{"id":369,"date":"2009-09-30T00:00:00","date_gmt":"2009-09-30T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/psol50.org.br\/arquivo\/2009\/09\/30\/honduras-o-povo-segue-nas-ruas\/"},"modified":"2009-09-30T00:00:00","modified_gmt":"2009-09-30T00:00:00","slug":"honduras-o-povo-segue-nas-ruas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/psol50.org.br\/honduras-o-povo-segue-nas-ruas\/","title":{"rendered":"Honduras &#8211; O povo segue nas ruas!"},"content":{"rendered":"<p>Informa\u00e7\u00f5es desde Tegucigalpa, Honduras.<br \/>\n<br \/><!--more--><\/p>\n<p>1 &#8211; &#8220;Sangue de m\u00e1rtires, semente de liberdade&#8221; era a palavra de ordem no enterro de Wendy, que morreu devido aos gases lacrimog\u00eaneos no s\u00e1bado passado. &#8220;Todo despertar tem um pre\u00e7o&#8221;, me dizia um militante da resist\u00eancia, formado no Partido Comunista, durante a cerim\u00f4nia pela companheira, na tarde de segunda-feira, no Cemit\u00e9rio Nacional. &#8220;E Honduras despertou.&#8221; Usando categorias marxistas, o companheiro dizia que em Honduras esse despertar significa que o movimento deu &#8220;um salto de qualidade&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o \u00e9 o primeiro que trazemos a este cemit\u00e9rio, oficialmente foram velados seis companheiros, mas h\u00e1 um n\u00famero que n\u00e3o conhecemos de desaparecidos, de pessoas que foram levadas e n\u00e3o mais apareceram, e at\u00e9 de pessoas que se diz terem morrido por serem ladr\u00f5es em enfrentamento com a pol\u00edcia&#8221;, me contou.<\/p>\n<p>2 &#8211; Na segunda-feira, o governo come\u00e7ou o dia aplicando o decreto de Estado de s\u00edtio. A r\u00e1dio Globo e o Canal 36 foram fechados numa ostensiva entrada do ex\u00e9rcito a seus edif\u00edcios, de onde tiraram todos seus equipamentos e equipes. Nesse mesmo dia, a concentra\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia que ocorre diariamente na Universidade Pedag\u00f3gica no meio da manh\u00e3 foi d\u00e9bil. Mas sem d\u00favida, e apesar da manifesta\u00e7\u00e3o ter sido cercada pelas tropas, n\u00e3o havia vest\u00edgios de temor ou vacila\u00e7\u00e3o. Pelo contr\u00e1rio, os coment\u00e1rios eram de radicaliza\u00e7\u00e3o, de que se deveria tomar medidas mais en\u00e9rgicas, at\u00e9 se falava da necessidade de se passar a a\u00e7\u00f5es mais concretas. A manifesta\u00e7\u00e3o conseguiu sair para marchar at\u00e9 o sindicato STYBS. Foi o reflexo de um sentimento geral do setor mais amplo da popula\u00e7\u00e3o de que as medidas autorit\u00e1rias eram repudiadas, n\u00e3o apenas pela grande massa que est\u00e1 contra o golpe, mas tamb\u00e9m pelos setores da classe m\u00e9dia, que recha\u00e7am o autoritarismo simbolizado pelo fechamento dos ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A massiva rejei\u00e7\u00e3o ao regime e os partidos pol\u00edticos que o ap\u00f3ia s\u00e3o vis\u00edveis a todo momento. Fala-se frente a eles de corruptos, uma palavra muito comum quando se menciona pol\u00edticos por aqui. O cortejo ao cemit\u00e9rio era pequeno, mas a simpatia do povo era enorme; carros e caminh\u00f5es, sobretudo os que levavam trabalhadores, saudavam, buzinavam e paravam, todos levantavam os punhos fechados.<\/p>\n<p>3 &#8211; Ainda que a resist\u00eancia n\u00e3o possa manter uma mobiliza\u00e7\u00e3o massiva di\u00e1ria e permanente nas ruas, o apoio popular segue crescendo. O \u00e1pice foi o 15 de Setembro, Dia da Independ\u00eancia; nesse feriado, dezenas de milhares sa\u00edram \u00e0s ruas. Al\u00e9m disso, h\u00e1 as paralisa\u00e7\u00f5es permanentes de diversos setores e, no caso dos professores, de dois dias por semana.<\/p>\n<p>Houve ocupa\u00e7\u00e3o de edif\u00edcios p\u00fablicos e, at\u00e9 hoje, se mant\u00e9m ocupado pelos trabalhadores o pr\u00e9dio do INA &#8211; Instituto Nacional Agr\u00e1rio, cujo dirigente \u00e9 Juan Barahona. Esse companheiro \u00e9 um dos l\u00edderes mais carism\u00e1ticos, junto com Carlos H. Reyes, candidato independente \u00e0 presid\u00eancia.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma ampla e numeros\u00edssima vanguarda que se formou nestes 90 dias, composta por trabalhadores, organiza\u00e7\u00f5es de bairro, sindicatos &#8211; como o das bebidas e o do magist\u00e9rio &#8211; e organiza\u00e7\u00f5es campesinas de grande peso e tradi\u00e7\u00e3o de luta em Honduras. Uma vanguarda que n\u00e3o se dobrou, apesar da repress\u00e3o que vem sofrendo nos despejos dos bloqueios a estradas, especialmente no dia em que foi dispersada a manifesta\u00e7\u00e3o em frente \u00e0 Embaixada do Brasil, onde a repress\u00e3o foi selvagem. Um jovem motoboy, de n\u00e3o mais de 22 anos, ao lado de sua orgulhosa companheira, me mostrou suas costas, com as marcas dos sucessivos golpes recebidos nesses enfrentamentos. Uma enfermeira com a bandeira do Partido Liberal me contava como se organizou nos primeiros dias a Frente dos Trabalhadores da Sa\u00fade em Tegucigalpa. &#8220;Come\u00e7amos com dez enfermeiras, mas foram se juntando os assistentes, m\u00e9dicos e dentistas, com os quais fizemos uma organiza\u00e7\u00e3o numerosa.&#8221; Es sa organiza\u00e7\u00e3o conta com uma cl\u00ednica a servi\u00e7o para atender os feridos da resist\u00eancia.<\/p>\n<p>Vale a pena lembrar que, nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas que se seguiram ao auge revolucion\u00e1rio dos anos 80, tem sido Honduras o pa\u00eds onde o movimento social foi mais forte, protagonizando greves e lutas. A essa vanguarda se somou um setor radical do Partido Liberal, do presidente deposto Manuel Zelaya, que trouxe novos militantes, que surgiram com o golpe. Esses s\u00e3o os setores que formam a atual Frente de Resist\u00eancia, que mant\u00e9m a mobiliza\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica revolucion\u00e1ria, que j\u00e1 tem mais de 90 dias e que n\u00e3o h\u00e1 vistas de ser derrotada ou desistir.<\/p>\n<p>4 &#8211; Precisamente a declara\u00e7\u00e3o de Estado de s\u00edtio do governo golpista \u00e9 a tentativa de caminhar em dire\u00e7\u00e3o de um totalitarismo ditatorial cl\u00e1ssico (nos referimos \u00e0s ditaduras dos anos 70 na Am\u00e9rica Latina), para deter a mobiliza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria em curso e afirmar seu regime. A institui\u00e7\u00e3o que parece mais coesa \u00e9 o ex\u00e9rcito, que n\u00e3o d\u00e1 sinais de rupturas, e tem se conservado intacto depois de todos os processos vividos na Am\u00e9rica Central, e com uma rela\u00e7\u00e3o muito pr\u00f3xima com a alta burguesia e com as For\u00e7as Armadas dos Estados Unidos. O modo funcional desse ex\u00e9rcito \u00e9 uma ditadura cl\u00e1ssica, para a qual apontava o Estado de s\u00edtio.<\/p>\n<p>Mas o golpista Micheletti n\u00e3o se deu bem com seu decreto, porque o parlamento e todos os candidatos \u00e0 presid\u00eancia tamb\u00e9m o recha\u00e7aram. Esse plano significava a sua continua\u00e7\u00e3o no poder at\u00e9 as elei\u00e7\u00f5es. Numa coletiva de imprensa, nas primeiras horas da tarde de segunda-feira, o presidente golpista, junto com parlamentares, teve que reconhecer que teria que voltar atr\u00e1s. Isso n\u00e3o significa que n\u00e3o usar\u00e1 inescrupulosamente medidas como fechamento de r\u00e1dios e TVs e proibi\u00e7\u00e3o de manifesta\u00e7\u00f5es, mas como pol\u00edtica estrat\u00e9gica, fracassou.<\/p>\n<p>Essa situa\u00e7\u00e3o mostrou as contradi\u00e7\u00f5es e as incapacidades da classe dominante e de um regime que, mais que um regime, \u00e9 um conglomerado de setores com diferentes posi\u00e7\u00f5es em meio a uma crise pol\u00edtica. Se todos est\u00e3o contra a resist\u00eancia e a pol\u00edtica em dire\u00e7\u00e3o ao bolivarismo seguida por Zelaya, est\u00e3o divididos em como enfrent\u00e1-las. A sa\u00edda para eles s\u00e3o as elei\u00e7\u00f5es, mas a quest\u00e3o \u00e9 como chegar a elas. A menos de 60 dias da data marcada, a campanha eleitoral j\u00e1 n\u00e3o existe como tal. H\u00e1 apenas alguma campanha na TV, mas n\u00e3o chega \u00e0s ruas.<\/p>\n<p>A burguesia tem que mudar essa situa\u00e7\u00e3o, mas sob porrete e Estado de s\u00edtio \u00e9 imposs\u00edvel, n\u00e3o apenas por que n\u00e3o havia possibilidade de reuni\u00f5es dos candidatos como porque o que foi feito at\u00e9 agora foi s\u00f3 botar lenha na fogueira.<\/p>\n<p>Essa n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica complica\u00e7\u00e3o, a outra, maior, \u00e9 que o presidente leg\u00edtimo est\u00e1 dentro da cidade de Tegucigalpa, na Embaixada do Brasil, e soma-se a isso o isolamento internacional do regime.<\/p>\n<p>5 &#8211; Hoje, todos os setores come\u00e7aram a falar com muita for\u00e7a da necessidade de um di\u00e1logo nacional para se chegar \u00e0s elei\u00e7\u00f5es. Com Zelaya, s\u00f3 seria poss\u00edvel o di\u00e1logo se recuperasse a presid\u00eancia. Mas essa sa\u00edda \u00e9 imposs\u00edvel para a burguesia, porque a pol\u00edtica do presidente leg\u00edtimo acabou enfrentando seu regime. Zelaya fala de di\u00e1logo, mas tamb\u00e9m j\u00e1 falou de &#8220;P\u00e1tria, restitui\u00e7\u00e3o ou morte&#8221;. No contexto atual, pouco mais de uma semana na embaixada, mais de 90 dias de mobiliza\u00e7\u00e3o, um \u00fanico dia de Zelaya no governo, em meio \u00e0 fragilidade absoluta do regime, seria muito perigoso para as classes dominantes.<\/p>\n<p>Para a burguesia, n\u00e3o h\u00e1 possibilidade nem de uma ditadura ao estilo da d\u00e9cada de 70 nem do retorno de Zelaya. Parece que o di\u00e1logo de que falam significaria um governo de unidade nacional provis\u00f3rio, sem Zelaya e sem Micheletti, algo que tamb\u00e9m \u00e9 dif\u00edcil de conseguir.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o quadro da crise pol\u00edtica instalada na superestrutura, e que tem como outro fator fundamental o isolamento internacional e o aprofundamento da crise econ\u00f4mica, que tem levado o pa\u00eds para a beira do abismo. Cada dia significa mais ru\u00edna para o povo, e em especial para a classe m\u00e9dia, e os pequenos comerciantes s\u00e3o os que mais sofrem.<\/p>\n<p>6 &#8211; H\u00e1 setores minorit\u00e1rios da esquerda que n\u00e3o compreendem que a principal reivindica\u00e7\u00e3o \u00e9 a restitui\u00e7\u00e3o de Zelaya. A diferen\u00e7a entre os revolucion\u00e1rios e os oportunistas \u00e9 que, para restituir Zelaya, \u00e9 preciso continuar e aprofundar a a\u00e7\u00e3o direta do povo, \u00e9 fazer uma luta democr\u00e1tica conseq\u00fcente de confronto com o regime.<\/p>\n<p>As reivindica\u00e7\u00f5es da resist\u00eancia s\u00e3o muito claras. N\u00e3o a estas elei\u00e7\u00f5es; restitui\u00e7\u00e3o de Zelaya; e Assembleia Constituinte, que se transformou tamb\u00e9m numa reivindica\u00e7\u00e3o das massas diante da crise.<\/p>\n<p>O problema para a resist\u00eancia \u00e9 que, se a intensa mobiliza\u00e7\u00e3o em curso serviu para fragilizar e colocar em crise o regime, n\u00e3o foi t\u00e3o intensa para p\u00f4-lo em colapso, provocar sua queda e, a partir da\u00ed, encontrar uma sa\u00edda democr\u00e1tica revolucion\u00e1ria. (\u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o que se parece bastante \u00e0s que viveram os processos revolucion\u00e1rios de Venezuela, Bol\u00edvia e Equador, que depois chegaram a posteriores sa\u00eddas muito progressivas atrav\u00e9s de contundentes triunfos eleitorais.) A acumula\u00e7\u00e3o de for\u00e7as existente e o aprofundamento da crise colocam essa possibilidade como aberta. Na medida em que as classes dominantes n\u00e3o resolvem nada, que se agrava a crise, se tornando insuport\u00e1vel, a possibilidade de um levante mais geral est\u00e1 colocada, e com ele um novo governo de Zelaya, num contexto totalmente diferente, de ruptura com o velho regime, como aconteceu em Bol\u00edvia, Venezuela e Equador.<\/p>\n<p>7 &#8211; De todas as formas, \u00e9 um erro desmerecer ou n\u00e3o levar em conta as possibilidades das classes dominantes desviarem o processo. Um elemento que tenta romper o isolamento internacional \u00e9 a posi\u00e7\u00e3o assumida pelos setores mais direitistas do continente, incluindo o corrupto presidente do Senado brasileiro, Jos\u00e9 Sarney, que saiu a atacar o apoio a Zelaya assumido pelo presidente Lula. N\u00e3o \u00e9 o \u00fanico. A reuni\u00e3o de ontem da OEA mostrou que os Estados Unidos est\u00e3o mudando sua pol\u00edtica, ao atacar firmemente Zelaya, Lula e Ch\u00e1vez por &#8220;aventurerismo&#8221;. O plano que possivelmente est\u00e1 tramando, e de dif\u00edcil aplica\u00e7\u00e3o, \u00e9 de manter a atual situa\u00e7\u00e3o, com um governo de unidade nacional provis\u00f3rio, sem Zelaya, e que Micheletti mantenha a convocat\u00f3ria eleitoral. Da\u00ed surge a necessidade central de manter a todo custo a reivindica\u00e7\u00e3o de restitui\u00e7\u00e3o de Zelaya e de apoiar, no terreno internacional, as for\u00e7as e os pa\u00edses que defendem essa posi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>8 &#8211; Seja qual for o desenrolar dos pr\u00f3ximos dias, est\u00e1 claro que mais nada ser\u00e1 igual para Honduras e para todo nosso continente. O povo despertou, deu um salto, como disse o companheiro do Partido Comunista. O processo revolucion\u00e1rio est\u00e1 em marcha e, se n\u00e3o \u00e9 agora, mais cedo ou mais tarde isso se expressar\u00e1 num novo poder pol\u00edtico, como j\u00e1 se passou com v\u00e1rios pa\u00edses latino-americanos. Essa resist\u00eancia tem formado n\u00e3o apenas novos dirigentes pr\u00f3prios, mas tamb\u00e9m uma mudan\u00e7a na consci\u00eancia das massas e novas formas de organiza\u00e7\u00e3o. H\u00e1 uma ruptura com os velhos partidos. A Frente de Resist\u00eancia e, em particular, o Bloco Popular, que engloba o setor mais consciente, t\u00eam surgido como alternativas para setores de massas. Tudo isso tem que levar a uma nova organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica revolucion\u00e1ria de massas. V\u00e1rios setores que comp\u00f5em a Frente de Resist\u00eancia j\u00e1 entenderam isso, \u00c9 preciso formar essa for\u00e7a pol\u00edtica que ser\u00e1 crucial ante aos futuros acontecimentos.<\/p>\n<p>9 &#8211; Os lutadores e as organiza\u00e7\u00f5es anti-imperialistas e socialistas latino-americanas est\u00e3o diante do grande desafio de colaborar com todo esse processo. Honduras \u00e9 hoje nossa capital pol\u00edtica para avan\u00e7ar na luta de classes em nosso continente e para isso a solidariedade \u00e9 fundamental. Temos que fazer uma grande jornada em 2 de Outubro, e apoiar de todas as maneiras, inclusive econ\u00f4mica, a resist\u00eancia hondurenha.<\/p>\n<p>Tegucigalpa, 29 de setembro de 2009<\/p>\n<p>Pedro Fuentes<br \/>Secret\u00e1rio de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais do PSOL<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Informa\u00e7\u00f5es desde Tegucigalpa, Honduras.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[4766],"tags":[],"class_list":{"0":"post-369","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","6":"category-arquivo"},"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.5 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Honduras - O povo segue nas ruas! - PSOL 50<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/psol50.org.br\/honduras-o-povo-segue-nas-ruas\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Honduras - O povo segue nas ruas! 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