{"id":342,"date":"2008-11-07T00:00:00","date_gmt":"2008-11-07T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/psol50.org.br\/arquivo\/2008\/11\/07\/minuta-sobre-a-crise-economica-e-nossas-tarefas\/"},"modified":"2008-11-07T00:00:00","modified_gmt":"2008-11-07T00:00:00","slug":"minuta-sobre-a-crise-economica-e-nossas-tarefas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/psol50.org.br\/minuta-sobre-a-crise-economica-e-nossas-tarefas\/","title":{"rendered":"Minuta sobre a crise econ\u00f4mica e nossas tarefas"},"content":{"rendered":"<p>Contribui\u00e7\u00e3o do MES.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Durante a campanha eleitoral os partidos de sustenta\u00e7\u00e3o do regime pol\u00edtico, sejam do bloco governista sejam os da oposi\u00e7\u00e3o de direita, deliberadamente ocultaram a avalanche da crise econ\u00f4mica que chegou ao Brasil j\u00e1 em setembro de 2008, na esteira da maior crise econ\u00f4mica mundial dos \u00faltimos 70 anos, iniciada em julho de 2007 nos EUA. N\u00e3o foi, portanto, uma marola, como disse o Presidente Lula.<\/p>\n<p>Como partido anticapitalista que somos temos que buscar analisar as reais dimens\u00f5es desta crise e nos armar com respostas pol\u00edticas e econ\u00f4micas para defender o pa\u00eds e os interesses dos trabalhadores e do povo pobre.<\/p>\n<p>Para analisar, de modo aproximado, a real dimens\u00e3o desta crise mundial, nos baseamos em dados e avalia\u00e7\u00f5es feitas pelo pr\u00f3prio Fundo Monet\u00e1rio Internacional, fonte insuspeita de querer ampliar o tamanho e o impacto da crise, j\u00e1 que \u00e9 uma das principais institui\u00e7\u00f5es mundiais trabalhando para salvar o sistema e passar para a popula\u00e7\u00e3o o m\u00e1ximo poss\u00edvel da conta da crise. Nesta minuta vamos apontar alguns dos problemas que j\u00e1 est\u00e3o ocorrendo em nosso pa\u00eds. Em seguida, para avan\u00e7ar nas medidas que o partido deve defender, reivindicamos a elabora\u00e7\u00e3o de economistas de esquerda de toda a Am\u00e9rica Latina que, reunidos em Setembro, na Venezuela, apresentaram uma s\u00e9rie de sugest\u00f5es de defesa dos nossos pa\u00edses e povos. (o texto dos economistas de esquerda ser\u00e1 publicado anexo)<\/p>\n<p>N\u00e3o vamos nesta minuta nos deter nas possibilidades que se abrem no terreno das repercuss\u00f5es pol\u00edticas desta crise. \u00c9 l\u00f3gico que a situa\u00e7\u00e3o nacional sofrer\u00e1 altera\u00e7\u00f5es fundamentais nos pr\u00f3ximos meses e anos. O mundo e, evidentemente o Brasil, ter\u00e1 um antes e um depois desta gigantesca crise que ainda amea\u00e7a converter-se na segunda depress\u00e3o mundial da hist\u00f3ria do capitalismo. O partido, portanto, deve acompanhar a situa\u00e7\u00e3o e sua din\u00e2mica com a clareza de que a estabilidade econ\u00f4mica relativa que acompanhou a maior parte dos dois mandatos de Lula, na esteira do crescimento econ\u00f4mico mundial, j\u00e1 est\u00e1 no passado. Esta nova realidade ter\u00e1 fortes repercuss\u00f5es nas rela\u00e7\u00f5es entre as classes, no \u00e2nimo da popula\u00e7\u00e3o, possivelmente na pr\u00f3pria atividade pol\u00edtica e social do movimento de massas. As crises por si mesmas n\u00e3o apontam caminhos progressistas para serem resolvidas. A crise de 1929, por exemplo, terminou no maior conflito b\u00e9lico da hist\u00f3ria. Mas as crises sacodem consci\u00eancias e exigem reflex\u00f5es e mudan\u00e7as. A quest\u00e3o s\u00e3o seus conte\u00fados e seus tempos. <\/p>\n<p>A hist\u00f3ria recente do Brasil mostra que, depois dos ataques sofridos ao seu n\u00edvel de vida durante as crises, o povo trabalhador pode tirar conclus\u00f5es pol\u00edticas destas ang\u00fastias, sofrimentos e desrespeito aos seus direitos, e aumentar sua atividade social e pol\u00edtica. Assim foi durante a crise de 1974-75, cujo desdobramento foi o ascenso estudantil de 1977 e a luta pela Anistia Ampla Geral e Irrestrita. As for\u00e7as do movimento de massas foram se acumulando at\u00e9 estourar a crise de 1981-1983, cujo desdobramento foi um salto maior na atividade e politiza\u00e7\u00e3o do movimento de massas com o ensaio de greve geral de 1983 e em seguida a campanha das diretas j\u00e1, de 1984, quando os governos militares foram derrotados. PMDB. PT, PDT, os partidos de oposi\u00e7\u00e3o ao regime militar se fortaleciam neste per\u00edodo. Um per\u00edodo, ali\u00e1s, que culminou nas primeiras elei\u00e7\u00f5es diretas para presidente da Rep\u00fablica no qual Lula chegou ao segundo turno com um discurso de esquerda radicalizado. <\/p>\n<p>Logo ap\u00f3s a vit\u00f3ria de Collor, o pa\u00eds entrou numa nova recess\u00e3o, de 1990-91. A base social do novo governo erodiu rapidamente e a burguesia sofreu divis\u00f5es. Meses depois, em 1992, veio o impeachetment do presidente. Com a posse de Itamar e, sobretudo, com a vit\u00f3ria eleitoral de Fernando Henrique e a derrota da greve nacional dos petroleiros, em 1995, a crise de domina\u00e7\u00e3o burguesa que se arrastava desde 1984 foi fechada. O PSDB assumia o carro chefe da domina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica hegem\u00f4nica da burguesia e o PT j\u00e1 se incorporava de mala e cuia na defesa do regime democr\u00e1tico burgu\u00eas. O regime burgu\u00eas estabilizado n\u00e3o pode, contudo, evitar os ciclos de crises econ\u00f4micas. <\/p>\n<p>A seguinte foi a de 1999, depois de seis anos de estabilidade. Na sua esteira a atividade do movimento de massas n\u00e3o aumentou de modo digno de nota. Neste per\u00edodo tivemos a marcha dos 100 mil em Bras\u00edlia, mas nada que colocasse o movimento de massas no centro da conjuntura. Isso havia ocorrido dois anos antes, quando um processo grevista generalizado nas Pol\u00edcias Militares em in\u00fameros estados assustou as for\u00e7as burguesas. Foi, entretanto, uma exce\u00e7\u00e3o. Nesta conjuntura, por sinal, apoiando as greves da PM de Alagoas, que Helo\u00edsa Helena se fortaleceu enormemente como lideran\u00e7a em Alagoas. Apesar de n\u00e3o ter como desdobramento um aumento da atividade social, parcelas do povo tiraram conclus\u00f5es pol\u00edticas. Foi da\u00ed que veio a aposta definitiva do movimento de massas em Lula e a base de sua vit\u00f3ria nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais seguintes, de 2002. <\/p>\n<p>Com este resumo esquem\u00e1tico da evolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do pa\u00eds tra\u00e7ando uma rela\u00e7\u00e3o entre o ciclo das crises econ\u00f4micas e as mudan\u00e7as pol\u00edticas, queremos marcar a import\u00e2ncia de que o partido acompanhe a nova situa\u00e7\u00e3o aberta com o in\u00edcio desta crise. N\u00e3o se trata de se apresentar como o partido que comemora a crise. Denunciaremos para a popula\u00e7\u00e3o que a mesma foi produzida pelos governos das grandes pot\u00eancias, pelos grandes capitalistas, etc, e chamaremos o povo a n\u00e3o aceitar pagar a conta de que uma crise que n\u00e3o foi feita pelo povo. N\u00f3s socialistas sabemos que as crises econ\u00f4micas s\u00e3o inerentes ao funcionamento do capital, capital que carrega explora\u00e7\u00e3o e morte, muitas vezes reveladas aos olhos de milh\u00f5es precisamente nos momentos de crise, milh\u00f5es que se deixam explorar tranquilamente nos momentos normais na funcionalidade c\u00edclica do sistema.<\/p>\n<p>N\u00e3o temos a pretens\u00e3o de fechar uma caracteriza\u00e7\u00e3o sobre as repercuss\u00f5es desta nova situa\u00e7\u00e3o. Sabemos que mesmo no terreno econ\u00f4mico ningu\u00e9m sabe o real peso que a crise iniciada nos EUA ter\u00e1 na economia mundial nem nacional. J\u00e1 se sabe, por\u00e9m, que a situa\u00e7\u00e3o mundial e nacional tem um antes e um depois do que se chamou no in\u00edcio de a crise das hipotecas e hoje j\u00e1 se conhece como a maior crise desde 1929. Vejamos mais de perto sua gravidade internacional. <\/p>\n<p>Crise internacional<\/p>\n<p>Os fatos<\/p>\n<p>CRISE NO MERCADO DE HIPOTECAS DOS EUA<\/p>\n<p>Todos os economistas com real import\u00e2ncia para os grandes capitalistas, a come\u00e7ar pelo ent\u00e3o Presidente do Banco Central dos EUA, Alan Greenspan, sabiam que havia uma bolha (que come\u00e7am com cr\u00e9dito f\u00e1cil e excesso de dinheiro) para estourar no mercado imobili\u00e1rio, base da supera\u00e7\u00e3o da recess\u00e3o de 2001 neste pa\u00eds, ocorrida logo ap\u00f3s o estouro da bolha das empresas de internet. \u00a0<\/p>\n<p>Em verdade, desde 1987, quando assumiu o Banco Central e se deparou imediatamente com um crash na bolsa de valores dos EUA, Greenspan atuou reduzindo os juros e garantindo ampla base de cr\u00e9dito para os investimentos. De l\u00e1 para c\u00e1, os avan\u00e7os em tecnologia e o canal aberto para as invers\u00f5es no leste europeu e na China, sobretudo, permitiram a reprodu\u00e7\u00e3o ampliada do capital em escala planet\u00e1ria. O gigantesco d\u00e9ficit comercial norte americano garantiu \u2013 e segue garantindo &#8211; por sua vez, que a produ\u00e7\u00e3o chinesa encontrasse demanda efetiva para al\u00e9m de seu mercado interno ainda insuficiente. <\/p>\n<p>Internamente, finalmente, a longa fase de crescimento tamb\u00e9m se construiu pedindo emprestado para o futuro. Assim que os EUA t\u00eam crescido ao longo dos anos, com base no cr\u00e9dito e no consumo das fam\u00edlias &#8211; que representa 70% da economia norte-americana &#8211; consumo este em grande parte sustentado pelos ganhos nas a\u00e7\u00f5es artificialmente em alta da Bolsa de Valores.<\/p>\n<p>Desta vez a bolha que estourou foi a imobili\u00e1ria. Mas sua repercuss\u00e3o \u00e9 internacional e atinge in\u00fameros ramos de produ\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO mercado de hipotecas nos EUA tem uma dimens\u00e3o real enorme. Responde pelo financiamento de pouco mais de um ter\u00e7o dos im\u00f3veis negociados. O setor de im\u00f3veis em 2006 movimentou US$ 42 trilh\u00f5es e os financiamentos corresponderam a US$ 12 trilh\u00f5es (34% do total das vendas de residenciais e 29% dos im\u00f3veis comerciais). O \u00b4subprime\u00b4 representava pelo menos US$ 2 trilh\u00f5es por ano. <\/p>\n<p>Foi justamente a crise nas opera\u00e7\u00f5es subprime` (refere-se \u00e0s opera\u00e7\u00f5es contratadas com clientes sem comprova\u00e7\u00e3o da capacidade de pagamento ou com hist\u00f3rico de inadimpl\u00eancia ou impontualidade) que come\u00e7ou a derrubar os pre\u00e7os dos im\u00f3veis, al\u00e9m de diminuir o cr\u00e9dito. Todos sabiam que em algum momento isso iria estourar, depois do mercado ampliar enormemente a venda de habita\u00e7\u00f5es para os setores mais populares, sendo a pr\u00f3pria casa hipotecada, isto \u00e9, servindo de garantia do pagamento \u00a0<\/p>\n<p>Acontece que estas hipotecas lastreavam outras in\u00fameras opera\u00e7\u00f5es financeiras que garantiam rentabilidade ainda maior e eram repassadas como t\u00edtulos seguros, avalizados pelas mais conceituadas ag\u00eancias de riscos. Ou seja, o pagamento dos juros da casas eram a garantia para uma montanha de cr\u00e9ditos de valores muito superiores aos valores dos im\u00f3veis. Mas em algum momento isso iria ficar claro. A partir de 2001, quando come\u00e7ou com for\u00e7a a bolha, o pre\u00e7o dos im\u00f3veis residenciais avan\u00e7ou quase 60%, at\u00e9 estacionarem em 2006. Em meados de 2006 o n\u00famero de unidades residenciais constru\u00eddas e vendidas caiu. O pagamento dos juros come\u00e7ou a se comprometer e hipotecas come\u00e7aram a ser executadas. As garantias dadas por bancos no mundo todo estavam se demonstrando inexistentes. Por isso o v\u00edrus se alastrou para os bancos que em grande n\u00famero estavam comprometidos com t\u00edtulos que passaram rapidamente a n\u00e3o ter valor. <\/p>\n<p>O Bear Stearns, de Nova Iorque, administrador de dois fundos de hedge, foi o primeiro a suspender, em julho de 2007, os resgates de cotas, desencandeando efeitos em cadeia no mercado (a primeira carta do castelo de cartas a cair). Em seguida o BNP Paribas, um grande banco franc\u00eas, anunciou, em 09 agosto de 2007, a suspens\u00e3o das opera\u00e7\u00f5es de tr\u00eas de seus pr\u00f3prios fundos e alegou a completa evapora\u00e7\u00e3o da liquidez em certos segmentos do mercado. O banco alem\u00e3o IKB tamb\u00e9m foi atingido em agosto. Estava claro que tratava-se de uma crise mundial que ia al\u00e9m de uma crise de cr\u00e9dito. Os pr\u00f3prios capitalistas n\u00e3o sabiam e n\u00e3o sabem o tamanho das perdas patrimoniais envolvidas<\/p>\n<p>A quebra do Lemanh Brothers, um dos maiores bancos de investimento dos EUA, foi o sinal de que o sistema financeiro estava \u00e0 beira do colapso. A partir da\u00ed os Bancos Centrais e governos capitalistas no mundo todo realizaram a maior opera\u00e7\u00e3o de salvamento do sistema banc\u00e1rio da hist\u00f3ria. Trilh\u00f5es de d\u00f3lares para os bancos dos pa\u00edses centrais. Alguns pa\u00edses tiveram literalmente todo seu sistema banc\u00e1rio quebrado. Foi o caso da Isl\u00e2ndia, pa\u00eds t\u00edpico da utiliza\u00e7\u00e3o de riquezas oriundas do cr\u00e9dito, cujo consumo era muito superior \u00e0 produ\u00e7\u00e3o nacional gra\u00e7as \u00e0 libera\u00e7\u00e3o total do sistema financeiro, pra\u00e7a dos investimentos de bancos ingleses, alem\u00e3es, etc. A quebradeira a\u00ed foi total e a economia real ir\u00e1 sentir pesadamente. <\/p>\n<p>O FMI em seu relat\u00f3rio de outubro de 2008 prev\u00ea que as economias industrializadas ser\u00e3o duramente golpeadas. Para a zona do euro o crescimento ser\u00e1 de 1,3% em 2008 e se estima que ser\u00e1 de 0,2% em 2009. A Alemanha j\u00e1 est\u00e1 estagnada. Em 2009 o Jap\u00e3o crescer\u00e1 cerca de 0,5%. Nos EUA a demanda interna tem sido duramente afetada. Segundo o pr\u00f3prio FMI, a desacelera\u00e7\u00e3o do setor de habita\u00e7\u00e3o e de constru\u00e7\u00e3o j\u00e1 reduziu os gastos das fam\u00edlias. Desde o quarto trimestre de 2007 o consumo se contraiu e permaneceu estagnado desde l\u00e1. A taxa de desemprego atinge j\u00e1 6%. Na Calif\u00f3rnia \u2013 considerada o indicador da din\u00e2mica da economia- o desemprego j\u00e1 chegou aos 8% e est\u00e1 em 9% em algumas \u00e1reas. A quantidade de im\u00f3veis sem vender segue alt\u00edssima em todo o pa\u00eds, e a perspectiva \u00e9 que os pre\u00e7os sigam caindo.<\/p>\n<p>Mas todas as proje\u00e7\u00f5es podem ser mais otimistas do que realmente ir\u00e1 ocorrer. Em cada relat\u00f3rio, ali\u00e1s, o FMI tem que corrigir seus progn\u00f3sticos dos relat\u00f3rios anteriores, apresentando uma situa\u00e7\u00e3o mais complicada para a economia mundial. A dificuldade maior \u00e9 quantificar o tamanho do impacto na produ\u00e7\u00e3o, na renda, no emprego e no consumo de uma quebradeira no sistema financeiro do qual tamb\u00e9m n\u00e3o se sabe o real tamanho. \u00a0<\/p>\n<p>O certo \u00e9 que estamos, pelo menos, na principal crise econ\u00f4mica do capitalismo desde 1929. Uma crise que deve ser profunda e longa. Uma crise que atingir\u00e1 o mundo todo. O que ainda n\u00e3o \u00e9 previs\u00edvel \u00e9 at\u00e9 que ponto a China conseguir\u00e1 compensar a queda da economia nos pa\u00edses capitalistas centrais. Todos sabem que o crescimento a\u00ed ser\u00e1 reduzido, mas a redu\u00e7\u00e3o significa passar de 10% ou 9% de crescimento do PIB para 8% ou 7% de crescimento. Ou seja, a China seguir\u00e1 sendo uma f\u00e1brica do mundo, permitindo a reprodu\u00e7\u00e3o do capital das empresas capitalistas que a\u00ed investem e mantendo a sustenta\u00e7\u00e3o dos t\u00edtulos do tesouro norte-americano, atualmente o principal ref\u00fagio dos capitalistas. Mas a China dificilmente representar\u00e1 um terreno de reprodu\u00e7\u00e3o ampliada do capital capaz de compensar as dificuldades da valoriza\u00e7\u00e3o do capital nos pa\u00edses centrais. Pelo menos n\u00e3o poder\u00e1 fazer isso sozinha, at\u00e9 porque o d\u00e9ficit comercial dos EUA foi parte fundamental do crescimento chin\u00eas. Est\u00e1 posto, portanto, a necessidade de um aumento consider\u00e1vel do mercado interno, justamente uma das metas atuais de Pequim.<\/p>\n<p>Nos EUA a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o cr\u00edtica que os juros do tesouro est\u00e3o negativos, ou seja, o dinheiro neles investidos se reduz ao longo do tempo e mesmo assim \u00e9 considerado o porto seguro dos investidores. Diga-se que esta estabilidade encontra-se na China, que det\u00e9m, junto com Jap\u00e3o e as burguesias \u00c1rabes, grande parte dos t\u00edtulos norte-americanos. Uma das grandes quest\u00f5es da nova situa\u00e7\u00e3o mundial \u00e9 como se relacionar\u00e3o no futuro EUA e China, cuja depend\u00eancia rec\u00edproca n\u00e3o anula contradi\u00e7\u00f5es e disputa de poder e de mercado. <\/p>\n<p>A grave contradi\u00e7\u00e3o do sistema enquanto um todo \u00e9 que imensas massas de recursos financeiros n\u00e3o encontram facilmente onde se alocar na produ\u00e7\u00e3o para se reproduzir de modo ampliado. Nos EUA os capitais fict\u00edcios, isto \u00e9, t\u00edtulos, a\u00e7\u00f5es, dividendos, que n\u00e3o encontram correspond\u00eancia na produ\u00e7\u00e3o de mercadorias, j\u00e1 superam v\u00e1rias vezes a produ\u00e7\u00e3o. Por mais elevadas que sejam as taxas de explora\u00e7\u00e3o estes recursos somente podem alimentar-se de si mesmos, dos juros \u2013 que agora est\u00e3o negativos nos EUA. <\/p>\n<p>Assim, a economia dominada pelo capital financeiro, do dinheiro que gera dinheiro sem passar pela produ\u00e7\u00e3o, encontra-se numa situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil, j\u00e1 que ter\u00e1 que encontrar ramos concretos de produ\u00e7\u00e3o para que se abra um canal para drenar os recursos hoje parados, sem aplica\u00e7\u00e3o.\u00a0 Depois da crise de 1987, tanto o mercado chin\u00eas quanto o leste europeu, combinado com os investimentos em telecomunica\u00e7\u00f5es permitiu um crescimento consider\u00e1vel, mas agora as oportunidades est\u00e3o mais escassas. Ademais, as privatiza\u00e7\u00f5es da previd\u00eancia dos anos 90, com a cria\u00e7\u00e3o de fundos de previd\u00eancia privada, seguros de sa\u00fade, da aposentadoria, enfim massas de recursos financeiros que durante anos encontraram na bolsa o lugar da sua valoriza\u00e7\u00e3o, valorizando as pr\u00f3prias a\u00e7\u00f5es que seguiam com uma \u201cexuber\u00e2ncia irracional\u201d, encontram agora dificuldade para seguirem sua marcha na especula\u00e7\u00e3o. Todos acabaram de perder muitos recursos nas Bolsas. Diga-se de passagem que o capital no mundo todo que foi torrado nas bolsas de valores era fict\u00edcio, mas os rendimentos das milh\u00f5es de fam\u00edlias oriundas dos dividendos destas a\u00e7\u00f5es n\u00e3o eram, nem muito menos as promessas de aposentadorias supostamente garantidas por este capital para outros tantos milh\u00f5es. <\/p>\n<p>A explica\u00e7\u00e3o marxista<\/p>\n<p>Marx sustentava que a crise do capitalismo se d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Contribui\u00e7\u00e3o do MES.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[4766],"tags":[],"class_list":{"0":"post-342","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","6":"category-arquivo"},"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.5 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Minuta sobre a crise econ\u00f4mica e nossas tarefas - 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