UDR). Al\u00e9m do assassinato de Camargo, 17 pessoas, inclusive crian\u00e7as, foram feridas durante a a\u00e7\u00e3o truculenta.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tO julgamento dos acusados de assassinar Sebasti\u00e3o Camargo, que estava previsto para fevereiro desde ano, foi mais uma vez adiado.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\t<strong>Jos\u00e9 Alves dos Santos e Vanderlei das Neves &#8211; Trabalhadores rurais<\/strong><br \/>\n\tEm 16 de janeiro de 1997, cerca de dez trabalhadores foram alvejados por tiros em uma lavoura de milho. Na ocasi\u00e3o, al\u00e9m de Neves e Santos, que morreram no local, Jos\u00e9 Ferreira da Silva, 38 anos, tamb\u00e9m foi ferido com um tiro de rasp\u00e3o no olho.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tO crime aconteceu na Fazenda Pinhal Ralo, em Rio Bonito do Igua\u00e7u, da empresa Giacometi Marondin (atual Araupel). Os acusados, Antoninho Valdecir Somenzi, 57 anos, e Jorge Dobinski da Silva, 69 anos, foram absolvidos pelo j\u00fari, que alegou falta de provas para atribuir os crimes aos suspeitos.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\t<strong>Valmir Motta de Oliveira (Keno)<\/strong><br \/>\n\tEm 2007, Valmir Motta de Oliveira, conhecido como Keno, foi morto por pistoleiros, quando o MST ocupou a \u00e1rea da empresa Syngenta, em Santa Tereza do Oeste, para denunciar a transnacional pela realiza\u00e7\u00e3o de testes ilegais com transg\u00eanicos nas proximidades do Parque Nacional do Igua\u00e7u.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\t<strong>Bahia<\/strong><br \/>\n\t<strong>F\u00e1bio Santos da Silva \u2013 Militante do MST<\/strong><br \/>\n\tF\u00e1bio foi assassinado por pistoleiros com 15 tiros, no in\u00edcio desde m\u00eas de abril, no munic\u00edpio de Igua\u00ed, regi\u00e3o sudoeste da Bahia. Os militantes do MST da regi\u00e3o come\u00e7aram a sofrer amea\u00e7as dos latifundi\u00e1rios, desde o ano de 2010, quando fam\u00edlias acampadas no Acampamento M\u00e3e Terra realizaram diversas ocupa\u00e7\u00f5es.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\t<strong>Minas Gerais<\/strong><br \/>\n\t<strong>Massacre de Felisburgo<\/strong><br \/>\n\tFoi em novembro de 2004. Cinco Sem Terra foram assassinados por jagun\u00e7os armados, que invadiram o acampamento Terra Prometida, em Felisburgo, na regi\u00e3o do Vale do Jequitinhonha (MG). Outros 20 ficaram gravemente feridos, barracos e planta\u00e7\u00f5es foram queimados.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tO latifundi\u00e1rio mandante do crime, Adriano Chafik, propriet\u00e1rio da fazenda Nova Alegria, ocupada havia dois anos por 230 fam\u00edlias do MST, confessou publicamente ser o mandante da chacina.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tNove anos depois, o julgamento, inicialmente previsto para janeiro deste ano, foi finalmente marcado para o dia 15 de maio, em Belo Horizonte.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\t<strong>Chacina De Una\u00ed<\/strong><br \/>\n\tEm Janeiro de 2004, quatro servidores da Delegacia Regional do Minist\u00e9rio do Trabalho foram assassinados quando apuravam uma den\u00fancia de trabalho escravo em fazendas do agroneg\u00f3cio, na zona rural de Una\u00ed, noroeste de Minas Gerais. A \u201cChacina de Una\u00ed\u201d motivou a celebra\u00e7\u00e3o do dia 28 de janeiro como o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo.<br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Iris Pacheco, da P\u00e1gina do MST &nbsp; A tens\u00e3o causada pela disputa por terras tem se agravado e elevado o n\u00famero de mortos em conflitos fundi\u00e1rios no Brasil. 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