{"id":222,"date":"2008-11-06T00:00:00","date_gmt":"2008-11-06T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/psol50.org.br\/arquivo\/2008\/11\/06\/o-psol-afirma-seu-espaco-politico-nacional\/"},"modified":"2008-11-06T00:00:00","modified_gmt":"2008-11-06T00:00:00","slug":"o-psol-afirma-seu-espaco-politico-nacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/psol50.org.br\/o-psol-afirma-seu-espaco-politico-nacional\/","title":{"rendered":"O PSOL afirma seu espa\u00e7o pol\u00edtico nacional"},"content":{"rendered":"<p>1- As elei\u00e7\u00f5es municipais de 2008 ocorreram no marco de que o presidente Lula tem o \u00edndice m\u00e1ximo de aprova\u00e7\u00e3o de que se tem not\u00edcia: cerca de 80% de \u00f3timo ou bom de avalia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Era previs\u00edvel, portanto, que os partidos que comp\u00f5em a base do governo- como o PT e o PMDB- alcan\u00e7ariam uma grande vota\u00e7\u00e3o e at\u00e9 um triunfo eleitoral. Mas a avalia\u00e7\u00e3o das elei\u00e7\u00f5es n\u00e3o pode estar descolada das perspectivas abertas para cada partido. E a\u00ed veremos que o balan\u00e7o n\u00e3o se resume a aritm\u00e9tica dos votos. <\/p>\n<p>De fato as urnas confirmaram a grande vota\u00e7\u00e3o do PMDB e do PT, embora em SP tenha vencido o DEM\/Serra, diga-se, por sinal, que a\u00ed o governo federal sofreu uma derrota acachapante, que se estendeu tamb\u00e9m a Santo Andr\u00e9. A isto temos que somar tamb\u00e9m as derrotas petistas em Porto Alegre e Salvador. J\u00e1 o PMDB \u00e9 o partido que mais saiu fortalecido, um triunfo do fisiologismo puro, mas n\u00e3o tem um nome para disputar as elei\u00e7\u00f5es, colocando-se como um fiel da balan\u00e7a nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2010. <\/p>\n<p>Assim, como colocamos antes, os resultados eleitorais n\u00e3o podem ser vistos apenas na aritm\u00e9tica dos n\u00fameros, mas no seu significado pol\u00edtico global e seus elementos qualitativos. O governo Lula e seu partido, embora tenha sido o que mais avan\u00e7ou em n\u00famero de prefeituras, na perspectiva pol\u00edtica de 2010 saiu mal porque n\u00e3o tem uma figura nacional que tenha se fortalecido na elei\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>O PSDB, do ponto de vista de 2010 sai fortalecido com o resultado eleitoral de SP, que possibilitou consolidar sua alian\u00e7a como o DEM, mesmo tendo diminu\u00eddo o n\u00famero de prefeituras sob seu comando. Serra coloca-se, por enquanto, como o candidato mais forte para 2010. O resultado eleitoral acaba fortalecendo a possibilidade de se criar um p\u00f3lo burgu\u00eas de governo sem a necessidade do PT. Frente \u00e0 crise, para a burguesia pode ser mais \u00fatil Serra do que o candidato petista escolhido por Lula. O PMDB ser\u00e1 o fiel da balan\u00e7a em um ou outro sentido. <\/p>\n<p>Outro dado importante \u00e9 que o \u201cbloquinho de esquerda ao governo\u201d, do PSB, PCdoB e PDT foi um fracasso eleitoral, isso tamb\u00e9m do ponto de vista da constru\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica para aparecer como p\u00f3lo de centro-esquerda no futuro. N\u00e3o conseguiram unir-se em v\u00e1rias cidades. Em Porto Alegre, por exemplo, o PDT n\u00e3o apoiou a candidata lan\u00e7ada pelo PCdoB e PSB; e tamb\u00e9m no Rio de Janeiro a candidatura de Jandira fracassou. Ent\u00e3o, esta alternativa supostamente de esquerda por dentro do governo, materializada na candidatura de Ciro para 2010, acabou derrotada. <\/p>\n<p>2- As elei\u00e7\u00f5es mostraram uma foto distorcida da realidade, pois a grav\u00edssima crise econ\u00f4mica mundial foi ignorada e ocultada no debate pol\u00edtico. O fato da crise ainda n\u00e3o ter se manifestado com for\u00e7a no Brasil durante o processo eleitoral fez com que apenas o PSOL ( ainda que pouco) falasse da crise. A cantilena das eternas promessas eleitorais e de que o pa\u00eds vai bem, se sobrep\u00f4s, na base de um fato real de que a economia estava est\u00e1vel at\u00e9 agosto\/setembro, estabilidade que foi a base da aprova\u00e7\u00e3o a Lula de mais de 80%. Entretanto esta realidade j\u00e1 mudou. A grande estabilidade que garantiu a vit\u00f3ria eleitoral do governo acabou. Se abre dois processos novos: a necessidade das classes populares de defender-se diante da crise, e as disputas entre a burguesia \u2013 que sempre existiram mais estavam mais anestesiadas no \u00faltimo per\u00edodo \u2013 em torno de que medidas tomar diante da crise. Nesta situa\u00e7\u00e3o podem aparecer fortes matizes e at\u00e9 certo ponto projetos diferenciados. O governo petista pode ter uma pol\u00edtica com algum elemento estatizante e se chocar com outros setores burgueses que querem que se reduza ainda mais o custo do Estado. N\u00e3o resta d\u00favida, por\u00e9m, que, em \u00faltima inst\u00e2ncia, todos eles v\u00e3o unir-se em torno da estrat\u00e9gia de fazer o povo pobre e a classe trabalhadora em particular\u00a0 pagar a conta da crise. A luta de classes vai acirrar-se, portanto. <\/p>\n<p>3.- Para fazer o balan\u00e7o da interven\u00e7\u00e3o do PSOL nestas elei\u00e7\u00f5es \u00e9 \u00fatil lembrar o que acredit\u00e1vamos ser as tarefas das elei\u00e7\u00f5es de 2008 para o partido: \u201cO P-sol definiu que as elei\u00e7\u00f5es de 2008 ser\u00e3o uma prioridade t\u00e1tica do partido. Temos condi\u00e7\u00f5es de apresentar nossas propostas para milh\u00f5es de brasileiros e brasileiras. Podemos e devemos disputar a influ\u00eancia de massas em cidades importantes, algumas fundamentais como Porto Alegre, Bel\u00e9m, RJ onde o partido se apresenta com reais chances de disputa aos olhos do povo, e construir em todo o pais, seja com candidaturas \u00e0s prefeituras, seja com nossa nominata de vereadores, novas lideran\u00e7as capazes de aumentar de modo substancial nossa inser\u00e7\u00e3o junto ao povo e a classe trabalhadora em particular. <\/p>\n<p>Onde for poss\u00edvel disputaremos com todas as nossas for\u00e7as no sentido de eleger nossos candidatos. N\u00e3o \u00e9 a mesma coisa, por exemplo, sair com vereadores eleitos ou n\u00e3o. As elei\u00e7\u00f5es expressam de modo distorcido a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as entre as classes e a vit\u00f3ria de candidatos do P-sol ajudar\u00e1 a alterar a favor da luta do povo a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as. Conquistar mandatos de vereadores e colocar estes mandatos, como faremos, a servi\u00e7o da luta, como postos avan\u00e7ados de combate, \u00e9 uma tarefa fundamental do partido. Em alguns casos, como em cidades do estado de S\u00e3o Paulo da import\u00e2ncia de Campinas, S\u00e3o Caetano do Sul, em Goi\u00e2nia, Rio de Janeiro, Bel\u00e9m, Viam\u00e3o no RS, entre outras, teremos que lutar para reeleger nossos vereadores. Na maioria, por\u00e9m, como na capital de SP, Macei\u00f3, Recife, Natal, Porto Alegre, enfim, todas as capitais, sobretudo onde a possibilidade existe, al\u00e9m de centenas de munic\u00edpios em nosso imenso Brasil, teremos que mobilizar o partido para disputar e tentar eleger novos vereadores. E devemos atuar com um crit\u00e9rio claro: se trabalhamos seriamente vamos sair mais fortes, elegendo ou n\u00e3o elegendo nossos candidatos e vereadores. Sabemos que n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil, mas temos a obriga\u00e7\u00e3o de tentar de modo s\u00e9rio e profissional. Helo\u00edsa Helena apresentou uma defini\u00e7\u00e3o correta do que viveremos no processo eleitoral. \u201cser\u00e1 para o PSOL uma batalha dur\u00edssima, como foram as elei\u00e7\u00f5es em 2006 e como s\u00e3o todas as frentes de lutas e campos de batalha onde n\u00f3s, socialistas, atuamos com disciplina, solidariedade e combatividade a servi\u00e7o da nossa classe trabalhadora\u201d<\/p>\n<p>4.- Neste contexto, temos que avaliar os resultados obtidos pelo P-Sol, que apresentou candidatos em 22 das 26 capitais e em mais de 450 cidades do pa\u00eds. Este fato, em si mesmo, j\u00e1 pode ser considerado como a primeira vit\u00f3ria do partido. O P-sol foi o partido que mais apresentou candidatos \u00e0 prefeitura nas capitais do pa\u00eds. O esfor\u00e7o de ter nomes para tantas cidades foi enorme e o partido passou esta prova. Assim, apresentamos para a sociedade nossos militantes, erguemos nossas bandeiras e postulamos novas lideran\u00e7as. Mas de cara podemos agregar: as elei\u00e7\u00f5es de 2008 foram ainda mais dif\u00edceis do que as de 2006, onde o partido afirmou sua alternativa com 7 milh\u00f5es de votos. Em 2008 fomos para uma elei\u00e7\u00e3o mais dif\u00edcil porque t\u00ednhamos a reelei\u00e7\u00e3o de Lula. Ademais, as prefeituras s\u00e3o elei\u00e7\u00f5es cuja press\u00e3o para a solu\u00e7\u00e3o dos problemas imediatos, administrativo das cidades, \u00e9 maior. \u00c9 mais dif\u00edcil a discuss\u00e3o pol\u00edtica geral de projetos de sociedade. <\/p>\n<p>5.- Apesar disso, como veremos, de conjunto, o P-sol saiu vitorioso e fortalecido. Saiu mais implantado nacionalmente. Saiu com mais lideran\u00e7as. Os resultados, logicamente, foram desiguais. O marco, contudo, \u00e9 de triunfo pol\u00edtico-eleitoral do partido. <\/p>\n<p>6.- N\u00e3o faremos um balan\u00e7o de uma por uma das capitais, cujos resultados, como dissemos, foram desiguais. \u00c9 l\u00f3gico que tivemos capitais onde a fun\u00e7\u00e3o da candidatura era justamente colocar a cara do partido para fora, marcar posi\u00e7\u00e3o e mostrar que o partido existe e luta. Era nossa expectativa em v\u00e1rias capitais, como Boa Vista, Porto Velho, Rio Branco. Na capital de Roraima, com o socialista Jos\u00e9 Luis Oca, obtivemos mais de 2% dos votos, sem<br \/>\nrecursos, em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias de disputa. Mas em duas importantes capitais tivemos uma baixa vota\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao potencial do partido, 1,81% no Rio de Janeiro, e, sobretudo de 0,67% em S\u00e3o Paulo, nas quais se apresentaram os deputados federais Ivan Valente e Chico Alentar, respectivamente, dois nomes, portanto, j\u00e1 bastante conhecidos do partido. \u00c9 l\u00f3gico que o partido ter\u00e1 que fazer um balan\u00e7o mais profundo das raz\u00f5es desta vota\u00e7\u00e3o baixa. Felizmente, no RJ, na capital, o partido logrou conquistar uma vaga na c\u00e2mara dos vereadores, reelegendo o companheiro Eliomar Coelho com uma \u00f3tima vota\u00e7\u00e3o individual e com uma vota\u00e7\u00e3o excepcional \u2013 metade dos votos de todos os candidatos &#8211; para a legenda partid\u00e1ria, mostrando a for\u00e7a do P-sol no RJ. Os cerca de 9% de Luis Eduardo Gomes em Niter\u00f3i \u2013 com a reelei\u00e7\u00e3o do vereador Renatinho &#8211; e os mais de 3% do professor Josemar no segundo principal munic\u00edpio do RJ, S\u00e3o Gon\u00e7alo, mostraram tamb\u00e9m o potencial do partido no estado.\u00a0 Em SP, embora tenhamos dois deputados estaduais e um deputado federal, os \u00edndices baixos do partido n\u00e3o permitiram conquistar nem uma vaga de vereador na capital e obter apenas duas cadeiras em cidades do interior. <\/p>\n<p>Sem d\u00favida, por\u00e9m, houve outras capitais onde se superou a marginalidade eleitoral. Obteve-se mais de 3% dos votos em Cuiab\u00e1, com o companheiro Mauro. Em Goi\u00e2nia, com Martiniano, foi 4,88%, al\u00e9m de conquistar a reelei\u00e7\u00e3o de Elias Vaz. O partido com Edilson Silva conquistou mais de 3% dos votos em Recife. Foram 4% dos votos dados para Hilton em Salvador e, em Fortaleza, foram 5,67% dos votos para Rosseno. Em Fortaleza cabe destacar a elei\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Alfredo, a conquista de uma cadeira na C\u00e2mara. Fica evidente a for\u00e7a crescente do partido no nordeste. <\/p>\n<p>Para jogar uma luz comparativa em como se saiu o P-sol vale a pena olhar rapidamente como se saiu uma vez mais uma outra experi\u00eancia de constru\u00e7\u00e3o de um partido socialista que foi fundado em 1994: o PSTU. N\u00e3o vamos fazer seu balan\u00e7o geral, mas apenas citar a capital em que eles foram apoiados pelo P-SOL e que era mais promissora para eles em termos eleitorais: BH. Ali, as primeiras pesquisas davam 6% para Vanessa Portugal; foram caindo semana ap\u00f3s semanas e terminaram com menos de 1%. Esta campanha demonstrou a incapacidade deste partido de propor uma linha que consiga ao mesmo tempo manter um perfil de esquerda e dialogar com as necessidades mais sentidas pelos trabalhadores. O PSTU teve como centro a den\u00fancia da alta dos alimentos, agitou a mobiliza\u00e7\u00e3o em torno do congelamento de pre\u00e7os e fez propaganda do socialismo como sa\u00edda. Nem eleitoral nem socialmente esta linha teve \u00eaxito visto que as vota\u00e7\u00f5es foram em m\u00e9dia menos de 1% e as mobiliza\u00e7\u00f5es em torno desses eixos foram inexistentes.<\/p>\n<p>No total o PSOL elegeu vereadores em 13 estados diferentes e teve mais de 800 votos onde disputou (conferir no detalhe os n\u00fameros e ver o total de votos em todos os candidatos a prefeito). Foi um belo resultado para a primeira participa\u00e7\u00e3o eleitoral do partido. Infelizmente, em Bel\u00e9m, n\u00e3o apresentamos nosso principal nome, Edimilson Rodrigues, e o partido teve que colocar sua vereadora para disputar a prefeitura.<\/p>\n<p>7.- Entretanto, sem d\u00favida nenhuma, h\u00e1 resultados que se sobressaem em rela\u00e7\u00e3o a m\u00e9dia dos 3% a 5% e se converteram em grandes triunfos pol\u00edticos do PSOL. Em Macei\u00f3, Heloisa Helena, disputando uma cadeira de vereadora, obteve 29.516 votos, mais de 7% dos votos, um recorde hist\u00f3rico alcan\u00e7ado por uma vereadora em uma capital do pa\u00eds. E teve este resultado contra a poderosa m\u00e1quina de Renan Calheiros e toda a burguesia alagoana, que como todos os partidos do regime \u2013 em especial o PT e o presidente Lula &#8211; estavam interessados em aplastar essa candidatura para mostrar que o PSOL e sua presidente n\u00e3o podem ser alternativa para as pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es de 2010. Com a vota\u00e7\u00e3o de Helo\u00edsa o partido obteve mais uma cadeira, elegendo como vereador o companheiro Ricardo Barbosa, fundador do partido e ex-candidato a governador de Alagoas pelo P-sol. A candidatura de prefeito em Macei\u00f3, de M\u00e1rio Agra, obteve um pouco menos de 2%, numa cidade onde o prefeito \u2013 reeleito no primeiro turno &#8211; tinha os maiores \u00edndices de aprova\u00e7\u00e3o do Brasil, e tendo que carregar a correta tarefa de priorizar a vota\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria Helo\u00edsa Helena. <\/p>\n<p>Por sua vez, em Porto Alegre, cidade emblem\u00e1tica que foi sede do F\u00f3rum Social Mundial,\u00a0 Luciana Genro alcan\u00e7ou\u00a0 9,22% dos\u00a0 votos, e o PSOL obteve duas cadeiras na C\u00e2mara de Vereadores. Pedro Ruas foi o segundo vereador mais votado, perdendo apenas para o Secret\u00e1rio de Obras do munic\u00edpio. O PSOL logrou eleger tamb\u00e9m a candidata mais representativa de nossa juventude, a Fernanda. Ao total obtivemos mais de quarenta mil votos para a C\u00e2mara dos Vereadores, sendo que mais 13 mil votos foram para a legenda, o que indica o alto Grau de identifica\u00e7\u00e3o com o PSOL dos quase 80 mil que votaram em Luciana .\u00a0 Luciana Genro se converteu em uma alternativa de poder municipal e est\u00e1 entre @s dez l\u00edderes mais reconhecidas do estado, e entre os tr\u00eas ou quatro da capital. Abre-se o desafio de transformar esta influ\u00eancia eleitoral em organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Plinio Arruda Sampaio, em reportagem ao Jornal Brasil de Fato fez um balan\u00e7o correto do resultado de Porto Alegre, ainda que n\u00e3o coincidamos com o tom negativo que atribui ele ao resultado do conjunto do PSOL.\u00a0 &#8220;Eu acho que o PSOL usou o discurso errado, fez o discurso administrativo. Se voc\u00ea, sabidamente pelos Ibopes e pelas pesquisas n\u00e3o tem chance, o eleitor n\u00e3o presta aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sua proposta. Ele tinha que fazer um discurso ideol\u00f3gico pol\u00edtico, mas ele n\u00e3o conseguiu sair do formato que a m\u00eddia fez para o debate. Os que conseguiram ir mais para a pol\u00edtica tiveram resultados um pouco melhores, foram para a faixa dos 4% ou 5%. A Luciana Genro, em Porto Alegre, conseguiu o melhor resultado (9%) porque se engalfinhou no debate pol\u00edtico\u201d (Jornal Brasil de fato de 10 de outubro de 2008)<\/p>\n<p>Nesta avalia\u00e7\u00e3o Plinio Arruda Sampaio acerta ao definir que Luciana teve o melhor resultado e de fato &#8220;se engalfinhou no debate pol\u00edtico&#8221;. Mas essa \u00e9 uma opini\u00e3o de dez entre dez das pessoas que vivem em Porto Alegre. Todos sabem que Luciana Genro foi quem esquentou todos os debates. Mas para se engalfinhar nos debates ao longo da campanha \u00e9 preciso tamb\u00e9m apresentar propostas. Luciana Genro tinha um programa e depois utilizou o eixo do combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o e ao parasitismo pol\u00edtico para demonstrar que se pode governar de modo diferente. Ter um eixo que apare\u00e7a como fact\u00edvel aos olhos do povo \u00e9 correto independente de se ter mais ou menos chances de vit\u00f3ria. Uma campanha para ser de massas, para ser escutada, tem que saber dialogar levando em conta o n\u00edvel de consci\u00eancia do povo e conduzindo \u00e0 conclus\u00e3o acerca da import\u00e2ncia de um novo governo. Finalmente, vale dizer que \u00e9 um grande acerto trabalhar com a cor amarela \u2013 como fizemos nos atos de luta em Bras\u00edlia e agora novamente em Porto Alegre e outras cidades, bem como reafirmar a marca de Ziraldo. O amarelo nos diferencia no terreno visual do PT e esta n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o menor para quem quer ser uma real alternativa. <\/p>\n<p>\u00a08.- Luciana Genro e o PSOL de Porto Alegre alcan\u00e7aram este resultado enfrentando as poderosas m\u00e1quinas eleitorais do prefeito Foga\u00e7a do PMDB, do aparato nacional do PT, e do PCdoB, partido que tamb\u00e9m est\u00e1 no governo\u00a0 e que apresentou a jovem candidata Manuela, que em 2006, gra\u00e7as a sua simpatia e uma forte campanha havia alcan\u00e7ado o recorde de vota\u00e7\u00e3o para deputado neste estado. <\/p>\n<p>Para se ter id\u00e9ia da desigualdade de recursos, Luciana Genro teve o tempo de televis\u00e3o tr\u00eas vezes menor do que a candidata do PCdoB e do PT e gastou um d\u00e9cimo do que gastou Manuela, tendo al\u00e9m disso o estabilishment e a imprensa boicotando a sua candidatura. \u00a0<\/p>\n<p>9.- Este resultado foi poss\u00edvel porque se encarou a campanha como uma disputa de massas (campanhas da sa\u00fade, luta contra o governo estadual do PSDB de Yeda, apoio de Luis Ed<br \/>\nuardo Soares, Capit\u00e3o Nascimento, Prot\u00f3genes). Evitou-se cair em uma campanha propagandista, golpearam-se duramente os outros candidatos e partidos respons\u00e1veis por graves casos de corrup\u00e7\u00e3o e junto com isto se apresentou propostas alternativas para administrar a cidade. <\/p>\n<p>10.- Um setor da popula\u00e7\u00e3o trabalhadora e do povo escutou e tomou nossa proposta, rompendo em parte a tend\u00eancia ao voto \u00fatil que desde o in\u00edcio esteve posta e que dificilmente se rompe em meio a uma situa\u00e7\u00e3o de passividade e sem ascenso da luta de classes. Ao mesmo tempo, o PSOL, em sua primeira elei\u00e7\u00e3o municipal, obteve dois vereadores com a possibilidade de implantar-se nos bairros populares, para fazer um trabalho real de massas, que consolide esta alternativa. Agora, o maior desafio que temos \u00e9 superar o desenvolvimento desigual que h\u00e1 entre uma figura pol\u00edtica que tem influ\u00eancia de massas e o d\u00e9bil trabalho de organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que tem o partido. <\/p>\n<p>11.- Mas para trabalhar planos neste sentido \u00e9 importante reafirmar as caracteriza\u00e7\u00f5es e pol\u00edticas que realizamos antes do in\u00edcio da campanha eleitoral. Em primeiro lugar o acerto de termos votado e realizado a alian\u00e7a com o PV. Este acerto se inscreveu na confian\u00e7a na capacidade do partido de hegemonizar numa linha alternativa ao PT e ao PSDB como blocos pol\u00edticos nacionais com suas express\u00f5es locais. Armamos o partido para realizar uma disputa de massas, uma disputa para vencer, para aproveitar todas as oportunidades, tratando de penetrar todas as brechas e hip\u00f3teses de vit\u00f3ria. N\u00e3o colocamos como o mais prov\u00e1vel que fossemos para o segundo turno, mas n\u00e3o descartamos antes da batalha. E isso foi fundamental porque uma dire\u00e7\u00e3o que n\u00e3o trabalha assim quando existe uma hip\u00f3tese, mesmo que remota de que possa acontecer, n\u00e3o merece ser apoiada porque jamais lutar\u00e1 pelo poder. <\/p>\n<p>12.-\u00a0 Vencemos o DEM, o PP e o PSDB, tr\u00eas dos quatro (o PMDB foi o mais votado no primeiro turno) principais partidos burgueses tradicionais do Brasil. Todos com muito mais recursos, e muito mais tempo de TV\/r\u00e1dio. Tamb\u00e9m cabe destacar que o PC do B, partido que fez uma alian\u00e7a sem princ\u00edpios e teve sua carism\u00e1tica candidata apoiada pela m\u00eddia (o ibope dava para Manuela no dia das elei\u00e7\u00f5es 20% das inten\u00e7\u00f5es de voto para ela, empatando com Maria do PT, quando no final ficou com 15% dos votos, num claro est\u00edmulo ao voto \u00fatil contra Luciana).Apesar disso o PC do B saiu derrotado, n\u00e3o s\u00f3 porque Manuela n\u00e3o foi para o segundo turno, mas se descaracterizou e n\u00e3o elegeu vereadores, perdendo o que tinham. \u00a0<\/p>\n<p>Tivemos que encarar uma campanha de massas com uma estrutura infinitamente menor do que os demais candidatos. Ao mesmo tempo teve que resistir aos ataques internos quando corretamente a executiva municipal do partido aceitou os recursos empresarias, sobretudo no momento da crise envolvendo a doa\u00e7\u00e3o de 100 mil da Gerdau. Esta doa\u00e7\u00e3o n\u00e3o teve repercuss\u00e3o externa, apenas sendo explorada pelo PSTU, cujo resultado eleitoral mais uma vez p\u00edfio, demonstra que n\u00e3o teve resultado. Assim, apenas o fogo amigo tentou explorar o epis\u00f3dio da Gerdau. Em rela\u00e7\u00e3o a este tema, ali\u00e1s, ser\u00e1 importante o partido fazer um balan\u00e7o e definir uma pol\u00edtica. Reivindicamos o que foi feito em Porto Alegre. Isso n\u00e3o quer dizer que o partido n\u00e3o deva ter uma pol\u00edtica de finan\u00e7as rigorosa. Mas em Porto Alegre o partido teve muito rigor, porque em nenhum momento condicionou sua pol\u00edtica aos apoios financeiros, assumindo uma pol\u00edtica claramente independente e denunciando as grandes empresas capitalistas como fizemos durante a campanha, em particular quando o partido do RS conseguiu at\u00e9 mesmo que reportagens da Revista Veja dessem repercuss\u00e3o para estas den\u00fancias. <\/p>\n<p>13.- Como aprendizado para os processos eleitorais cremos importante tamb\u00e9m reivindicar a constru\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica da candidatura de Luciana Genro. Ser\u00e1 importante que outros candidatos com bons resultados tamb\u00e9m socializem suas experi\u00eancias, como \u00e9 o caso de Fortaleza, por exemplo. Tamb\u00e9m os companheiros do Amap\u00e1 necessitam socializar a participa\u00e7\u00e3o que tiveram, marcada pelo brutal ataque antidemocr\u00e1tico levado adiante por Sarney\/PDT, PT e PSDB contra a coliga\u00e7\u00e3o do PSB\/P-SOL No caso de Porto Alegre sustentamos que foi um acerto ter uma candidata com propostas municipais claras, fact\u00edveis, sem deixar de fazer a disputa pol\u00edtica nacional e mostrar o v\u00ednculo das distintas candidaturas com os distintos projetos em disputa no pa\u00eds. E na reta final da campanha, quando a crise econ\u00f4mica mundial entrou no Brasil, mas ainda n\u00e3o na consci\u00eancia do povo, apontando que a crise econ\u00f4mica mundial estava sendo escondida pelos candidatos que prometiam o para\u00edso municipal. <\/p>\n<p>14.- Esquematicamente os resultados do PSol colocam objetivamente dois n\u00edveis de tarefas com toda for\u00e7a. \u00a0<\/p>\n<p>a) Retomar uma pol\u00edtica para o P-Sol em seu conjunto que no pr\u00f3ximo per\u00edodo ter\u00e1 que estar centrada na agita\u00e7\u00e3o contra o governo e a direita; temos que continuar a pol\u00edtica contra a corrup\u00e7\u00e3o e ter propostas para enfrentar a crise econ\u00f4mica que devem incluir o controle de capitais, a defesa dos recursos naturais(Amaz\u00f4nia), integra\u00e7\u00e3o latino americana, privilegiar a defesa dos pequenos produtores e do povo e n\u00e3o da Sadia e Aracruz tamb\u00e9m envolvidos em especula\u00e7\u00e3o). Agora rejeitar a MP do governo de socorro aos bancos, etc. <\/p>\n<p>Temos que pensar que junto com o jornal necessitamos de outra ferramenta de trabalho mais din\u00e2mica que podem ser os v\u00eddeos para apoiar as campanhas de agita\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. <\/p>\n<p>b) Dar um salto qualitativo com medidas pol\u00edtico-organizativas para ocupar e organizar uma parte do espa\u00e7o pol\u00edtico conquistado. <\/p>\n<p>Para isso temos que desencadear uma campanha de filia\u00e7\u00f5es e organiza\u00e7\u00e3o dos n\u00facleos do partido. Filiar as pessoas que simpatizam com o partido, n\u00e3o s\u00f3 a vanguarda que ir\u00e1 se reunir, mas tamb\u00e9m o povo que nos apoiou e nos reconhece enquanto uma alternativa de esquerda. Ao mesmo tempo temos que convidar a aqueles que s\u00e3o mais militantes a participar dos n\u00facleos, plen\u00e1rias e atividades do partido, ampliando o engajamento da vanguarda que esteve em torno de n\u00f3s na campanha eleitoral. <\/p>\n<p>Movimento de Esquerda Socialista &#8211; MES<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1- As elei\u00e7\u00f5es municipais de 2008 ocorreram no marco de que o presidente Lula tem o \u00edndice m\u00e1ximo de aprova\u00e7\u00e3o de que se tem not\u00edcia: cerca de 80% de \u00f3timo ou bom de avalia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[4978],"tags":[4979],"class_list":{"0":"post-222","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","6":"category-eleicoes-2008","7":"tag-eleicoes-2008"},"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.5 - 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