{"id":384,"date":"2010-09-10T00:00:00","date_gmt":"2010-09-10T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/psol50.org.br\/arquivo\/2010\/09\/10\/china-fortalece-empresas-estatais-para-alimentar-o-crescimento\/"},"modified":"2010-09-10T00:00:00","modified_gmt":"2010-09-10T00:00:00","slug":"china-fortalece-empresas-estatais-para-alimentar-o-crescimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/psol50.org.br\/china-fortalece-empresas-estatais-para-alimentar-o-crescimento\/","title":{"rendered":"China fortalece empresas estatais para alimentar o crescimento"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Introdu\u00e7\u00e3o, por Pedro Fuentes <\/strong><\/em><\/p>\n<p>Apresentamos aos nossos leitores a tradu\u00e7\u00e3o do artigo do New York Times de 30 de agosto de 2010, sobre a China. \u00c9 o terceiro texto que traduzimos nos \u00faltimos meses. O autor defende a tese de que h\u00e1 um fortalecimento da economia estatal, ou seja, do capitalismo estatal chin\u00eas. H\u00e1 duas semanas, o The Economist (um dos mais s\u00e9rios meios de opini\u00e3o da burguesia) apresentou um debate muito objetivo (e sem nenhum preconceito) sobre as vantagens que leva a China na recupera\u00e7\u00e3o da crise, gra\u00e7as ao controle estatal da econom\u00eda, forma de gest\u00e3o \u00e0 qual tamb\u00e9m atribui alguns avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos pr\u00f3prios. Uma esp\u00e9cie de \u201cverdadeiro keynesianismo\u201d.<\/p>\n<p>Estes dados objetivos fornecidos por porta vozes s\u00e9rios da imprensa imperialista constituem elementos cruciais para a an\u00e1lise marxista da situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e da geopol\u00edtica mundial nela implicada.<\/p>\n<p>Uma grande parte da esquerda marxista mundial tende a ignorar o fen\u00f4meno chin\u00eas em suas an\u00e1lises. Outros setores, tradicionalmente oportunistas, falam das vantagens de uma suposta \u201ceconomia mista\u201d do socialismo com o mercado.<\/p>\n<p>S\u00e3o erros opostos. Por um lado, n\u00e3o se pode ignorar a import\u00e2ncia que tem e ter\u00e1 a China, no m\u00ednimo na pr\u00f3xima d\u00e9cada. Issp seria esconder a cabe\u00e7a como o avestruz diante do desenvolvimento capitalista da China, j\u00e1 convertida na 2\u00aa potencia mundial, com fortes invers\u00f5es da Am\u00e9rica Latina e \u00c1frica, possuidora das maiores reservas de capital do mundo e dos t\u00edtulos de d\u00edvida estadunidense. Por outro lado, \u00e9 preciso desmistificar a id\u00e9ia de que h\u00e1 na China algum resquicio de socialismo ou de volta ao socialismo<\/p>\n<p>O que h\u00e1 na China \u00e9 uma combina\u00e7\u00e3oou associa\u00e7\u00e3o entre grandes empresas estrangeiras e o capitalismo de Estado chin\u00eas, representado por uma fort\u00edssima burocracia estatal do Partido Comunista, que re\u00fane em suas fileiras grandes propriet\u00e1rios diretamente burgueses e uma clase burocr\u00e1tica \u00edntimamente ligada \u00e0 explora\u00e7\u00e3o capitalista.<\/p>\n<p>Nesta introdu\u00e7\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para desenvolver o papel desempenhado pela China na atual situa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica. Queremos enfatizar alguns eixos pol\u00e9micos para a esquerda marxista, e j\u00e1 prometer um texto futuro que os desenvolva.<\/p>\n<p>1. Contra a opini\u00e3o de que a China acabar\u00eda sendo uma semi-col\u00f4nia dos pa\u00edses imperialistas e portanto seria arrastada r\u00e1pidamente para a crise econ\u00f3mica quando esta estourasse, a realidade est\u00e1 demonstrando que a capacidade da burocracia para conduzir o capitalismo \u00e9 enorme.<\/p>\n<p>2. Que gra\u00e7as a isso, a China hoje desempenha um papel fundamental para que a economia mundial n\u00e3o colapse com maior intensidade.<\/p>\n<p>3. Que o desenvolvimento chin\u00eas far\u00e1 com que a \u00c1sia cumpra um papel fundamental na sustenta\u00e7\u00e3o do capitalismo imperialista no pr\u00f3ximo per\u00edodo (pelo menos na pr\u00f3xima d\u00e9cada), como prognosticou o famoso te\u00f3rico marxista Gunder Frank antes de morrer. E por isso n\u00e3o se trata de nenhum fen\u00f3meno progressivo.<\/p>\n<p>4. Que para garantir seu desenvolvimento, a China necessita expandir suas invers\u00f5es da mesma forma que o imperialismo, para poder contar com novos recursos naturais que assegurem seu crescimento. E este \u00e9 o papel que cumprem suas invers\u00f5es em pa\u00edses africanos, no M\u00e9xico, Argentina, Brasil e outros pa\u00edses latino-americanos onde expandiu bruscamente sua presen\u00e7a com empresas e capitais chineses protagonizando grandes transa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>5.Que a pol\u00edtica do capitalismo de Estado chin\u00eas definitivamente gerar\u00e1 novas e grandes contradi\u00e7\u00f5es no interior da China e no resto do mundo.<\/p>\n<p>Segue o artigo original:<br \/>\n<strong>China Fortalece Empresas Estatais para Alimentar o Crescimento<\/strong><\/p>\n<p><strong>MICHAEL WINES (New York Times)<\/strong><\/p>\n<p>PEQUIM \u2013 Durante d\u00e9cadas de crescimento r\u00e1pido, a China progrediu ao permitir que empres\u00e1rios privados anteriormente anulados pudessem prosperar, muitas vezes \u00e0 custa do antigo e ineficiente setor estatal da economia.<\/p>\n<p>Agora, nas regi\u00f5es ricas de carv\u00e3o da prov\u00edncia de Shanxi, as sider\u00fargicas do cora\u00e7\u00e3o industrial do norte, ou as companhias a\u00e9reas, muitas vezes s\u00e3o as empresas estatais chinesas que est\u00e3o em marcha.<\/p>\n<p>Como o governo chin\u00eas tem se enriquecido, e est\u00e1 mais preocupado com a sustenta\u00e7\u00e3o de seu crescimento, tem bombeado dinheiro p\u00fablico em empresas que espera que atualizem a base industrial e empreguem mais pessoas. Os benefici\u00e1rios s\u00e3o os interesses estatais, que muitos analistas supuseram que gradualmente murchariam em face da concorr\u00eancia do setor privado.<\/p>\n<p>Novos dados do Banco Mundial mostram que a propor\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o industrial de empresas controladas pelo Estado chin\u00eas subiu no ano passado, conferindo uma lenta, mas aparentemente inevit\u00e1vel eclipse. Al\u00e9m disso, o investimento das empresas controladas pelo Estado disparou, impulsionado por centenas de bilh\u00f5es de d\u00f3lares de gastos do governo e empr\u00e9stimos de bancos estatais para combater a crise financeira global.<\/p>\n<p>Eles se juntam a uma s\u00e9rie de outros sinais que est\u00e3o alimentando o debate entre os analistas sobre a China, que se denomina socialista, mas \u00e9 freq\u00fcentemente considerada no Ocidente como brutalmente capitalista, e que est\u00e1 na verdade buscando melhorar o controle do governo sobre algumas partes da economia.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a pode importar mais hoje do que antigamente. A China ultrapassou o Jap\u00e3o para se tornar a segunda maior economia do mundo este ano, e seu modelo de desenvolvimento dirigido pelo Estado \u00e9 extremamente atraente para os pa\u00edses pobres. Mesmo no Ocidente, muitos admiram a capacidade da China em construir uma infraestrutura de primeiro mundo e transformar suas cidades em exemplos admir\u00e1veis.<\/p>\n<p>At\u00e9 ent\u00e3o ansiosos em aprender com os Estados Unidos, os l\u00edderes chineses durante a crise financeira reafirmaram sua cren\u00e7a em sua pr\u00f3pria abordagem mais estadista da gest\u00e3o econ\u00f4mica, em que o capitalismo privado desempenha apenas um papel de apoio.<\/p>\n<p>\u201cAs vantagens do sistema socialista\u201d, disse o primeiro-ministro Wen Jiabao, em um pronunciamento em mar\u00e7o, \u201cnos permitem tomar decis\u00f5es de forma eficiente, organizar de forma eficaz e concentrar os recursos para realizar grandes empreendimentos.\u201d<br \/>\nEstatal versus Privado<\/p>\n<p>A quest\u00e3o do controle do Estado em rela\u00e7\u00e3o ao setor privado \u00e9 controversa na China. Ap\u00f3s d\u00e9cadas de reformas econ\u00f4micas, muitas grandes empresas estatais enfrentam concorr\u00eancia real e espera-se que atuem proveitosamente. As maiores empresas privadas, muitas vezes obt\u00eam o seu financiamento de bancos estatais, coordenam os seus investimentos com o governo e seus principais executivos se encontram nos quadros consultivos do governo.<\/p>\n<p>Os l\u00edderes chineses tamb\u00e9m n\u00e3o enfatizam publicamente distin\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas agudas sobre a propriedade. Mas eles nunca relaxaram o controle estatal sobre alguns setores considerados estrategicamente vitais, como finan\u00e7as, defesa, energia, telecomunica\u00e7\u00f5es, ferrovias e portos.<\/p>\n<p>O Sr. Wen e o Presidente Hu Jintao tamb\u00e9m s\u00e3o vistos como menos sintonizados com os interesses dos investidores estrangeiros e o pr\u00f3prio setor privado da China em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 gera\u00e7\u00e3o anterior de l\u00edderes que abriram caminho para as reformas econ\u00f4micas. Eles preferem aumentar a influ\u00eancia e alcance econ\u00f4mico das empresas apoiadas pelo Estado, no topo da hierarquia.<\/p>\n<p>\u201cA China sempre teve uma grande pol\u00edtica industrial. Mas, num espa\u00e7o de alguns anos parecia que a China estava se afastando de uma pol\u00edtica industrial ativa e intervencionista em favor de uma abordagem sem interfer\u00eancia\u201d, disse Victor Shih, um cientista pol\u00edtico da Universidade Northwestern, em uma recente entrevista por telefone.<\/p>\n<p>O Sr. Shih, entre outros, acredita que as reformas da d\u00e9cada de 80 que descontrolaram o setor privado da China e as reformas dos anos 90 que desmantelaram grandes se\u00e7\u00f5es do setor estatal, ser\u00e3o parcialmente desfeitas.<\/p>\n<p>\u201cO problema \u00e9 que as reformas dos primeiros 20 anos, de 1978 at\u00e9 o final dos anos 90, realmente n\u00e3o atingiu o poder do governo\u201d, disse Yao Yang, um professor da Universidade de Pequim, que dirige o Centro de Pesquisa Econ\u00f4mica da China. \u201cEnt\u00e3o, depois que as outras reformas foram conclu\u00eddas, realmente encontramos o governo se expandindo, porque n\u00e3o h\u00e1 nenhum sistema de pesos e contrapesos em seu poder.\u201d<br \/>\nPressentindo o Papel do Governo<\/p>\n<p>N\u00e3o existem estat\u00edsticas abrangentes para catalogar a influ\u00eancia do governo sobre a economia. Assim, a mudan\u00e7a \u00e9 parcialmente inferida das medidas n\u00e3o aperfei\u00e7oadas como a cota de financiamento na economia fornecida pelos bancos estatais, que aumentaram fortemente durante a crise financeira, ou a lista das 100 maiores empresas chinesas cotadas em bolsa. Com a exce\u00e7\u00e3o de uma, todas s\u00e3o propriedades majorit\u00e1rias do governo.<\/p>\n<p>A estat\u00edstica que mostra um pequeno aumento na cota de produ\u00e7\u00e3o industrial imput\u00e1vel ao setor estatal \u00e9 considerada por alguns analistas como uma resposta ao inv\u00e9s do in\u00edcio de uma tend\u00eancia. O economista s\u00eanior do Banco Mundial em Pequim, Louis Kuijs, disse que o crescimento extraordinariamente r\u00e1pido do setor estatal provavelmente ir\u00e1 moderar com o fim do est\u00edmulo dos gastos do governo.<\/p>\n<p>\u201cQuando o processo de crescimento normalizar novamente, a tend\u00eancia tradicional para as cotas em decl\u00ednio de EE v\u00e3o assumir novamente\u201d, ele escreveu em uma mensagem de e-mail, usando a abrevia\u00e7\u00e3o de empresa estatal. \u201cEu n\u00e3o acho que os principais l\u00edderes tiveram uma estrat\u00e9gia para inverter esta tend\u00eancia.\u201d<\/p>\n<p>O Primeiro Ministro Wen Jiabao, \u00e0 esquerda, reuniu-se com empres\u00e1rios em Pequim, em mar\u00e7o. Em um discurso este m\u00eas ele citou as vantagens de um sistema socialista.<\/p>\n<p>Min\u00e9rio de ferro no porto de Yingkou na prov\u00edncia de Liaoning. Os l\u00edderes da China nunca relaxaram o controle estatal sobre setores considerados estrat\u00e9gicos vitais, incluindo portos.<\/p>\n<p>Mas outros argumentam que os funcion\u00e1rios sempre tiveram a inten\u00e7\u00e3o de criar um setor p\u00fablico vibrante que se elevaria acima do setor privado nas ind\u00fastrias importantes, mesmo quando liquidassem tudo ou fechassem as empresas estatais com preju\u00edzo, que drenaram capital do or\u00e7amento do governo e do sistema banc\u00e1rio.<\/p>\n<p>Alertas recentes sobre o crescente papel do Estado, disse Arthur Kroeber da Dragonomics, uma empresa de previs\u00f5es econ\u00f4micas com sede em Pequim, \u00e9 basicamente \u201ca percep\u00e7\u00e3o alcan\u00e7ando a realidade.\u201d<\/p>\n<p>Em alguns aspectos neste debate as diferen\u00e7as s\u00e3o pequenas. Todos concordam que a China conduz uma economia bifurcada: em certo n\u00edvel, um setor privado forte e competitivo domina ind\u00fastrias como a f\u00e1brica voltada para exporta\u00e7\u00e3o, roupas e alimentos. E em n\u00edveis mais altos como finan\u00e7as, comunica\u00e7\u00f5es, transporte, minera\u00e7\u00e3o e metais, os chamados altos comandos, o governo central reivindica participa\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria e medidas de controle de gest\u00e3o.<\/p>\n<p>No entanto, os dois pontos de vistas do futuro da China s\u00e3o muito diferentes. Aqueles que v\u00eaem pouca evid\u00eancia de um setor estatal em expans\u00e3o geralmente acreditam que a China tem uma d\u00e9cada ou mais de crescimento robusto antes do amadurecimento de sua economia. \u00c9 deles a vis\u00e3o tipo Cachinhos Dourados de interven\u00e7\u00e3o estatal, n\u00e3o demais ou de menos, mas apenas o suficiente para empurrar uma economia em desenvolvimento em dire\u00e7\u00e3o a prosperidade.<\/p>\n<p>Os c\u00e9ticos t\u00eam uma vis\u00e3o mais sombria: eles acreditam que as distor\u00e7\u00f5es e gastos, em grande parte devido \u00e0 intromiss\u00e3o do governo, resultaram em m\u00e1 aloca\u00e7\u00e3o bruta de capital e vai acabar empurrando as taxas de crescimento para baixo bem antes de 2020. O que motiva o seu pessimismo, dizem os c\u00e9ticos, \u00e9 que a China, como o Jap\u00e3o uma gera\u00e7\u00e3o atr\u00e1s, acredita em uma estrat\u00e9gia econ\u00f4mica de cima para baixo que desafia a teoria convencional ocidental.<\/p>\n<p>Os c\u00e9ticos apontam tamb\u00e9m para uma crescente influ\u00eancia pol\u00edtica e financeira dos gigantes estatais da China, 129 grandes conglomerados que respondem diretamente ao governo central, e milhares de outros menores conduzidos pelas prov\u00edncias e cidades.<\/p>\n<p>Enquanto nenhum colapso p\u00fablico ocorre, a maioria dos especialistas diz que o pacote de est\u00edmulo com o vasto volume de 4 trilh\u00f5es de yuans (US $588 bilh\u00f5es de d\u00f3lares) que a China bombeou para novas rodovias, ferrovias e outros grandes projetos foi para as empresas estatais. Algumas das maiores empresas utilizaram o fluxo de dinheiro para refor\u00e7ar a sua posi\u00e7\u00e3o dominante nos mercados atuais ou para entrar em novos.<\/p>\n<p>No ano passado, muitas das 129 empresas do governo central mudaram-se for\u00e7osamente para a ind\u00fastria imobili\u00e1ria da China, com centenas de bilh\u00f5es de d\u00f3lares em projetos de constru\u00e7\u00e3o e de neg\u00f3cios com terras. Os gigantes estatais do a\u00e7o reduziram negocia\u00e7\u00f5es para resgatar concorrentes privados mais rent\u00e1veis e, muitas vezes mais eficientes. Uma s\u00e9rie de conglomerados do governo abocanhou empresas de minera\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o na prov\u00edncia de Shanxi.<\/p>\n<p>\u201cEm 2009, houve uma enorme expans\u00e3o do papel do governo no setor corporativo\u201d, disse Yasheng Huang, o principal analista de capitalismo do estilo da China, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, em uma entrevista por telefone. \u201cEles est\u00e3o produzindo iogurte. Eles est\u00e3o no mercado imobili\u00e1rio. Algumas das empresas estatais agora est\u00e3o se expandindo a jusante, organizando-se como unidades verticais. Est\u00e3o apenas atuando em uma escala muito maior.\u201d<br \/>\nInteresses Locais<\/p>\n<p>A n\u00edvel local, os governos criaram 8.000 empresas estatais de investimento em 2009 s\u00f3 para canalizar os d\u00f3lares governamentais para neg\u00f3cios e empreendimentos industriais, disse Huang. Basta um exemplo: um fabricante de autom\u00f3veis particular chin\u00eas, Zhejiang Geely Holding Group, publicou manchetes no mundo inteiro em mar\u00e7o, quando ele concordou comprar a marca sueca Volvo da Ford. Grande parte do pre\u00e7o de aquisi\u00e7\u00e3o de US $1.5 bilh\u00e3o de d\u00f3lares n\u00e3o veio de relativamente modestos lucros de Geely, mas dos governos locais no nordeste da China e da \u00e1rea de Xangai.<\/p>\n<p>Geely retribuiu este m\u00eas, anunciando que vai construir a sua sede da Volvo e uma f\u00e1brica de montagem em um distrito industrial de Xangai.<\/p>\n<p>As raz\u00f5es para a press\u00e3o do Estado para uma maior participa\u00e7\u00e3o nos neg\u00f3cios variam. O controle estatal do abastecimento de energia \u00e9 crucial para o crescimento da China e a aquisi\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o de Shanxi vai aumentar a produ\u00e7\u00e3o, garantir o combust\u00edvel para algumas unidades estatais e dar a Pequim nova autoridade para controlar os pre\u00e7os do carv\u00e3o. Empresas de minera\u00e7\u00e3o estatais tamb\u00e9m argumentam que elas t\u00eam um hist\u00f3rico de seguran\u00e7a superior aos seus concorrentes privados mais propensos a acidentes.<\/p>\n<p>Mas em outras \u00e1reas o Estado parece ser mais mercen\u00e1rio.<\/p>\n<p>Vejamos as telecomunica\u00e7\u00f5es. Ao aderir \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio, a China comprometeu-se a abertura do seu mercado de comunica\u00e7\u00f5es a joint ventures estrangeiras para servi\u00e7o de telefonia local e internacional, e-mail, pager, e outros neg\u00f3cios. Mas depois de oito anos, nenhuma licen\u00e7a foi concedida, em grande parte porque os requisitos de capital, os obst\u00e1culos regulamentares e outras barreiras tornaram tais empreendimentos impratic\u00e1veis, segundo os Estados Unidos. Hoje, a telecomunica\u00e7\u00e3o b\u00e1sica da China est\u00e1 crescendo, e \u00e9 praticamente 100 por cento controlada pelo Estado.<\/p>\n<p>Veja a ind\u00fastria a\u00e9rea. Seis anos atr\u00e1s, o governo central convidou investidores privados a entrar no neg\u00f3cio. Em 2006, oito transportadoras privadas surgiram para desafiar as tr\u00eas maiores controladas pelo Estado, a Air China, China Southern e China Eastern.<\/p>\n<p>As companhias a\u00e9reas estatais imediatamente come\u00e7aram uma guerra de pre\u00e7os. O monop\u00f3lio estatal que forneceu combust\u00edvel para aeronaves recusou-se a abastecer transportadoras privadas, nas mesmas condi\u00e7\u00f5es generosas das tr\u00eas grandes companhias. O \u00fanico sistema de reserva informatizado da China, que um ter\u00e7o \u00e9 atualmente controlado pelas tr\u00eas companhias a\u00e9reas estatais, recusou a reservar v\u00f4os para os concorrentes privados. E quando a m\u00e1 gest\u00e3o e a crise econ\u00f4mica de 2008 levaram os tr\u00eas maiores a dificuldades financeiras, o governo central comprou a\u00e7\u00f5es para socorr\u00ea-los: cerca de US $1 bilh\u00e3o para a China Eastern, US $430 milh\u00f5es para a China Southern; US $220 milh\u00f5es para a Air China.<\/p>\n<p>Uma companhia transportadora de passageiros privada que restou \u00e9 a Spring Airlines, uma empresa iniciante tenaz conduzida por um dos fundadores t\u00e3o superficial que ele divide um escrit\u00f3rio de 9 metros quadrados com o seu diretor executivo e pega o metr\u00f4 para reuni\u00f5es de neg\u00f3cios.<\/p>\n<p>Este fundador, Wang Zhenghua, sobreviveu em parte, construindo seu pr\u00f3prio sistema de reservas computadorizado. Ele cancelou nossa entrevista agendada. Mas no notici\u00e1rio chin\u00eas, foi c\u00e1ustico sobre os subs\u00eddios estatais dado aos seus concorrentes. \u201cAgora, com a inje\u00e7\u00e3o de 10 bilh\u00f5es de yuan\u201d para a China Eastern e China Southern, \u201ctudo est\u00e1 um caos\u201d, disse a Biz Review, uma revista chinesa.<\/p>\n<p>Empres\u00e1rios da China t\u00eam um ditado para tais manobras: \u201cguo jin, min tui\u201d, ou \u201cos avan\u00e7os do Estado, os recuos do setor privado.\u201d<\/p>\n<p>Empresas estatais na China t\u00eam agarrado o melhor da economia para si, \u201cdeixando o setor privado beber a sopa, enquanto as empresas estatais est\u00e3o comendo a carne\u201d, disse Cai Hua, vice-diretor de uma organiza\u00e7\u00e3o do estilo C\u00e2mara de Com\u00e9rcio na prov\u00edncia de Zhejiang, em uma entrevista.<br \/>\nO Primeiro da Fila<\/p>\n<p>O Sr. Cai diz que acredita que a China precisa de setores administrados pelo governo para competir globalmente e gerir o desenvolvimento interno do pa\u00eds. Mas, ele disse que localmente, as suas vantagens, ser o primeiro da fila para os financiamento de bancos estatais, primeiro da fila para socorro do Estado quando ficar em apuros, primeiro da fila para o est\u00edmulo gusher, tem criado uma \u201cdesigualdade profunda\u201d com os concorrentes privados.<\/p>\n<p>Alguns analistas argumentam que os conglomerados estatais, constru\u00eddos com dinheiro do Estado e que favorece a concorr\u00eancia global, j\u00e1 se tornaram centros de poder pol\u00edtico por direito pr\u00f3prio, capaz de afastar at\u00e9 mesmo os esfor\u00e7os de Pequim para control\u00e1-los.<\/p>\n<p>Das 129 grandes empresas estatais, mais de metade dos presidentes e presidentas e mais de um ter\u00e7o dos diretores foram nomeados pelo departamento de organiza\u00e7\u00e3o central do Partido Comunista. Uma pontua\u00e7\u00e3o ou mais conta no Comit\u00ea Central do partido para eleger o Politiburo vigente. Eles controlam n\u00e3o apenas a for\u00e7a vital da economia da China, mas um sistema de patroc\u00ednio corporativo que dispensa trabalhos dos executivos com remunera\u00e7\u00f5es mais elevadas em rela\u00e7\u00e3o ao equivalentes l\u00edderes do partido.<\/p>\n<p>Os l\u00edderes da China procuraram ocasionalmente no ano passado conter excessos especulativos por parte das empresas controladas pelo Estado no setor imobili\u00e1rio, empr\u00e9stimos e outras \u00e1reas. Em maio, o Conselho de Estado, um \u00f3rg\u00e3o pol\u00edtico de alto n\u00edvel, por vezes, comparado ao gabinete dos Estados Unidos, emitiu ordens para dar \u00e0s empresas privadas uma melhor vantagem em contratos com o governo, para estradas e pontes, as finan\u00e7as e at\u00e9 mesmo servi\u00e7os militares, que agora vai quase que exclusivamente para as empresas estatais. Praticamente as mesmas regras foram emitidas cinco anos atr\u00e1s, com pouco efeito.<\/p>\n<p>No entanto, \u00e9 dif\u00edcil argumentar com \u00eaxito, dizem outros economistas, e o sucesso da China \u00e9 demonstrado por sua estrat\u00e9gia de cima para baixo. Pot\u00eancias asi\u00e1ticas, como Cor\u00e9ia do Sul e Jap\u00e3o constru\u00edram suas economias modernas com forte ajuda do Estado. Muitos economistas concordam que o gerenciamento perspicaz do Estado pode ser melhor do que as for\u00e7as do mercado na obten\u00e7\u00e3o de uma na\u00e7\u00e3o em desenvolvimento permanecendo em p\u00e9 nos pr\u00f3prios p\u00e9s.<\/p>\n<p>Especialistas de ambos os lados do debate t\u00eam apenas duas perguntas. Uma delas \u00e9 quanto tempo o controle estatal de vastas \u00e1reas da economia ir\u00e1 gerar este crescimento.<\/p>\n<p>A outra \u00e9 que se a estrat\u00e9gia parar de funcionar, ser\u00e1 a China capaz de mud\u00e1-la.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Introdu\u00e7\u00e3o, por Pedro Fuentes Apresentamos aos nossos leitores a tradu\u00e7\u00e3o do artigo do New York Times de 30 de agosto de 2010, sobre a China. \u00c9 o terceiro texto que traduzimos nos \u00faltimos meses. O autor defende a tese de que h\u00e1 um fortalecimento da economia estatal, ou seja, do capitalismo estatal chin\u00eas. 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