{"id":224,"date":"2008-11-06T00:00:00","date_gmt":"2008-11-06T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/psol50.org.br\/arquivo\/2008\/11\/06\/o-psol-e-o-balanco-das-eleicoes-municipais\/"},"modified":"2008-11-06T00:00:00","modified_gmt":"2008-11-06T00:00:00","slug":"o-psol-e-o-balanco-das-eleicoes-municipais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/psol50.org.br\/o-psol-e-o-balanco-das-eleicoes-municipais\/","title":{"rendered":"O PSOL e o balan\u00e7o das elei\u00e7\u00f5es municipais"},"content":{"rendered":"<p>O PSOL e o balan\u00e7o das elei\u00e7\u00f5es municipais.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O PSOL diante da polariza\u00e7\u00e3o conservadora<\/p>\n<p>1. Qualquer balan\u00e7o eleitoral deve partir da an\u00e1lise de tr\u00eas fatores: o cen\u00e1rio da disputa e as demais for\u00e7as que disputaram as elei\u00e7\u00f5es, as metas tra\u00e7adas pelo partido e o quanto o desempenho eleitoral fortaleceu a constru\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria. \u00c9 da resposta \u00e0 combina\u00e7\u00e3o desses tr\u00eas fatores que se pode avaliar o desempenho do partido na disputa eleitoral. <\/p>\n<p>2. O PSOL \u00e9 um partido novo constru\u00eddo a partir do esfor\u00e7o da esquerda socialista brasileira em construir um novo instrumento partid\u00e1rio diante da ades\u00e3o estrat\u00e9gica de Lula e do PT ao continu\u00edsmo neoliberal. Nesses tr\u00eas anos o PSOL conquistou respeitabilidade e atraiu setores sociais descontentes com os rumos do governo Lula e que almejam a constru\u00e7\u00e3o de uma alternativa de esquerda e Socialista no Brasil.<\/p>\n<p>3. Mas \u00e9 fato que esse processo do qual o PSOL \u00e9 uma das principais vertentes est\u00e1 longe de se encerrar. Assim, o PSOL \u00e9 um partido em constru\u00e7\u00e3o. Constru\u00e7\u00e3o n\u00e3o linear e que depender\u00e1 n\u00e3o apenas de vontade, mas dos ritmos da conjuntura e da percep\u00e7\u00e3o do povo da letalidade do projeto neoliberal sob hegemonia do capital financeiro, agora assumido por aqueles que antes estavam no campo antineoliberal. Projeto este que tamb\u00e9m depender\u00e1 da capacidade do PSOL em responder ativamente aos fatos da conjuntura e avan\u00e7ar na formula\u00e7\u00e3o das bases estrat\u00e9gicas de uma nova alternativa de esquerda para o Brasil.<\/p>\n<p>4. Assim, o cen\u00e1rio da disputa deve ser compreendido numa conjuntura mais longa de reorganiza\u00e7\u00e3o da esquerda brasileira. Pode ser entendido tamb\u00e9m como parte do esfor\u00e7o em sedimentar um p\u00f3lo de esquerda partid\u00e1rio na sociedade brasileira. O processo eleitoral est\u00e1 inserido nessa constru\u00e7\u00e3o mais ampla e os resultados devem ser analisados a partir dessa perspectiva.<\/p>\n<p>5. No geral as elei\u00e7\u00f5es mostram o fortalecimento de um espectro conservador na pol\u00edtica brasileira. A base aliada de Lula composta por 16 partidos governar\u00e1 72% do eleitorado e 20 das 26 capitais. O PMDB foi o partido mais vitorioso e o PT conseguiu eleger a maioria dos prefeitos nas cidades com mais de 200 mil habitantes. <\/p>\n<p>6. Contudo, o peso do PMDB se ampliou com vit\u00f3rias onde este partido enfrentou o pr\u00f3prio PT (Salvador, Porto Alegre e mesmo em S\u00e3o Paulo coligado ao DEM), o que ampliar\u00e1 o custo da alian\u00e7a e poder\u00e1 causar maior instabilidade para a governabilidade conservadora de Lula. Em S\u00e3o Paulo, a derrota de Marta Suplicy para Gilberto Kassab foi uma vit\u00f3ria de Jos\u00e9 Serra, hoje principal candidato a presidente da oposi\u00e7\u00e3o de direita. Em Porto Alegre, a reelei\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Foga\u00e7a (PMDB) mostrou o quanto o PT est\u00e1 desgastado numa cidade que historicamente foi governada por este partido. Em Belo Horizonte, o PT fez dobradinha com o PSDB de A\u00e9cio Neves no apoio a M\u00e1rcio Lacerda (PSB). No Rio de Janeiro venceu o candidato do governador S\u00e9rgio Cabral, apoiado no 2.\u00ba turno pelo PT contra Gabeira, que foi apoiado por uma coaliz\u00e3o que juntou partidos da oposi\u00e7\u00e3o de direita, como o PSDB e DEM. <\/p>\n<p>7. Desse ponto de vista, apesar da popularidade de Lula, os resultados finais do 2.\u00ba turno apontaram que o Lulismo n\u00e3o transfere automaticamente sua avalia\u00e7\u00e3o para o PT. Dentro do governismo o maior vitorioso \u00e9 o PMDB, que tem projeto aut\u00f4nomo, podendo at\u00e9 mesmo lan\u00e7ar candidatura pr\u00f3pria ou apoiar um nome do PSDB e DEM. A oposi\u00e7\u00e3o de direita com a vit\u00f3ria em S\u00e3o Paulo, Belo Horizonte, Curitiba manteve firme suas bases para projetar a candidatura a presidente de Jos\u00e9 Serra. Ainda haver\u00e1 disputa com a alternativa A\u00e9cio Neves, mas Jos\u00e9 Serra avan\u00e7ou mais posi\u00e7\u00f5es nesta luta no interior do bloco dominante.<\/p>\n<p>8. O que se enfraqueceu foi a possibilidade de um terceiro bloco capitaneado pelo chamado bloquinho (PDT, PCdoB, PSB) que saiu dividido na maioria das cidades e n\u00e3o conseguiu mostrar uma fei\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria nas elei\u00e7\u00f5es. Ainda assim, em algumas cidades como Porto Alegre, Florian\u00f3polis, Rio de Janeiro, as candidaturas do PCdoB procuraram ocupar um lugar consentido e alternativo ao PT, o que muitas vezes cumpriu a fun\u00e7\u00e3o de evitar a ocupa\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o \u00e0 esquerda capitaneado pelo PSOL.<\/p>\n<p>9. Na ess\u00eancia as elei\u00e7\u00f5es municipais de 2008 foram marcadas pela conserva\u00e7\u00e3o, pelo discurso do continu\u00edsmo e pelo fortalecimento das candidaturas da ordem com um alto \u00edndice de reelei\u00e7\u00e3o dos atuais prefeitos. Estas foram elei\u00e7\u00f5es da conserva\u00e7\u00e3o e n\u00e3o da mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>10. Na aus\u00eancia de uma real polariza\u00e7\u00e3o imperou o discurso administrativista na vers\u00e3o da oposi\u00e7\u00e3o de direita ou o discurso melhorista do petismo e aliados. O impacto de programas governamentais que deixaram de ter o horizonte da universaliza\u00e7\u00e3o de direitos na sa\u00fade, na educa\u00e7\u00e3o, no transporte, dentre outros, combinado com um \u201crebaixamento de expectativas\u201d dos trabalhadores e dos setores mais pobres fez com que o cen\u00e1rio para as candidaturas da ordem fosse mais favor\u00e1vel. \u00c9 preciso compreender este cen\u00e1rio que impacta a percep\u00e7\u00e3o de amplos setores sociais para delinear as condi\u00e7\u00f5es subjetivas da luta social. Mas, \u00e9 tamb\u00e9m preciso compreender que essa aparente estabilidade \u00e9 profundamente inst\u00e1vel, tanto pela incapacidade deste modelo em distribuir renda e riqueza, quanto pelos sinais do esgotamento de um ciclo econ\u00f4mico do capitalismo internacional, cujas not\u00edcias d\u00e3o sinais de uma profunda crise.<\/p>\n<p>11.\u00a0 A atual crise financeira internacional, a maior desde a quebra das bolsas em 1929, n\u00e3o se fez sentir no processo eleitoral. Certamente, haver\u00e1 impacto pol\u00edtico no pa\u00eds dado que Lula optou por manter intocado e mesmo ampliar as bases do modelo econ\u00f4mico neoliberal que transformaram o pa\u00eds em plataforma de valoriza\u00e7\u00e3o financeira do capital e exportador de bens prim\u00e1rios. Isso s\u00f3 refor\u00e7ou a vulnerabilidade externa. Mas, do ponto de vista pol\u00edtico n\u00e3o assumiu dimens\u00f5es que impactassem a disputa.<\/p>\n<p>12. A pr\u00f3pria m\u00eddia conservadora procurou criar um formato que restringiu o debate pol\u00edtico, enquadrando os candidatos no roteiro do melhorismo com puni\u00e7\u00e3o para aqueles que ousassem questionar esses padr\u00f5es de cobertura. Na \u00faltima semana a Rede Globo suspendeu a seu bel-prazer debates no Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo, Fortaleza, Curitiba e S\u00e3o Lu\u00eds questionando a legisla\u00e7\u00e3o eleitoral por raz\u00f5es mercadol\u00f3gicas e impedindo a popula\u00e7\u00e3o dessas cidades de conhecer os candidatos por fora da marquetagem eleitoral. Esse movimento da Rede Globo acabou restringindo a exposi\u00e7\u00e3o de nossas candidaturas e teve impacto nos resultados do partido em algumas dessas cidades.<\/p>\n<p>13. A falta de nitidez pol\u00edtica e program\u00e1tica tamb\u00e9m marcou as elei\u00e7\u00f5es e teve impacto em alian\u00e7as sem princ\u00edpios ou qualquer correla\u00e7\u00e3o program\u00e1tica. Assim, apesar da aparente disputa encarni\u00e7ada entre setores da base governista e da oposi\u00e7\u00e3o de direita, um dado \u00e9 revelador da aus\u00eancia de diferen\u00e7as substantivas de projeto entre os dois blocos: o PT estava aliado ao PSDB, DEM e PPS em 41% dos munic\u00edpios. Esse dado expressivo mostra o quanto o pragmatismo e a disputa de poder foram os determinantes para a composi\u00e7\u00e3o das alian\u00e7as na maioria das cidades brasileiras.<\/p>\n<p>Os resultados eleitorais do PSOL<\/p>\n<p>14. Na Confer\u00eancia Eleitoral do PSOL em Bras\u00edlia aprovamos as diretrizes program\u00e1ticas que lan\u00e7aram as bases para a disputa municipal, a carta compromisso dos candidatos e a pol\u00edtica de alian\u00e7as. No \u00faltimo Diret\u00f3rio Nacional o partido referendou e regulamentou a pol\u00edtica de alian\u00e7as em alguns munic\u00edpios, com destaque para o PV de Porto Alegre e candidatura a vice do PSOL na chapa encabe\u00e7ada pelo PSB de Capiberibe em Macap\u00e1. O desempenho tanto numa cidade quanto na outra e o tipo de campanha demonstram o acerto da pol\u00edtica de alian\u00e7as do PSOL que procurou combinar nitidez pol\u00edtica e program\u00e1tica e alian\u00e7as criteriosas para procurar \u201cdeslocar setores em contradi\u00e7\u00e3o com o governismo e a velha direita\u201d. \u00a0<\/p>\n<p>15. O PSOL se prop\u00f4s algumas importantes tarefas nestas elei\u00e7\u00f5es municipais. Dentre as mais importantes se apresentar como p\u00f3lo alternativo de esquerda aos olhos do eleitorado e eleger uma forte bancada de vereadores.<\/p>\n<p>16. O PSOL lan\u00e7ou candidatos em mais de 400 munic\u00edpios, com graus de enraizamento diferenciados. Das 26 capitais, apresentamos candidatos em 22, apoiamos duas candidaturas do PSTU (Aracaju e Belo Horizonte), apoiamos o PSB em Macap\u00e1 e n\u00e3o conseguimos lan\u00e7ar candidato em Palmas.<\/p>\n<p>17. A nossa bancada atual de vereadores \u00e9 oriunda do racha com o PT. Chegamos ao processo eleitoral com 20 vereadores, sendo 4 em capitais (Macap\u00e1, Bel\u00e9m, Goi\u00e2nia e Rio de Janeiro). Muitos dos nossos vereadores foram lan\u00e7ados para o cargo executivo a servi\u00e7o da constru\u00e7\u00e3o do PSOL. Foi assim em Campinas, Guarulhos, Mogi das Cruzes e S\u00e3o Caetano do Sul.<\/p>\n<p>18. Nosso resultado foi aqu\u00e9m do necess\u00e1rio, mas dentro do poss\u00edvel. O partido recebeu 779.198 votos para prefeito e 628.114 votos para vereadores. Alcan\u00e7amos em m\u00e9dia 2% dos votos nas capitais que disputamos. Nossos melhores desempenhos nas capitais foram: Luciana Genro (9,22%), Renato Roseno (5,67%), Martiniano Cavalcante (4,88%) e Hilton Coelho (3.94%). <\/p>\n<p>19. Merece destaque a quase vit\u00f3ria da nossa coliga\u00e7\u00e3o PSB\/PSOL em Macap\u00e1. Foi uma campanha de esquerda, massiva, empolgante, que dividiu a cidade e unificou toda a direita contra a chapa da mudan\u00e7a. No segundo turno alcan\u00e7amos 48% dos votos. Foi justamente a combina\u00e7\u00e3o de base social mais ampla e sentimento de mudan\u00e7a que fez com que a chapa Camilo e Randolfe fosse para o segundo turno em Macap\u00e1. Naquela cidade nossa chapa encarnou a mudan\u00e7a e o PT foi apoiar a candidatura conservadora, na companhia de Sarney.<\/p>\n<p>20. Em S\u00e3o Paulo travamos o combate com os dois blocos de poder que tornaram as elei\u00e7\u00f5es nesta cidade uma pr\u00e9via de 2010. Fizemos uma campanha que foi a \u00fanica que pautou o tema do financiamento p\u00fablico exclusivo, enfrentou interesses das grandes corpora\u00e7\u00f5es que privatizam a cidade e seus servi\u00e7os, tocou na quest\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica e invers\u00e3o de prioridades para a periferia pobre. Politicamente a campanha deslocou setores sociais, como a intelectualidade progressista, setores m\u00e9dios cr\u00edticos e parcelas da Igreja progressista. Na reta final enfrentamos o monop\u00f3lio dos grandes meios de comunica\u00e7\u00e3o, a partir do cancelamento do debate pela Rede Globo.<\/p>\n<p>21. Apesar disso nosso resultado mostrou que o eleitorado ainda enxerga no PT e seus aliados mais \u00e0 esquerda como candidaturas de esquerda suficientemente aceit\u00e1veis para receberem uma carga de votos \u00fateis na reta final das campanhas eleitorais. A migra\u00e7\u00e3o de votos de nossas candidaturas para esses setores ficou clara no Rio de Janeiro, Bel\u00e9m, S\u00e3o Paulo, dentre outras.<\/p>\n<p>22. Nossos candidatos apresentaram programas de esquerda e travaram o bom combate com as elites e buscaram se diferenciar da nova direita petista. Acumulamos em representatividade social, mas a inser\u00e7\u00e3o do partido no movimento social, condi\u00e7\u00e3o essencial para contrabalan\u00e7ar o esmagamento de tempo na TV, visual nas cidades e presen\u00e7a de cabos eleitorais nas ruas prejudicou nossas candidaturas. Sem essa porosidade social, resultado ainda da constru\u00e7\u00e3o recente do PSOL, dificulta uma candidatura de esquerda.<\/p>\n<p>23. Elegemos 25 vereadores, distribu\u00eddos por 13 estados diferentes. Destes, oito s\u00e3o vereadores de capitais e mais 4 s\u00e3o de cidades m\u00e9dias. Elegemos duas figuras com nomes projetados (Heloisa Helena e Jo\u00e3o Alfredo), reelegemos vereadores nas capitais (Macap\u00e1, Rio e Goi\u00e2nia) e conseguimos eleger dois vereadores em Porto Alegre. Em Macei\u00f3 nossa companheira Helo\u00edsa Helena conseguiu obter uma expressiva vota\u00e7\u00e3o, mesmo enfrentando uma campanha s\u00f3rdida da direita local, que estava antenada com a disputa nacional para presid\u00eancia em 2010. O PSOL passou de 20 para 25 vereadores no pa\u00eds.<\/p>\n<p>24. Considerando o cen\u00e1rio, o atual est\u00e1gio de constru\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria o desempenho do partido deve ser destacado como um esfor\u00e7o numa conjuntura mais adversa. Mas, sem sombra de d\u00favidas, estas elei\u00e7\u00f5es devem conter um aprendizado pol\u00edtico para os pr\u00f3ximos embates que o partido ir\u00e1 enfrentar.<\/p>\n<p>As li\u00e7\u00f5es para o PSOL destas elei\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>25. O desempenho do PSOL foi dentro do poss\u00edvel, mas aqu\u00e9m do necess\u00e1rio e \u00e9 o retrato das possibilidades e das dificuldades para a reconstru\u00e7\u00e3o do ide\u00e1rio de esquerda depois da fal\u00eancia do PT como projeto de transforma\u00e7\u00e3o social. Mostram que o PSOL \u00e9 uma for\u00e7a com potencial pol\u00edtico para ser um p\u00f3lo de esquerda e socialista no pa\u00eds. Mas, tamb\u00e9m demonstra que ser\u00e1 preciso fortalecer o partido, atrair setores sociais em contradi\u00e7\u00e3o tanto com o governismo quanto com a oposi\u00e7\u00e3o de direita, ampliar a presen\u00e7a do partido nos movimentos sociais e se preparar para saber enfrentar tanto as conjunturas favor\u00e1veis quanto as adversas. N\u00e3o haver\u00e1 uma linha evolutiva na constru\u00e7\u00e3o do PSOL que, de resto, s\u00f3 pode estar presente em vis\u00f5es triunfalistas de f\u00f4lego curto e incapazes de orientar o partido para conjunturas de maior alcance.<\/p>\n<p>26. Uma primeira li\u00e7\u00e3o a aprender \u00e9 que qualquer vit\u00f3ria eleitoral deve estar associada \u00e0 constru\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria. \u00c9 isso que fortalece o resultado eleitoral, lhe d\u00e1 maior f\u00f4lego e agrega setores sociais para o per\u00edodo seguinte. Os resultados eleitorais s\u00e3o importantes e devem ser um elemento decisivo para o balan\u00e7o. Mas, importantes tamb\u00e9m s\u00e3o como o partido sai das elei\u00e7\u00f5es, o discurso que conseguiu afirmar na sociedade e os setores sociais atra\u00eddos durante a campanha. Isso \u00e9 o saldo pol\u00edtico que muitas vezes n\u00e3o pode ser mensur\u00e1vel numa elei\u00e7\u00e3o fria e despolitizada. Pouco adianta um bom desempenho eleitoral se no m\u00e9dio prazo isso n\u00e3o tiver impacto na atra\u00e7\u00e3o de setores sociais e novos lutadores para a constru\u00e7\u00e3o do PSOL.<\/p>\n<p>27. \u00c9 sempre necess\u00e1rio combinar dois esfor\u00e7os: o primeiro de constru\u00e7\u00e3o de um partido socialista, democr\u00e1tico e de massas, superando o vanguardismo, o esp\u00edrito de c\u00edrculo e o sectarismo. Mas, tamb\u00e9m \u00e9 preciso combinar a busca da influ\u00eancia de massas com a constru\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria.<\/p>\n<p>28. Uma segunda li\u00e7\u00e3o a aprender \u00e9 que o atual est\u00e1gio de constru\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria deve avan\u00e7ar. Assim, a aceita\u00e7\u00e3o da doa\u00e7\u00e3o de 100 mil reais da Gerdau em Porto Alegre teve incid\u00eancia no discurso partid\u00e1rio e impactou nossa milit\u00e2ncia, sobretudo no financiamento de campanha, uma das principais matrizes da corrup\u00e7\u00e3o no sistema eleitoral brasileiro. E, paradoxalmente, pode ser analisada como a preval\u00eancia do esp\u00edrito de c\u00edrculo sobre o interesse partid\u00e1rio. <\/p>\n<p>29. Aqui se trata em fazer um debate pol\u00edtico sobre o tema. A decis\u00e3o unilateral do partido em Porto Alegre precisou ser respondida e essa cobran\u00e7a n\u00e3o foi feita apenas nos setores da vanguarda. A decis\u00e3o pol\u00edtica foi cobrada dos candidatos do PSOL publicamente e retirou a ofensividade de nosso discurso sobre a quest\u00e3o do financiamento de campanha. Na medida em que foi uma decis\u00e3o unilateral, sem consulta pr\u00e9via ao conjunto dos setores partid\u00e1rios que disputavam as elei\u00e7\u00f5es em outras importantes cidades fragilizou o discurso partid\u00e1rio e s\u00f3 n\u00e3o teve maior impacto pela responsabilidade pol\u00edtica das principais for\u00e7as partid\u00e1rias que optaram por n\u00e3o travar a luta interna e prejudicar a campanha em Porto Alegre, ainda que esta n\u00e3o fosse a preocupa\u00e7\u00e3o principal dos companheiros ao tomarem a decis\u00e3o. A decis\u00e3o de Porto Alegre foi um erro pol\u00edtico e d\u00e1 mal exemplo de constru\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria.<\/p>\n<p>30. A terceira li\u00e7\u00e3o a aprender \u00e9 que a aus\u00eancia de um p\u00f3lo nacional na medida em que todas as lideran\u00e7as do Partido disputavam as elei\u00e7\u00f5es enfraqueceu a presen\u00e7a de conjunto do PSOL e sua face nacional. \u00c9 verdade que foram elei\u00e7\u00f5es municipais e a for\u00e7a da disputa local foi determinante. \u00c9 pouco claro se isso mudaria o desempenho das principais candidaturas. Mas, certamente refor\u00e7aria mais o partido para o embate nacional no pr\u00f3ximo per\u00edodo, com destaque para<br \/>\na poss\u00edvel reorganiza\u00e7\u00e3o que possa ocorrer diante das primeiras elei\u00e7\u00f5es p\u00f3s-Lula que devem ocorrer no pa\u00eds.<\/p>\n<p>31. Outros setores avaliam que o desempenho do partido \u00e9 somente negativo e isto se deveu ao fato de n\u00e3o converter a campanha do PSOL no objetivo principal de fazer propaganda do Socialismo, o que assumidamente tamb\u00e9m n\u00e3o resultaria num desempenho mais elevado. Esta n\u00e3o \u00e9 nossa posi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>32. \u00c9 \u00f3bvio que o princ\u00edpio da campanha de um partido socialista \u00e9 cumprir sua estrat\u00e9gia socialista. E no caso do PSOL uma estrat\u00e9gia revolucion\u00e1ria de luta pelo socialismo. Por\u00e9m, a vis\u00e3o estrat\u00e9gica do PSOL n\u00e3o \u00e9 doutrin\u00e1ria. O doutrinarismo \u00e9 uma forma infantil do discurso socialista. Este, por exemplo, \u00e9 um erro do PSTU. Confundir a estrat\u00e9gia com a t\u00e1tica nunca levou um partido socialista a avan\u00e7ar. O bom e velho L\u00eanin j\u00e1 dizia que a um socialista &#8220;n\u00e3o basta dizer que a vida \u00e9 dura e incitar a revolta; isto qualquer vociferador pode fazer, mas n\u00e3o serve para grande coisa. \u00c9 preciso que o povo trabalhador compreenda claramente porque est\u00e1 na mis\u00e9ria e com quem se unir para se libertar desta mis\u00e9ria.&#8221;<\/p>\n<p>33. Passada as elei\u00e7\u00f5es \u00e9 preciso tirar conseq\u00fc\u00eancias pol\u00edticas e organizativas para o PSOL enfrentar o pr\u00f3ximo per\u00edodo. E este n\u00e3o ser\u00e1 qualquer per\u00edodo. Do ponto de vista das for\u00e7as da ordem do lulo-petismo e da oposi\u00e7\u00e3o de direita \u00e9 a ante-sala da primeira disputa eleitoral em que Lula n\u00e3o ser\u00e1 candidato. Do ponto de vista dos trabalhadores e das for\u00e7as populares a quest\u00e3o principal a saber n\u00e3o \u00e9 a movimenta\u00e7\u00e3o na esfera da pol\u00edtica. A grande inc\u00f3gnita \u00e9 saber qual ser\u00e1 o impacto da crise financeira internacional na sua vida e no seu bolso.<\/p>\n<p>34. A hist\u00f3ria sempre \u00e9 a mesma. Em ciclos em que o capitalismo submerge em situa\u00e7\u00f5es de crise o impacto imediato \u00e9 sobre os trabalhadores e o povo mais pobre. E a crise demonstra claramente que a alian\u00e7a entre poder pol\u00edtico e dinheiro \u00e9 uma das caracter\u00edsticas do capitalismo em seu atual est\u00e1gio.<\/p>\n<p>35. Ao PSOL cabe se preparar politicamente, programaticamente e do ponto de vista da a\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria para travar o embate pol\u00edtico nesses pr\u00f3ximos dois anos. Assim, \u00e9 preciso capitalizar o saldo pol\u00edtico que obtivemos em algumas cidades, fortalecer o partido, trazer novos militantes e lutadores sociais e formar politicamente os novos que adv\u00eam \u00e0s nossas fileiras. O Partido precisa se preparar para crescer e trazer para as suas fileiras aqueles que mesmo nas circunst\u00e2ncias mais adversas acreditaram no discurso do PSOL e apoiaram as nossas valorosas candidaturas pelo Brasil afora.<\/p>\n<p>36. E o mais importante de tudo, \u00e9 necess\u00e1rio que o partido busque unificar sua interven\u00e7\u00e3o no movimento social e planeje seu crescimento no movimento social vivo de nosso pa\u00eds. Isso passa necessariamente por apresentarmos e\/ou apoiarmos propostas concretas de a\u00e7\u00f5es unificadas contra os efeitos da crise mundial em nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>A\u00e7\u00e3o Popular Socialista &#8211; APS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O PSOL e o balan\u00e7o das elei\u00e7\u00f5es municipais.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[4978],"tags":[4979],"class_list":{"0":"post-224","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","6":"category-eleicoes-2008","7":"tag-eleicoes-2008"},"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.5 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>O PSOL e o balan\u00e7o das elei\u00e7\u00f5es municipais - PSOL 50<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/psol50.org.br\/o-psol-e-o-balanco-das-eleicoes-municipais\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"O PSOL e o balan\u00e7o das elei\u00e7\u00f5es municipais - 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