{"id":429,"date":"2011-06-10T00:00:00","date_gmt":"2011-06-10T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/psol50.org.br\/arquivo\/2011\/06\/10\/galeano-entre-indignados-e-indignos\/"},"modified":"2011-06-10T00:00:00","modified_gmt":"2011-06-10T00:00:00","slug":"galeano-entre-indignados-e-indignos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/psol50.org.br\/galeano-entre-indignados-e-indignos\/","title":{"rendered":"Galeano: &#8220;entre indignados e indignos&#8221;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\">?<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/t2.gstatic.com\/images?q=tbn:ANd9GcSt-84vXkrTjVs0sJcf5mG7HUcus0yImivhgNJZU-0JgMPuQUr-hg&amp;t=1\" alt=\"\" width=\"293\" height=\"172\" \/><\/p>\n<p><em>Ap\u00f3s visitar acampamento da <\/em>Puerte del Sol, <em>em Madri, escritor uruguaio v\u00ea, nos protestos espalhados pela Espanha, entusiasmo que pode superar a velha pol\u00edtica<\/em><\/p>\n<p>Entrevista \u00e0 TV3 espanhola. Transcri\u00e7\u00e3o  e tradu\u00e7\u00e3o de <strong>Cain\u00e3 Vidor<\/strong>, na\u00a0<em><a href=\"http:\/\/www.revistaforum.com.br\/conteudo\/detalhe_noticia.php?codNoticia=9322\">Revista Forum<\/a><\/em><\/p>\n<p>Confira abaixo a \u00edntegra da entrevista concedida por Eduardo Galeano ao  programa <em>Singulars<\/em>,  da TV3, no dia 23 de maio. Ali, ele conta as suas impress\u00f5es  ao se  deparar com a Espanha dos \u201cIndignados\u201d, fala sobre a crise do sistema   econ\u00f4mico e pol\u00edtico institucional e tamb\u00e9m comenta a respeito de  futebol.<\/p>\n<p><strong><em>Eduardo, voc\u00ea chega e  encontra as pra\u00e7as cheias de gente gritando \u201coutra democracia \u00e9 poss\u00edvel!\u201d. Que  te parece?<\/em><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p>Me parece uma  experi\u00eancia estupenda. A verdade \u00e9 que foi muito  emocionante, para mim, estar  entre essas pessoas quando cheguei a  Madrid e recuperar esta energia, este  entusiasmo. Esta vitamina \u201cE\u201d de  entusiasmo, que \u00e0s vezes parecia perdida neste  mundo que nos convida ao  des\u00e2nimo. Ent\u00e3o acho que \u00e9 uma experi\u00eancia estupenda, e  segue sendo, e  a palavra entusiasmo \u00e9 uma palavra linda, de origem grega, que   significa \u201cter os deuses aqui dentro\u201d. E isto foi o que senti quando  perambulava  entre as pessoas na <em>Puerta del Sol<\/em>.<\/p>\n<p><em><strong>\u201cNos tiraram a justi\u00e7a,  e nos deixaram a lei.\u201d Esta \u00e9  uma das frases que voc\u00ea pode ler na Puerta del  Sol. Que lei nos  deixaram, senhor Galeano?<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A lei do mais forte. \u00c9  esta lei que rege hoje o mundo, dentro de  cada pa\u00eds e entre os pa\u00edses tamb\u00e9m, e  \u00e9 uma lei insuport\u00e1vel. Parece  hoje que os jovens v\u00eam crescendo em mat\u00e9ria de  desobedi\u00eancia contra  esta lei que os condena \u00e0 resigna\u00e7\u00e3o, \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o do mundo  tal qual \u00e9. E  hoje h\u00e1 na Am\u00e9rica Latina toda, ou quase toda, um problema vis\u00edvel  e  preocupante que \u00e9 o div\u00f3rcio, a separa\u00e7\u00e3o \u2013 eu diria que \u00e9 um div\u00f3rcio \u2013  entre  os jovens, as novas gera\u00e7\u00f5es, e o sistema pol\u00edtico e o de  partidos vigente. Eu  n\u00e3o reduziria a pol\u00edtica \u00e0s atividades dos  partidos, porque a pol\u00edtica vai muito  al\u00e9m. Mas, sim, me preocupa que,  por exemplo, nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es chilenas dois  milh\u00f5es de jovens n\u00e3o  tenham votado. E n\u00e3o votaram porque n\u00e3o se deram ao  trabalho de se  registrar e porque, no fundo, n\u00e3o creem nisto. Suponho que,   principalmente, por n\u00e3o acreditarem nisto. E me parece que isto n\u00e3o \u00e9  culpa dos  jovens, \u00e9 muito f\u00e1cil culp\u00e1-los, mas a quest\u00e3o vem de cima,  est\u00e1 concentrada no  topo, e a estes n\u00e3o importa nada de nada. E tamb\u00e9m  nesse sentido gostei de estar  nas manifesta\u00e7\u00f5es, pelo menos na da <em>Puerta del Sol<\/em> que foi onde pude  estar.<\/p>\n<p><strong><em>Sabe quanta gente n\u00e3o  votou ontem na Espanha?<\/em><\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o, n\u00e3o imagino.<\/p>\n<p><strong><em>Dez milh\u00f5es de pessoas  n\u00e3o n\u00e3o foram votar.<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Bem, \u00e9 grave, n\u00e3o?<\/p>\n<p><strong><em>Mas tamb\u00e9m \u00e9 um direito  n\u00e3o votar, certo?<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Claro, claro que sim. E \u00e9  tamb\u00e9m, por vezes, um modo silencioso de  protesto. E tamb\u00e9m acho leg\u00edtimo que as  pessoas se expressem falando ou  calando, pois o sil\u00eancio \u00e0s vezes diz mais que  as palavras. E o que eu  gostei foi ver toda esta ebuli\u00e7\u00e3o de um protesto  pac\u00edfico, sem  viol\u00eancia, como o que vi circulando entre a gente nas diferentes  horas  do dia, e da noite tamb\u00e9m. Muito solidariamente, unidos em uma causa   comum, e sustentado com convic\u00e7\u00e3o a partir da situa\u00e7\u00e3o t\u00e3o penosa que  vivem hoje  na Espanha e em muitos outros lugares do mundo sobretudo os  jovens, e, sobretudo  os jovens que n\u00e3o t\u00eam uma posi\u00e7\u00e3o, digamos,  acomodada. L\u00e1 no <em>Sol<\/em> diziam  \u201cCom causa, mas sem casa!\u201d, e isso  me pareceu revelador, porque uma boa parte  das pessoas que est\u00e3o ali  ficaram sem casa e sem trabalho. Isto \u00e9 uma coisa a  ser levada em  conta.<\/p>\n<p><strong><em>O que est\u00e1 acontecendo  neste momento, em distintos  pa\u00edses europeus \u2013 e eu suponho que no seu mundo, a  Am\u00e9rica Latina,  tamb\u00e9m, mas conhe\u00e7o mais a situa\u00e7\u00e3o europeia \u2013 \u00e9 que o povo est\u00e1   dizendo \u201cBasta!\u201d, algo t\u00e3o claro como n\u00f3s, pais, dizendo que nossos  filhos n\u00e3o  ter\u00e3o o mesmo que n\u00f3s. E t\u00e3o claro como n\u00f3s vemos que isto  que n\u00f3s temos \u00e9  gra\u00e7as \u00e0 luta que, em seus momentos, lutaram nossos  pais e av\u00f3s com sangue, suor  e l\u00e1grimas, e conseguiram os direitos que  n\u00f3s, como pais, n\u00e3o podemos dar a  nossos filhos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Claro, este \u00e9 um dos  dramas do mundo em nosso tempo,  internacionalmente. Dois s\u00e9culos de lutas  oper\u00e1rias que conquistaram  direitos muito importantes para as classes  trabalhadoras, para os que  trabalham, est\u00e3o sendo descartados, jogados no lixo,  por governos que  obedecem a uma tecnocracia que se cr\u00ea eleita pelos deuses para  comandar  o mundo, esta esp\u00e9cie de governo dos governos. Como este senhor que   ultimamente se dedicou a violar camareiras, mas antes violava pa\u00edses e  era  aplaudido enquanto o fazia e n\u00e3o foi preso por isso. Ele teria que  ter sido  preso pelas duas coisas, n\u00e3o s\u00f3 pelas camareiras. \u00c9 esta  estrutura de poder que  \u00e0s vezes \u00e9 invis\u00edvel e que, no fundo, controla  tudo. Ent\u00e3o, quando se consegue  aglutinar vozes capazes de dizer  \u201cBasta!\u201d ou \u201cN\u00e3o, chega!\u201d, a primeira coisa que  se deve fazer \u00e9 escutar  estas vozes, com respeito, sem desqualific\u00e1-las de  antem\u00e3o, e saber  esperar para ver o que \u00e9 que a vida quer viver. Estas pessoas  n\u00e3o  parecem esperar ordens de ningu\u00e9m, atuam espontaneamente, unindo a raz\u00e3o  \u00e0  emo\u00e7\u00e3o. Alguns me perguntam \u201cComo vai acabar isso?\u201d e eu digo \u201cN\u00e3o  sei como vai  acabar, talvez nem acabe. E se acabar, a\u00ed veremos\u201d. \u00c9 como  o amor que \u00e9 infinito  enquanto dura.<\/p>\n<p><strong><em>Sabe\u2026 O senhor,  Eduardo Galeano, com Jos\u00e9 Luis Sampedro e  Arcadi Oliveres, s\u00e3o referentes  internacionais de pessoas que, em seu  momento, j\u00e1 h\u00e1 bastantes anos, disseram  \u201cBasta!\u201d. E Sampedro, muito  idoso, mas muito jovem, este fim de semana fez uma  declara\u00e7\u00e3o, n\u00e3o me  recordo exatamente, mas era algo assim: \u201cAs batalhas, temos  que  ergu\u00ea-las e lut\u00e1-las. Se ganham, ou se perdem, mas temos que lut\u00e1-las.  Por  que este ato solit\u00e1rio de ergu\u00ea-las, e de lut\u00e1-las, \u00e9 o que as  torna t\u00e3o  valiosas.\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Ele \u00e9 um querido amigo  pessoal, e eu o respeito muito. E isto \u00e9  verdade. Estamos tamb\u00e9m enfermos de  existir. O mundo est\u00e1 preso em um  sistema de valores que coloca o sucesso acima  de tudo, e, por outro  lado, condena o fracasso. Perder \u00e9 o \u00fanico pecado que no  mundo de hoje  n\u00e3o tem reden\u00e7\u00e3o. Estamos condenados a ganhar ou ganhar. E, bem,  ao  longo da hist\u00f3ria muitas pessoas melhores perderam, e isso n\u00e3o lhes tira  nem  um pouco a raz\u00e3o. Os dois homens mais justos na hist\u00f3ria da  humanidade, S\u00f3crates  e Jesus, morreram condenados pela justi\u00e7a. Os mais  justos foram condenados pela  justi\u00e7a. E n\u00e3o deixam de ser justos.<\/p>\n<p><strong><em>E nos deixaram a  lei.<\/em><\/strong><\/p>\n<p>E nos deixaram coisas  muito importantes. Em primeiro lugar, amor e coragem.<\/p>\n<p><strong><em>A sant\u00edssima trindade,  tamb\u00e9m chamada de Standard &amp;  Poor\u2019s, Moody\u2019s e Fitch, s\u00e3o as ag\u00eancias que  qualificam os riscos.  Hoje, elas est\u00e3o fazendo cair as bolsas e o euro, na  Europa, porque  voltaram a baixar a qualifica\u00e7\u00e3o da d\u00edvida grega. Quem s\u00e3o estas   ag\u00eancias? E a quem obedecem?<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Segundo minha mulher,  Helena Villagra, s\u00e3o \u201cAs Meninas  Superpoderosas\u201d. Eram personagens de um desenho  que passava h\u00e1 n\u00e3o  muito tempo. Ent\u00e3o s\u00e3o estas meninas, que se consideram no  direito de  classificar e qualificar os pa\u00edses, e dizer se este ou aquele pa\u00eds  est\u00e1  indo por um bom caminho, que \u00e9 sempre o caminho da obedi\u00eancia \u00e0s ordens   ditadas por um sistema que \u00e9 sempre inimigo do povo. E s\u00e3o dirigidas  por  tecnocratas que mandam mais que os governos. Ningu\u00e9m os elegeu, em  nenhuma  elei\u00e7\u00e3o. Que eu saiba, ningu\u00e9m votou na <em>Standard &amp; Poor\u2019s<\/em> \u2013 que, se  n\u00e3o estou equivocado, significa M\u00e9dios e Pobres.<\/p>\n<p><strong><em>Mas voc\u00ea conhece os  crimes que cometeram estas ag\u00eancias?  Eu entendo quando algu\u00e9m se equivoca porque  se equivoca, sem querer.  Mas elas est\u00e3o destruindo pa\u00edses inteiros, est\u00e3o  jogando contra pa\u00edses  inteiros, e ningu\u00e9m diz nada!<\/em><\/strong><\/p>\n<p>E os banqueiros de Wall  Street, que foram os principais  protagonistas desta crise, que provavelmente \u00e9 a  crise mais grave que o  mundo j\u00e1 sofreu em muitos s\u00e9culos de hist\u00f3ria, talvez a  maior fraude  j\u00e1 cometida. E nenhum destes banqueiros foi preso. V\u00e3o presos os   ladr\u00f5es de galinhas, mas os banqueiros superpoderosos, como as meninas   superpoderosas, estes n\u00e3o v\u00e3o presos nunca. E cometem crimes de  desumanidade. Eu  vi agora que o Tribunal Penal Internacional quer  julgar Kaddafi. Sabemos que n\u00e3o  \u00e9 nenhum santo e que seguramente merece  ser julgado, mas muito mais merecem ser  julgados estes senhores que  arruinaram o planeta.<\/p>\n<p><em><strong>E que hoje nos cobram  mais que ontem.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>E que foram recompensados.  Eu havia at\u00e9 proposto uma campanha,  quando via os pobres banqueiros chorando  suas mis\u00e9rias, este desastre, e  junto com outros companheiros n\u00f3s articulamos  uma campanha que n\u00e3o  teve muito \u00eaxito: \u201cAdote um banqueiro\u201d. V\u00ea-se que o mundo  tem um mau  cora\u00e7\u00e3o, ningu\u00e9m o fez.<\/p>\n<p><strong><em>Eduardo Galeano, como  acha que se explica porque nestas  reuni\u00f5es de G20, G8, G1040 \u2013 todos d\u00e3o na  mesma \u2013, por que nenhum  mandat\u00e1rio, por que nenhum governante, e h\u00e1 alguns das  esquerdas, por  que nenhum deles se levanta e diz \u201cBasta, acabou! Este mundo n\u00e3o  \u00e9  poss\u00edvel! Eu n\u00e3o vou condenar meus concidad\u00e3os \u00e0 mis\u00e9ria. N\u00e3o! Basta!\u201d  Por que  n\u00e3o h\u00e1 nenhum que se levanta, por qu\u00ea?<\/em><\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 alguns que se  levantaram.<\/p>\n<p><strong><em>No  G20?!<\/em><\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o, n\u00e3o, fora do G20. No  \u201cG-7 bilh\u00f5es\u201d, que \u00e9 esse que abarca a  humanidade inteira. Uns tantos se  levantaram e disseram \u201cBasta!\u201d e por  isso foram condenados ao inferno, claro.  Por exemplo, me recordo quando  o presidente do Equador, Correa, anunciou que n\u00e3o  iria pagar a d\u00edvida,  que n\u00e3o era leg\u00edtima. Ou seja, que havia nascido de uma  armadilha, de  uma fraude, de uma viol\u00eancia. E o mundo se doeu: \u201cMas como? O  Equador  vai acabar, esse pa\u00eds vai naufragar. Como \u00e9 que algu\u00e9m se atreve?\u201d. E   n\u00e3o se acabou nada, porque era perfeitamente leg\u00edtima a decis\u00e3o de n\u00e3o  pagar as  d\u00edvidas ileg\u00edtimas, que s\u00e3o as que estrangulam a maior parte  dos pa\u00edses,  sobretudo os pa\u00edses mais pobres.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, voc\u00ea v\u00ea, o problema \u00e9 que n\u00e3o  falta quem o diga, mas sim,  digamos, que\u2026 H\u00e1 um sistema que absolve ou condena  segundo a boa ou m\u00e1  conduta dos diferentes governos. Mas \u00e0s vezes as li\u00e7\u00f5es de  vida, as  li\u00e7\u00f5es de dignidade que o mundo necessita s\u00e3o dadas pelos menores. Por   exemplo, a Isl\u00e2ndia. A Isl\u00e2ndia \u00e9 um pa\u00eds min\u00fasculo, perdido a\u00ed nos  mares do  norte do mundo, habitado por pouca gente \u2013 n\u00e3o sei, cerca de  150 mil pessoas,  algo assim \u2013, e foi o que mais claramente disse \u201cN\u00e3o\u201d,  nestas circunst\u00e2ncias  muito dif\u00edceis, ao Fundo Monet\u00e1rios  Internacional e \u00e0 ditadura financeira do  mundo, em dois plebiscitos.  Porque o FMI e a UE j\u00e1 haviam dado a ordem \u00e0  Isl\u00e2ndia de que a  popula\u00e7\u00e3o, ou seja, os islandeses, teriam que pagar a  bancarrota de  tr\u00eas bancos de l\u00e1, dois bancos muito importantes e outro n\u00e3o  tanto, que  tinham recebido dep\u00f3sitos de outros pa\u00edses e n\u00e3o podiam pag\u00e1-los, e,   portanto, a popula\u00e7\u00e3o deveria pagar 12 mil euros <em>per capita<\/em>. Ou  seja,  cada cidad\u00e3o deveria pagar 12 mil euros pela bancarrota dos  bancos! Eu n\u00e3o digo  que todos os banqueiros sejam delinquentes, mas h\u00e1  banqueiros que s\u00e3o os  assaltantes de bancos mais perigosos que h\u00e1. Eles  n\u00e3o carregam nenhuma arma, nem  avisam que est\u00e3o entrando, porque,  afinal de contas, est\u00e3o entrando em suas  \u201ccasas\u201d. Mas estes s\u00e3o os mais  perigosos. E a popula\u00e7\u00e3o da Isl\u00e2ndia foi capaz de  dizer \u201cN\u00e3o! N\u00e3o  aceitamos\u201d, e ent\u00e3o se fez um plebiscito.<\/p>\n<p>Mas, como para o FMI e para a UE n\u00e3o  pareceu ser suficiente, fizeram  outro. E ganharam os dois. A Isl\u00e2ndia se negou a  aceitar como destino a  obedi\u00eancia. E afinal, defenderam dignidade humana. Porque  este  movimento n\u00e3o \u00e9 o movimento t\u00e3o lindo, que me encanta ver. Este se chama   Movimento dos Indignados, e eles n\u00e3o se equivocam com este nome,  porque afinal o  mundo est\u00e1 dividido entre os indignos e os indignados.<\/p>\n<p><em><strong>A Isl\u00e2ndia disse \u201cN\u00e3o!\u201d  aos mercados. N\u00f3s, jornalistas, dizemos \u201cos mercados\u201d. Quem  s\u00e3o?<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Sim, os mercados\u2026 \u00c9 um  termo que se usa. Na inf\u00e2ncia, era uma  palavra lind\u00edssima que dava nome ao local  de encontro dos vizinhos do  bairro. Com todas as suas cores, das verduras, das  frutas, as vozes dos  vendedores que vinham at\u00e9 os bairros para vender suas  coisas. E era  uma palavra muito linda. Mas depois se converteu no nome de um  deus  invis\u00edvel e muito cruel, que \u00e9 este que rege nossos destinos. Ent\u00e3o,  sempre  se diz: \u201cN\u00e3o, isso n\u00e3o. Vai irritar o mercado!\u201d, porque ele tem  humor, este  deus. E o mercado manda, mas ningu\u00e9m sabe muito bem quem \u00e9  ou do que se trata. \u00c9  como quando se fala em \u201ccomunidade  internacional\u201d. \u201cA comunidade Internacional  n\u00e3o deveria permitir isto\u201d,  a comunidade internacional \u00e9 um clube de banqueiros  e generais,  senhores da guerra e senhores do dinheiro que decidem quem \u00e9  democrata e  quem n\u00e3o \u00e9, e decidem quem merece o sucesso, e quem merece a  desgra\u00e7a.  E, no entanto, ainda h\u00e1 gente que acredita que outro mundo \u00e9  poss\u00edvel.<\/p>\n<p><strong><em>Ontem ocorreram na  Espanha, como se sabe, elei\u00e7\u00f5es  locais e regionais e o eleitorado espanhol  resolveu, por assim dizer,  castigar muito duramente o Partido Socialista Obrero  Espa\u00f1ol (PSOE).  Que voc\u00ea acha disso?<\/em><\/strong><\/p>\n<p>De fora, n\u00e3o sou ningu\u00e9m  para ditar \u00e0 Espanha, ou \u00e0s Espanhas  contidas na Espanha, normas de boa ou m\u00e1  conduta, at\u00e9 porque justamente  agora eu estava falando contra os sistemas  autorit\u00e1rios de poder. E  tamb\u00e9m creio que s\u00e3o autorit\u00e1rios alguns intelectuais  que v\u00e3o dar  li\u00e7\u00f5es \u00e0s pessoas nos lugares onde est\u00e3o visitando. Eu vivi na   Catalunha bastantes anos, dez anos, n\u00e3o me considero estrangeiro aqui,  mas deve  se ter muito cuidado ao julgar ou emitir opini\u00f5es a respeito  de acontecimentos  t\u00e3o complexos como \u00e9 uma elei\u00e7\u00e3o, nada menos.<\/p>\n<p>Em princ\u00edpio, me pareceu muito  cr\u00edvel uma manchete do di\u00e1rio <em>P\u00fablico<\/em> de hoje, que vi, que dizia que o PSOE  havia sido castigado por  praticar uma pol\u00edtica de direita. Provavelmente algo  disso deve ter  havido, porque o governo talvez n\u00e3o tivesse mais rem\u00e9dio. N\u00e3o sei   precisamente. Mas sei que sim, a Espanha concordou em fazer coisas que  n\u00e3o  coincidiam muito com o programa de governo do Partido que segue,  contudo,  governando a Espanha.<\/p>\n<p><strong><em>Eu antes fiz uma  pergunta dizendo que, para um  governante, pode ser cruel, especialmente se o  governante luta pra  conseguir mais igualdade. Eu disse que nenhum governante se  levantava  em nenhuma reuni\u00e3o internacional para dizer \u201cBasta!\u201d. Ent\u00e3o volto a   perguntar: podem faz\u00ea-lo? Me refiro ao G20.<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Eu repito: se o G20 n\u00e3o \u00e9  capaz de tolerar, admitir e promover a  diversidade no mundo, ou seja, se n\u00e3o \u00e9  capaz de praticar a democracia \u2013  porque a democracia \u00e9 isso, diversidade,  escutar todas as vozes,  outras vozes, em p\u00e9 de igualdade \u2013, bem, ent\u00e3o \u00e9  necess\u00e1rio substituir o  G20 pelo \u201cG-7 bilh\u00f5es\u201d, que \u00e9 esse de toda a  humanidade.<\/p>\n<p><em><strong>E isto como se  dar\u00e1?<\/strong><\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 receita para isso.  Eu n\u00e3o conhe\u00e7o, pelo menos. E desconfiaria  muito de algu\u00e9m que quisesse me  vender esta receita. S\u00e3o processos  muito complexos, muito complicados, e, al\u00e9m  disso, a Hist\u00f3ria \u00e9 uma  senhora de a\u00e7\u00f5es lentas e andar suave. As coisas n\u00e3o  mudam em uma  semana ou um m\u00eas. \u00c9 leg\u00edtima a necessidade humana de que as coisas   mudem enquanto estou vivo, claro, eu quero ver estas mudan\u00e7as. Esta \u00e9  uma paix\u00e3o  humana completamente compreens\u00edvel e partilh\u00e1vel. Mas, n\u00e3o  condiz com a  realidade. A realidade tem seus tempos e o mundo tampouco  caminha em linha  reta.<\/p>\n<p><em><strong>A Hist\u00f3ria \u00e9 lenta,  estou de acordo. Mas imagine voc\u00ea  estas dezenas de milhares de pessoas que  sa\u00edram \u00e0s ruas, que est\u00e3o  ocupando agora mesmo a Plaza Catalunya, aqui em  Barcelona, al\u00e9m de  outras cidades da Espanha. Quando isto terminar, pois  decidiram  terminar daqui a algumas semanas, o que vai acontecer? Estes   governantes e pol\u00edticos democr\u00e1tica e legitimamente eleitos v\u00e3o levar em  conta o  que foi feito nas pra\u00e7as, o que foi dito nas pra\u00e7as ou n\u00e3o  dar\u00e1 em  nada?<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Nada d\u00e1 em nada quando,  digamos, se transmite energia. A energia  fica, de alguma maneira. \u00c0s vezes se  transforma em outra coisa, se  arranja de outras maneiras. Mas \u00e9 muito importante  o que est\u00e1 ocorrendo  nestas concentra\u00e7\u00f5es, que s\u00e3o sobretudo juvenis, mas n\u00e3o  somente  juvenis. Pois, em \u00faltima inst\u00e2ncia, s\u00e3o os invis\u00edveis se fazendo   vis\u00edveis, e os que pareciam mudos fazendo-se escutar. E est\u00e3o dizendo  aquilo que  t\u00eam que dizer. E neste mundo em que todos falam sem dizer,  eles dizem dizendo. E  dizem coisas que vale a pena escutar. E eu  acredito que estas vozes v\u00e3o seguir  ressoando. Mas n\u00e3o quero ser um  otimista profissional porque eu sou  otimista de acordo com a hora do  dia, \u00e0s vezes sou muito pessimista. E a  esperan\u00e7a \u00e9 uma coisa que por  vezes me cai do bolso, e tenho que busc\u00e1-la,  descobrir onde ela est\u00e1,  recolher alguns pedacinhos, muitas vezes. N\u00e3o sou um  otimista <em>full time<\/em>,  e, al\u00e9m disto, n\u00e3o acredito em quem \u00e9. Em muitos  momentos tenho  esperan\u00e7a, mas, quando n\u00e3o tenho agarro meus cabelos e rezo pra  uma  nave espacial me levar pra outro planeta.<\/p>\n<p><em><strong>Por que voc\u00ea acha que  neste \u00faltimo domingo, no Uruguai, se disse \u201cN\u00e3o\u201d \u00c0 suspens\u00e3o da lei de  anistia?<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Sim, este tamb\u00e9m \u00e9 um  processo complicado de explicar assim. Mas,  sim, se perdeu por um voto, uma  coisa lament\u00e1vel. Deve-se acabar com  uma lei infame, que \u00e9 uma lei de  impunidade. Eu fui membro das duas  comiss\u00f5es que organizaram os dois  plebiscitos, e os perdemos. Por muito  pouco, mas perdemos. E seguir\u00edamos  perdendo, um milh\u00e3o de vezes.  Porque eu n\u00e3o creio que valha a pena viver para  ganhar, vale a pena  viver para fazer o que tua consci\u00eancia te diz para fazer. E  n\u00e3o o que  te conv\u00e9m. E isto vale para tudo, para a pol\u00edtica, para a vida, para o   amor, futebol. O futebol parece estar agora condenado a jogar pelo dever  de  ganhar, e n\u00e3o pelo prazer de jogar. Por isso estou muito contente  de estar aqui  em Barcelona para receber um pr\u00eamio de um clube que  recuperou o prazer de jogar  com beleza e limpamente.<\/p>\n<p><em><strong>Claro, voc\u00ea vai receber  amanh\u00e3 o Pr\u00eamio Manuel  V\u00e1zquez Montalb\u00e1n de Jornalismo  Esportivo.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Sim, e  \u00e9 uma sorte para mim. Sou muito  f\u00e3 de futebol, muit\u00edssimo f\u00e3 de futebol. E creio  que o futebol \u00e9 um  espelho do mundo, que a vida se reflete ali. O melhor e o  pior da  condi\u00e7\u00e3o humana est\u00e3o no campo.<\/p>\n<p><strong><em>Voc\u00ea  \u00e9 muito f\u00e3 de  futebol, como disse, ent\u00e3o suponho que ver\u00e1 este time prodigioso  que  est\u00e1 fascinando o mundo inteiro, como o Bar\u00e7a,  certo?<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Sim,  sim. Eu adoro o Bar\u00e7a, e, al\u00e9m  disso, gosto muito de ver o Messi jogando. Vou  contar algo que me veio \u00e0  cabe\u00e7a agora e que tem rela\u00e7\u00e3o com isto\u2026 Eu estava  no M\u00e9xico e em uma  das interven\u00e7\u00f5es p\u00fablicas que estive, me permiti sugerir aos  meus  amigos mexicanos que tivessem cuidado com seu poderoso vizinho do norte  que  tem o p\u00e9ssimo costume de \u201csalvar\u201d os demais pa\u00edses. E lhes contei  que quando vou  aos Estados Unidos e fa\u00e7o leituras de meus livros, ou  vou \u00e0s universidades,  coisas assim, sempre come\u00e7o por suplicar para  que, por favor, n\u00e3o me \u201csalvem\u201d.  Eu n\u00e3o quero ser salvo, e este  poderoso vizinho do M\u00e9xico \u201csalvou\u201d o Iraque  convertendo-o num  manic\u00f4mio, est\u00e1 \u201csalvando\u201d o Afeganist\u00e3o convertendo-o em um  vasto  cemit\u00e9rio. Ent\u00e3o eu dizia aos mexicanos \u201cVamos desconfiar dos   messianismos, dos messi\u00e2nicos. O \u00fanico messianismo que n\u00e3o \u00e9 perigoso \u00e9 o  que se  chama Lionel Messi.\u201d<\/p>\n<p><em><strong>O  que \u00e9 Messi?<\/strong><\/em><\/p>\n<p>\u00c9 a  alegria de jogar. Ele joga como se  fosse uma crian\u00e7a na v\u00e1rzea, em um campinho,  com essa mesma alegria.  Espero que n\u00e3o a perca nunca. Ele \u00e9 excepcional. Por  jogar como  profissional, tem que cuidar das pernas de outra maneira, mas ele  joga  esquecendo de que \u00e9 o n\u00famero 1. Ou seja, Lionel Messi n\u00e3o acredita ser   Lionel Messi, por sorte.<\/p>\n<p><em><strong>Guardiola?<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Merece  tudo isto, e repito desde que  ele era um grande jogador. N\u00e3o podemos esquecer de  que ele foi um  grande jogador antes de ser um grande t\u00e9cnico capaz de organizar  uma  equipe solid\u00e1ria. Um por todos, todos por um, mas onde todos podem jogar  e  desfrutar. A verdade \u00e9 que n\u00e3o digo estas coisas para ficar bem com o  lugar onde  estou, s\u00e3o coisas que acredito profundamente. N\u00e3o tenho o  costume de elogiar  quando me conv\u00e9m.<\/p>\n<p><em><strong>Voc\u00ea  sabe que nestas  \u00faltimas semanas duas equipes antag\u00f4nicas, Madri e Bar\u00e7a, se  enfrentaram  quatro vezes, creio. Voc\u00ea enxerga um estilo diferente no Real  Madrid,  voc\u00ea que \u00e9 t\u00e3o fascinado por futebol?<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Sim.  Com Mourinho, sim. Mas o Real  Madrid pode muito mais do que tem feito nas m\u00e3os  deste senhor, que al\u00e9m  de tudo \u00e9 muito antip\u00e1tico, porque \u00e9 muito arrogante. O  m\u00e9dico me  proibiu contato com os arrogantes.<\/p>\n<p><em><strong>O  m\u00e9dico proibiu? E h\u00e1 muitos deles?<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Sim,  h\u00e1 muitos deles, e eu n\u00e3o sei lidar!<\/p>\n<p><strong><em>Eduardo Galeano, outra das  frases, ou mensagens, das concentra\u00e7\u00f5es  nas pra\u00e7as da Catalunha e da  Espanha \u00e9 esta: \u201cSe n\u00e3o nos deixam sonhar, n\u00e3o vos  deixaremos dormir!\u201d.  E eu vou te pedir agora, espero que aceite, que nos fa\u00e7a  sonhar com a  leitura de algum de seus fragmentos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Sim.  Vou ler algumas palavrinhas que  tem a ver com o direito de sonhar, com o direito  ao del\u00edrio, a partir  de algo que me ocorreu em Cartagena das \u00cdndias, h\u00e1 algum  tempo, quando  eu estava na universidade fazendo uma esp\u00e9cie de palestra com um  grande  amigo, diretor de cinema argentino, Fernando Birri. E ent\u00e3o os meninos,   os estudantes, faziam perguntas \u2013 \u00e0s vezes a mim, \u00e0s vezes a ele. E  fizeram a  ele a mais dif\u00edcil de todas: um estudante se levantou e  perguntou \u201cPara que  serve a utopia?\u201d. Eu o olhei com d\u00f3, pensando \u201cUau,  o que se diz numa hora  dessas?\u201d, e ele respondeu estupendamente, da  melhor maneira. Ele disse que a  utopia est\u00e1 no horizonte, e disse \u201cEu  sei muito bem que nunca a alcan\u00e7arei, que  se eu caminhar dez passos,  ela ficar\u00e1 dez passos mais longe. Quanto mais eu  buscar, menos a  encontrarei, porque ela vai se afastando \u00e0 medida que eu me  aproximo\u201d.  Boa pergunta, n\u00e3o? Para que serve a utopia? Pois a utopia serve para   isso: caminhar.<\/p>\n<p><em><strong>J\u00e1  sei que voc\u00ea n\u00e3o vai  gostar do que eu vou te perguntar a seguir, mas devo  perguntar. Vamos  falar um pouco de voc\u00ea. Voc\u00ea tocou em quase todas as teclas:   narrativas, cr\u00f4nicas, jornalismo, desenhista.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Sim, \u00e9  verdade. E \u00e9 verdade tamb\u00e9m que  aquilo que escrevo \u00e9 inclassific\u00e1vel e isso me  d\u00e1 muita alegria.  Porque um dos v\u00edcios deste mundo, mundo nosso que nos cabe  viver, tem  um costume perverso, uma esp\u00e9cie de mania, de colocar uma etiqueta na   testa de cada pessoa, talvez para poder manipular melhor a condi\u00e7\u00e3o  humana que,  por si, tende \u00e0 liberdade. Classificar-nos seria uma  maneira de nos tornar  prisioneiros, ent\u00e3o o mesmo acontece com os  g\u00eaneros liter\u00e1rios. E a\u00ed \u00e9 que me  encanta n\u00e3o ser classificado, quando  dizem \u201cO que \u00e9 isso que estou lendo? \u00c9  ensaio, poesia, cr\u00f4nica, \u00e9  fic\u00e7\u00e3o, n\u00e3o-fic\u00e7\u00e3o, de que se trata?\u201d, e eu respondo  que n\u00e3o tenho a  menor ideia e n\u00e3o quero saber do que \u00e9 isso que fa\u00e7o. Porque eu  sigo o  conselho que um senhor me deu, estando eu perdido pelas ruas de C\u00e1diz,  h\u00e1  um tempo, me perco sempre porque sou muito disperso e n\u00e3o tenho  senso de  orienta\u00e7\u00e3o, ou tenho um grande senso de desorienta\u00e7\u00e3o, pois me  perco  continuamente. E estava perdido em C\u00e1diz e eu perguntei pelo  Mercado Viejo a um  senhor que estava contra a parede, apoiado, e sem  desencostar ele me disse:  \u201cNada, fa\u00e7a o que a rua te disser!\u201d. E eu  fa\u00e7o aquilo que a rua me diz. Na  literatura e na vida tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/ponto.outraspalavras.net\/2011\/06\/07\/galeano-mundo-esta-dividido-entre-os-indignos-os-indignados\/\"><em><strong>*Fonte: Outras Palavras<\/strong><\/em><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>? Ap\u00f3s visitar acampamento da Puerte del Sol, em Madri, escritor uruguaio v\u00ea, nos protestos espalhados pela Espanha, entusiasmo que pode superar a velha pol\u00edtica Entrevista \u00e0 TV3 espanhola. 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