{"id":397,"date":"2011-03-04T00:00:00","date_gmt":"2011-03-04T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/psol50.org.br\/arquivo\/2011\/03\/04\/a-revolucao-arabe\/"},"modified":"2011-03-04T00:00:00","modified_gmt":"2011-03-04T00:00:00","slug":"a-revolucao-arabe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/psol50.org.br\/a-revolucao-arabe\/","title":{"rendered":"A Revolu\u00e7\u00e3o \u00c1rabe"},"content":{"rendered":"<p><a rel=\"attachment wp-att-6898\" href=\"http:\/\/psol50.org.br\/blog\/2011\/03\/04\/a-revolucao-arabe\/revolucaoarabe\/\"><\/a><a rel=\"attachment wp-att-6898\" href=\"http:\/\/psol50.org.br\/blog\/2011\/03\/04\/a-revolucao-arabe\/revolucaoarabe\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-6898\" src=\"http:\/\/psol50.org.br\/files\/2011\/03\/RevolucaoArabe-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong><em>*Por Silvia Santos \u2013 Executiva Nacional do PSOL<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u201cTodas as revolu\u00e7\u00f5es s\u00e3o imposs\u00edveis at\u00e9 se tornarem inevit\u00e1veis\u201d<em>.<\/em><\/strong> Leon Trotsky<\/p>\n<p>As revolu\u00e7\u00f5es na Tun\u00edsia e no Egito confirmam a magn\u00edfica defini\u00e7\u00e3o de Trotsky. Come\u00e7ou a Revolu\u00e7\u00e3o \u00c1rabe, um verdadeiro terremoto de consequ\u00eancias ainda imprevis\u00edveis. A queda de Mubarak \u00e9 um primeiro grande triunfo do movimento de massas e uma grave derrota do imperialismo norte-americano, europeu e de seu agente, o Estado de Israel.<\/p>\n<p>Toda a revolu\u00e7\u00e3o nos obriga a acompanhar os acontecimentos \u00e0 luz da teoria e da experi\u00eancia anterior. Junto \u00e0 solidariedade e ao entusiasmo, surgem as necess\u00e1rias an\u00e1lises e propostas elaboradas por estudiosos pol\u00edticos, organiza\u00e7\u00f5es e militantes de toda a parte, com o fim de aportar ao processo revolucion\u00e1rio. Nossas reflex\u00f5es somam-se \u00e0s contribui\u00e7\u00f5es j\u00e1 apresentadas no PSOL, por Pedro Fuentes e Israel Dutra (<em>Tun\u00edsia e Egito: uma revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica percorre os pa\u00edses \u00e1rabes<\/em>) com o qual fizeram um curso de forma\u00e7\u00e3o. Vamos nos deter, sobretudo, no car\u00e1ter da revolu\u00e7\u00e3o e do programa, uma vez que, na proposi\u00e7\u00e3o dos autores, a perspectiva do processo revolucion\u00e1rio \u00e9 de inevitavelmente se deter nas conquistas democr\u00e1ticas, para o qual defendem como \u00fanica tarefa e m\u00e9todo para avan\u00e7ar o da Assembleia Constituinte, conclus\u00e3o com a qual discordamos e chamamos a debater.<\/p>\n<p><strong>1 &#8211; Marco internacional: a hegemonia norte-americana em decad\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>Somente no marco da situa\u00e7\u00e3o mundial \u00e9 poss\u00edvel entender o processo revolucion\u00e1rio aberto no norte de \u00c1frica. Concordamos que \u201c<em>os Estados Unidos atravessam a pior etapa de sua decad\u00eancia\u201d, <\/em>como afirmam os companheiros.\u00a0 Existe uma profunda unidade entre esse processo, a derrota militar dos EUA no Iraque, o p\u00e2ntano que se tornou a interven\u00e7\u00e3o no Afeganist\u00e3o, a impossibilidade de derrotar as massas palestinas. Se a isso somamos a crise econ\u00f4mica, que n\u00e3o conseguem superar, pois existe uma luta tenaz do movimento de massas mundial contra os planos de austeridade, teremos o quadro que explica a brutal crise da hegemonia imperialista. Isso n\u00e3o significa que tenha surgido outro poder hegem\u00f4nico. Mas o determinante \u00e9 que este marco mundial possibilita que eclodam processos revolucion\u00e1rios.<\/p>\n<p>Concordamos com o jornalista e blogueiro eg\u00edpcio Hossam el-Hamalawy* o qual afirma ter sido a Tun\u00edsia o \u201ccatalisador\u201d pois existiam condi\u00e7\u00f5es objetivas para o levante. Fala das \u201cgreves oper\u00e1rias desde 2008, da invas\u00e3o ao Iraque, da Intifada al-Aqsa&#8230;. Das mobiliza\u00e7\u00f5es do ano 2000 em apoio aos palestinos&#8230; esse \u00e9 o marco que foi gerando as condi\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p><em>*Hossam el-Hamalawy \u00e9 um jornalista e blogueiro -3arabawy-. Mark Levine, professor da Universidade da Calif\u00f3rnia Irvine, conseguiu contatar Hossam a trav\u00e9s de Skype para conseguir um informe de primeira m\u00e3o sobre os fatos que se desenrolam no Egito. Traduzido do ingl\u00eas para Rebeli\u00f3n por Germ\u00e1n Leyens e revisado por Caty R<\/em>.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m surgiram compara\u00e7\u00f5es com a revolu\u00e7\u00e3o iraniana de 1979 que derrubou o X\u00e1 Rezah Pahlevi, ou com as revolu\u00e7\u00f5es nos antigos pa\u00edses \u201ccomunistas\u201d do leste europeu ou com a queda das ditaduras latino-americanas. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o de 79 no Ir\u00e3 destacamos uma diferen\u00e7a importante em rela\u00e7\u00e3o ao Egito: enquanto aquela derrotou \u00e0s for\u00e7as armadas do regime, no Egito ainda agora continuam no poder, e pretendem liderar a chamada transi\u00e7\u00e3o at\u00e9 as elei\u00e7\u00f5es, com o apoio dos EUA. N\u00e3o por acaso sua primeira medida foi declarar que mantinham todos os acordos internacionais, em especial com Israel. Ou seja, n\u00e3o foi derrotado o aparelho militar do antigo regime; avalia-se que o golpe maior foi sobre o servi\u00e7o secreto. Al\u00e9m do que no Egito o movimento isl\u00e2mico tem menos peso do que este movimento teve e tem no Ir\u00e3. J\u00e1 o que diferencia o Egito da queda das ditaduras latino-americanas e dos regimes estalinistas \u00e9 o marco mundial: a crise da hegemonia imperialista, as derrotas sofridas no terreno militar, pol\u00edtico e econ\u00f4mico \u00e0s quais se soma, agora, a perda de seu principal basti\u00e3o na regi\u00e3o, depois de Israel, Concretamente, o movimento de massas mundial e a revolu\u00e7\u00e3o \u00e1rabe em particular enfrentam um imperialismo enfraquecido (n\u00e3o menos agressivo), o que possibilita avan\u00e7ar nas lutas anti-imperialistas e anticapitalistas.<\/p>\n<p><strong> 2 \u2013 A composi\u00e7\u00e3o social da revolu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Como toda revolu\u00e7\u00e3o contra uma ditadura, sua composi\u00e7\u00e3o \u00e9 heterog\u00eanea. Mas em todas elas, os que enfrentam e doam sua vida nessa luta, seu motor fundamental, s\u00e3o os setores populares. Classe m\u00e9dia baixa, trabalhadores, desempregados, jovens sem futuro, junto com profissionais liberais, filhos da classe m\u00e9dia alta e at\u00e9 de setores burgueses. Mas, n\u00e3o \u00e9 a burguesia a protagonista, pois ainda que existam setores contr\u00e1rios \u00e0 ditadura, treme ao ver o povo mobilizado, pois sabe que pode terminar se voltando contra ela como classe. \u00c9 consciente que em um processo revolucion\u00e1rio, se sabe onde come\u00e7a, n\u00e3o onde termina.<\/p>\n<p>Na Tun\u00edsia e no Egito tem sido importante a participa\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora. Os internacionalistas t\u00eam a tarefa de ajudar a superar as informa\u00e7\u00f5es propositais de setores da m\u00eddia burguesa que falam da import\u00e2ncia das redes, mas ignoram ou querem ignorar o peso e o papel dos trabalhadores nesses processos revolucion\u00e1rios, precisamente porque est\u00e3o empenhados em que n\u00e3o tenham nenhum papel. Enfatizamos a seguir trechos que extra\u00edmos da m\u00eddia alternativa, que merecem ser lidos com aten\u00e7\u00e3o e divulgados para combater \u00e0s limitadas, e muitas vezes falsas, an\u00e1lises burguesas.<\/p>\n<p>O site <em>Rebelion.org<\/em> de 10\/02, \u00e0 respeito da Tun\u00edsia publicou uma entrevista com Hamma Hammami, secretario geral y porta voz do Partido Comunista dos trabalhadores Tunesinos (PCOT), realizada por Myriam Martin e Coralie Wawrzniak do NPA <em>[&#8230; \u201cInclusive se os dirigentes sindicais da UGTT colaboravam com o regime, seus membros eram sindicalistas militantes o que possibilitou que chegada a hora das greves, os sindicatos pudessem se somar&#8230; Em muitas cidades os trabalhadores manifestam frente \u00e0s sedes das UGTT locais (cuja dire\u00e7\u00e3o nacional est\u00e1 estreitamente vinculada ao partido de governo) exigindo que se declare a greve. Em outros casos a UGTT se somou \u00e0s paralisa\u00e7\u00f5es para evitar perder o controle&#8230; aconteceu n\u00e3o somente em regi\u00f5es de hist\u00f3ricas insubordina\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias como o porto de Sfax ou a regi\u00e3o mineira de Gafsa. A luta oper\u00e1ria se estende a todo o pa\u00eds.. abrange federa\u00e7\u00f5es como correios e educa\u00e7\u00e3o&#8230; mas tamb\u00e9m \u00e0 maioria dos sindicatos].<\/em><\/p>\n<p>Hamma Hammami, afirma tamb\u00e9m que <em>\u201cainda que faltassem um programa e uma organiza\u00e7\u00e3o central, o movimento n\u00e3o \u00e9 verdadeiramente espont\u00e2neo no sentido de \u201caus\u00eancia de toda organiza\u00e7\u00e3o e de toda consci\u00eancia\u201d. N\u00e3o. H\u00e1 uma consci\u00eancia pol\u00edtica nascida de uma acumula\u00e7\u00e3o de lutas nos \u00faltimos vinte anos. Por exemplo, a sede da UGTT na cidade de Redeyef \u00e9 agora o pal\u00e1cio de governo\u201d. <\/em><\/p>\n<p>Nizar Amami, sindicalista, porta voz da liga da Esquerda Oper\u00e1ria da Tun\u00edsia, (Rebelion, 01-02-11 \u2013 Wassim Azreg \u2013 NPA) afirma que <em>\u201c[&#8230;a esquerda sindical, algumas federa\u00e7\u00f5es e regionais da UGTT est\u00e3o hoje no cora\u00e7\u00e3o do processo revolucion\u00e1rio. N\u00e3o por acaso s\u00e3o v\u00e1rios anos que foram convocadas greves sem o acordo do secret\u00e1rio geral&#8230; Desde o come\u00e7o das manifesta\u00e7\u00f5es a a\u00e7\u00e3o dos militantes sindicais das federa\u00e7\u00f5es de professores, de alguns setores da sa\u00fade, dos setores de correios, se combinou \u00e0 dos advogados e dos estudantes da Uni\u00e3o Geral dos Estudantes de Tunez (UGET)]. <\/em>No Egito,<em> <\/em>relata<em>: [&#8230;Com a volta ao trabalho em 06\/02 em diversas cidades houve greves e ocupa\u00e7\u00f5es de f\u00e1bricas. Os protestos laborais se intensificaram em Suez, com a participa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores t\u00eaxtis&#8230; Em Mahalla mais de 1500 trabalhadores da empresa Abu El-Suba se manifestaram bloqueando a estrada. Na cidade de Quesna, 2000 trabalhadores da empresa farmac\u00eautica Sigma se declaram em greve exigindo melhores sal\u00e1rios e a destitui\u00e7\u00e3o dos diretores. No Cairo, mais de 1500 trabalhadores da limpeza manifestaram por aumento salarial a contrata\u00e7\u00e3o definitiva e a destitui\u00e7\u00e3o do presidente da administra\u00e7\u00e3o. Est\u00e3o em greve os trabalhadores das telecomunica\u00e7\u00f5es&#8230; Em Suez ocuparam a t\u00eaxtil Suez Trutst. Mil trabalhadores da f\u00e1brica de cimento Lafarge em Suez est\u00e3o em greve. exigindo a forma\u00e7\u00e3o de um sindicato e declarando apoio \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o. Os trabalhadores do cimento de Tora come\u00e7aram a protestar pelas condi\u00e7\u00f5es de trabalho&#8230; a agencia de not\u00edcias oficial publicou: \u201cos empregados detiveram o vice presidente do sindicato de trabalhadores eg\u00edpcio e exigem sua imediata renuncia&#8230; em 8 fevereiro os professores universit\u00e1rios marcharam para a pra\u00e7a em apoio\u00a0 \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o&#8230; os jornalistas se reuniram na sede do sindicato para pressionar pela destitui\u00e7\u00e3o do seu dirigente sindical&#8230;os trabalhadores da ferrovia est\u00e3o em greve&#8230; ao menos duas f\u00e1bricas da produ\u00e7\u00e3o militar em Weleyn est\u00e3o em greve. Milhares de trabalhadores petroleiros est\u00e3o marchando para o Minist\u00e9rio do Petr\u00f3leo&#8230; os trabalhadores de Ghazlk Mahalla tamb\u00e9m est\u00e3o em greve&#8230;] <\/em><\/p>\n<p>J\u00e1 em seis de fevereiro, o mesmo jornalista e blogueiro<strong> <\/strong><em>Hossam el-Hamalawy <\/em> declarava: <em>\u201cH\u00e1 quatro focos de luta econ\u00f4mica: uma sider\u00fargica e uma f\u00e1brica de fertilizantes em Suez; uma t\u00eaxtil em Mansoura que em greve demitiram o gerente e est\u00e3o autogestionando a empresa; tamb\u00e9m tem uma gr\u00e1fica no sul do Cairo Dar al-Matabi onde tamb\u00e9m expulsaram o gerente e est\u00e3o em autogest\u00e3o&#8230; Os tr\u00eas sindicatos independentes (o da arrecada\u00e7\u00e3o de impostos; o dos t\u00e9cnicos de sa\u00fade e o de aposentados) manifestaram frente a governamental Federa\u00e7\u00e3o Eg\u00edpcia de Sindicatos, exigindo o indiciamento de seu presidente por corrup\u00e7\u00e3o e o direito a formar sindicatos livres&#8230; O Manifesto dos trabalhadores do Metal e do A\u00e7o em Helwan, prop\u00f5e as seguintes demandas: &#8211; a imediata sa\u00edda de Mubarak e de todos os elementos do regime \u2013 confisco da fortuna e das propriedades de todos os corruptos \u2013 a cria\u00e7\u00e3o de sindicatos independentes e a prepara\u00e7\u00e3o de confer\u00eancias para eleger e formar suas organiza\u00e7\u00f5es \u2013 a recupera\u00e7\u00e3o das empresas publicas, sua nacionaliza\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e t\u00e9cnicos na sua administra\u00e7\u00e3o &#8211; forma\u00e7\u00e3o de comit\u00eas para assessorar os trabalhadores nos locais de trabalho e supervisionar a produ\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e os pre\u00e7os e sal\u00e1rios \u2013 a convoca\u00e7\u00e3o a uma assembleia constituinte de todas as classes populares e tend\u00eancias para aprovar uma nova constitui\u00e7\u00e3o e a elei\u00e7\u00e3o de conselhos populares sem aguardar as negocia\u00e7\u00f5es com o regime atual\u201d. <\/em><\/p>\n<p><strong>3 &#8211; A luta \u00e9 por liberdade, trabalho e p\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A mobiliza\u00e7\u00e3o de massas que derrubou Mubarak significa somente uma Revolu\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica, que se det\u00e9m na queda do ditador, cuja perspectiva \u00e9 lutar pela Assembleia Constituinte, e dessa forma se concretizar\u00e1 a independ\u00eancia nacional, estando impossibilitada de ir al\u00e9m?\u00a0 Acreditamos que n\u00e3o. Concordamos: a derrubada de uma ditadura \u00e9 uma tarefa democr\u00e1tica, como tamb\u00e9m o \u00e9 a independ\u00eancia do imperialismo ou a reforma agr\u00e1ria. S\u00e3o tarefas democr\u00e1ticas anti-imperialistas. Mas devemos considerar que o motor da revolu\u00e7\u00e3o nos pa\u00edses do norte de \u00c1frica n\u00e3o \u00e9 somente a falta de liberdade, mas contra o desemprego, a pobreza, pelo \u201cp\u00e3o\u201d, enfim, contra todas as consequ\u00eancias da brutal crise econ\u00f4mica que castiga o povo trabalhador e, sobretudo, a sua juventude. Tamb\u00e9m, n\u00e3o podemos falar simplesmente de uma revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, sem analisar que est\u00e1 enfrentando um inimigo capitalista e imperialista (Mubarak, EUA, Israel, etc.) e n\u00e3o de um inimigo feudal. Por isso \u00e9 objetivamente anticapitalista. N\u00e3o achamos correto o texto dos companheiros quando depois de afirmar que as demandas por trabalho e sal\u00e1rio se combinam com a luta contra a autocracia, define que as \u201cprincipais bandeiras s\u00e3o Abaixo Mubarak e Assembleia Constituinte\u201d e, portanto&#8230; a revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 democr\u00e1tica. As revolu\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas nesta \u00e9poca imperialista s\u00e3o revolu\u00e7\u00f5es anticapitalistas objetivas, pelo inimigo que enfrentam e pelas for\u00e7as sociais que a levam adiante, que n\u00e3o s\u00e3o os burgueses e sim os setores populares (classe m\u00e9dia baixa) e os trabalhadores, os desempregados, a juventude. Est\u00e1 mais correta a defini\u00e7\u00e3o do Manifesto das 28 organiza\u00e7\u00f5es presentes no Congresso do NPA: \u201c<em>Estas revolu\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00f3 abrem caminho para demandas democr\u00e1ticas que acabam com as ditaduras, como tamb\u00e9m ao questionamento dos sistemas econ\u00f4micos capitalistas que s\u00e3o as causas de tanta injusti\u00e7a. As reivindica\u00e7\u00f5es sociais est\u00e3o no cora\u00e7\u00e3o destas insurrei\u00e7\u00f5es\u201d. <\/em><\/p>\n<p>4<strong>&#8211; A queda de Mubarak e a din\u00e2mica das classes<\/strong><\/p>\n<p>Com a queda de Mubarak, abre-se uma nova etapa com tarefas democr\u00e1ticas a concluir, como derrotar a transi\u00e7\u00e3o pactuada pelo imperialismo com centro nas for\u00e7as armadas, e derrotar o novo governo de Ghanouchi na Tun\u00edsia. Quem define bem este novo momento \u00e9 outra vez o jornalista Hossam el-Hamalawy: <em>\u201csuponho que se nosso levante tem \u00eaxito e Mubarak cai, aparecer\u00e3o divis\u00f5es. Os pobres v\u00e3o querer ir a posi\u00e7\u00f5es muito mais radicais, impulsionar a redistribui\u00e7\u00e3o radical da riqueza e combater a corrup\u00e7\u00e3o, enquanto que os denominados reformistas querem por o freio, pressionar por mudan\u00e7as \u201cpor cima\u201d e limitar um pouco os poderes, mas manter alguma ess\u00eancia do Estado.\u201d<\/em> N\u00e3o conhecemos este jornalista, mas com certeza fez uma boa s\u00edntese da din\u00e2mica das classes formulada por Trotsky na Revolu\u00e7\u00e3o Permanente.<\/p>\n<p>N\u00e3o avaliamos que continue o movimento de forma heterog\u00eanea e unificada lutando pela Assembleia Constituinte. O imperialismo busca negociar e pacificar a regi\u00e3o, mas n\u00e3o atrav\u00e9s de \u201cuma democracia burguesa cl\u00e1ssica\u201d. Existe uma frente objetiva entre o imperialismo ianque e europeu, o Estado de Israel e os governos \u00e1rabes reacion\u00e1rios, a alta oficialidade e a c\u00fapula das for\u00e7as armadas \u2013 fundamentais em 30 anos de regime &#8211; as empresas imperialistas e os grandes empres\u00e1rios locais que buscam preservar a todo custo a integridade das for\u00e7as armadas atrav\u00e9s de algum arremedo de democracia burguesa. Setores pequeno burgueses, partidos e movimentos conciliadores com certeza tamb\u00e9m buscar\u00e3o desmobilizar e depositar uma quota de confian\u00e7a nos militares. A \u201cdivis\u00e3o\u201d a que se refere Hossam fica f\u00e1cil de ver nos jornais brasileiros. Em14\/02 informam das in\u00fameras greves (entre elas a dos policiais) que tomam conta do Egito e dos chamados do Ex\u00e9rcito a finaliz\u00e1-las pelo bem da economia, a <em>Folha.com<\/em> relata: <em>\u201cAnteriormente nesta segunda-feira, o Ex\u00e9rcito do Egito pediu por solidariedade nacional, exortou a trabalhadores para que fa\u00e7am seu papel para reavivar a economia do pa\u00eds e criticou a\u00e7\u00f5es de greve, ap\u00f3s muitos empregados terem sido encorajados pelos protestos que derrubaram o ditador Hosni Mubarak a demandar melhores sal\u00e1rios.\u201d<\/em><\/p>\n<p><strong>5 \u2013 \u00c9 necess\u00e1rio um programa de transi\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Como militantes socialistas e internacionalistas, escrevemos sobre uma revolu\u00e7\u00e3o para aproximar o debate e ver como podemos ajudar a avan\u00e7ar e contribuir te\u00f3rica, pol\u00edtica e praticamente com as gigantescas tarefas que tem pela frente o povo eg\u00edpcio. Qual \u00e9 o programa de transi\u00e7\u00e3o poss\u00edvel, visto que se trata de combinar \u201ctarefas econ\u00f4micas e pol\u00edticas\u201d, sobretudo, agora que caiu Mubarak? Deveriam os militantes socialistas, por exemplo, intervir no Movimento 6 de abril, para ajudar a desenvolv\u00ea-lo vinculado \u00e0s demandas do movimento, visto que expressa um poder dual embrion\u00e1rio? Fortalecer os sindicatos independentes que est\u00e3o nascendo? Os comit\u00eas de bairro? Sem d\u00favida deveriam apostar e apoiar as greves dos trabalhadores! A luta pela aboli\u00e7\u00e3o da lei de emerg\u00eancia, a liberdade para estabelecer partidos e a liberta\u00e7\u00e3o dos prisioneiros pol\u00edticos! Devem ser fortalecidos todos os organismos de massas para lutar por uma alternativa de poder dos de baixo, para garantir o sal\u00e1rio, o p\u00e3o, a expropria\u00e7\u00e3o da riqueza de Mubarak e sua fam\u00edlia, a renacionaliza\u00e7\u00e3o das empresas privatizadas e a nacionaliza\u00e7\u00e3o dos setores fundamentais da economia! Defender a necessidade de chamar os soldados e a tropa a se organizar, exigir seu direito a livre organiza\u00e7\u00e3o, para ganh\u00e1-los ao lado do povo separando-os da alta oficialidade! \u00c9 decisivo chamar a impedir qualquer negocia\u00e7\u00e3o com o antigo regime e suas for\u00e7as armadas, financiadas pelos EUA! Denunciar que as For\u00e7as Armadas pretendem \u201cmodificar\u201d a Constitui\u00e7\u00e3o ignorando o povo! Chamar \u00e0 luta para confiscar todos os bens do partido de governo! Lutar para \u00a0impor as liberdades democr\u00e1ticas mais amplas, julgar os torturadores e assassinos, exigir que sejam respeitados os direitos humanos! Para impor a imediata ruptura com o sionista e racista Estado de Israel e garantir uma Assembleia Constituinte livre e democr\u00e1tica que reorganize o pa\u00eds a servi\u00e7o da maioria do povo trabalhador! Para garantir estas tarefas tem cada vez mais import\u00e2ncia as greves dos trabalhadores e as lutas dos setores populares. N\u00e3o seria necess\u00e1rio que o central de uma proposta socialista fosse o chamado a que continuem se mobilizando em torno de um programa com as caracter\u00edsticas acima? A maioria das demandas aqui propostas est\u00e3o desenvolvidas em diversos textos, como o da Frente Democr\u00e1tica 14 de janeiro da Tun\u00edsia, ou formuladas parcialmente nas diversas greves.\u00a0 Do nosso ponto de vista, aqui reside a maior limita\u00e7\u00e3o na proposta do texto levado \u00e0 escola de forma\u00e7\u00e3o do MES (corrente do PSOL). Pois n\u00e3o levanta nenhuma bandeira nem tarefa, a n\u00e3o ser Assembleia Constituinte, ainda que apare\u00e7a escrito que a revolu\u00e7\u00e3o combina tarefas econ\u00f4micas e pol\u00edticas.<\/p>\n<p>O texto define que a revolu\u00e7\u00e3o somente poder\u00e1 avan\u00e7ar para uma democracia radical parecida com Am\u00e9rica Latina, nacionalista, ou seja, a um processo semelhante ao venezuelano. Por isso, a \u00fanica tarefa que prop\u00f5em \u00e9 a de elei\u00e7\u00f5es para uma Assembleia Constituinte definida como objetivo a alcan\u00e7ar e tamb\u00e9m o caminho para se chegar \u00e0 independ\u00eancia do imperialismo, sendo que no texto n\u00e3o se assinala a necessidade de continuar a mobiliza\u00e7\u00e3o e as greves. Para que n\u00e3o fiquem d\u00favidas, o texto dos companheiros completa: <em>\u201cquem levantar hoje as bandeiras do socialismo est\u00e1 descontextualizado, pois a revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 democr\u00e1tica\u201d.<\/em> E esclarecem que, somente se o processo revolucion\u00e1rio cumpre a etapa de liberta\u00e7\u00e3o nacional, numa etapa posterior se poder\u00e1 entrar numa din\u00e2mica socializante.<\/p>\n<p>Achamos oportuno lembrar que nem a revolu\u00e7\u00e3o russa se fez com a bandeira do socialismo, mas com as de P\u00c3O, PAZ E TERRA, assim que nem queremos entrar nessa pol\u00eamica, pois n\u00e3o estamos defendendo que no Egito a revolu\u00e7\u00e3o se faz agitando essa bandeira.<\/p>\n<p>Como o texto n\u00e3o fala concretamente da situa\u00e7\u00e3o e das reivindica\u00e7\u00f5es do povo trabalhador e dos setores populares, dos processos reais que est\u00e3o ocorrendo, da din\u00e2mica de quem ser\u00e3o os verdadeiros protagonistas das lutas que est\u00e3o por vir ap\u00f3s a queda de Mubarak, nada disto, conclu\u00edmos que os autores confiam que poder\u00e1 a independ\u00eancia nacional ser realizada pelas for\u00e7as armadas, da\u00ed a compara\u00e7\u00e3o com a Venezuela de Ch\u00e1vez? A conquista da independ\u00eancia nacional nada teria a ver com a luta da classe trabalhadora pela sua liberta\u00e7\u00e3o, estaria completamente isolada da luta pelo socialismo \u00e0 qual se chegaria numa etapa posterior. Esta se converte assim numa etapa obrigat\u00f3ria e compete a setores burgueses, pequeno-burgueses e militares dirigi-la visto que, na an\u00e1lise, a classe trabalhadora n\u00e3o cumpre nem pode cumprir papel importante neste processo. Apoiam-se no fato real da n\u00e3o exist\u00eancia de uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria socialista. Mas a conclus\u00e3o n\u00e3o \u00e9 que se abrem condi\u00e7\u00f5es excepcionais para constru\u00ed-la, mas a inviabilidade de qualquer avan\u00e7o para lutar por uma sa\u00edda de fundo do ponto de vista de classe, utilizando um m\u00e9todo fatalista e determinista. A nosso ver, uma sa\u00edda tipo Nasser \u00a0traz todas as contradi\u00e7\u00f5es do nacionalismo burgu\u00eas.<a href=\"#_ftn1\">[1]<\/a><\/p>\n<p>Novamente, retomamos o Manifesto das 28 Organiza\u00e7\u00f5es presentes no Congresso do NPA que ao inv\u00e9s de desvincular as tarefas anti-imperialistas das socialistas como faz o texto do M\u00caS, coloca: <em>\u201cIsto significa que os povos da Tun\u00edsia e do Egito, as for\u00e7as que desejam abrir o caminho anti-imperialista e socialista nos seus pr\u00f3prios pa\u00edses, necessitam da solidariedade e o apoio ativo dos revolucion\u00e1rios e dos movimentos anti-imperialistas, sociais, sindicais do mundo inteiro\u201d.<\/em><\/p>\n<p><strong>5 \u2013 Revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e revolu\u00e7\u00e3o permanente<\/strong><\/p>\n<p>O texto faz importante refer\u00eancia \u00e0s teses da Revolu\u00e7\u00e3o Permanente de L. Trotsky. Essa formula\u00e7\u00e3o da din\u00e2mica revolucion\u00e1ria combina\u00a0 diversos aspectos como o papel e a din\u00e2mica das\u00a0 classes, as tarefas a cumprir e o movimento dial\u00e9tico do processo internacional.\u00a0 Demonstramos com diversos exemplos que a din\u00e2mica de classes \u00e9 uma at\u00e9 a queda da ditadura, e se abre uma nova quando o velho regime cai. Sobre as tarefas, j\u00e1 vimos, por exemplo, que o Manifesto dos trabalhadores do Metal e do A\u00e7o combina diversas reivindica\u00e7\u00f5es e consignas; o mesmo se d\u00e1 na declara\u00e7\u00e3o da Frente Democr\u00e1tica 14 de janeiro da Tun\u00edsia, um programa e combina\u00e7\u00e3o de tarefas, n\u00e3o somente Assembleia Constituinte. E se observamos as greves que est\u00e3o acontecendo por sal\u00e1rio, condi\u00e7\u00f5es de trabalho e pela remo\u00e7\u00e3o dos diretores das empresas, veremos que longe de resumir a luta \u00e0 Assembleia Constituinte, estas assumem e combinam cada vez mais tarefas claramente anticapitalistas com as democr\u00e1ticas. A din\u00e2mica internacional da revolu\u00e7\u00e3o est\u00e1 mais do que demonstrada nas lutas contra os governos e contra a fome que se alastram nos pa\u00edses do norte de \u00c1frica; nas mobiliza\u00e7\u00f5es de muitos pa\u00edses do mundo festejando a queda de Mubarak; na influ\u00eancia que prevemos ter\u00e3o os imigrantes africanos na Europa que luta e resiste contra o ajuste, todos processos que retroalimentam a crise econ\u00f4mica, pol\u00edtica e militar do imperialismo. Infelizmente, os autores confiam em que os pa\u00edses da ALBA s\u00e3o o ponto mais avan\u00e7ado da solidariedade internacional e os consideram parte dos socialistas latino-americanos, sendo que nenhum dos seus governos antes da queda de Mubarak teve a coragem de se pronunciar pela queda do sanguin\u00e1rio ditador, nem manifestaram solidariedade com os heroicos povos africanos e menos ainda romperam rela\u00e7\u00f5es com os ditadores da Tun\u00edsia e Egito, calando de uma forma covarde. A verdadeira solidariedade est\u00e1 sendo nos fatos levada adiante pelos povos \u00e1rabes que lutam contra suas respectivas ditaduras e contra os planos de fome; pelos trabalhadores e o povo que resiste na Palestina e vibram com os primeiros triunfos da Tun\u00edsia e do Egito; pelas massas que na Europa enfrentam os planos de ajuste e os governos que os aplicam, por todos aqueles que lutam sem tr\u00e9gua contra o imperialismo e os governos capitalistas nacionais, sem depositar confian\u00e7a em salvadores da p\u00e1tria, mas confiando cada vez mais nas suas pr\u00f3prias for\u00e7as. Estas mobiliza\u00e7\u00f5es extraordin\u00e1rias com certeza n\u00e3o agitam a bandeira do socialismo, mas na pr\u00e1tica sua luta \u00e9 infinitamente anti capitalista e internacionalista, ou seja, com din\u00e2mica socialista.\u00a0 \u00a0Somente desta maneira, o movimento de massas ir\u00e1 superando o atual vazio de dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria e criando o fator subjetivo imprescind\u00edvel: um partido socialista e revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<hr size=\"1\" \/><a href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a> \u00c9 importante rever a origem de Mubarak e o que aconteceu com o governo e o movimento nacionalista burgu\u00eas no Egito. Mubarak n\u00e3o \u201cbrotou\u201d de um desconhecido processo reacion\u00e1rio. Mubarak, assim como Anwar El- Sadat, seu antecessor, foram express\u00e3o da degenera\u00e7\u00e3o do movimento nacionalista burgu\u00eas liderado por Nasser. Esse, foi o inspirador do golpe de estado de 1952 que terminou com a monarquia, obteve a retirada das tropas inglesas, fundou com S\u00edria a Rep\u00fablica \u00c1rabe Unida. Em 1956 nacionalizou o Canal de Suez que provocou a invas\u00e3o por parte de Inglaterra, Fran\u00e7a e Israel para recuper\u00e1-lo, mas foram derrotados no momento de maior apogeu do movimento nacionalista burgu\u00eas. Na guerra dos seis dias de 1967, Nasser foi derrotado pelo ex\u00e9rcito sionista e faleceu em 1970. Todos foram do movimento criado por Nasser, cujo sucessor imediato foi Sadat, de quem Mubarak era vice. Sadat foi quem assinou em 1978 os acordos de Camp David com os EUA sendo o primeiro pa\u00eds \u00e1rabe a reconhecer o Estado de Israel. Assim o nasserismo completou seu ciclo de ascenso, decad\u00eancia e queda. Nasser, como todos os regimes de pa\u00edses independentes sob o estado burgu\u00eas, apoiou-se no movimento de massas para enfrentar o imperialismo e aos setores burgueses vinculados. Mas com o perigo do movimento de massas passar por cima, se apoiou nas for\u00e7as armadas tanto para enfrentar ao imperialismo quanto para frear e controlar as mobiliza\u00e7\u00f5es populares. Assim tamb\u00e9m, com o mesmo objetivo, criou organiza\u00e7\u00f5es sindicais controladas por dirigentes adictos ao governo. Ou seja, medidas progressivas como a reforma agr\u00e1ria, a nacionaliza\u00e7\u00e3o ou a sindicaliza\u00e7\u00e3o, foram feitas \u201cpor cima\u201d sem permitir iniciativas independentes dos trabalhadores e camponeses.\u00a0 Esta \u00e9 a raz\u00e3o estrutural, de classe, que faz com os governos nacionalistas burgueses que chegam at\u00e9 conseguir a independ\u00eancia pol\u00edtica do seu pa\u00eds em rela\u00e7\u00e3o ao imperialismo, fracassem e acabem sendo derrotados ou capitulem frente \u00e0 press\u00e3o imperialista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>*Por Silvia Santos \u2013 Executiva Nacional do PSOL \u201cTodas as revolu\u00e7\u00f5es s\u00e3o imposs\u00edveis at\u00e9 se tornarem inevit\u00e1veis\u201d. Leon Trotsky As revolu\u00e7\u00f5es na Tun\u00edsia e no Egito confirmam a magn\u00edfica defini\u00e7\u00e3o de Trotsky. Come\u00e7ou a Revolu\u00e7\u00e3o \u00c1rabe, um verdadeiro terremoto de consequ\u00eancias ainda imprevis\u00edveis. 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