{"id":221,"date":"2008-11-06T00:00:00","date_gmt":"2008-11-06T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/psol50.org.br\/arquivo\/2008\/11\/06\/contribuicao-para-o-balanco-das-eleicoes-municipais-2008\/"},"modified":"2008-11-06T00:00:00","modified_gmt":"2008-11-06T00:00:00","slug":"contribuicao-para-o-balanco-das-eleicoes-municipais-2008","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/psol50.org.br\/contribuicao-para-o-balanco-das-eleicoes-municipais-2008\/","title":{"rendered":"Contribui\u00e7\u00e3o para o balan\u00e7o das elei\u00e7\u00f5es municipais 2008"},"content":{"rendered":"<p>Fazemos o balan\u00e7o das elei\u00e7\u00f5es no marco de mudan\u00e7as fundamentais na situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. A crise desembarcou no Brasil. Ainda que hoje n\u00e3o se conhe\u00e7a sua dimens\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel afirmar que entramos em uma nova situa\u00e7\u00e3o aonde quem dar\u00e1 as cartas ser\u00e1 o desenvolvimento da crise econ\u00f4mica e a capacidade de resist\u00eancia do movimento social brasileiro.<br \/><!--more--><\/p>\n<p>Neste panorama devemos avaliar os resultados eleitorais, destacando o marco conjuntural do alto \u00edndice de popularidade do governo Lula e de certa \u201cestabilidade\u201d econ\u00f4mica acumulada na etapa anterior. Assim a base governista conseguiu aumentar seu potencial eleitoral e Lula ocultar a gravidade da situa\u00e7\u00e3o com suas costumeiras bravatas de que a crise n\u00e3o chegaria ao Brasil ou as rid\u00edculas teses sobre o \u201cdescolamento\u201d. \u00a0<\/p>\n<p>Nas elei\u00e7\u00f5es de outubro mais de 120 milh\u00f5es de brasileiros compareceram \u00e0s urnas e elegeram 5.563 prefeitos e 52.137 vereadores em todo o pa\u00eds. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, no segundo turno foi computado um alto \u00edndice de absten\u00e7\u00e3o, com 18,11%, superior ao verificado no primeiro turno que foi de 14,54%. S\u00f3 na cidade do Rio de Janeiro a absten\u00e7\u00e3o chegou a 20,02%, a segunda mais alta em todo o pa\u00eds. <\/p>\n<p>\u00c9 surpreendente tamb\u00e9m o n\u00famero de prefeitos das capitais reeleitos: dos 20 prefeitos que tentaram um novo mandato, 19 conseguiram tal proeza, e de acordo com a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional de Munic\u00edpios dos 3.357 prefeitos candidatos \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o, 2.245 conseguiram sua recondu\u00e7\u00e3o, ou seja, 67% em todo o pa\u00eds. O que demonstra a utiliza\u00e7\u00e3o da m\u00e1quina das prefeituras a servi\u00e7o da reelei\u00e7\u00e3o, apoiada principalmente nos programas sociais compensat\u00f3rio, al\u00e9m da aus\u00eancia de candidaturas com viabilidade eleitoral com capacidade de polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. <\/p>\n<p>Nas elei\u00e7\u00f5es municipais sabemos que se verifica um alto grau de pulveriza\u00e7\u00e3o, de despolitiza\u00e7\u00e3o, de fisiologismo, dos escandalosos financiamentos privados de campanha e da conseq\u00fcente aus\u00eancia de debate ideol\u00f3gico, com raras exce\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m do mais, vivemos \u00e0 aus\u00eancia do fen\u00f4meno progressivo representado em outras \u00e9pocas pelos votos petistas, cujo conte\u00fado era mais ideol\u00f3gico, e que para uma parcela expressiva da popula\u00e7\u00e3o representava a possibilidade de mudan\u00e7as. Este fen\u00f4meno j\u00e1 n\u00e3o existe mais, o hoje o voto no PT, \u00e9 igual votar no PMDB, PSDB, PP, etc.<\/p>\n<p>Assim, vivenciamos um quadro dominado pelo poder de manipula\u00e7\u00e3o dos votos por parte das m\u00e1quinas eleitorais dos partidos da burguesia. Imperou o poder econ\u00f4mico e a bandidagem, que busca na imunidade parlamentar\u00a0 um salvo-conduto para seus crimes: metade dos candidatos com pend\u00eancias judiciais penais, os chamados de \u201cfichas sujas\u201d, conseguiu se reeleger. Foram elei\u00e7\u00f5es num clima bastante frio, sem empolga\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o visto o descr\u00e9dito do regime pol\u00edtico e dos partidos e da aus\u00eancia de debate pol\u00edtico e ideol\u00f3gico. <\/p>\n<p>O PMDB continua sendo o partido com o maior n\u00famero de prefeituras, estando \u00e0 frente de 1.202 munic\u00edpios e de seis capitais, destacando: Rio de Janeiro, Porto Alegre e Salvador. Sendo que nas duas \u00faltimas capitais citadas, o PT foi o grande derrotado. No caso do Rio de Janeiro, a elei\u00e7\u00e3o foi polarizada entre Eduardo Paes (PMDB), candidato do governador Sergio Cabral, apoiado pelo presidente Lula e at\u00e9 mesmo pela \u201ccomunista\u201d Jandira Fegalhi contra Fernando Gabeira (PV), apoiado pelos tucanos, que por pouco n\u00e3o ganha a Prefeitura, a diferen\u00e7a foi de apenas 55 mil votos. Sendo que o alto \u00edndice de absten\u00e7\u00e3o ajudado pelo feriad\u00e3o decretado por Cabral, acabou prejudicando Gabeira.<\/p>\n<p>O \u201cvitaminado\u201d PMDB, como um bom partido fisiologista que \u00e9, hoje conta com cinco minist\u00e9rios (Defesa, Integra\u00e7\u00e3o Nacional, Minas e Energia, Comunica\u00e7\u00f5es e Sa\u00fade) possivelmente vender\u00e1 ainda mais caro seu apoio ao candidato do governo federal em 2010. E ser\u00e1 assediado at\u00e9 mesmo pelos tucanos, que j\u00e1 arrebanharam o apoio do PMDB paulista encabe\u00e7ado por Orestes Qu\u00e9rcia. \u00a0<\/p>\n<p>No cen\u00e1rio atual, o mais prov\u00e1vel \u00e9 que o PMDB indique o vice-presidente da ministra Dilma Roussef, sendo um dos cotados o governador do Rio de Janeiro, S\u00e9rgio Cabral. Seu fortalecimento j\u00e1 lhe permite disputar com maior cacife as presid\u00eancias da C\u00e2mara e do Senado.<\/p>\n<p><strong>O PT consolida seu retrocesso nas regi\u00f5es sul e sudeste<\/strong><\/p>\n<p>O PT tamb\u00e9m avan\u00e7ou do ponto de vista num\u00e9rico, conseguiu aumentar o n\u00famero de prefeituras sob sua influ\u00eancia, principalmente nas cidades de pequeno e m\u00e9dio porte e na regi\u00e3o norte e nordeste, mas do ponto de vista pol\u00edtico n\u00e3o conseguiu emplacar nenhuma grande vit\u00f3ria, deixando de ganhar em cidades importantes, a exemplo de S\u00e3o Paulo, Porto Alegre, Salvador, fazendo um fiasco eleitoral no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>\u00a0O PT consolida seu retrocesso no sul e no sudeste e ratifica-se nessa elei\u00e7\u00e3o como apenas mais um partido da ordem e nem mesmo os altos \u00edndices de popularidade de Lula e sua participa\u00e7\u00e3o nos programas eleitorais da TV ajudaram o PT a ganhar as elei\u00e7\u00f5es em importantes cidades, evidenciando a dificuldade de transfer\u00eancia de votos. Em S\u00e3o Paulo o PT amargou sua principal derrota e junto com ela a esperan\u00e7a de Marta Suplicy poder alavancar sua candidatura a Presidente concorrendo com Dilma Roussef. Em Porto Alegre, uma das primeiras cidades a ser governada pelo modo petista de governar, a popula\u00e7\u00e3o preferiu a reelei\u00e7\u00e3o de Foga\u00e7a (PMDB) do que a volta do petismo.<\/p>\n<p>Apesar da vit\u00f3ria do DEM em S\u00e3o Paulo com a reelei\u00e7\u00e3o de Gilberto Kassab com 60,7% de votos, uma derrota acachapante do PT, este partido \u00e9 um dos grandes perdedores da elei\u00e7\u00e3o, diminuindo em 37% o n\u00famero de prefeituras. Destacando a derrota do \u201ccarlismo\u201d na Bahia que passou das atuais 157 para 43 prefeituras e ficando em terceiro lugar em Salvador. No caso de S\u00e3o Paulo a vit\u00f3ria foi compartilhada com Jos\u00e9 Serra, que apoiou Kassab mesmo contrariando parte dos tucanos paulistas. Serra, sem d\u00favida aumenta seu potencial como candidato de oposi\u00e7\u00e3o na disputa de 2010 com a vit\u00f3ria de Kassab e o enfraquecimento de Alckmin. O atual governador A\u00e9cio Neves (MG), cotado para a disputa presidencial, n\u00e3o conseguiu fazer com que seu candidato, M\u00e1rcio Lacerda (PSB), ganhasse no primeiro turno. Com uma ampla alian\u00e7a que uniu o PSDB e o PT, Lacerda teve que suar a camisa para ganhar a elei\u00e7\u00e3o no segundo turno contra Leonardo Quint\u00e3o (PMDB).<\/p>\n<p>Os tucanos perderam 79 prefeituras passando de 859 para 780 cidades, entre as capitais ganharam Curitiba, Teresina e S\u00e3o Luiz, etc.<\/p>\n<p>Nestas elei\u00e7\u00f5es tivemos um fortalecimento da base governamental, com destaque para o PMDB e um enfraquecimento global da oposi\u00e7\u00e3o de direita (PSDB e DEM), que perdeu 10 milh\u00f5es de eleitores, sendo substitu\u00eddo pelo \u201cnovo\u201d coronelismo representado pelo PT e pelo PMDB. Mas apesar disso n\u00e3o podemos negar o fortalecimento de Serra. Por outro lado Ciro Gomes, potencial representante do \u201cbloquinho\u201d n\u00e3o conseguiu sequer emplacar sua candidata \u00e0 prefeita de Fortaleza, que amargou o terceiro lugar.\u00a0 Por sua vez, os partidos governistas do chamado \u201cbloquinho\u201d (PSB, PDT e PCdoB) tamb\u00e9m aumentaram o n\u00famero de prefeituras, sobre tudo no norte e nordeste.<\/p>\n<p><strong>Qual o cen\u00e1rio para 2010?<\/strong><\/p>\n<p>Concordando com a premissa do articulista do Jornal \u201cFolha de S\u00e3o Paulo\u201d: \u201cCorre o risco de parecer fr\u00edvolo ou lun\u00e1tico quem se disp\u00f5e a comentar o saldo das elei\u00e7\u00f5es sem olhar o mundo sombrio da economia&#8230; Deve estar certo quem pensa que os resultados municipais ter\u00e3o efeito menor sobre a vida das pessoas do que o estrago que o terremoto na finan\u00e7a global apenas come\u00e7a a produzir\u201d. (Fernando de Barros e Silva &#8211; 27\/10\/2008).<\/p>\n<p>Erram os que apostam que 2009 ser\u00e1 uma mera prepara\u00e7\u00e3o para 2010. A depender da mudan\u00e7a do cen\u00e1rio pol\u00edtico e econ\u00f4mico e do cont\u00e1gio da economia brasileira pela crise econ\u00f4mica mundial, outro ser\u00e1 o panorama. Lembremos que at\u00e9 agora o governo de Lula n\u00e3o passou por nenhuma crise econ\u00f4mica. As<br \/>\nsim, o menos prov\u00e1vel \u00e9 que continuemos neste clima de \u201cotimismo governamental\u201d. <\/p>\n<p>Devemos considerar que o movimento de massas brasileiro n\u00e3o est\u00e1 derrotado, pelo contr\u00e1rio, apesar de estar mais atr\u00e1s na capacidade de mobiliza\u00e7\u00e3o comparada com os nossos irm\u00e3os latino americanos, \u00e9 um gigante que poder\u00e1 ser despertado, passando por cima at\u00e9 mesmo das dire\u00e7\u00f5es pelegas da CUT, For\u00e7a Sindical e CGT. Neste ano j\u00e1 se verifica um aumento das lutas em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior e v\u00e1rias categorias, como policias civis, banc\u00e1rios, correios e os trabalhadores da iniciativa privada v\u00eam protagonizando importantes mobiliza\u00e7\u00f5es. Cabe ao PSOL, \u00e0 Conlutas, Intersindical, as novas dire\u00e7\u00f5es sindicais e dos movimentos apostarem na mudan\u00e7a deste novo cen\u00e1rio apostando nas lutas e nas mobiliza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Os resultados do PSOL e as perspectivas<\/strong><\/p>\n<p>O PSOL disputou sua primeira elei\u00e7\u00e3o municipal. Lan\u00e7ou candidatos em 22 capitais e mais de 450 cidades. Foram 274 candidatos a prefeito e 2.367 a vereador. Alcan\u00e7ou 795.275 votos para a elei\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria e 465.533 votos para as c\u00e2maras municipais. Elegeu no total 25 vereadores, em 13 estados e 22 munic\u00edpios.<\/p>\n<p>Heloisa Helena teve 7,4% dos votos na capital de Alagoas e foi a Vereadora mais votada do Brasil.<\/p>\n<p>Nas capitais, o PSOL reelegeu vereadores no Rio de Janeiro, em Goi\u00e1s e Macap\u00e1. Elegeu pela primeira vez em Porto Alegre. Em Fortaleza foi com o mais votado. <\/p>\n<p>Destaca-se a reelei\u00e7\u00e3o em Niter\u00f3i (RJ), com expressiva vota\u00e7\u00e3o. No entanto, n\u00e3o se conseguiu reeleger todos os vereadores, a exemplo de Campinas.<\/p>\n<p>Dos candidatos que disputaram o executivo nas capitais os melhores resultados foram de Luciana Genro com 9,22%; de Renato Roseno com 5,67% em Fortaleza; de Martiniano com 4,88% em Goi\u00e2nia; e Hilton com 3,94%, em Salvador. Em outras cidades, destaca-se a vota\u00e7\u00e3o de Paulo Eduardo que obteve 8% em Niter\u00f3i (RJ).<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro, concorreram nossos deputados federais, Ivan Valente e Chico Alencar, que obtiveram 0,67% e 1,81% respectivamente. <\/p>\n<p><strong>A pol\u00edtica por tr\u00e1s dos n\u00fameros<\/strong><\/p>\n<p>Agora \u00e9 hora de avaliar com seriedade nossa interven\u00e7\u00e3o no processo eleitoral. Os companheiros do MES afirmam que o partido \u201csaiu vitorioso e fortalecido. Saiu mais implantado nacionalmente. Saiu com mais lideran\u00e7as. Os resultados, logicamente, foram desiguais. O marco, contudo, \u00e9 de triunfo pol\u00edtico-eleitoral do partido\u201d. (\u201cO PSOL afirma seu espa\u00e7o pol\u00edtico nacional\u201d).<\/p>\n<p>Vemos que \u00e9 necess\u00e1rio analisar todos os n\u00fameros e, mais ainda, a pol\u00edtica por tr\u00e1s dos n\u00fameros. A maioria dos vereadores eleitos \u00e9 de cidades do interior do AC, do AM, do AP, de MG, do MT, do PR e de SP. E a maior fragilidade dos resultados eleitorais foi nas grandes capitais: SP, RJ e BH. No resultado total, ficamos \u00e0 frente apenas do PCB, do PSTU e do PCO. <\/p>\n<p>Avaliamos, como um resultado ainda pequeno. Temos que ter no\u00e7\u00e3o da dimens\u00e3o do partido, de sua implanta\u00e7\u00e3o: 25 em 52.157 \u00e9 igual \u00e0 0,04% dos vereadores. Podemos explicar este resultado pela conjuntura pol\u00edtica do per\u00edodo anterior, com relativa estabilidade e de popularidade de Lula. Mas achamos que tamb\u00e9m est\u00e1 relacionado com a falta de uma pol\u00edtica nacional e de iniciativas unificadas do partido. As quais vinculassem suas figuras p\u00fablicas, dirigentes e militantes aos fatos da luta de classes que n\u00e3o deixaram de acontecer, e n\u00e3o somente aos fatos de corrup\u00e7\u00e3o, onde o partido soube dar boas respostas sobre tudo institucionais. A dire\u00e7\u00e3o deixou de funcionar como tal durante um longo per\u00edodo. \u00a0<\/p>\n<p>Mas o balan\u00e7o mais significativo deve ser feito do ponto de vista pol\u00edtico. Nosso balan\u00e7o \u00e9 de que houve um retrocesso pol\u00edtico-program\u00e1tico claro.\u00a0 Em primeiro lugar, nas alian\u00e7as. Com quais partidos o PSOL coligou para eleger esses vereadores? Infelizmente, devemos reconhecer que dos 25 eleitos, nove estiveram fora dos par\u00e2metros, j\u00e1 \u201camplos\u201d, deliberados pelo Diret\u00f3rio Nacional. Chegou-se ao c\u00famulo de ter vereadores \u201cdo PSOL\u201d eleitos em coliga\u00e7\u00e3o com PSDB, DEM e PT! Isso n\u00e3o pode ser considerado como resultado de um \u201cavan\u00e7o\u201d ou \u201cfortalecimento\u201d do PSOL. Ferem at\u00e9 mesmo a resolu\u00e7\u00e3o da II Confer\u00eancia Eleitoral, pois a mesma vetou \u201calian\u00e7as com PSDB, DEM, PMDB, PT e os partidos mensaleiros\u201d. <\/p>\n<p>Os vereadores de Macap\u00e1, por sua vez, foram eleitos numa coliga\u00e7\u00e3o autorizada pelo Diret\u00f3rio Nacional com partido da base do Governo Lula, o PSB. Ali, o PSOL entregou a cabe\u00e7a de chapa para os Capiberibe.<\/p>\n<p><strong>Vereadores eleitos em coliga\u00e7\u00f5es com partidos da base do governo Lula ou da velha direita <\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p>Acre<\/p>\n<p>Porto Acre: PSOL\/PRB\/ PPS \u2013 172 votos, 2,13%. \u00a0<\/p>\n<p>Amap\u00e1 <\/p>\n<p>Macap\u00e1: PSB\/PSOL\/ PMN \u2013 4.069 votos, 2,23%.<\/p>\n<p>Ita\u00fabal: PSB\/PSOL\/ PMN \u2013 152 votos, 4,65%. <\/p>\n<p>Pracu\u00faba: PSL\/PR\/PSOL\/DEM\/PT &#8211; a coliga\u00e7\u00e3o venceu a elei\u00e7\u00e3o, 137 votos, 5,92%.<\/p>\n<p>Amazonas<\/p>\n<p>Atalaia do Norte: PSOL\/ PPS\/PSB\/PTdoB (sem majorit\u00e1rio)\u2013 182, 5,67%.<\/p>\n<p>Mato Grosso<\/p>\n<p>Porto Esperidi\u00e3o: PSDB\/PDT\/PHS\/ PSOL \u2013 221 votos, 3,60%. <\/p>\n<p>Mirassol D&#8217;Oeste: PSDB\/PSOL \u2013 um 404 votos, 3,13%; e outro 381 votos, 2,95%.<\/p>\n<p>Par\u00e1<\/p>\n<p>Garraf\u00e3o do Norte: PSOL\/PTdoB (sem majorit\u00e1rio)- 534 votos, 3,83%.<\/p>\n<p>Paran\u00e1<\/p>\n<p>Santa Cruz do Monte Castelo: PSL\/PSDB\/PSOL\/ PRTB\/DEM &#8211; coliga\u00e7\u00e3o venceu a elei\u00e7\u00e3o, 309 votos, 5,81%.<\/p>\n<p>RS: Viam\u00e3o: PSOL\/PV &#8211; 1.681 votos, 1,51%.<\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p>Casa Branca: PMN\/PSOL &#8211; coliga\u00e7\u00e3o venceu a elei\u00e7\u00e3o, 359 votos, 2,35%.<\/p>\n<p>V\u00e1rzea Paulista: PSL\/PSOL (sem majorit\u00e1rio) &#8211; 1.212 votos, 2,08%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>\u00a0<strong>Vereadores eleitos pelo PSOL e\/ou pela Frente de esquerda<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p>Acre<\/p>\n<p>Manuel Urbano: PSOL. 207 votos, 5,71%. <\/p>\n<p>Alagoas<\/p>\n<p>Macei\u00f3: PSOL.\u00a0 1)\u00a0 29.516 votos, 7,40%; e\u00a0 2) 453 votos, 0,11%.<\/p>\n<p>Cear\u00e1<\/p>\n<p>Fortaleza: PSOL\/PSTU &#8211; 14.917 votos, 1,24%.<\/p>\n<p>Goi\u00e1s<\/p>\n<p>Goi\u00e2nia: PSOL\/PSTU\/ PCB &#8211; 2.698 votos, 0,43%.<\/p>\n<p>Minas Gerais<\/p>\n<p>Sete Lagoas: PSOL &#8211; 1.158 votos, 1,03%.<\/p>\n<p>Rio de Janeiro<\/p>\n<p>Rio de Janeiro: PSOL\/ PSTU &#8211; 15.703 votos, 0,50%.<\/p>\n<p>Niter\u00f3i: PSOL\/ PSTU- 4.452 votos 1,61%.<\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p>Mirassol: PSOL\/PSTU &#8211; 760 votos, 2,72%. <\/p>\n<p>S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto: PSOL\/PCB -, 3.636 votos, 1,71%.<\/p>\n<p>Rio Grande do Sul<\/p>\n<p>Porto Alegre: PSOL &#8211; 1) 13.569 votos, 1,79%; e 2) 2.984 votos, 0,39%.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>\u00c9 necess\u00e1rio abrir o debate sobre nossa pol\u00edtica nas elei\u00e7\u00f5es de Porto Alegre<\/strong><\/p>\n<p>Em Porto Alegre, uma de nossas principais lideran\u00e7as entrava na disputa com boa perspectiva. O balan\u00e7o \u00e9 importante pois se\u00a0 ali a atua\u00e7\u00e3o do PSOL\u00a0 foi correta, o conjunto do partido teria que adot\u00e1-la. <\/p>\n<p>No entanto, achamos que a estrat\u00e9gia da dire\u00e7\u00e3o do MES foi errada. Por aprovar a coliga\u00e7\u00e3o com o PV, por pedir financiamento \u00e0s grandes empresas, por colar Luciana \u00e0 figura de um ministro do Governo Lula e por comprometer caso ganhasse, a governar com a \u201ciniciativa privada\u201d. Achamos que dessa forma descaracterizamos o partido, rebaixamos o programa e isso trouxe a dilui\u00e7\u00e3o do perfil que d\u00e1 significado ao PSOL. Nem se nacionalizou a campanha sem aparecemos como oposi\u00e7\u00e3o de esquerda ao governo Lula. No jornal ZH, de 23\/07, Luciana dizia que \u201ca administra\u00e7\u00e3o dela, caso eleita, seguir\u00e1 o exemplo de seu pai, Tarso Genro&#8230;\u201d Ministro da Justi\u00e7a de um governo onde avan\u00e7a a injusti\u00e7a e a criminaliza\u00e7\u00e3o aos movimentos sociais!<\/p>\n<p>A campanha inaugurou, no PSOL, a utiliza\u00e7\u00e3o de contribui\u00e7\u00f5es patronais. Por proposta dos companheiros da dire\u00e7\u00e3o do MES, o PSOL recebeu do Grupo Multinacional GERDAU, a quantia de R$ 100 mil. Depois, foi citada a contribui\u00e7\u00e3o da maior rede varejista do Estado, Grupo Zaffari, com shoppings em outras cidades do pa\u00eds e faturamento de 1,2 bilh\u00f5es de reais (Fonte: Portal Exame 29\/10\/2008). O recebimento de recursos privados ocorreu sem debate na base do partido.<\/p>\n<p>Descumpriu-se assim a Carta votada na II Confer\u00eancia Na<br \/>\ncional Eleitoral. Em seu ponto \u201c6\u201d a carta diz que candidatos (as) do PSOL assumem o compromisso de excluir as contribui\u00e7\u00f5es das empresas vedadas \u201cpelo estatuto partid\u00e1rio &#8211; bancos e multinacionais &#8211; e as de empresas com contenciosos trabalhistas e ambientais\u201d. <\/p>\n<p>Al\u00e9m do recurso de numerosos filiados e militantes do RS e de outros de militantes do pa\u00eds inteiro repudiando a doa\u00e7\u00e3o, a Executiva Nacional, por maioria das correntes que a integram, com exce\u00e7\u00e3o do MES, manifestou-se contr\u00e1ria, considerando que \u201co combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o, o financiamento privado de campanha tem sido um dos ve\u00edculos da corrup\u00e7\u00e3o eleitoral por meio do caixa dois. Considerando que in\u00fameras campanhas partid\u00e1rias elegeram como eixo a den\u00fancia das campanhas milion\u00e1rias das candidaturas do cons\u00f3rcio petista e da velha direita. Compreendemos que (&#8230;) a op\u00e7\u00e3o realizada pela dire\u00e7\u00e3o de Porto Alegre se mostrou equivocada. Tal posi\u00e7\u00e3o sinaliza uma refer\u00eancia pol\u00edtica que nos fragiliza nacionalmente.\u201d <\/p>\n<p>Ao defender-se sobre a utiliza\u00e7\u00e3o do dinheiro da GERDAU, Luciana Genro declarou aos jornais que \u201ca proibi\u00e7\u00e3o da multinacional se d\u00e1 justamente porque as empresas que v\u00eam atuar no Brasil em geral se comportam de forma parasit\u00e1ria. Sugam nossa riqueza e mandam embora. N\u00e3o \u00e9 pelo fato de terem filiais em outras partes do mundo, mas pelo fato de remeterem os recursos que aqui ganham para filiais de outras partes do mundo. A Gerdau n\u00e3o se enquadra no conceito de multinacional previsto no estatuto do partido.\u201d<\/p>\n<p>\u00c9 uma novidade definir que uma multinacional ou uma grande empresa que explora milhares de oper\u00e1rios n\u00e3o se comporta de forma parasit\u00e1ria! Ser\u00e1 que o grupo Gerdau, que tamb\u00e9m possui um banco, n\u00e3o tem dinheiro em para\u00edsos fiscais, nunca especula, n\u00e3o explora m\u00e3o de obra; n\u00e3o viola normas ambientais e trabalhistas? Mas, ent\u00e3o acha que as atividades mega empresariais da GERDAU em 14 pa\u00edses est\u00e3o imunes das caracter\u00edsticas parasit\u00e1rias? Seria correto que a GERDAU roube dos trabalhadores do Peru, Venezuela, M\u00e9xico e \u00cdndia e envie para o Brasil?\u00a0 Mas n\u00e3o era essa, antes, a posi\u00e7\u00e3o de Luciana nem do M\u00caS. Vejamos o texto seguinte:<\/p>\n<p>\u201cCRESCIMENTO ECON\u00d4MICO PARA BENEFICIAR QUEM? Esta \u00e9 a grande pergunta que necessita ser respondida. (&#8230;) S\u00e3o ind\u00fastrias que s\u00f3 produzem para exporta\u00e7\u00e3o, causam danos ambientais, geram poucos empregos e pagam tarifas de energia muito mais baixas que o cidad\u00e3o comum. O PAC tamb\u00e9m concede isen\u00e7\u00f5es fiscais a setores altamente oligopolizados (por exemplo, o a\u00e7o, onde a GERDAU reina, por exemplo) e que embolsam as isen\u00e7\u00f5es e n\u00e3o repassam nenhuma redu\u00e7\u00e3o de custos para o consumidor\u201d. (grifo nosso) Fonte: Site LG &#8211; O PAC n\u00e3o melhora a vida do povo &#8211; 14\/02\/2007\u201d <\/p>\n<p>E quem queira procurar no site not\u00edcias sobre o grupo GERDAU encontrar\u00e1, entre outras, a seguinte:<\/p>\n<p>\u201cEm maio de 2005, a subsidi\u00e1ria que cuida dos neg\u00f3cios do grupo nos EUA e no Canad\u00e1, a Gerdau Ameristeel, promoveu um locaute [greve patronal] numa usina no Texas para for\u00e7ar o sindicato a aceitar v\u00e1rias concess\u00f5es. Com a medida, os trabalhadores foram mandados para casa e ficaram sem receber seus sal\u00e1rios, e a usina suspendeu a produ\u00e7\u00e3o.\u201d \u00a0<\/p>\n<p>Os companheiros da dire\u00e7\u00e3o do MES t\u00eam que avaliar se tamanho recuo e desgaste pol\u00edtico valeu a pena. Luciana obteve nas elei\u00e7\u00f5es de 2006, 66.924 votos (8,53%) na capital ga\u00facha. Sem Gerdau, sem PV, sem ministro de Lula. Ela j\u00e1 era uma das principais figuras da esquerda da cidade. Foi este capital, sua hist\u00f3ria, que lhe rendeu a esmagadora maioria dos votos em 2006 e ainda em 2008, temos certeza. \u00a0<\/p>\n<p>Agora, com dinheiro da GERDAU, com ministro governista, aliada com PV, declarando que governaria com a iniciativa privada, obteve 72.863 (9,22%) dos votos. O desgaste de 2008 lhe rendeu 5.939 votos al\u00e9m do que j\u00e1 possu\u00eda. Mas, desiludiu numerosos militantes e quadros psolistas e da esquerda, n\u00e3o s\u00f3 no RS. Sua decis\u00e3o foi objeto de importante recurso contr\u00e1rio em seu estado e de resolu\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria da Executiva Nacional. Ser\u00e1 que valeu a pena?<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 uma discuss\u00e3o menor, tem a ver com a independ\u00eancia pol\u00edtica e financeira do partido. A pol\u00edtica de alian\u00e7a \u201campla\u201d leva \u00e0 ruptura da independ\u00eancia que originou o PSOL. \u00c9 preciso\u00a0 retomar a li\u00e7\u00e3o que julg\u00e1vamos aprendida: Foram a adapta\u00e7\u00e3o ao regime da democracia formal e ao Estado capitalista, as alian\u00e7as para alcan\u00e7ar o governo a qualquer custo com partidos da ordem, da casse dominante, e seu financiamento com recursos privados, que levaram o PT a trair a classe trabalhadora e terminar administrando os neg\u00f3cios da burguesia. \u00a0<\/p>\n<p>Qual a sinaliza\u00e7\u00e3o que damos para o partido? Algu\u00e9m prop\u00f5e mudar o estatuto no pr\u00f3ximo congresso para incorporar que aceitamos o financiamento das multinacionais? O que n\u00e3o se pode \u00e9 fazer do estatuto e das resolu\u00e7\u00f5es de nossas inst\u00e2ncias letra morta. Se na funda\u00e7\u00e3o do partido\u00a0 foram incorporados estes artigos no nosso estatuto por alguma raz\u00e3o\u00a0 foi: precisamente\u00a0 para preservar as bases materiais concretas que possibilitam ao partido ser independente pol\u00edtica e financeiramente da burguesia e suas armadilhas. <\/p>\n<p>O balan\u00e7o das elei\u00e7\u00f5es 2008\u00a0 tem que ser amplamente discutido na base do partido. Os quadros, dirigentes, figuras p\u00fablicas e parlamentares t\u00eam que refletir. Este \u00e9 o caminho que queremos iniciar? O eixo agora \u00e9 preparar 2.010, ampliar alian\u00e7as e apelar ao financiamento dos grandes empres\u00e1rios? \u00c9 o debate crucial que encara o partido. Como enfrentemos a pr\u00f3xima etapa ser\u00e1 decisivo para os rumos do Psol. Da nossa parte, apostamos em que aberto o debate possamos corrigir, e nos enfiar com for\u00e7a nos processos pol\u00edticos e da luta de classe, por pequenos que sejam. \u00c9 junto com nossa classe, os trabalhadores e o povo brasileiro que devemos intervir na resist\u00eancia e na luta contra os ajustes que j\u00e1 come\u00e7aram. Os desafios e tamb\u00e9m as oportunidades s\u00e3o muito grandes.\u00a0 Esta ser\u00e1 a \u00fanica forma de contribuir efetivamente na organiza\u00e7\u00e3o da classe e nos credenciar para ser a representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do povo brasileiro.<\/p>\n<p>Bab\u00e1 \u2013 Silvia Santos \u2013 Executiva nacional do PSOL \u2013 Corrente Socialista dos Trabalhadores<\/p>\n<p>Outubro de 2008-10-31<\/p>\n<p>*Uma das iniciativas que propomos e organizar um ato em SP no pr\u00f3ximo dia 07\/11 visto que acontecer\u00e1 a reuni\u00e3o dos ministros de economia do G-20 com a presen\u00e7a do diretor gerente do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fazemos o balan\u00e7o das elei\u00e7\u00f5es no marco de mudan\u00e7as fundamentais na situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. A crise desembarcou no Brasil. 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