{"id":4080,"date":"2013-03-05T17:01:39","date_gmt":"2013-03-05T17:01:39","guid":{"rendered":"http:\/\/179.190.55.146\/~psol5185\/?p=4080"},"modified":"2013-03-05T17:01:39","modified_gmt":"2013-03-05T17:01:39","slug":"conjuntura-resolucao-da-executiva-nacional-reforca-o-psol-como-alternativa-de-esquerda-e-socialista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/psol50.org.br\/conjuntura-resolucao-da-executiva-nacional-reforca-o-psol-como-alternativa-de-esquerda-e-socialista\/","title":{"rendered":"Conjuntura: Resolu\u00e7\u00e3o da Executiva Nacional refor\u00e7a o PSOL como alternativa de esquerda e socialista"},"content":{"rendered":"<div id=\"blocoDadosPrint\"><em>\u201c\u00c9 tarefa do PSOL refor\u00e7ar seus la\u00e7os de solidariedade com todos os processos de enfrentamento ao neoliberalismo e ao imperialismo, sobretudo na Am\u00e9rica Latina, nosso terreno privilegiado de a\u00e7\u00e3o, aumentando seu protagonismo e ativismo no cen\u00e1rio internacional em defesa de uma alternativa democr\u00e1tica, popular e socialista para o continente\u201d, afirma resolu\u00e7\u00e3o<\/em><\/div>\n<div class=\"txtPrint\">\n<div>\nNa manh\u00e3 dessa segunda-feira (04), em reuni\u00e3o no Hotel S\u00e3o Paulo In, membros da Executiva Nacional do PSOL aprovaram uma resolu\u00e7\u00e3o sobre conjuntura nacional e internacional, que aponta o PSOL como a alternativa program\u00e1tica, de esquerda e socialista da classe trabalhadora e dos movimentos sociais. Avaliando o cen\u00e1rio de crise econ\u00f4mica nos pa\u00edses da Europa, nos Estados Unidos e tamb\u00e9m na Am\u00e9rica Latina, o documento, aprovado por maioria, aponta as incertezas do pr\u00f3ximo per\u00edodo. \u201cEnquanto se intensifica o aporte de recursos p\u00fablicos no socorro aos grandes bancos privados, o desemprego continua em patamares muito acima daqueles considerados normais e a desigualdade e a pobreza cresceram muito nos pa\u00edses do capitalismo central. Essa realidade mant\u00e9m os trabalhadores mobilizados contra a retirada de direitos, particularmente na Gr\u00e9cia, Espanha, Portugal e It\u00e1lia. Nesses e em outros pa\u00edses aumenta os protestos e o questionamento \u00e0s medidas tomadas por in\u00fameros governos\u201d, ressalta o partido.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s realidades econ\u00f4mica e pol\u00edtica norte-americana, o texto afirma que \u201ca pol\u00edtica externa de Obama segue determinada a proteger os interesses do complexo industrial-militar-petroleiro em qualquer regi\u00e3o do mundo onde ele pretenda se impor, raz\u00e3o pela qual a ret\u00f3rica do Departamento de Estado estadunidense segue pautada pela defesa da \u2018democracia\u2019 nos pa\u00edses do Oriente M\u00e9dio, o que significa o apoio a regimes autorit\u00e1rios (com destaque para o estado racista de Israel) e ataques aos governos \u201cn\u00e3o alinhados\u201d a seus interesses, como o Ir\u00e3\u201d.<\/p>\n<p>Na defesa intransigente do fortalecimento das lutas dos povos da Am\u00e9rica Latina, a resolu\u00e7\u00e3o ressalta que \u201c\u00e9 tarefa do PSOL refor\u00e7ar seus la\u00e7os de solidariedade com todos os processos de enfrentamento ao neoliberalismo e ao imperialismo, sobretudo na Am\u00e9rica Latina, nosso terreno privilegiado de a\u00e7\u00e3o, aumentando seu protagonismo e ativismo no cen\u00e1rio internacional em defesa de uma alternativa democr\u00e1tica, popular e socialista para o continente\u201d.<\/p>\n<p>No que se refere ao Brasil, a resolu\u00e7\u00e3o da Executiva Nacional faz um breve hist\u00f3rico dos dez anos dos governos do PT e da atua\u00e7\u00e3o do PSOL como uma importante alternativa de oposi\u00e7\u00e3o program\u00e1tica e de esquerda ao projeto de concilia\u00e7\u00e3o de classes. \u201cPara alavancar um crescimento das med\u00edocres taxas do PIB dos dois primeiros anos de governo \u2013 ocorridas pela op\u00e7\u00e3o oficial de elevar a taxa de juros cinco vezes seguidas em 2005 e por reduzir o investimento p\u00fablico, o governo retoma a privatiza\u00e7\u00e3o de portos, aeroportos, rodovias e ferrovias. Isso representa voltar aos tempos dos governos tucanos na condu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica macroecon\u00f4mica. Assim, o modelo econ\u00f4mico brasileiro mostra suas limita\u00e7\u00f5es e fragilidades, dependendo cada vez mais das grandes obras de infraestrutura (hidrel\u00e9tricas, rodovias, est\u00e1dios de futebol, etc.), do agroneg\u00f3cio e das privatiza\u00e7\u00f5es para manter sua din\u00e2mica de crescimento\u201d, pontua.<\/p>\n<p>Leia abaixo a resolu\u00e7\u00e3o completa.<\/p>\n<p><strong>Resolu\u00e7\u00e3o sobre a conjuntura nacional e internacional<\/strong><\/p>\n<p>Ap\u00f3s o debate foi aprovada por nove votos favor\u00e1veis, seis absten\u00e7\u00f5es e um voto contr\u00e1rio a seguinte Resolu\u00e7\u00e3o de conjuntura:<\/p>\n<p>PSOL: alternativa program\u00e1tica, de esquerda e socialista!<\/p>\n<p>1-\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O ano de 2013 come\u00e7a com as incertezas da crise econ\u00f4mica. Na Europa, mais fortemente atingida pela recess\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 sa\u00eddas \u00e0 vista para os segmentos assalariados enquanto prevalecer \u00e0 l\u00f3gica que a troika \u2013 Uni\u00e3o Europeia, Banco Central Europeu e FMI \u2013 v\u00eam impondo aos governos conservadores do velho continente. As perspectivas s\u00e3o de que o crescimento da economia mundial n\u00e3o deve ultrapassar os 2,5% (mesma expectativa de crescimento da economia dos EUA), enquanto a China deve repetir o crescimento de 7%, impactando fortemente a economia brasileira (que dificilmente alcan\u00e7ar\u00e1 um patamar superior aos 3,5%) e demais pa\u00edses prim\u00e1rio-exportadores.<\/p>\n<p>2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Enquanto se intensifica o aporte de recursos p\u00fablicos no socorro aos grandes bancos privados, o desemprego continua em patamares muito acima daqueles considerados normais e a desigualdade e a pobreza cresceram muito nos pa\u00edses do capitalismo central. Essa realidade mant\u00e9m os trabalhadores mobilizados contra a retirada de direitos, particularmente na Gr\u00e9cia, Espanha, Portugal e It\u00e1lia. Nesses e em outros pa\u00edses aumenta os protestos e o questionamento \u00e0s medidas tomadas por in\u00fameros governos. Na It\u00e1lia, observe-se que nas recentes elei\u00e7\u00f5es parlamentares, tanto a coliga\u00e7\u00e3o da direita, liderada por Silvio Berlusconi, quanto \u00e0 coliga\u00e7\u00e3o de centro, chefiada por P\u00eder Luigi Bersani, assim como a coaliz\u00e3o que prega um rep\u00fadio \u00e0 pol\u00edtica institucional, capitaneada por Beppe Grillo, n\u00e3o conseguir\u00e3o sozinhas formar um governo. A li\u00e7\u00e3o mais importante a se tirar dessa disputa \u00e9 que quando a esquerda n\u00e3o se coloca, cresce a antipol\u00edtica, com danosas consequ\u00eancias para a democracia e a luta de classes.<\/p>\n<p>3.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nos EUA, a reelei\u00e7\u00e3o de Obama n\u00e3o representa qualquer altera\u00e7\u00e3o significativa nos rumos daquele pa\u00eds. Evidentemente, existem diferen\u00e7as entre Obama e o candidato republicano derrotado, Mitt Romney. Este estaria mais disposto a aventuras militares e imperme\u00e1vel \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o de determinadas pol\u00edticas sociais de que o pa\u00eds precisa. Por\u00e9m, a pol\u00edtica externa de Obama segue determinada a proteger os interesses do complexo industrial-militar-petroleiro em qualquer regi\u00e3o do mundo onde ele pretenda se impor, raz\u00e3o pela qual a ret\u00f3rica do Departamento de Estado estadunidense segue pautada pela defesa da \u201cdemocracia\u201d nos pa\u00edses do Oriente M\u00e9dio, o que significa o apoio a regimes autorit\u00e1rios (com destaque para o estado racista de Israel) e ataques aos governos \u201cn\u00e3o alinhados\u201d a seus interesses, como o Ir\u00e3.<\/p>\n<p>4.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No Oriente M\u00e9dio e no norte da \u00c1frica, a \u201cprimavera \u00e1rabe\u201d vive ainda momentos de indefini\u00e7\u00e3o. A elei\u00e7\u00e3o de partidos pouco comprometidos com as transforma\u00e7\u00f5es exigidas pelo movimento de massas no Egito e Tun\u00edsia criou impasses insol\u00faveis. O recente assassinato de Chokri Belaid, l\u00edder da oposi\u00e7\u00e3o socialista tunisiana, aprofundou a crise na qual se encontra o governo. No Egito, a escalada autorit\u00e1rio de Mohamed Mursi tem feito com que parcelas cada vez mais expressivas da popula\u00e7\u00e3o pe\u00e7am a ren\u00fancia do presidente. As elei\u00e7\u00f5es parlamentares, que ocorrer\u00e3o entre abril e junho, ser\u00e3o um importante momento para aferir a for\u00e7a da oposi\u00e7\u00e3o laica e progressista ao governo da Irmandade Mu\u00e7ulmana. \u00c9 importante destacar, assim, que na chamada Primavera \u00c1rabe, o alardeado horizontalismo de movimentos que n\u00e3o teriam l\u00edderes, organiza\u00e7\u00e3o ou \u201cburocracia\u201d, em alguns casos tamb\u00e9m n\u00e3o contava com teoria, t\u00e1tica ou estrat\u00e9gia. Assim, um formid\u00e1vel impulso de mudan\u00e7a se estiolou \u00e0 falta de uma organiza\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria transformadora.<\/p>\n<p>5.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na S\u00edria, a escalada de viol\u00eancia tomou o car\u00e1ter de Guerra Civil. O governo, com suas mil\u00edcias e bombardeios a alvos civis (com destaque para o recente bombardeio \u00e0 universidade de Damasco) goza de cada vez menos apoio internacional. Em contrapartida, a oposi\u00e7\u00e3o ao regime \u2013 longe de ser composta por \u201crevolucion\u00e1rios\u201d \u2013 encontra-se completamente comprometida com for\u00e7as estrangeiras pr\u00f3-imperialistas e nega-se ao di\u00e1logo proposto pelo governo. Longe de um desfecho, a guerra civil tende a aprofundar-se e a sa\u00edda de uma paz negociada parece cada vez mais longe.<\/p>\n<p>6.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No nosso continente, agravam-se as contradi\u00e7\u00f5es entre as for\u00e7as progressistas e o imperialismo. As incertezas acerca do estado de sa\u00fade do presidente venezuelano, Hugo Ch\u00e1vez Fr\u00edas, e as repercuss\u00f5es de um poss\u00edvel afastamento colocam novos desafios que o povo venezuelano ter\u00e1 de resolver. Naquele pa\u00eds, ap\u00f3s duas contundentes vit\u00f3rias eleitorais das for\u00e7as revolucion\u00e1rias, a direita busca fomentar uma crise, especulando com a doen\u00e7a do presidente Ch\u00e1vez. O PSOL reafirma seu apoio militante \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Bolivariana, seus avan\u00e7os e aprofundamento, e ao mesmo tempo, faz votos pela plena recupera\u00e7\u00e3o do comandante Hugo Ch\u00e1vez Fr\u00edas.<\/p>\n<p>7.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na Bol\u00edvia, a estatiza\u00e7\u00e3o dos aeroportos \u2013 na contram\u00e3o do quem tem sido feito no Brasil pelo governo Dilma \u2013 marca uma necess\u00e1ria ofensiva das for\u00e7as populares contra os interesses monopolistas, bem como as elei\u00e7\u00f5es no Equador, que levaram \u00e0 esmagadora vit\u00f3ria de Rafael Correa, e que tamb\u00e9m ocorrem num contexto de aumento da polariza\u00e7\u00e3o com o imperialismo. L\u00e1, a m\u00eddia monopolista trabalhou incansavelmente contra o presidente equatoriano, n\u00e3o obstante seus limites e contradi\u00e7\u00f5es. No Paraguai e em Honduras, as elei\u00e7\u00f5es nesse ano ocorrer\u00e3o tamb\u00e9m sob esse contexto. Por isso, \u00e9 tarefa do PSOL refor\u00e7ar seus la\u00e7os de solidariedade com todos os processos de enfrentamento ao neoliberalismo e ao imperialismo, sobretudo na Am\u00e9rica Latina, nosso terreno privilegiado de a\u00e7\u00e3o, aumentando seu protagonismo e ativismo no cen\u00e1rio internacional em defesa de uma alternativa democr\u00e1tica, popular e socialista para o continente.<\/p>\n<p><strong>Brasil<\/strong><br \/>\n8.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nesse ano tamb\u00e9m se completam dez anos da experi\u00eancia do PT \u00e0 frente do Governo Federal. Na maior parte desse tempo, o PSOL buscou construir uma alternativa de oposi\u00e7\u00e3o program\u00e1tica e de esquerda ao projeto de concilia\u00e7\u00e3o de classes liderado pela c\u00fapula do petismo, denunciando as medidas conservadoras implementadas por seu governo, combatendo nas ruas e no parlamento em defesa dos interesses populares e fortalecendo as lutas sociais em todo o pa\u00eds atrav\u00e9s da defesa de um programa democr\u00e1tico, popular e socialista.<\/p>\n<p>9.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nos seu d\u00e9cimo ano, o governo petista encontra um cen\u00e1rio de incertezas no plano econ\u00f4mico que deve, mais uma vez, impedir um crescimento mais expressivo da economia. Ao mesmo tempo, a desindustrializa\u00e7\u00e3o \u00e9 vis\u00edvel, apesar dos esfor\u00e7os do governo (sobretudo a partir da redu\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o da energia el\u00e9trica) de impedir a diminui\u00e7\u00e3o do investimento privado. Para alavancar um crescimento das med\u00edocres taxas do PIB dos dois primeiros anos de governo \u2013 ocorridas pela op\u00e7\u00e3o oficial de elevar a taxa de juros cinco vezes seguidas em 2005 e por reduzir o investimento p\u00fablico, o governo retoma a privatiza\u00e7\u00e3o de portos, aeroportos, rodovias e ferrovias. Isso representa voltar aos tempos dos governos tucanos na condu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica macroecon\u00f4mica. Assim, o modelo econ\u00f4mico brasileiro mostra suas limita\u00e7\u00f5es e fragilidades, dependendo cada vez mais das grandes obras de infraestrutura (hidrel\u00e9tricas, rodovias, est\u00e1dios de futebol, etc.), do agroneg\u00f3cio e das privatiza\u00e7\u00f5es para manter sua din\u00e2mica de crescimento.<\/p>\n<p>10.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ao mesmo tempo, ainda que limitados, os ganhos observados juntos aos setores mais vulner\u00e1veis da popula\u00e7\u00e3o asseguram elevadas taxas de aprova\u00e7\u00e3o ao governo. O aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo, a amplia\u00e7\u00e3o do consumo atrav\u00e9s de uma enxurrada de cr\u00e9dito, al\u00e9m da queda no desemprego (ainda que inferior ao demonstrado pelos dados oficiais) tem garantido uma sensa\u00e7\u00e3o de relativo bem-estar junto a uma parte das camadas populares, blindando o governo de cr\u00edticas mais estruturais. Ainda que os indicadores oficiais revelem n\u00fameros revoltantes \u2013 como o ainda elevado percentual de analfabetos, de trabalhadores fora do sistema de seguridade social ou de jovens exclu\u00eddos do ensino superior, bem como os dados que demonstram a concentra\u00e7\u00e3o de terras no campo ou o lucro extraordin\u00e1rio de banqueiros e outros rentistas do sistema financeiro \u2013 o governo segue gozando de altas taxas de aprova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>11.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mesmo a corrup\u00e7\u00e3o, problema que se revelou end\u00eamico a partir do padr\u00e3o de governabilidade operado pela dire\u00e7\u00e3o do PT (indo desde a compra de votos at\u00e9 a promo\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas historicamente combatidas pelo pr\u00f3prio partido) n\u00e3o tem sido, por si s\u00f3, suficiente para abrir um espa\u00e7o maior de cr\u00edtica ao governo. Apesar dos esfor\u00e7os de parte da m\u00eddia monopolista, os sucessivos esc\u00e2ndalos n\u00e3o t\u00eam atingido profundamente a credibilidade da presidente e sua equipe.<\/p>\n<p>12.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A pr\u00f3pria crise da oposi\u00e7\u00e3o conservadora, incapaz tanto de se diferenciar quanto de apoiar abertamente aquelas medidas que, no fundo, tem inspira\u00e7\u00e3o numa agenda neoliberal, demonstra a complexidade do arranjo pol\u00edtico-institucional constru\u00eddo pelo PT. O enfraquecimento do bloco demo-tucano \u00e9 a express\u00e3o mais clara do sucesso dos esfor\u00e7os da dire\u00e7\u00e3o petista em incorporar a maioria do campo conservador ao seu projeto. Hoje, a maior parte dos partidos da velha direita brasileira comp\u00f5e o governo Dilma. A entrada do PSD e seus 51 deputados na base de apoio ao governo \u00e9 a mais recente demonstra\u00e7\u00e3o desse fen\u00f4meno. Com ele, se fortalece no interior do bloco que governa o pa\u00eds as fra\u00e7\u00f5es vinculadas ao agroneg\u00f3cio, dentre outros setores do capital. A t\u00e1tica do governo segue uma velha cartilha: levar para dentro do seu bloco de sustenta\u00e7\u00e3o as contradi\u00e7\u00f5es que outrora estavam dispersas na sociedade. O recente an\u00fancio de investimentos na casa dos R$ 600 milh\u00f5es para a pequena produ\u00e7\u00e3o rural \u00e9, assim, um contraponto aos dados que comprovam o aumento da concentra\u00e7\u00e3o de terras e da for\u00e7a dos grupos vinculados ao latif\u00fandio no interior do governo.<\/p>\n<p>13.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A elei\u00e7\u00e3o de Renan Calheiros para a presid\u00eancia do Senado e de Henrique Eduardo Alves, ambos do PMDB, tamb\u00e9m serve para demonstrar at\u00e9 onde o governo est\u00e1 disposto a chegar para manter seu controle sobre as demais institui\u00e7\u00f5es. Apesar de acusados por diversos crimes, a candidatura de ambos foi encampada pelo governo e a maioria de sua base de apoio. Nesse processo, in\u00fameros parlamentares do PSDB tamb\u00e9m incorporaram a defesa das candidaturas governistas, demonstrando uma total incapacidade de ocupar o espa\u00e7o oferecido \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o conservadora nos meios de comunica\u00e7\u00e3o. Aproveitando essa brecha, o PSOL soube polarizar tanto no Senado, com o companheiro Randolfe Rodrigues, quanto na C\u00e2mara, com o companheiro Chico Alencar. Nessa disputa, apresentamos uma plataforma que defendia uma Reforma Pol\u00edtica radical que aprofundasse a participa\u00e7\u00e3o popular, defendendo a independ\u00eancia do legislativo em rela\u00e7\u00e3o ao governo federal, o fim do voto secreto, a puni\u00e7\u00e3o e cassa\u00e7\u00e3o de todos os parlamentares envolvidos em den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o, e um parlamento \u00e9tico e transparente.<\/p>\n<p>14.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Assim, o ano de 2013 se anuncia como mais intenso, com o prov\u00e1vel aumento de greves e manifesta\u00e7\u00f5es. O PSOL recomenda a seus militantes e setoriais um engajamento ainda maior nas lutas do povo e esfor\u00e7o redobrado no sentido da unifica\u00e7\u00e3o das lutas e supera\u00e7\u00e3o dos entraves organizativos \u2013 notadamente no setor sindical \u2013 que ainda bloqueiam o livre desenvolvimento da luta popular. Temos importantes iniciativas partid\u00e1rias unit\u00e1rias em curso, sendo a mais importante delas, a luta pela anula\u00e7\u00e3o da Reforma da Previd\u00eancia de 2003, impulsionada recentemente pela A\u00e7\u00e3o Direta da Inconstitucionalidade (ADIN) movida pelo PSOL e tramitando no Supremo Tribunal Federal (STF). \u00c9 dever de nossa milit\u00e2ncia fortalecer essa campanha ao lado das entidades dos servidores p\u00fablicos federais e demais movimentos organizados em torno do tema.<\/p>\n<p><strong>2014<\/strong><br \/>\n15.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nesse cen\u00e1rio, a m\u00eddia monopolista especula qual poderia ser a alternativa capaz de se contrapor \u00e0 propalada popularidade de Dilma Roussef nas elei\u00e7\u00f5es de 2014. Diante da crise no interior do PSDB, o nome de A\u00e9cio Neves, que parece contar com o apoio da maioria do partido, vem perdendo for\u00e7a. Sua atua\u00e7\u00e3o apagada no Senado Federal e os acordos firmados entre os tucanos e o governo naquela casa, impedem que A\u00e9cio possa se diferenciar. Ao mesmo tempo, o crescimento do PSB nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es municipais coloca em evid\u00eancia o nome do governador de Pernambuco, Eduardo Campos. As boas rela\u00e7\u00f5es entre seu partido e o governo, por\u00e9m, podem impedir momentaneamente sua candidatura, adiando suas pretens\u00f5es para as elei\u00e7\u00f5es de 2018, ainda que setores conservadores enxerguem nele uma alternativa capaz de dividir a base de apoio do governo.<\/p>\n<p>16.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Enquanto isso, a promessa de um partido liderado por Marina Silva esta prestes a se tornar realidade. Amparando-se nos 18 milh\u00f5es de votos conquistados por ela nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es presidenciais, ap\u00f3s in\u00fameras negativas o novo partido deve buscar sua viabiliza\u00e7\u00e3o. A nova legenda unir\u00e1 parlamentares de diferentes partidos (do PSDB ao PT), lideran\u00e7as ambientais e populares, grandes empres\u00e1rios e caciques pol\u00edticos de diferentes estados. Propondo-se um espa\u00e7o amplo, capaz de unir posi\u00e7\u00f5es t\u00e3o conflitantes, o novo partido n\u00e3o ter\u00e1 um perfil de esquerda. Sofrer\u00e1 as tens\u00f5es de conviver com indiv\u00edduos progressistas e lideran\u00e7as conservadoras e ser\u00e1 incapaz de encarnar uma alternativa popular de enfrentamento os dez anos de lulo-petismo. Enfim, tende a amparar-se no discurso da \u00e9tica, da sustentabilidade e da \u201cnova pol\u00edtica\u201d sem, contudo, contrapor-se ao projeto do bloco dominante. J\u00e1 se apresenta como um partido ideologicamente invertebrado, sem programa de mudan\u00e7as estruturais, com uma posi\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica indefinida (um partido de \u201ccentro radical\u201d, como definiu um de seus idealizadores, Alfredo Syrkys). Mesmo sem apresentar qualquer disposi\u00e7\u00e3o de enfrentar as injusti\u00e7as sociais e o poder dos grandes monop\u00f3lios, tentar\u00e1 aproveitar a fadiga causada pela polariza\u00e7\u00e3o entre PT e PSDB para se fortalecer.<\/p>\n<p>17.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Por\u00e9m, para se apresentar em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 hegemonia conservadora, um partido necessita de inser\u00e7\u00e3o social, firmeza de princ\u00edpios, milit\u00e2ncia pol\u00edtica engajada nas lutas do povo e horizonte socialista. O PSOL hoje re\u00fane as condi\u00e7\u00f5es para ocupar esse espa\u00e7o \u00e0 esquerda e construir uma alternativa real \u00e0 polariza\u00e7\u00e3o formal PT x PSDB. Para isso, caber\u00e1 a ele apresentar candidatura pr\u00f3pria \u00e0s elei\u00e7\u00f5es de 2014. O ac\u00famulo que o partido traz das lutas sociais e de uma atua\u00e7\u00e3o consequente no parlamento j\u00e1 foi recentemente demonstrado nas elei\u00e7\u00f5es municipais de 2012. O crescimento de 96% no n\u00famero de vereadores e a elei\u00e7\u00e3o de nossos primeiros prefeitos (sendo um deles em uma capital, Macap\u00e1), al\u00e9m das vitoriosas campanhas no Rio de Janeiro, Bel\u00e9m, Florian\u00f3polis, Fortaleza, dentre outras, mostram que estamos preparados para ocupar um espa\u00e7o de destaque na disputa presidencial com nome pr\u00f3prio do PSOL.<\/p>\n<p>18.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A cria\u00e7\u00e3o de novas legendas \u00e9 um direito e lutaremos sempre para que todos possam usufru\u00ed-lo, combatendo especialmente as manobras que buscam liquidar os partidos combativos, como a cl\u00e1usula de barreira. Mas o lugar dos socialistas nesse momento da hist\u00f3ria brasileira \u00e9 o PSOL. Nesses quase oito anos de exist\u00eancia, nosso partido tem se afirmado como refer\u00eancia de uma esquerda classista, \u00e9tica, combativa e program\u00e1tica. Estivemos presentes nas principais lutas contra a corrup\u00e7\u00e3o, as medidas antipopulares como o reforma do C\u00f3digo Florestal ou a constru\u00e7\u00e3o da Usina de Belo Monte, e apoiando os trabalhadores e a juventude em suas lutas por sal\u00e1rio digno e educa\u00e7\u00e3o de qualidade. Apoiamos as experi\u00eancias progressistas em nosso continente e denunciamos firmemente o imperialismo. Enfim, demos mostras suficientes de que o projeto do PSOL est\u00e1 comprometido com a luta popular e o socialismo. Por isso, \u00e9 tarefa de todo militante de nosso partido fortalec\u00ea-lo ainda mais. Estamos unidos em torno desse objetivo. Nossas figuras p\u00fablicas, dirigentes e militantes devem dedicar-se \u00e0 tarefa de reafirmar que o PSOL \u00e9 a melhor alternativa da esquerda socialista para apresentar uma sa\u00edda ao falso consenso liberal.<\/p>\n<p>19.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ademais, combateremos aqueles que quiserem transformar o PSOL numa correia de transmiss\u00e3o de outros projetos e n\u00e3o aceitaremos que lideran\u00e7as falem em nome do PSOL para fortalecer outras alternativas partid\u00e1rias. Atuaremos de forma firme na prote\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio pol\u00edtico constru\u00eddo coletivamente nos \u00faltimos oito anos, garantindo que as estruturas partid\u00e1rias n\u00e3o sejam utilizadas para minar a sua pr\u00f3pria exist\u00eancia. Reconhecemos o direito daqueles que queiram abandonar a constru\u00e7\u00e3o do PSOL, mas tal comportamento deve ser expl\u00edcito e constru\u00eddo fora dos espa\u00e7os do partido. O compromisso de nossa Dire\u00e7\u00e3o Nacional \u00e9 com o fortalecimento do PSOL.<\/p>\n<p>20.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O lan\u00e7amento da candidatura Dilma em ato promovido pelo PT, o discurso de A\u00e9cio no Senado, as declara\u00e7\u00f5es de Eduardo Campos e a defini\u00e7\u00e3o do projeto Marina precipitaram a corrida eleitoral de 2014. Diante disto, o PSOL reafirma que ter\u00e1 candidatura pr\u00f3pria, defendendo um programa anticapitalista de norte socialista em defesa dos trabalhadores e do povo em oposi\u00e7\u00e3o ao governo atual. Nesse sentido, est\u00e1 aberto no interior do partido o debate sobre um programa alternativo e de esquerda para o Brasil.\n<\/p><\/div>\n<p><span id=\"Fonte\"><strong>Fonte: Do site do PSOL Nacional &#8211; Leonor Costa<\/strong><\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201c\u00c9 tarefa do PSOL refor\u00e7ar seus la\u00e7os de solidariedade com todos os processos de enfrentamento ao neoliberalismo e ao imperialismo, sobretudo na Am\u00e9rica Latina, nosso terreno privilegiado de a\u00e7\u00e3o, aumentando seu protagonismo e ativismo no cen\u00e1rio internacional em defesa de uma alternativa democr\u00e1tica, popular e socialista para o continente\u201d, afirma resolu\u00e7\u00e3o Na manh\u00e3 dessa segunda-feira [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[72],"tags":[22],"class_list":{"0":"post-4080","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","6":"category-resolucoes","7":"tag-psol"},"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.5 - 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