{"id":308,"date":"2006-05-07T00:00:00","date_gmt":"2006-05-07T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/psol50.org.br\/arquivo\/2006\/05\/07\/se-o-petroleo-um-dia-foi-nosso-o-gas-e-deles\/"},"modified":"2006-05-07T00:00:00","modified_gmt":"2006-05-07T00:00:00","slug":"se-o-petroleo-um-dia-foi-nosso-o-gas-e-deles","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/psol50.org.br\/se-o-petroleo-um-dia-foi-nosso-o-gas-e-deles\/","title":{"rendered":"Se o petr\u00f3leo um dia foi nosso, o g\u00e1s \u00e9 deles"},"content":{"rendered":"<p>Soberania nacional, nossa ou alheia, n&atilde;o \u00e9 coisa que se negocie. Os<br \/>\nbolivianos t&ecirc;m direito aos seus recursos naturais. Uma verdadeira<br \/>\nintegra&ccedil;&atilde;o latino-americana s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel com respeito &agrave;<br \/>\nauto-determina&ccedil;&atilde;o dos demais povos da regi&atilde;o.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><strong>Se o petr\u00f3leo um dia foi nosso, o g\u00e1s \u00e9 deles<br \/>Em defesa do decreto da nacionaliza&ccedil;&atilde;o boliviana<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O gesto de Evo Morales do dia 1&ordm; de maio, ao assinar o decreto que<br \/>\nregulamentou a Lei dos Hidrocarburos (Hidrocarbonetos), votada em maio<br \/>\nde 2005 pelo Congresso boliviano, e mandar as for&ccedil;as armadas ocuparem<br \/>\nas instala&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o e refino do pa\u00eds, foi feito no dia e na<br \/>\nforma certa para dar resposta ao grande clamor popular pela retomada<br \/>\ndas riquezas minerais e energ\u00e9ticas h\u00e1 d\u00e9cadas espoliadas pelas<br \/>\nempresas estrangeiras, e influir no debate eleitoral para escolha dos<br \/>\ndeputados constituintes, que dever&atilde;o ser eleitos em julho. <\/p>\n<p>De quebra, a medida p&ocirc;s na parede a direita pr\u00f3-imperialista e<br \/>\nautonomista de Santa Cruz de la Sierra. Essa burguesia regional,<br \/>\nbeneficiada pelo agribussiness do algod&atilde;o, cana e soja, e pelo<br \/>\npetr\u00f3leo, n&atilde;o teria a menor d\u00favida em dividir o pequeno pa\u00eds para<br \/>\ncontinuar se alimentando das migalhas do sub-imperialismo brasileiro.<\/p>\n<p>De qualquer forma, e antes de qualquer an\u00e1lise sobre o conte\u00fado ou<br \/>\nlimites do decreto, a medida do governo Evo foi muito progressiva.<br \/>\nEmbora n&atilde;o tenha se tratado de uma nacionaliza&ccedil;&atilde;o total, sem<br \/>\nindeniza&ccedil;&atilde;o, como fizeram a Arg\u00e9lia em 1963, o Ir&atilde; em 1951 e a pr\u00f3pria<br \/>\nBol\u00edvia de 1969 (com expropria&ccedil;&atilde;o e controle total pelo estado<br \/>\nnacional), o decreto \u00e9 uma medida frontalmente anti-neoliberal. Tudo o<br \/>\nque v\u00e1 no sentido de questionar os lucros excessivos da m\u00faltis e<br \/>\nretomar algum controle sobre recursos naturais estrat\u00e9gicos,<br \/>\nreafirmando a soberania estatal de um pa\u00eds semicolonial, paup\u00e9rrimo&nbsp; &ndash;<br \/>\ne ainda por cima cumprir um compromisso eleitoral! &ndash;&nbsp; numa etapa de<br \/>\nenorme ofensiva econ&ocirc;mica, pol\u00edtica e militar do imperialismo, tem que<br \/>\nser vista como positiva. <\/p>\n<p>Vale destacar que a pequena Bol\u00edvia est\u00e1 fazendo essa inflex&atilde;o<br \/>\nanti-neoliberal, retomando pelo menos parte do controle sobre o que \u00e9<br \/>\ndela, no exato momento em que a c\u00fapula da Casa Branca d\u00e1 claros sinais<br \/>\nde que quer invadir o Ir&atilde;, n&atilde;o por acaso um dos donos das maiores<br \/>\nreservas de petr\u00f3leo do mundo, junto com o Iraque, sem falar que est\u00e1<br \/>\npondo em marcha a chamada &ldquo;Bolsa do Petr\u00f3leo&rdquo;, para negociar o mesmo em<br \/>\neuros <\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Os limites do decreto<\/strong><\/p>\n<p>Isto posto, vamos ver o que \u00e9 o decreto do Evo:<\/p>\n<p>A Yacimientos Petrol\u00edferos Fiscales Bolivianos, ou YPFB (a tradu&ccedil;&atilde;o<br \/>\n\u00e9 Jazidas Petrol\u00edferas Estatais Bolivianas, vejam s\u00f3), que j\u00e1 tinha<br \/>\nsido uma empresa totalmente estatal, como foi a Petrobras at\u00e9 FHC, foi<br \/>\nretalhada e entregue a 20 multinacionais petroleiras de todo o mundo<br \/>\nentre 1995 e 1997, transformando-se num escrit\u00f3rio de cobran&ccedil;a de<br \/>\nimpostos. Foi mais ou menos como se a pujante Petrobras tivesse, por<br \/>\ndecreto, se reduzido a uma&#8230;ANP (a &ldquo;brasileira&rdquo;Ag&ecirc;ncia Nacional do<br \/>\nPetr\u00f3leo, G\u00e1s Natural e Biocombust\u00edveis), um \u00f3rg&atilde;o estatal encarregado<br \/>\nde organizar a entrega das riquezas do subsolo brasileiro e fiscalizar<br \/>\nas regras do jogo de modo a garantir os interesses das multinacionais,<br \/>\nas aves de rapina. <\/p>\n<p>Enquanto via suas reservas de g\u00e1s (a segunda da Am\u00e9rica Latina<br \/>\ndepois da Venezuela) repartidas entre os abutres (nota 1), o povo<br \/>\nboliviano &ndash; ah, o povo boliviano &ndash; continuava sem saber o que era g\u00e1s<br \/>\nencanado e veicular para cozinhar, se aquecer ou viajar. A Bol\u00edvia,<br \/>\nlembremos, \u00e9 um dos pa\u00edses mais pobres do continente, tem mais de 60%<br \/>\nda popula&ccedil;&atilde;o abaixo da linha de pobreza e tem no g\u00e1s natural seu<br \/>\nprincipal recurso.<\/p>\n<p>O decreto de 1&ordm; de Maio cumpre tr&ecirc;s determina&ccedil;&otilde;es da Lei de<br \/>\nHidrocarburos, resultado direto das insurrei&ccedil;&otilde;es que derrubaram Gony<br \/>\nS\u00e1nchez de Lozada em 2003 e Carlos Mesa em 2005. Evo n&atilde;o inventou a<br \/>\nroda, mas acrescentou uma outra medida, que afeta diretamente a maior<br \/>\ndas petroleiras estrangeiras no pa\u00eds, a hoje multinacional Petrobras.&nbsp;<br \/>\nO Decreto determina o seguinte:<\/p>\n<p>(1) Ressuscita-se a estatal YPFB;<\/p>\n<p>(2) Todos os cons\u00f3rcios resultantes da privatiza&ccedil;&atilde;o de YPFB (Andina SA,<br \/>\nChaco SA e Transredes, esta \u00faltima s\u00f3cia do Gasbol junto com a<br \/>\nPetrobras), mais a companhia armazenadora CLHB, devem vender a&ccedil;&otilde;es ao<br \/>\nestado boliviano para que este passe a ter 50% + 1, portanto o controle<br \/>\nacion\u00e1rio dessas empresas. As a&ccedil;&otilde;es da velha YPFB que foram<br \/>\npulverizadas e eram &ldquo;do povo boliviano&rdquo; mas geridas por fundos de<br \/>\npens&atilde;o estrangeiros voltam para a YPFB. (Mas aten&ccedil;&atilde;o: n&atilde;o est\u00e1 claro<br \/>\ncomo ser\u00e1 essa venda das a&ccedil;&otilde;es, o que \u00e9 importante porque por da\u00ed vem a<br \/>\nindeniza&ccedil;&atilde;o do estado boliviano &agrave;s companhias);<\/p>\n<p>(3) A produ&ccedil;&atilde;o de g\u00e1s e \u00f3leo cru das petroleiras passa a ser controlada<br \/>\npela YPFB, que volta, assim,&nbsp; a decidir sobre como vende, transporta,<br \/>\narmazena, exporta, quanto cobra e quanto vende (decis&otilde;es estrat\u00e9gicas<br \/>\npara qualquer pa\u00eds, das quais o povo e o governo da Bol\u00edvia estavam<br \/>\nalijados desde a privatiza&ccedil;&atilde;o de 1995-97). Isso quer dizer que a YPFB<br \/>\npassa a ser dona da Petrobras e da Repsol na Bol\u00edvia, por exemplo, ou<br \/>\nseja, \u00e9 claramente uma expropria&ccedil;&atilde;o pelo menos parcial? N&atilde;o. Parece ser<br \/>\num expediente pol\u00edtico-cont\u00e1bil. A Petrobras, a Repsol e demais s\u00f3cias<br \/>\ninternacionais na espolia&ccedil;&atilde;o da Bol\u00edvia continuam produzindo, mas quem<br \/>\nvai tomar as decis&otilde;es de gest&atilde;o e se apropriar dos resultados<br \/>\ncont\u00e1beis&nbsp; \u00e9 a YPFB. Como diz o pr\u00f3prio Evo, &ldquo;elas v&atilde;o lucrar, mas<br \/>\nlucrar menos&rdquo;. Economicamente, \u00e9 uma esp\u00e9cie de &ldquo;transfer&ecirc;ncia de<br \/>\nlucros&rdquo; para o Estado. Politicamente, \u00e9 uma nacionaliza&ccedil;&atilde;o &ldquo;pela<br \/>\nmetade&rdquo;, como j\u00e1 caracterizou a dire&ccedil;&atilde;o da Central Obrera Boliviana, a<br \/>\nCOB.<\/p>\n<p>(4) Aumenta de 50% para 82% do valor da produ&ccedil;&atilde;o as<br \/>\nparticipa&ccedil;&otilde;es\/taxas (royalties e o imposto sobre hidrocarbonetos) a<br \/>\nserem pagas pelos megacampos de g\u00e1s natural de San Alberto e San<br \/>\nAntonio (de propriedade da Petrobras). Nas contas do governo boliviano,<br \/>\nisso significa elevar a arrecada&ccedil;&atilde;o no setor de 450 milh&otilde;es de d\u00f3lares<br \/>\nanuais para 750 milh&otilde;es, o que \u00e9 uma maneira de reduzir a<br \/>\nsuperexplora&ccedil;&atilde;o do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Portanto, o decreto \u00e9 altamente positivo, mas n&atilde;o \u00e9 uma<br \/>\nnacionaliza&ccedil;&atilde;o completa, sem indeniza&ccedil;&atilde;o. Tanto que no dia seguinte &agrave;<br \/>\nmedida, Evo e seu staff sa\u00edram esclarecendo que querem muito negociar<br \/>\ncom o Brasil (controlador da poderosa Petrobras) e a Espanha<br \/>\n(controladora da Repsol-YPF), que o que querem \u00e9 discutir pre&ccedil;os justos<br \/>\netc. E mesmo deixando de lado qualquer aprecia&ccedil;&atilde;o sobre quais seriam os<br \/>\nlimites pol\u00edtico-ideol\u00f3gicos do governo boliviano, n&atilde;o se deve esquecer<br \/>\nque o pa\u00eds tem um &ldquo;pequeno problema&rdquo;: s&atilde;o ricos em g\u00e1s, mas n&atilde;o em<br \/>\npetr\u00f3leo. <\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do \u00f3leo, que pode ser produzido e estocado e tem a<br \/>\nvantagem de ser l\u00edquido, portanto de transporte mais f\u00e1cil, o g\u00e1s<br \/>\nnatural s\u00f3 se torna riqueza (como falam no jarg&atilde;o do setor, s\u00f3 se<br \/>\n&ldquo;monetiza&rdquo;, vira moeda ou dinheiro) quando h\u00e1 um gasoduto, de<br \/>\nconstru&ccedil;&atilde;o car\u00edssima, uma demanda j\u00e1 formada l\u00e1 na ponta e os contratos<br \/>\nde fornecimento assinados. N&atilde;o d\u00e1 para estocar g\u00e1s, a n&atilde;o ser por<br \/>\nprocesso criog&ecirc;nico (torna-lo l\u00edquido por congelamento), atualmente<br \/>\ncar\u00edssimo o que o torna invi\u00e1vel econ&ocirc;micamente, nem mudar rapidamente<br \/>\no destino das exporta&ccedil;&otilde;es do produto. Por falta de gasoduto e de<br \/>\ndemanda formada, a Petrobras, h\u00e1 anos, queima o g\u00e1s ou o reinjeta nos<br \/>\npo&ccedil;os da Bacia de Campos e da Bacia do Solim&otilde;es, em Urucu, no Amazonas,<br \/>\nal\u00e9m de outras bacias.<\/p>\n<p>O mercado brasileiro de g\u00e1s, particularmente o parque industrial de<br \/>\nS&atilde;o Paulo e do Sul do pa\u00eds, \u00e9 fundamental para a Bol\u00edvia, assim como a<br \/>\nBol\u00edvia tornou-se essencial para mover a m\u00e1quina da ind\u00fastria<br \/>\nbrasileira. Um depende do outro: 50% do g\u00e1s consumido no Brasil \u00e9<br \/>\nboliviano e 75% do g\u00e1s consumido pelas ind\u00fastrias de SP v&ecirc;m da Bol\u00edvia<br \/>\n(concentrado em cerca de 30 grandes empresas, dos ramos petroqu\u00edmico,<br \/>\nsider\u00fargico, fertilizantes e cer&acirc;mico, segundo a Folha de 3\/5\/2006).<br \/>\nGra&ccedil;as ao g\u00e1s, 40% das exporta&ccedil;&otilde;es da Bol\u00edvia s&atilde;o para o Brasil. <\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Petrobras lucra &agrave;s custas dos recursos naturais alheios &nbsp;<\/strong><\/p>\n<p>Nessa interdepend&ecirc;ncia&nbsp; &ndash; imposta pelo imperialismo maior, como<br \/>\nexplicamos abaixo &ndash;, \u00e9 dif\u00edcil afirmar quem &ldquo;depende&rdquo; mais de quem,<br \/>\necon&ocirc;mica e geopoliticamente. Mas \u00e9 f\u00e1cil perceber quem explora quem e<br \/>\nquem domina politicamente. Al\u00e9m de pagar pre&ccedil;os baixos pelo g\u00e1s da<br \/>\nBol\u00edvia, a Petrobras, ainda controlada pelo Estado brasileiro, foi das<br \/>\nmaiores benefici\u00e1rias da &ldquo;liquida&ccedil;&atilde;o&rdquo; geral que significou o processo<br \/>\nde privatiza&ccedil;&otilde;es da YPFB. De tal forma que em menos de 10 anos,<br \/>\npartindo de nada, a Petrobras passou a ter na Bol\u00edvia propriedades que<br \/>\nproduzem 15% do PIB boliviano!<\/p>\n<p>A Petrobras investiu US$ 2 bilh&otilde;es para construir o Gasbol (Gasoduto<br \/>\nBrasil-Bol\u00edvia) e gastou US$ 1,5 bi entre compras de ativos bolivianos<br \/>\n(unidades de produ&ccedil;&atilde;o, duas grandes refinarias e centenas de postos de<br \/>\ncombust\u00edveis) e investimentos para produ&ccedil;&atilde;o nos dois campos de g\u00e1s que<br \/>\ncontrola (San Alberto e San Antonio, os maiores do vizinho). <\/p>\n<p>Esses montantes, dito seja, s&atilde;o irris\u00f3rios diante do valor dos<br \/>\nativos que foram arrematados.&nbsp; Para se ter uma id\u00e9ia, as duas<br \/>\nrefinarias que a estatal brasileira comprou no pa\u00eds vizinho em 1999,<br \/>\ncustaram U$ 102 milh&otilde;es, enquanto a constru&ccedil;&atilde;o da nova refinaria<br \/>\nprojetada para Suape, Pernambuco, vai custar &agrave;s s\u00f3cias Petrobras e<br \/>\nPDVSA cerca de US$ 2 bilh&otilde;es, sozinha. (Ou seja, Suape vai custar 20<br \/>\nvezes o que a Petrobras gastou para levar as duas refinarias<br \/>\nbolivianas.)<\/p>\n<p>Como se v&ecirc;, os governos neoliberais da Bol\u00edvia venderam suas<br \/>\nriquezas a pre&ccedil;o de banana, e os governos de mesma \u00edndole do lado de c\u00e1<br \/>\nda fronteira fizeram a Petrobras aproveitar a &ldquo;festa&rdquo;. Mas o dinheiro<br \/>\nagora &ldquo;perdido&rdquo; (que deixar\u00e1 de ser arrancado do povo da Bol\u00edvia) pesa<br \/>\nnas contas da estatal brasileira, com uma gest&atilde;o muito mais voltada<br \/>\npara Wall Street do que para os &ldquo;interesses nacionais&rdquo; que ela diz<br \/>\nrepresentar. <\/p>\n<p>A Petrobras, recordemos, tem, desde o primeiro governo do PSDB &ndash; que<br \/>\np&ocirc;s na sua presid&ecirc;ncia o banqueiro Reichstul&nbsp; &ndash;&nbsp; \u00e9 gerida para<br \/>\nsatisfazer mais aos acionistas que ao povo brasileiro. A Uni&atilde;o ainda \u00e9<br \/>\ncontroladora, porque tem 50% +1 das a&ccedil;&otilde;es com direito a voto, as<br \/>\nchamadas a&ccedil;&otilde;es ordin\u00e1rias ou ONs, mas det\u00e9m apenas 35% do capital total<br \/>\nda petroleira. Os outros 65%, notem bem, 65%!, est&atilde;o nas m&atilde;os de<br \/>\ninvestidores privados como o grupo sider\u00fargico Gerdau, a Vale do Rio<br \/>\nDoce e o Bradesco, al\u00e9m dos acionistas estrangeiros, detentores dos<br \/>\nt\u00edtulos negociados na bolsa de Nova York. <\/p>\n<p>Pese a esse &ldquo;foco no mercado, efici&ecirc;ncia e competividade<br \/>\ninternacional&rdquo;, reafirmado pelas presid&ecirc;ncias petistas da companhia,<br \/>\ncontraditoriamente, a Petrobras tem seu or&ccedil;amento inclu\u00eddo nas contas<br \/>\np\u00fablicas e \u00e9 obrigada a investir menos do que poderia e deveria para<br \/>\ncontribuir com os&nbsp; super\u00e1vits prim\u00e1rios astron&ocirc;micos do governo Lula.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como deveria atuar a Petrobras<\/strong><\/p>\n<p>A situa&ccedil;&atilde;o desenhada com o decreto boliviano revela com todas as cores<br \/>\no papel de exploradora que a Petrobras vem cumprindo na Bol\u00edvia, na<br \/>\nArgentina, na Col&ocirc;mbia e todos os demais pa\u00edses semi-coloniais&nbsp; em que<br \/>\ntem opera&ccedil;&otilde;es, seja de produ&ccedil;&atilde;o, refino ou distribui&ccedil;&atilde;o de<br \/>\ncombust\u00edveis. E joga holofotes sobre a condi&ccedil;&atilde;o de sub-imperialismo<br \/>\nregional que o Brasil, suas empresas (privadas e estatais) e sua<br \/>\nburguesia v&ecirc;m desempenhando no continente, e no Cone Sul da Am\u00e9rica<br \/>\nLatina em particular.<\/p>\n<p>Semi-privatizada na era FHC com uma venda de capitais que tornou muitos<br \/>\ninvestidores internacionais seus s\u00f3cios diretos, a estatal brasileira<br \/>\njoga para a tribuna de honra de Wall Street e da Bovespa, e n&atilde;o para<br \/>\ncolocar suas indiscut\u00edveis expertise tecnol\u00f3gica e pot&ecirc;ncia econ&ocirc;mica a<br \/>\nservi&ccedil;o de pre&ccedil;os de combust\u00edveis&nbsp; mais baixos para brasileiros, ou de<br \/>\numa integra&ccedil;&atilde;o latino-americana fraterna que respeite a soberania das<br \/>\nrep\u00fablicas vizinhas.<\/p>\n<p>Ora, n&atilde;o pode haver coopera&ccedil;&atilde;o verdadeira baseada em condi&ccedil;&otilde;es<br \/>\ncomerciais desiguais &ndash;&nbsp; compra de g\u00e1s boliviano a pre&ccedil;os achatad\u00edssimos<br \/>\n&ndash; , pol\u00edticas corporativas que n&atilde;o levam em conta as necessidades dos<br \/>\npa\u00edses onde atua &ndash; fazendo menos investimentos em explora&ccedil;&atilde;o do que<br \/>\ndeveria na Argentina (o que \u00e9 motivo de fortes protestos do governo<br \/>\nKirchner) &ndash;&nbsp; e em expedientes pol\u00edticos de &ldquo;autoridade&rdquo;, levando o<br \/>\ngoverno da Bol\u00edvia aos tribunais americanos, por exemplo.<\/p>\n<p>A principal vantagem competitiva da Petrobras, como dizem no mercado<br \/>\n(al\u00e9m do dom\u00ednio sobre a tecnologia de extra&ccedil;&atilde;o de \u00f3leo e g\u00e1s em \u00e1guas<br \/>\nprofundas e ultraprofundas), \u00e9 &ndash; que ironia! &ndash; justamente o fato de<br \/>\ndominar de cabo a rabo a cadeia produtiva do setor. Ou seja, a vantagem<br \/>\nde ser praticamente monop\u00f3lica num mercado de porte razo\u00e1vel como o<br \/>\nBrasil. \u00c9 da combina&ccedil;&atilde;o de seu poderio monop\u00f3lico, efici&ecirc;ncia<br \/>\ntecnol\u00f3gica e altos pre&ccedil;os do petr\u00f3leo (que a empresa repassa sem d\u00f3 ao<br \/>\nbolso dos brasileiros) que v&ecirc;m os lucros extraordin\u00e1rios da estatal. <\/p>\n<p>Do alto dessa posi&ccedil;&atilde;o privilegiada e ainda controlada pela Uni&atilde;o,<br \/>\ncaberia &agrave; Petrobras atuar na pequena e pobre Bol\u00edvia como bra&ccedil;o de um<br \/>\ngoverno realmente aliado, tomando a iniciativa de oferecer aumentos ao<br \/>\npre&ccedil;o do g\u00e1s (reduzindo algo em sua astron&ocirc;mica margem de lucro),<br \/>\ndevolvendo San Alberto e San Antonio &agrave; YPFB ou indenizando o estado<br \/>\nboliviano pela &ldquo;pechincha&rdquo; das compras de ativo no pa\u00eds com<br \/>\nparticipa&ccedil;&otilde;es da YPFB no capital da Petrobr\u00e1s.<\/p>\n<p>A quem argumentar que se trata de utopia (at\u00e9 uma semana atr\u00e1s, ali\u00e1s,<br \/>\nqualquer nacionaliza&ccedil;&atilde;o tamb\u00e9m era vista como utopia&#8230;), recordemos o<br \/>\nque fez recentemente a venezuelana PDVSA nos estados de Nova York, Nova<br \/>\nJersey, Massachussets e Vermont, na costa leste americana: a<br \/>\nsubsidi\u00e1ria de distribui&ccedil;&atilde;o de g\u00e1s controlada pela PDVSA forneceu o<br \/>\nproduto a pre&ccedil;o simb\u00f3lico para os bairros pobres de grandes cidades<br \/>\namericanas da costa leste, para evitar que os trabalhadores &ndash; em grande<br \/>\nmedida latinos e negros &ndash; morressem de frio no \u00faltimo inverno. Uma<br \/>\njogada de mestre de Ch\u00e1vez, que com certeza n&atilde;o contou pontos para as<br \/>\na&ccedil;&otilde;es da PDVSA na bolsa&#8230;<\/p>\n<p>A fun&ccedil;&atilde;o da Petrobras, sob o governo Lula e dirigida por professores e<br \/>\nsindicalistas petroleiros petistas, deveria ser mais do que nunca a de<br \/>\ncontribuir pol\u00edtica e tecnicamente para desenvolver a mais ampla<br \/>\nsoberania dos recursos energ\u00e9ticos dos pa\u00edses do continente. Talvez a<br \/>\n&ldquo;companhia&rdquo;, como dizem os petroleiros, perdesse pontos no preg&atilde;o da<br \/>\nNYSE. Mas, ao fortalecer a fraternidade dos vizinhos com o Brasil,<br \/>\nfortaleceria a posi&ccedil;&atilde;o do pa\u00eds, do governo Lula e sua pr\u00f3pria situa&ccedil;&atilde;o<br \/>\nnos mercados latino-americanos.<\/p>\n<p><strong><br \/>\nA encruzilhada do Brasil e do governo Lula<\/strong> <\/p>\n<p>Lula e seu governo ficaram numa tremenda saia justa e v&atilde;o atuar<br \/>\nentre a cruz e a caldeirinha: a press&atilde;o do &ldquo;mercado&rdquo; ao qual aderiram e<br \/>\nda m\u00eddia neoliberal, por um lado, e a consci&ecirc;ncia da incoveni&ecirc;ncia (e<br \/>\nimpossibilidade t\u00e9cnica e econ&ocirc;mica) de romper com a Bol\u00edvia. Marco<br \/>\nAur\u00e9lio Garcia, o ministro de fato das Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores, disse &agrave;<br \/>\nCBN, no dia seguinte ao decreto de Morales, que evidentemente&nbsp; sabiam<br \/>\nque isso ia acontecer. &ldquo;Se voc&ecirc; me pergunta, Her\u00f3doto, se sab\u00edamos que<br \/>\nia ser no 1o. de Maio &agrave;s 15h, claro que n&atilde;o, da\u00ed o desconforto do<br \/>\npresidente&rdquo;, disse Garcia. &ldquo;Mas que eles iam cumprir a lei votada pelo<br \/>\nCongresso, isso era de se esperar&rdquo;. <\/p>\n<p>Nem com esse conhecimento pr\u00e9vio, o governo Lula deixou de tentar<br \/>\nagradar seus amigos do mercado financeiro, investidores privados e<br \/>\nm\u00eddia neoliberal, protagonizando o teatro de protestos, a&ccedil;&otilde;es<br \/>\njudiciais&nbsp; e &ldquo;n&atilde;o vamos negociar pre&ccedil;os&rdquo; que a dire&ccedil;&atilde;o da Petrobras<br \/>\nest\u00e1 encenando. <\/p>\n<p>N&atilde;o duvidemos: mesmo dividindo tarefas, dando tapinhas nas costas de<br \/>\nEvo Morales, o governo vai atuar duro com a Bol\u00edvia. O que significa<br \/>\nn&atilde;o s\u00f3 um ataque aos interesses dos trabalhadores e do povo bolivianos,<br \/>\ncomo, essa sim, uma amea&ccedil;a aos interesses do povo brasileiro. Afinal,<br \/>\nn&atilde;o temos a menor condi&ccedil;&atilde;o, a m\u00e9dio prazo, de prescindir do g\u00e1s da<br \/>\nBol\u00edvia, ao contr\u00e1rio do del\u00edrio xen\u00f3fobo da direita mais raivosa.<\/p>\n<p>A demanda (procura) por g\u00e1s natural no Brasil cresce em ritmo chin&ecirc;s:<br \/>\n26% ao ano de 2000 a 2005 (a participa&ccedil;&atilde;o do g\u00e1s no volume total de<br \/>\nconsumo energ\u00e9tico no Brasil saltou de 1% na d\u00e9cada de 80, para cerca<br \/>\nde 9% em 2005, ver nota 2). A produ&ccedil;&atilde;o nacional n&atilde;o cresce nem de longe<br \/>\nno mesmo compasso. <\/p>\n<p>Aproveitar o g\u00e1s de Urucu (Amazonas) ou dos megacampos da Bacia de<br \/>\nSantos \u00e9 economicamente invi\u00e1vel, diante dos grandes investimentos que<br \/>\nj\u00e1 foram feitos para construir o Gasbol e distribuir esse g\u00e1s (via<br \/>\ncanos da Comg\u00e1s, lembremos, via canos) pela ind\u00fastria paulista. N&atilde;o por<br \/>\nacaso, enquanto os ressentidos do PFL esbravejam pedindo retalia&ccedil;&atilde;o &agrave;<br \/>\nBol\u00edvia (nota 2), a Fiesp est\u00e1 quiet\u00edssima, pedindo dureza na<br \/>\nnegocia&ccedil;&atilde;o, mas sem falar em rompimento, nem medidas retaliat\u00f3rias, nem<br \/>\ndel\u00edrios de energia alternativa.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a&nbsp; &ldquo;nacionaliza&ccedil;&atilde;o&rdquo; de Evo chega tamb\u00e9m num momento<br \/>\npol\u00edtico muito delicado para Lula, que tentava se recuperar das<br \/>\nchamuscadas da crise do mensal&atilde;o come&ccedil;ando a campanha eleitoral &agrave;s<br \/>\ncustas da auto-sufici&ecirc;ncia em petr\u00f3leo, alcan&ccedil;ada pela Petrobras e pelo<br \/>\npa\u00eds. Ora, ora, eis que a &ldquo;opini&atilde;o p\u00fablica&rdquo; descobre que, al\u00e9m de<br \/>\ndiscut\u00edvel em se tratando do petr\u00f3leo, essa auto-sufici&ecirc;ncia tem um<br \/>\nburaco enorme&#8230; <\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>As tr\u00e1gicas ironias de um sub-imperialismo tupiniquim<\/strong> <\/p>\n<p>Claro que n&atilde;o procedem as acusa&ccedil;&otilde;es da direita, em plena campanha<br \/>\npresidencial, tentando atribuir a Lula e ao PT a &ldquo;culpa&rdquo; pelo conflito<br \/>\n(por ter supostamente&nbsp; &ldquo;substitu\u00eddo os interesses nacionais pela<br \/>\nideologia&rdquo;, ou seja, por apoiarem mais a Evo Morales do que os lucros<br \/>\nda Petrobras, no dizer do Sergio Abranches). <\/p>\n<p>Tamb\u00e9m neste terreno, o PT e Lula n&atilde;o est&atilde;o fazendo nada mais do que<br \/>\ndar continuidade &agrave; obra dos governos anteriores, desde Sarney, que<br \/>\napoiaram entusiasticamente a constru&ccedil;&atilde;o do gasoduto contratado pelo<br \/>\nGeneral Geisel com o General Banzer nos idos da d\u00e9cada de 70 e<br \/>\nreferendado em 1991 por Fernando Henrique, com o mesmo Banzer, na<br \/>\nocasi&atilde;o, de novo no poder do pa\u00eds vizinho. <\/p>\n<p>Na verdade, o Gasoduto Bol\u00edvia-Brasil foi um projeto das m\u00faltis<br \/>\nnorte-americanas, carinhosamente acalentado e desenvolvido, desde os<br \/>\nanos 60, pelo departamento de Estado do Imp\u00e9rio, em defesa daquelas<br \/>\ncorpora&ccedil;&otilde;es que lucrariam com a constru&ccedil;&atilde;o e mais tarde com o<br \/>\ntransporte do g\u00e1s para o Brasil: as norte-americanas Enron, El Paso, a<br \/>\nanglo-holandesa Shell e brit&acirc;nica British Petroleum (BP). Pois ningu\u00e9m<br \/>\npode duvidar que o gasoduto \u00e9 uma liga&ccedil;&atilde;o entre os campos de g\u00e1s<br \/>\nbolivianos e o Oceano Atl&acirc;ntico, antes de mais nada. <\/p>\n<p>O problema \u00e9 que, no meio do caminho, ainda durante a constru&ccedil;&atilde;o do<br \/>\ngasoduto, devido &agrave; instabilidade pol\u00edtica na regi&atilde;o e o tamanho<br \/>\nreduzido dos neg\u00f3cios, as energ\u00e9ticas ianques reduziram seu interesse e<br \/>\nabriram o v\u00e1cuo que a Petrobras passou a ocupar, como s\u00f3cia de outras<br \/>\nm\u00faltis petrol\u00edferas e de energia. A composi&ccedil;&atilde;o de capital da TBG (a<br \/>\nparte brasileira da empresa do gasoduto, controlada pela Petrobras) e<br \/>\nda GBT (parte boliviana) mostra bem o tamanho do imbr\u00f3glio:<\/p>\n<table cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" border=\"0\" class=\"MsoNormalTable\">\n<tr>\n<td width=\"277\" valign=\"top\">\n<address><strong><span style=\"font-size: 14pt;color: black\">TBG (brasileira)<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 14pt;color: black\"><\/span><\/address>\n<\/td>\n<td width=\"50\" valign=\"top\">\n<address><span style=\"font-size: 14pt;color: black\">&nbsp;<\/span><span style=\"font-size: 14pt;color: black\"><\/span><\/address>\n<\/td>\n<td width=\"277\" valign=\"top\" colspan=\"2\">\n<address><strong><span style=\"font-size: 14pt;color: black\">GTB (boliviana)<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 14pt;color: black\"><\/span><\/address>\n<\/td>\n<td width=\"21\" valign=\"top\">\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 14pt;color: black\">&nbsp;<\/span><span style=\"font-size: 14pt;color: black\"><\/span><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"277\" valign=\"top\">\n<address><strong><span style=\"font-size: 14pt;color: black\">S\u00d3CIOS<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 14pt;color: black\"><\/span><\/address>\n<\/td>\n<td width=\"50\" valign=\"top\">\n<address><strong><span style=\"font-size: 14pt;color: black\">%<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 14pt;color: black\"><\/span><\/address>\n<\/td>\n<td width=\"277\" valign=\"top\" colspan=\"2\">\n<address><strong><span style=\"font-size: 14pt;color: black\">S\u00d3CIOS<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 14pt;color: black\"><\/span><\/address>\n<\/td>\n<td width=\"21\" valign=\"top\">\n<p align=\"center\" class=\"MsoNormal\"><strong><span style=\"font-size: 14pt;color: black\">%<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 14pt;color: black\"><\/span><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"277\" valign=\"top\">\n<address><span style=\"font-size: 14pt;color: black\">GASPETRO &ndash; PETROBRAS GAS<br \/>\n      AS<\/span><span style=\"font-size: 14pt;color: black\"><\/span><\/address>\n<\/td>\n<td width=\"50\" valign=\"top\">\n<address><span style=\"font-size: 14pt;color: black\">51<\/span><span style=\"font-size: 14pt;color: black\"><\/span><\/address>\n<\/td>\n<td width=\"277\" valign=\"top\" colspan=\"2\">\n<address><span style=\"font-size: 14pt;color: black\">GASPETRO &ndash; PETROBRAS GAS<br \/>\n      AS<\/span><span style=\"font-size: 14pt;color: black\"><\/span><\/address>\n<\/td>\n<td width=\"21\" valign=\"top\">\n<p align=\"center\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 14pt;color: black\">9<\/span><span style=\"font-size: 14pt;color: black\"><\/span><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"277\" valign=\"top\">\n<address><span style=\"font-size: 14pt;color: black\">BBPP<br \/>\n      HOLDINGS LTDA<\/span><span style=\"font-size: 14pt;color: black\"><\/span><\/address>\n<\/td>\n<td width=\"50\" valign=\"top\">\n<address><span style=\"font-size: 14pt;color: black\">29<\/span><span style=\"font-size: 14pt;color: black\"><\/span><\/address>\n<\/td>\n<td width=\"277\" valign=\"top\" colspan=\"2\">\n<address><span style=\"font-size: 14pt;color: black\">BBPP<br \/>\n      HOLDINGS LTDA<\/span><span style=\"font-size: 14pt;color: black\"><\/span><\/address>\n<\/td>\n<td width=\"21\" valign=\"top\">\n<p align=\"center\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 14pt;color: black\">6<\/span><span style=\"font-size: 14pt;color: black\"><\/span><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"277\" valign=\"top\">\n<address><span style=\"font-size: 14pt;color: black\">ENRON<\/span><span style=\"font-size: 14pt;color: black\"><\/span><\/address>\n<\/td>\n<td width=\"50\" valign=\"top\">\n<address><span style=\"font-size: 14pt;color: black\">7<\/span><span style=\"font-size: 14pt;color: black\"><\/span><\/address>\n<\/td>\n<td width=\"250\" valign=\"top\">\n<address><span style=\"font-size: 14pt;color: black\">ENRON<\/span><span style=\"font-size: 14pt;color: black\"><\/span><\/address>\n<\/td>\n<td width=\"48\" valign=\"top\" colspan=\"2\">\n<pre><span style=\"font-size: 14pt;color: black\">30<\/span><span style=\"font-size: 14pt;color: black\"><\/span><\/pre>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"277\" valign=\"top\">\n<address><span style=\"font-size: 14pt;color: black\">SHELL<\/span><span style=\"font-size: 14pt;color: black\"><\/span><\/address>\n<\/td>\n<td width=\"50\" valign=\"top\">\n<address><span style=\"font-size: 14pt;color: black\">7<\/span><span style=\"font-size: 14pt;color: black\"><\/span><\/address>\n<\/td>\n<td width=\"250\" valign=\"top\">\n<address><span style=\"font-size: 14pt;color: black\">SHELL<\/span><span style=\"font-size: 14pt;color: black\"><\/span><\/address>\n<\/td>\n<td width=\"48\" valign=\"top\" colspan=\"2\">\n<pre><span style=\"font-size: 14pt;color: black\">30<\/span><span style=\"font-size: 14pt;color: black\"><\/span><\/pre>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"277\" valign=\"top\">\n<address><span style=\"font-size: 14pt;color: black\">FUNDOS DE PENS&Atilde;O<br \/>\n      BOLIVIANOS<\/span><span style=\"font-size: 14pt;color: black\"><\/span><\/address>\n<\/td>\n<td width=\"50\" valign=\"top\">\n<address><span style=\"font-size: 14pt;color: black\">6<\/span><span style=\"font-size: 14pt;color: black\"><\/span><\/address>\n<\/td>\n<td width=\"250\" valign=\"top\">\n<address><span style=\"font-size: 14pt;color: black\">FUNDOS DE PENS&Atilde;O<br \/>\n      BOLIVIANOS<\/span><span style=\"font-size: 14pt;color: black\"><\/span><\/address>\n<\/td>\n<td width=\"48\" valign=\"top\" colspan=\"2\">\n<pre><span style=\"font-size: 14pt;color: black\">25<\/span><span style=\"font-size: 14pt;color: black\"><\/span><\/pre>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"277\">\n<address><span style=\"font-size: 14pt;color: black\">&nbsp;<\/span><span style=\"font-size: 14pt;color: black;font-family: 'arial unicode ms'\"><\/span><\/address>\n<\/td>\n<td width=\"50\">\n<address><span style=\"font-size: 14pt;color: black\">&nbsp;<\/span><span style=\"font-size: 14pt;color: black;font-family: 'arial unicode ms'\"><\/span><\/address>\n<\/td>\n<td width=\"250\">\n<address><span style=\"font-size: 14pt;color: black\">&nbsp;<\/span><span style=\"font-size: 14pt;color: black;font-family: 'arial unicode ms'\"><\/span><\/address>\n<\/td>\n<td width=\"27\">\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 14pt;color: black\">&nbsp;<\/span><span style=\"font-size: 14pt;color: black;font-family: 'arial unicode ms'\"><\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"21\">\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 14pt;color: black\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/table>\n<p>Na ponta da demanda pelo g\u00e1s, dizem os especialistas, o crescimento<br \/>\nassombroso do mercado brasileiro para o combust\u00edvel &ndash; que est\u00e1 por tr\u00e1s<br \/>\ntamb\u00e9m do &ldquo;boom&rdquo; da Petrobras na Bol\u00edvia &ndash;&nbsp; \u00e9 resultado da falta de<br \/>\ninvestimentos no setor el\u00e9trico. Ou seja, boa parte do g\u00e1s vai e ir\u00e1<br \/>\ncada vez mais para usinas termel\u00e9tricas (que geram eletricidade a<br \/>\npartir de \u00f3leo combust\u00edvel ou a partir de g\u00e1s), que entraram no lugar<br \/>\ndas hidrel\u00e9tricas que n&atilde;o se constr\u00f3em mais. Coisas da anarquia<br \/>\ncapitalista&#8230;<\/p>\n<p>Mas n&atilde;o deixam de ser de uma profunda e tr\u00e1gica ironia as imagens do<br \/>\nEx\u00e9rcito boliviano, executando uma medida nacionalista progressiva,<br \/>\namplamente apoiada pelos trabalhadores e povo da Bol\u00edvia, nas<br \/>\ninstala&ccedil;&otilde;es sob a marca Petrobras &ndash; uma empresa nascida de outra das<br \/>\nmaiores lutas populares do s\u00e9culo XX latino-americano (a campanha do<br \/>\nPetr\u00f3leo \u00e9 Nosso), que teve um papel altamente progressivo para o<br \/>\ndesenvolvimento do pa\u00eds. A nossa Petrobras foi transformada em vil&atilde; da<br \/>\njusta luta do povo boliviano gra&ccedil;as ao vergonhoso papel de exploradores<br \/>\nde segunda categoria que a ordem internacional imperialista reservou &agrave;<br \/>\nburguesia e ao Estado brasileiros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Uma campanha de apoio &agrave; nacionaliza&ccedil;&atilde;o boliviana<\/strong><\/p>\n<p>A pol&ecirc;mica nacional desencadeada pela nacionaliza&ccedil;&atilde;o boliviana e a<br \/>\nchamada &ldquo;crise do g\u00e1s&rdquo; constituem uma excelente oportunidade para os<br \/>\nsocialistas denunciarem esse papel lament\u00e1vel do Brasil e da sua maior<br \/>\nempresa. \u00c9 preciso dizer com todas as letras que os bolivianos est&atilde;o<br \/>\ncobertos de raz&atilde;o, que se o petr\u00f3leo foi e \u00e9 em parte nosso, o g\u00e1s \u00e9 e<br \/>\nser\u00e1 deles. <\/p>\n<p>Nos cabe debater com os trabalhadores e o povo que a melhor sa\u00edda<br \/>\necon&ocirc;mica e pol\u00edtica \u00e9 reconhecer a soberania dos bolivianos sobre seus<br \/>\nrecursos naturais e seu direito &agrave; nacionaliza&ccedil;&atilde;o e defender a<br \/>\nnacionaliza&ccedil;&atilde;o contra quem quer que seja. Que se houve &ldquo;quebra de<br \/>\ncontrato&rdquo;, como alardeia a direita, h\u00e1 contratos que t&ecirc;m que ser<br \/>\nquebrados mesmo: como os escandalosos contratos da d\u00edvida externa que<br \/>\nmant&ecirc;m o Brasil e a Am\u00e9rica Latina atados &agrave; l\u00f3gica dos super\u00e1vits que<br \/>\nsufocam o desenvolvimento do pa\u00eds e do continente. <\/p>\n<p>Cabe &agrave; esquerda socialista, aos sindicatos combativos e ao movimento<br \/>\nsocial brasileiros desmascarar essa &ldquo;divis&atilde;o de tarefas&rdquo; levada a cabo<br \/>\npela c\u00fapula petista: enquanto Lula d\u00e1 tapinhas nas costas de Evo,<br \/>\nS\u00e9rgio Gabrielli e a dire&ccedil;&atilde;o da Petrobras chantageiam com a amea&ccedil;a de<br \/>\nprocessar a Bol\u00edvia em tribunais bolivianos e internacionais.<\/p>\n<p>Por isso, devemos tamb\u00e9m reivindicar que n&atilde;o exista nenhuma<br \/>\nretalia&ccedil;&atilde;o do governo Lula e da Petrobr\u00e1s ao decreto do governo<br \/>\nboliviano. <\/p>\n<p>\u00c9 preciso recha&ccedil;ar essa pol\u00edtica d\u00fabia do governo, que diz<br \/>\nreconhecer a nacionaliza&ccedil;&atilde;o boliviana, enquanto a Petrobras endurece na<br \/>\nnegocia&ccedil;&atilde;o dos pre&ccedil;os do g\u00e1s. Embora n&atilde;o haja um pre&ccedil;o internacional<br \/>\nque seja par&acirc;metro &ndash; como no caso do petr\u00f3leo &ndash; e n&atilde;o nos caiba entrar<br \/>\nna seara t\u00e9cnica de se vale US$ 5 ou US$ 8 o milh&atilde;o de metros c\u00fabicos,<br \/>\no certo \u00e9 que os US$ 3,80 atuais s&atilde;o irris\u00f3rios. E os bolivianos t&ecirc;m o<br \/>\ndireito de pedir e receber o aumento.<\/p>\n<p>Desenha-se, assim, uma oportunidade \u00edmpar para os movimentos sociais<br \/>\ndas classes trabalhadores no Brasil, sindicatos, centrais e partidos da<br \/>\nesquerda socialista fazerem uma ampla campanha em defesa da<br \/>\nnacionaliza&ccedil;&atilde;o do g\u00e1s boliviano, com mais um e importante passo da luta<br \/>\ndos povos latino-americanos por sua integra&ccedil;&atilde;o e rep\u00fadio &agrave; ordem<br \/>\nneoliberal imperialista. &nbsp;<\/p>\n<p><strong><br \/>\nNotas:<\/strong><\/p>\n<p>1. A antiga YPFB foi dividida em tr&ecirc;s partes (Andina, Chaco e<br \/>\nTransredes). Cada empresa foi destinada a um&nbsp; cons\u00f3rcio. Os<br \/>\nparticipantes s&atilde;o as seguintes multinacionais: o capital da Andina \u00e9<br \/>\n50% da espanhola Repsol-YPF. A Chaco \u00e9 50% da Panamerican Energy (por<br \/>\nsua vez com 60% da British Petroleum e 40% da argentina Bridas). A<br \/>\nTransredes, dona de toda a infra-estrutura de transporte de \u00f3leo e g\u00e1s,<br \/>\ninclu\u00eddo o Gasoduto Bol\u00edvia-Brasil, tem 25% do capital nas m&atilde;os da<br \/>\nShell, 25% nas da americana Prisma Energy e 16% de s\u00f3cios privados n&atilde;o<br \/>\nidentificados. Os fundos de pens&atilde;o administrados por estrangeiros (um<br \/>\npela su\u00ed&ccedil;a Zurich Financial Serive, outro pelo Banco Bilbao Viscaya)<br \/>\nficaram, em nome de todos os bolivianos maiores de idade em 31\/12\/1995,<br \/>\ncom 48% da Andina, 48% da Chaco e 34% da Transredes.<\/p>\n<p>2. O PFL representa o talvez \u00fanico setor das oligarquias<br \/>\nregionais que ficou absolutamente alijado da m\u00e1quina estatal federal no<br \/>\ngoverno Lula (m\u00e1quina da qual os caciques pefelistas viviam mamando h\u00e1<br \/>\ncerca de 40 anos, desde os tempos da Arena, dominando por d\u00e9cadas as<br \/>\ncomunica&ccedil;&otilde;es, a educa&ccedil;&atilde;o e a Petrobr\u00e1s, via Minist\u00e9rio de Minas e<br \/>\nEnergia). Representam tamb\u00e9m, tal como comprova o senador baiano e<br \/>\nex-Ministro Rodolfo Tourinho, os interesses das petroleiras<br \/>\nestrangeiras no Brasil e das empreiteiras prestadoras de servi&ccedil;o &agrave;<br \/>\nind\u00fastria de petr\u00f3leo e g\u00e1s. Da\u00ed o empenho de Tourinho em aprovar uma<br \/>\nnova Lei do G\u00e1s, que simplesmente rouba da Petrobras o controle sobre<br \/>\nos gasodutos de todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>\n<\/p>\n<p><em>Ana Carvalhaes \u00e9&nbsp; jornalista, militante do P-SOL\/RJ e membro da Coordena&ccedil;&atilde;o Nacional do Coletivo Socialismo e Liberdade. <\/em><\/p>\n<p><em>Heitor Pereira Alves Filho \u00e9 ge\u00f3logo da Petrobr\u00e1s, diretor do Sindpetro\/AL-SE,&nbsp; presidente do<br \/>\nP-SOL\/SE e membro da Coordena&ccedil;&atilde;o Nacional do Coletivo Socialismo e<br \/>\nLiberdade.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Soberania nacional, nossa ou alheia, n&atilde;o \u00e9 coisa que se negocie. Os bolivianos t&ecirc;m direito aos seus recursos naturais. 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