{"id":4320,"date":"2013-06-25T15:58:28","date_gmt":"2013-06-25T15:58:28","guid":{"rendered":"http:\/\/179.190.55.146\/~psol5185\/?p=4320"},"modified":"2013-06-25T15:58:28","modified_gmt":"2013-06-25T15:58:28","slug":"a-historia-se-repete","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/psol50.org.br\/a-historia-se-repete\/","title":{"rendered":"A hist\u00f3ria se repete"},"content":{"rendered":"<div id=\"blocoDadosPrint\"><span id=\"Data\" class=\"dataPrint\">Juliano Medeiros<\/span><\/div>\n<div class=\"divisoriaGeralClear\"><\/div>\n<div class=\"txtPrint\">\n<p class=\"western\">Milhares de pessoas saem \u00e0s ruas em v\u00e1rias partes do pa\u00eds. As for\u00e7as de repress\u00e3o usam da viol\u00eancia para coibir os protestos, gerando uma onda de solidariedade aos manifestantes. A imprensa, sempre alheia a qualquer forma de contesta\u00e7\u00e3o da ordem, j\u00e1 n\u00e3o pode ocultar os fatos e passa a dar destaque \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es. Os governantes, acuados, anunciam medidas para responder \u00e0 insatisfa\u00e7\u00e3o popular. Surge um movimento difuso que critica fortemente a ordem pol\u00edtico-institucional do pa\u00eds, incluindo o sistema partid\u00e1rio e eleitoral. Na elei\u00e7\u00e3o seguinte, os resultados s\u00e3o surpreendentes e novos atores entram em cena como resposta da sociedade aos velhos pol\u00edticos de sempre.<\/p>\n<p><span lang=\"pt-BR\">Esse roteiro poderia servir para muitos pa\u00edses. Da crise na Argentina, em 2002, ao movimento dos indignados, na Espanha. Est\u00e1 na origem dos processos que levaram Hugo Ch\u00e1vez, Evo Morales e Rafael Correa ao poder nos seus pa\u00edses: o <\/span><span lang=\"pt-BR\"><i>Caracazo<\/i><\/span><span lang=\"pt-BR\">, na Venezuela, a Crise do G\u00e1s, na Bol\u00edvia, e a deposi\u00e7\u00e3o de Lucio Gutierrez, no Equador. N\u00e3o \u00e9 exatamente uma novidade na hist\u00f3ria. Por que, ent\u00e3o, h\u00e1 tanta dificuldade em compreender o que est\u00e1 acontecendo no Brasil?<\/span><\/p>\n<p>A confus\u00e3o em torno dos protestos que tomaram as ruas nas \u00faltimas semanas \u00e9 instrumental. Serve para impedir uma an\u00e1lise profunda das raz\u00f5es que levaram ao surgimento deste movimento. Teses como a do \u201cgigante adormecido\u201d s\u00e3o utilizadas para desviar o foco dos reais motivos da onda de protestos: os limites do atual modelo econ\u00f4mico e pol\u00edtico, que h\u00e1 muito tempo n\u00e3o responde aos anseios populares.<\/p>\n<p><b>Em busca das motiva\u00e7\u00f5es<\/b><br \/>\nH\u00e1 muitas teses sobre o que est\u00e1 acontecendo. A j\u00e1 mencionada ideia do \u201cgigante adormecido\u201d parte da premissa de que o pa\u00eds vivia uma profunda paz social. Desconsidera os conflitos originados pelo atual modelo econ\u00f4mico, como aquele que op\u00f4s latifundi\u00e1rios e ambientalistas na reforma do C\u00f3digo Florestal, ou como o que levou a For\u00e7a Nacional a reprimir as manifesta\u00e7\u00f5es contra a Usina de Belo Monte. A ideia de que n\u00e3o havia conflitos sociais no pa\u00eds, refor\u00e7a a tese de que estamos vivendo um \u201cdespertar da cidadania\u201d e que os conflitos de classe registrados nos \u00faltimos anos n\u00e3o passavam de casos pontuais. Lembremos que o mesmo argumento foi utilizado para explicar, por exemplo, a Primavera \u00c1rabe. As crescentes mobiliza\u00e7\u00f5es do movimento oper\u00e1rio que antecederam a queda de Hosni Mubarak no Egito foram solenemente ignoradas pela maioria dos analistas, que preferiu privilegiar o papel das redes sociais. No caso do Brasil, \u00e9 imposs\u00edvel compreender o que levou milh\u00f5es de pessoas \u00e0s ruas sem analisar a situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>O modelo econ\u00f4mico brasileiro beneficiou-se, at\u00e9 a crise econ\u00f4mica de 2008, de um cen\u00e1rio de crescimento da economia mundial. Embora profundamente marcada pela depend\u00eancia externa e pela subordina\u00e7\u00e3o ao mercado financeiro internacional \u2013 atrav\u00e9s do aumento exponencial da d\u00edvida p\u00fablica \u2013 a economia brasileira cresceu o suficiente para diminuir sensivelmente o desemprego e permitir um aquecimento do mercado interno. Isso garantiu um aumento do consumo e do acesso a alguns bens e servi\u00e7os antes restritos a uma minoria. Com o apoio de programas sociais que ampliaram pontualmente o acesso a alguns direitos, gerou-se uma sensa\u00e7\u00e3o de ascens\u00e3o social. \u00c9 da\u00ed, por exemplo, que surge a falaciosa ideia de uma \u201cnova classe m\u00e9dia\u201d. Enquanto isso, banqueiros, latifundi\u00e1rios e empreiteiras, beneficiaram-se desse modelo, ampliando o fosso da concentra\u00e7\u00e3o de renda.<\/p>\n<p>No plano da pol\u00edtica, o projeto das elites sustenta-se atrav\u00e9s da exist\u00eancia de um pacto conservador. Esse pacto se d\u00e1 atrav\u00e9s da incorpora\u00e7\u00e3o de quase todos os velhos partidos da burguesia que representam setores da capital monopolista ao governo e da forma\u00e7\u00e3o de uma maioria parlamentar. Essa \u201cgovernabilidade\u201d mant\u00e9m o sistema pol\u00edtico subordinado a interesses econ\u00f4micos e extremamente suscet\u00edvel \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o, o que alimenta o descr\u00e9dito de amplas camadas populares com os partidos pol\u00edticos em geral.<\/p>\n<p>Poder\u00edamos dizer, portanto, que os protestos que tiveram como origem a luta contra o aumento das tarifas e a defesa de um transporte p\u00fablico de qualidade, se expandindo em seguida para diversas reivindica\u00e7\u00f5es, tem como origem a soma de tr\u00eas fatores: a) a insatisfa\u00e7\u00e3o daqueles que, uma vez inclu\u00eddos ao mundo do consumo, depararam-se com servi\u00e7os p\u00fablicos de p\u00e9ssima qualidade, tendo de recorrer ao mercado para satisfazer suas necessidades, b) o descr\u00e9dito com o sistema de representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e sua incapacidade de absorver as reivindica\u00e7\u00f5es populares; c) o rep\u00fadio \u00e0 viol\u00eancia de Estado que, diante do primeiro sinal de contesta\u00e7\u00e3o \u00e0 ordem, responde com repress\u00e3o e trucul\u00eancia.<\/p>\n<p><b>Os caminhos a evitar<\/b><br \/>\nOutras abordagens t\u00eam trilhado caminhos distintos. Algumas, por absurdas ou perigosas, merecem destaque. Uma das mais recorrentes \u2013 e ao mesmo tempo mais previs\u00edveis \u2013 \u00e9 a do \u201cgolpe das elites\u201d. Toda vez que a estabilidade do pacto conservador \u00e9 abalada, governistas de todas as colora\u00e7\u00f5es come\u00e7am a retomar a tese formulada em 2005, em meio ao esc\u00e2ndalo do \u201cmensal\u00e3o\u201d, segundo a qual as elites n\u00e3o perderiam a oportunidade de sacar o PT do governo federal. Naquela ocasi\u00e3o, Lula criou o mito de que as \u201celites\u201d estavam conspirando para derruba-lo atrav\u00e9s de um golpe, quando na verdade elas pressionavam por mais concess\u00f5es. Os movimentos sociais dirigidos pela esquerda governista encamparam essa tese, desconsiderando que a mesma elite lucrava como nunca e n\u00e3o tinha qualquer interesse numa quebra da legalidade. Desconsideraram ainda que alguns de seus representantes, como Roberto Rodrigues, Henrique Meirelles e Luiz Fernando Furlan, compunham diretamente o governo na condi\u00e7\u00e3o de ministros, demonstrando a flagrante ades\u00e3o de diferentes fra\u00e7\u00f5es da burguesia \u2013 bancos, agroneg\u00f3cio e capital industrial \u2013 ao projeto de desenvolvimento conservador implementado por Lula.<\/p>\n<p>Agora que a popula\u00e7\u00e3o toma as ruas, com sentimentos e posi\u00e7\u00f5es muitas vezes contradit\u00f3rias \u2013 como \u00e9 pr\u00f3prio do senso comum \u2013 e dirige parte de sua insatisfa\u00e7\u00e3o ao governo federal, o fantasma do golpe reaparece. Evidentemente, a direita brasileira tem o golpismo em seu DNA. Mas n\u00e3o \u00e9 do seu interesse um aprofundamento da instabilidade. \u00c9 verdade que h\u00e1 um amplo espa\u00e7o para a disputa de valores conservadores e \u00e9 isso que a direita est\u00e1 buscando: influenciar para evitar uma ofensiva popular que transforme a insatisfa\u00e7\u00e3o em combust\u00edvel para mudan\u00e7as mais profundas.<\/p>\n<p>Obviamente, quanto maiores os protestos, mais eles refletir\u00e3o o que \u00e9 a sociedade brasileira hoje. Ou seja, se considerarmos que a sociedade \u00e9 ainda profundamente conservadora \u2013 vide as recentes pesquisas sobre o tema \u2013 porque dever\u00edamos esperar que todas as pessoas que est\u00e3o participando dos protestos saibam exatamente o que est\u00e3o fazendo?<\/p>\n<p>Os \u00faltimos vinte anos foram marcados pelo refluxo das lutas de massas. Nesse per\u00edodo, os valores conservadores ganharam terreno a partir da ofensiva ideol\u00f3gica do neoliberalismo. N\u00e3o deve nos espantar, portanto, que em meio a um processo t\u00e3o difuso quanto esse, misturem-se bandeiras progressistas e reacion\u00e1rias. O mesmo serve para a repulsa aos partidos pol\u00edticos observada nas \u00faltimas manifesta\u00e7\u00f5es. Afinal, se considerarmos que parte desse movimento alimenta-se justamente da nega\u00e7\u00e3o do atual sistema de representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, porque esperar que os indiv\u00edduos consigam fazer a correta distin\u00e7\u00e3o entre os velhos partidos da ordem e os partidos combativos e independentes?<\/p>\n<p>Outra tese que merece ser evitada \u00e9 a que v\u00ea os protestos como o an\u00fancio de uma revolu\u00e7\u00e3o. Parece \u00f3bvio a qualquer an\u00e1lise s\u00e9ria que a atual explos\u00e3o de insatisfa\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem o alcance e a profundidade necess\u00e1ria para a supera\u00e7\u00e3o da atual ordem pol\u00edtica. Mas n\u00e3o devemos subestimar a vontade de certa esquerda em enxergar revolu\u00e7\u00f5es em todos os lados. Assim foi recentemente com a Primavera \u00c1rabe. S\u00e3o os mesmos, ali\u00e1s, que consideram at\u00e9 hoje a queda do muro de Berlim e a restaura\u00e7\u00e3o capitalista na Alemanha Oriental, em 1989, uma \u201crevolu\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Logo, se h\u00e1 aqueles que torcem para que o movimento arrefe\u00e7a, vendo nele uma amea\u00e7a aos poderes constitu\u00eddos, existem tamb\u00e9m os que s\u00e3o incapazes de lidar adequadamente com a realidade dos fatos, vendo sua profecia revolucion\u00e1ria prestes a se confirmar em qualquer onda de contesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><b>Consequ\u00eancias<\/b><br \/>\n<span lang=\"pt-BR\">Nenhum processo dessas dimens\u00f5es passa sem deixar marcas profundas na vida pol\u00edtica do pa\u00eds, sobretudo se levarmos em conta que a ofensiva conservadora vinha sendo muito bem sucedida at\u00e9 aqui. A ades\u00e3o dos partidos que anos 90 ainda representavam a resist\u00eancia popular ao projeto de domina\u00e7\u00e3o foi, sem d\u00favida, a maior vit\u00f3ria das elites nacionais. A partir da\u00ed houve um profundo processo de desmobiliza\u00e7\u00e3o da press\u00e3o social por mudan\u00e7as, desarmando o movimento de massas e enfraquecendo suas entidades representativas. O que vimos nos \u00faltimos anos foi, portanto, um gradual <\/span><span lang=\"pt-BR\"><i>aggiornamento<\/i><\/span><span lang=\"pt-BR\"> dos partidos e entidades do antigo bloco popular \u00e0 ordem burguesa.<\/span><\/p>\n<p>Os primeiros sinais de esgotamento do modelo econ\u00f4mico (retomada da infla\u00e7\u00e3o, estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, sucateamento dos servi\u00e7os p\u00fablicos, desvio de bilh\u00f5es de reais para os grandes eventos esportivos, etc.) j\u00e1 vinham alimentando uma gradual retomada das lutas sociais e um aprofundamento das contradi\u00e7\u00f5es no interior do movimento popular. Esse processo veio aliado ao aumento das press\u00f5es da direita por concess\u00f5es ainda maiores. S\u00e3o exemplos dessa din\u00e2mica a indica\u00e7\u00e3o de Marco Feliciano para a presid\u00eancia da Comiss\u00e3o de Direitos Humanos da C\u00e2mara dos Deputados, facilitada pelo governo em troca do apoio da ultraconservadora bancada evang\u00e9lica, e a press\u00e3o dos ruralistas pela aprova\u00e7\u00e3o da PEC 215 e o fim das demarca\u00e7\u00f5es de terras ind\u00edgenas. Ou seja, al\u00e9m de dar sinais de esgotamento no campo da economia, o projeto liderado pelo PT refor\u00e7ou, atrav\u00e9s do padr\u00e3o de governabilidade implantado, um sentimento de descr\u00e9dito com a pol\u00edtica e as institui\u00e7\u00f5es. Considerando o aumento das lutas sociais, esse cen\u00e1rio s\u00f3 precisava de uma centelha: nesse caso, os vinte centavos e a repress\u00e3o policial.<\/p>\n<p>A explos\u00e3o popular que tomou as ruas \u00e9 uma esp\u00e9cie de ultrapassagem da hist\u00f3ria. Os fatos aceleraram-se muito al\u00e9m do que a din\u00e2mica do processo hist\u00f3rico podia prever at\u00e9 ent\u00e3o. Por isso a sensa\u00e7\u00e3o de confus\u00e3o. Mas basta observarmos outros pa\u00edses em que levantes de massas t\u00eam acontecido para compreender como uma demanda pontual pode desdobrar-se numa ampla contesta\u00e7\u00e3o da ordem. O exemplo da Turquia, onde milhares de pessoas transformaram a luta em defesa de um parque na luta em defesa de outro modelo pol\u00edtico, \u00e9 emblem\u00e1tico.<\/p>\n<p>Mas assim como a hist\u00f3ria nos fornece modelos comparativos, ela tamb\u00e9m nos d\u00e1 pistas de por quais leitos suas \u00e1guas correr\u00e3o. Devemos nos arriscar a prever as consequ\u00eancias desse processo, sob pena de perdermos a possibilidade de influenciar seus rumos. A primeira e talvez mais \u00f3bvia delas: abriu-se um espa\u00e7o de questionamento ao modelo pol\u00edtico-eleitoral de representa\u00e7\u00e3o, e aqueles que estiverem mais bem posicionados \u2013 isto \u00e9, mais pr\u00f3ximos \u00e0 m\u00e9dia desse sentimento \u2013 capitalizar\u00e3o mais. Ou seja, alguns atores sair\u00e3o mais fortalecidos e outros menos. Parece evidente, por exemplo, que a tranquila reelei\u00e7\u00e3o de Dilma no ano que vem est\u00e1 severamente amea\u00e7ada pelas mudan\u00e7as promovidas nesse processo.<\/p>\n<p>Outra consequ\u00eancia fundamental \u00e9 que a popula\u00e7\u00e3o como um todo, e a juventude em especial, sair\u00e1 mais politizada e mais consciente de sua for\u00e7a. Esse \u00e9 um saldo extremamente positivo. Isso n\u00e3o significa que as alternativas de mudan\u00e7a \u2013 \u00e0 esquerda e \u00e0 direita \u2013 sair\u00e3o necessariamente fortalecidas, mas apenas que a margem de manobra das for\u00e7as que sustentam o atual modelo diminuiu.<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, \u00e9 previs\u00edvel que a onda de protestos arrefe\u00e7a. \u00c9 assim que costuma acontecer (ao menos que se trate, realmente, de um processo revolucion\u00e1rio). Logo, haver\u00e1 um rescaldo em que boa parte das pessoas que ora ocupam as ruas buscar\u00e3o uma forma de se manterem em movimento. A grande maioria voltar\u00e1 \u00e0s suas casas, mas muitos preferir\u00e3o manter-se engajados. E essa ser\u00e1 a hora dos partidos independentes e combativos, que desde o primeiro momento estiveram ao lado dos manifestantes organizando os primeiros atos contra o aumento das tarifas ou votando no parlamento contra Lei Geral da Copa, ocuparem seu leg\u00edtimo espa\u00e7o de alternativa. Certamente os partidos e entidades que estiverem mais distantes do pacto conservador, mesmo que num projeto difuso e contradit\u00f3rio, sair\u00e3o fortalecidos.<\/p>\n<p><b>Como devem agir os partidos socialistas?<\/b><br \/>\n\u00c9 preciso, portanto, preparar-se para atuar agora e depois. Agora, a hora \u00e9 de incidir para equilibrar a pauta dos protestos. O conservadorismo percebeu a oportunidade de fortalecer sua agenda e tem disputado fortemente os rumos da insatisfa\u00e7\u00e3o popular. Aos socialistas cabe agir para dar visibilidade \u00e0s bandeiras progressistas j\u00e1 presentes e incluir outras que est\u00e3o em segundo plano. Isso tudo, \u00e9 claro, mediando nossa plataforma com o n\u00edvel de consci\u00eancia das massas em movimento.<\/p>\n<p>Como h\u00e1 um profundo questionamento ao modelo pol\u00edtico, a hora \u00e9 de defender uma reforma pol\u00edtica radical. Isso, por\u00e9m, pode soar incompreens\u00edvel para muitos, da\u00ed a necessidade de esmiu\u00e7ar nossa plataforma em consignas claras, como o fim do voto secreto no Congresso Nacional. O mesmo vale para a educa\u00e7\u00e3o, com a bandeira dos 10% do PIB, ou para a Copa do Mundo, exigindo a revoga\u00e7\u00e3o da Lei Geral da Copa.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, devemos viabilizar espa\u00e7os de organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Fortalecer os partidos e movimentos independentes atrav\u00e9s de um processo permanente de encontros, reuni\u00f5es, assembleias, etc. Enfim, dar vaz\u00e3o ao desejo de participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da multid\u00e3o.<\/p>\n<p><span lang=\"pt-BR\">Por fim, \u00e9 hora de apostar na unidade. A<\/span><span lang=\"pt-BR\">s esquerdas e suas m\u00faltiplas tradi\u00e7\u00f5es e leituras devem estar o mais unificada poss\u00edvel com o objetivo de impedir uma guinada conservadora num processo que, at\u00e9 aqui, mostrou-se profundamente positivo. N\u00e3o se trata, evidentemente, de suprimir diverg\u00eancias ou construir alian\u00e7as artificiais, mas de buscar naqueles pontos que unificam os setores progressistas uma agenda comum para intervir junto aos protestos em defesa de temas como a luta contra redu\u00e7\u00e3o da maioridade penal, a defesa dos povos ind\u00edgenas, o controle social dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, o fim das privatiza\u00e7\u00f5es, dentre muitos outros.<\/span><\/p>\n<p>A hora, portanto, \u00e9 de aproveitar o momento para denunciar os limites do atual modelo pol\u00edtico e econ\u00f4mico e fortalecer uma alternativa socialista e popular para o Brasil. Com isso, a mobiliza\u00e7\u00e3o deixar\u00e1 um saldo positivo para o pa\u00eds. \u00c0s ruas!\n<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Juliano Medeiros Milhares de pessoas saem \u00e0s ruas em v\u00e1rias partes do pa\u00eds. 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