{"id":43220,"date":"2026-07-18T13:53:29","date_gmt":"2026-07-18T16:53:29","guid":{"rendered":"https:\/\/psol50.org.br\/?p=43220"},"modified":"2026-07-18T16:02:51","modified_gmt":"2026-07-18T19:02:51","slug":"diretorio-nacional-do-psol-aprova-plataforma-do-partido-para-as-eleicoes-de-2026","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/psol50.org.br\/diretorio-nacional-do-psol-aprova-plataforma-do-partido-para-as-eleicoes-de-2026\/","title":{"rendered":"Diret\u00f3rio Nacional do PSOL aprova plataforma do partido para as elei\u00e7\u00f5es de 2026"},"content":{"rendered":"<p>O Diret\u00f3rio Nacional do PSOL se reuniu neste s\u00e1bado (18) e aprovou um manifesto com a plataforma do partido para as elei\u00e7\u00f5es de 2026. O texto aponta as prioridades do PSOL para reconstruir e mudar o Brasil, com foco em reeleger o presidente do Lula com um programa que contenha as demandas populares e transformar o Congresso Nacional com a elei\u00e7\u00e3o do maior n\u00famero da hist\u00f3ria de parlamentares comprometidos com os direitos do povo.<\/p>\n<h4>Leia a plataforma completa aprovada pelo Diret\u00f3rio Nacional do PSOL<\/h4>\n<p><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>Introdu\u00e7\u00e3o &#8211; Pelo direito ao futuro<br \/>\nI. Com Lula para derrotar o bolsonarismo<br \/>\nII. Por um Congresso do povo<\/p>\n<p><em>Plataforma do PSOL nas elei\u00e7\u00f5es de 2026<\/em><br \/>\n<em>Prioridades para reconstruir e mudar o Brasil<\/em><\/p>\n<p>1. Chegou a hora de viver bem<br \/>\n2. Brasil soberano, construir agora o lugar no futuro<br \/>\n3. Coragem para acabar com os privil\u00e9gios<br \/>\n4. O Brasil \u00e9 de quem trabalha<br \/>\n5. Planejamento para enfrentar a emerg\u00eancia clim\u00e1tica<br \/>\n6. Intelig\u00eancia para defender a vida<br \/>\n7. A cidade pertence a quem vive nela<br \/>\n_______________________________________________________________<\/p>\n<p><strong>Pelo direito ao futuro<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 momentos em que o rel\u00f3gio da hist\u00f3ria acelera. As gera\u00e7\u00f5es que vivem esses momentos n\u00e3o t\u00eam o privil\u00e9gio de assistir \u00e0s mudan\u00e7as pela janela. S\u00e3o convocadas a assumir o protagonismo e ter coragem de definir o seu futuro. N\u00f3s somos uma dessas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Vivemos uma \u00e9poca em que a intelig\u00eancia artificial transforma o trabalho, a emerg\u00eancia clim\u00e1tica amea\u00e7a as condi\u00e7\u00f5es de muitas comunidades, as guerras voltam ao centro da aten\u00e7\u00e3o mundial, a riqueza se concentra como nunca e a extrema direita tenta convencer milh\u00f5es de pessoas de que o medo \u00e9 o \u00fanico caminho poss\u00edvel. Ao mesmo tempo, nunca houve tantas possibilidades diante do Brasil. Temos um povo criativo, gigante, uma das maiores biodiversidades do planeta, uma matriz energ\u00e9tica privilegiada, universidades p\u00fablicas capazes de produzir conhecimento de ponta, uma cultura admirada em todo o mundo e uma gera\u00e7\u00e3o inteira disposta a construir um pa\u00eds soberano e com justi\u00e7a social.<\/p>\n<p>Por isso, o futuro ainda n\u00e3o est\u00e1 escrito. Ele ser\u00e1 resultado de uma disputa. Durante muito tempo disseram ao povo brasileiro que pol\u00edtica era apenas administrar crises e cortar direitos. Esperar oportunidades que nunca chegavam para a maioria. N\u00f3s recusamos essa ideia. A pol\u00edtica existe para ampliar as possibilidades de viver bem para a classe trabalhadora e para a juventude. Existe para fazer com que uma m\u00e3e tenha mais tempo para seus filhos. Para que um jovem possa sonhar. Para que trabalhar garanta dignidade e n\u00e3o apenas sobreviv\u00eancia. Para que envelhecer deixe de ser motivo de receio. Para que a riqueza produzida por milh\u00f5es seja compartilhada por milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a verdadeira disputa do nosso tempo. A disputa \u00e9 entre um mundo organizado para proteger privil\u00e9gios de uma pequena minoria e outro organizado para ampliar direitos e oportunidades. Entre uma economia que transforma tudo em mercadoria e uma democracia capaz de colocar a vida no centro das decis\u00f5es; entre quem acredita que o futuro pertence a poucos e quem sabe que ele s\u00f3 far\u00e1 sentido se pertencer \u00e0 maioria do povo brasileiro.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que o PSOL apresenta este manifesto. N\u00e3o como um cat\u00e1logo de promessas eleitorais. Mas como um convite para imaginar o Brasil que podemos construir juntos.<\/p>\n<p>Um Brasil onde viver bem deixe de ser privil\u00e9gio. Onde a democracia volte a produzir esperan\u00e7a. Onde a ci\u00eancia, a tecnologia e a riqueza nacional estejam a servi\u00e7o dos interesses do povo brasileiro. Onde o trabalho devolva dignidade e tamb\u00e9m tempo para viver. Onde nossas cidades perten\u00e7am a quem as habita. Onde o desenvolvimento caminhe ao lado da justi\u00e7a social e da justi\u00e7a clim\u00e1tica. \u00c9 por isso que somos socialistas e ecossocialistas. Para fazer da pol\u00edtica um instrumento para viver bem. Porque o maior patrim\u00f4nio de uma na\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o tamanho de sua economia, \u00e9 a esperan\u00e7a do seu povo.<\/p>\n<p>Chamamos esse projeto de <strong>direito ao futuro<\/strong>.<\/p>\n<p>Porque acreditamos que nenhuma crian\u00e7a deveria nascer com seu destino determinado pelo CEP, pela cor da pele, pelo g\u00eanero ou pela renda da fam\u00edlia. Porque acreditamos que nenhuma gera\u00e7\u00e3o pode ser condenada a viver pior do que a anterior. E porque acreditamos que o futuro n\u00e3o \u00e9 um privil\u00e9gio para poucos. \u00c9 um direito que precisa ser conquistado pela democracia, organizado pela pol\u00edtica e compartilhado pelo povo brasileiro. \u00c9 essa a miss\u00e3o da nossa gera\u00e7\u00e3o. E \u00e9 para ela que este manifesto foi escrito.<\/p>\n<p><strong>Com Lula para derrotar o bolsonarismo<\/strong><\/p>\n<p>A democracia n\u00e3o \u00e9 apenas o direito de escolher governos. \u00c9 o direito de um povo definir o seu futuro e ter o poder real de decidir os rumos do Brasil.<\/p>\n<p>Foi por isso que milh\u00f5es de brasileiras e brasileiros fizeram da elei\u00e7\u00e3o de 2022 muito mais do que uma disputa entre dois candidatos. Aquela elei\u00e7\u00e3o se transformou numa escolha entre dois projetos de pa\u00eds: de um lado, a democracia; do outro, o autoritarismo. De um lado, a esperan\u00e7a; do outro, o medo e a viol\u00eancia. Fomos \u00e0s ruas, convencemos familiares, conversamos nas filas dos \u00f4nibus, nos locais de trabalho, nas universidades e nas periferias. Elegemos Lula porque compreendemos que havia algo maior em jogo, a esperan\u00e7a de impedir que o Brasil continuasse caminhando para o abismo.<\/p>\n<p>Vencemos e livramos o pa\u00eds de um pesadelo. Voltamos a ter comida no prato e vacina no bra\u00e7o. Finalmente, pudemos fazer justi\u00e7a por Marielle Franco e Anderson Gomes. Mas a hist\u00f3ria nunca termina na noite da apura\u00e7\u00e3o. Agora temos a miss\u00e3o de vencer novamente.<\/p>\n<p>Mesmo depois de derrotar Bolsonaro nas urnas, ainda precisamos derrotar o bolsonarismo como projeto de poder. Derrotar a cultura do \u00f3dio, da mentira e que tenta justificar desigualdades e preconceitos como destino, enquanto protege os privil\u00e9gios de uma pequena elite que n\u00e3o aceita tratar empregada dom\u00e9stica como uma trabalhadora com direitos e dignidades, ver pessoas negras andando de avi\u00e3o e tem nojo de mortadela. Esse projeto de viol\u00eancia permanece organizado em governos estaduais, em setores do Congresso Nacional, em grupos econ\u00f4micos que lucram com a desigualdade e em redes de desinforma\u00e7\u00e3o que transformam o medo em algoritmo e mercadoria pol\u00edtica.<\/p>\n<p>O governo Lula herdou um Estado desmontado e uma tentativa de golpe que deixou claro at\u00e9 onde a extrema direita estava disposta a chegar para impedir a vontade popular. Reconstruir pol\u00edticas p\u00fablicas, recuperar a capacidade de planejamento do Estado e devolver dignidade ao povo brasileiro tornaram-se tarefas urgentes. \u00c9 por isso que seguimos ao lado de Lula novamente em 2026. Sabemos que ainda h\u00e1 muito para reconstruir e transformar no Brasil e que isso n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel se a extrema direita voltar a ocupar o Pal\u00e1cio do Planalto.<\/p>\n<p>Em 2026, temos como miss\u00e3o virar de vez essa p\u00e1gina da hist\u00f3ria. Estamos ao lado de Lula na tarefa hist\u00f3rica de impedir o retorno do pesadelo bolsonarista. N\u00e3o apenas derrotando os seus candidatos nas suas diversas vers\u00f5es, mas tamb\u00e9m o seu projeto que transformou a viol\u00eancia pol\u00edtica de g\u00eanero e ra\u00e7a em m\u00e9todo, o privil\u00e9gio em regra e a desigualdade em destino. Derrotando, assim, quem despreza a ci\u00eancia e destr\u00f3i os servi\u00e7os p\u00fablicos, quem ataca a cultura e os artistas, quem nega a emerg\u00eancia clim\u00e1tica e aceita um Brasil subordinado aos interesses das grandes pot\u00eancias, incapaz de decidir soberanamente seu pr\u00f3prio destino.<\/p>\n<p>Em 2026, vamos defender o Brasil com S de soberania e isso come\u00e7a livrando o pa\u00eds do retrocesso, mas tamb\u00e9m significa comprometimento para transformar os sonhos do povo brasileiro em realidade, garantindo o direito de viver bem. \u00c9 por isso que a batalha decisiva de 2026 tamb\u00e9m ser\u00e1 para mudar radicalmente o Congresso Nacional e criar as condi\u00e7\u00f5es para produzir mudan\u00e7as reais na vida das pessoas.<\/p>\n<p><strong>Por um Congresso do povo<\/strong><\/p>\n<p>Nenhum presidente governa sozinho. O golpe de 2016 entregou ao Congresso Nacional um enorme poder para decidir o destino do pa\u00eds e sabotar o programa vitorioso nas urnas. A pergunta que importa \u00e9 simples: sen\u00e3o pelo povo, <strong>a servi\u00e7o de quem esse poder tem sido exercido?<\/strong><\/p>\n<p>Quando chegou a hora de proteger o or\u00e7amento secreto, escolheram se beneficiar de bilh\u00f5es de reais que transformaram a pol\u00edtica em um balc\u00e3o de neg\u00f3cios. Quando chegou a hora de ampliar sua pr\u00f3pria impunidade, correram para votar a PEC da blindagem. Quando chegou a hora de cobrar mais dos bilion\u00e1rios, dos grandes bancos e das plataformas de apostas, encontraram todas as desculpas poss\u00edveis. Mas quando o assunto \u00e9 reduzir o custo de vida, proteger quem trabalha, fortalecer o SUS, investir na educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica ou ampliar direitos, sempre dizem que falta dinheiro ou que n\u00e3o \u00e9 o momento. N\u00e3o \u00e9 falta de recursos. \u00c9 excesso de privil\u00e9gios e de concentra\u00e7\u00e3o de poder.<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00e3o epis\u00f3dios isolados. S\u00e3o sintomas de um Congresso inimigo do povo, que representa, em grande medida, os interesses do sistema financeiro, do latif\u00fandio, das grandes corpora\u00e7\u00f5es e daqueles que transformaram a pol\u00edtica em um mercado de favores. Existem parlamentares comprometidos com o povo, que travam batalhas di\u00e1rias, mas s\u00e3o minoria em uma estrutura constru\u00edda para conservar o poder dos que sempre mandaram.<\/p>\n<p>Por isso, nossa tarefa em 2026 n\u00e3o \u00e9 apenas reeleger Lula. \u00c9 construir um Congresso que esteja a servi\u00e7o da maioria do povo brasileiro. Um Congresso que enfrente privil\u00e9gios em vez de proteg\u00ea-los. Que taxe bilion\u00e1rios em vez de cortar direitos. Que fortale\u00e7a a ci\u00eancia em vez do obscurantismo. Que enfrente a emerg\u00eancia clim\u00e1tica em vez de neg\u00e1-la. Que coloque a riqueza do Brasil a servi\u00e7o da maioria, e n\u00e3o dos acionistas de sempre. A disputa de 2026 n\u00e3o \u00e9 apenas sobre quem ocupar\u00e1 a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. \u00c9 sobre as condi\u00e7\u00f5es do exerc\u00edcio da vontade popular. Se continuarmos elegendo um Congresso comprometido com os interesses de poucos, a democracia permanecer\u00e1 aprisionada pela chantagem permanente do andar de cima.<\/p>\n<p>Se o povo brasileiro decidir ocupar tamb\u00e9m esse espa\u00e7o, abriremos um novo ciclo da nossa hist\u00f3ria. Um ciclo em que a pol\u00edtica deixar\u00e1 de administrar desigualdades para come\u00e7ar, finalmente, a super\u00e1-las. Esse \u00e9 o compromisso do PSOL. Estar ao lado de Lula para derrotar definitivamente o bolsonarismo. E ao lado do povo para construir uma nova maioria no Congresso Nacional capaz de transformar o Brasil.<\/p>\n<p>Precisamos de uma bancada do povo para assegurar o fim imediato da escala 6&#215;1, porque sabemos que seis dias de trabalho para um de descanso \u00e9 regime de exaust\u00e3o, n\u00e3o de direitos e o povo precisa de tempo para viver. Para defender que crian\u00e7a n\u00e3o \u00e9 m\u00e3e e os direitos reprodutivos das mulheres, transformar as conquistas da comunidade LGBTQIAPNI+ em lei e defender a vida e os direitos do povo negro. Para colocar as mulheres e o cuidado no centro da pol\u00edtica, porque sem reconhecer quem sustenta a vida em seu cotidiano, o pa\u00eds continuar\u00e1 fingindo progresso enquanto reproduz desigualdade. Para fazer um combate real ao racismo estrutural e \u00e0 viol\u00eancia contra a popula\u00e7\u00e3o negra, porque n\u00e3o existe democracia enquanto a juventude negra continua sendo alvo preferencial da bala e da pris\u00e3o. Para garantir que o nome social das pessoas trans e o casamento igualit\u00e1rio n\u00e3o dependa de quem o presidente vai nomear para o STF. Para ser capaz de realizar a defesa inegoci\u00e1vel do meio ambiente, dos territ\u00f3rios e dos povos origin\u00e1rios, com a consci\u00eancia de que a crise clim\u00e1tica j\u00e1 chegou e quem a sente primeiro \u00e9 sempre o povo pobre.<\/p>\n<p>N\u00e3o queremos apenas representa\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, queremos maioria legislando com coragem. O povo brasileiro j\u00e1 derrotou ditaduras, venceu a fome, ampliou direitos e reconstruiu a democracia. Sempre que acreditou na for\u00e7a da pol\u00edtica, se transformou em um gigante capaz de mudar a hist\u00f3ria. Agora, chegou a nossa vez.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Plataforma do PSOL nas elei\u00e7\u00f5es de 2026<\/strong><br \/>\n<strong>Prioridades para reconstruir e mudar o Brasil<\/strong><\/p>\n<p><strong>I. Chegou a hora de viver bem<\/strong><\/p>\n<p>Toda gera\u00e7\u00e3o recebe uma miss\u00e3o da hist\u00f3ria. A nossa n\u00e3o \u00e9 apenas fazer a economia crescer. \u00c9 fazer a vida melhorar no que mais importa para as pessoas.<\/p>\n<p>Durante muito tempo nos ensinaram que economia era um assunto para especialistas. Foi assim que o neoliberalismo criou falsos dogmas. Nos disseram que governar era administrar crises. Cortar gastos. Equilibrar planilhas. Que a economia acontecia nas bolsas de valores e nas reuni\u00f5es de banqueiros. Enquanto isso, a economia verdadeira acontecia em outro lugar: na cozinha de quem faz contas antes de ir ao supermercado, no trabalhador que sai de casa antes do amanhecer e volta quando os filhos j\u00e1 est\u00e3o dormindo, na jovem que desiste da universidade porque n\u00e3o consegue pagar o transporte, na aposentada que escolhe entre comprar rem\u00e9dios ou completar a feira do m\u00eas.<\/p>\n<p>O verdadeiro sucesso de uma na\u00e7\u00e3o est\u00e1 na tranquilidade com que seu povo consegue viver bem. \u00c9 por isso que queremos reorganizar as prioridades do Brasil. N\u00e3o a partir dos interesses do mercado financeiro. Mas a partir da vida cotidiana das pessoas. Queremos construir uma economia organizada para viver bem, a partir de tr\u00eas pilares fundamentais: seguran\u00e7a para pagar as contas, tempo para viver e esperan\u00e7a de que nossos filhos viver\u00e3o melhor do que n\u00f3s.<\/p>\n<p>Viver bem \u00e9 chegar ao fim do m\u00eas sem o peso das d\u00edvidas. \u00c9 encher a geladeira, sem medo de n\u00e3o conseguir pagar o aluguel. \u00c9 ter tempo para brincar com os filhos, visitar os pais, encontrar os amigos, estudar, descansar e amar. \u00c9 caminhar pela cidade sem medo, respirar um ar mais limpo, sem ter medo da pr\u00f3xima enchente ou da seca. \u00c9 envelhecer com dignidade e olhar para a juventude acreditando, sinceramente, que ela viver\u00e1 um pa\u00eds melhor do que n\u00f3s. Viver bem significa comida de qualidade no prato, ter vida al\u00e9m do trabalho, ter direito \u00e0 moradia digna, poder viver sem medo e amar quem quiser.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o \u00e9 utopia, \u00e9 um projeto de pa\u00eds. Somos um povo que trabalha duro e merece ser feliz. Afinal, o Brasil nunca foi um pa\u00eds pobre, foi um pa\u00eds onde a riqueza e as oportunidades sempre foram distribu\u00eddas de forma profundamente desigual. N\u00f3s produzimos alimentos para o mundo inteiro, mas convivemos com a inseguran\u00e7a alimentar. Produzimos ci\u00eancia, energia, cultura, tecnologia e riqueza, mas ainda lutamos para dar a milh\u00f5es de brasileiros a tranquilidade de viver com dignidade.<\/p>\n<p>Eles tentaram nos convencer de que a exaust\u00e3o era virtude. Que passar horas no transporte era o pre\u00e7o inevit\u00e1vel do progresso. Que o aluguel, a comida, a conta de luz e os rem\u00e9dios ficariam cada vez mais caros e isso seria normal. Mas ao longo do tempo, foi crescendo algo que nenhuma estat\u00edstica consegue medir: o direito de imaginar uma vida melhor. O povo brasileiro aprendeu a lutar pelo seu destino, mas merece viver bem e isso significa muito mais do que apenas sobreviver. E \u00e9 quando o desejo encontra a esperan\u00e7a que a hist\u00f3ria volta a se mover. Por isso, queremos um Brasil medido por aquilo que realmente importa: pelo tempo que uma m\u00e3e conquista para estar com seus filhos, pela tranquilidade de quem tem seguran\u00e7a alimentar e moradia digna, pela confian\u00e7a de uma juventude que acredita que vale a pena construir seu futuro, pela vida que a riqueza do pa\u00eds torna poss\u00edvel.<\/p>\n<p>O nosso compromisso \u00e9 construir uma economia que funcione para quem vive do pr\u00f3prio trabalho. Uma economia que reduza o custo de viver bem, <strong>aumente o sal\u00e1rio m\u00ednimo acima da infla\u00e7\u00e3o<\/strong>, acabe com os privil\u00e9gios dos super-ricos, fortale\u00e7a os servi\u00e7os p\u00fablicos, reindustrialize o pa\u00eds, invista em ci\u00eancia e tecnologia e transforme o crescimento econ\u00f4mico em bem-estar para a maioria. O nosso compromisso \u00e9 <strong>com o combate \u00e0 fome e a redu\u00e7\u00e3o das desigualdades<\/strong>, por meio dos programas de transfer\u00eancia de renda, assist\u00eancia, previd\u00eancia social e tributa\u00e7\u00e3o progressiva. <strong>Viver bem \u00e9 garantir sa\u00fade com o fortalecimento do SUS, \u00e9 investimento em educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, ci\u00eancia e universidades. \u00c9 garantir que os povos ind\u00edgenas e comunidades tradicionais tenham direito ao territ\u00f3ro. \u00c9 garantir a prote\u00e7\u00e3o dos ecossistemas, sua biodiversidade e o acesso equilibrado aos bens comuns da natureza.<\/strong><\/p>\n<p><strong>II. Brasil soberano: construir agora o lugar no futuro<\/strong><\/p>\n<p>A hist\u00f3ria n\u00e3o espera por quem chega atrasado. Em poucas d\u00e9cadas, a intelig\u00eancia artificial, a rob\u00f3tica, a computa\u00e7\u00e3o qu\u00e2ntica, a biotecnologia, os data centers, o processamento de dados e a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica est\u00e3o reorganizando a economia mundial. O futuro j\u00e1 come\u00e7ou. A pergunta \u00e9: qual ser\u00e1 o lugar do Brasil nele?<\/p>\n<p>Nenhum pa\u00eds verdadeiramente soberano pode depender da tecnologia produzida por outros, entregar seus dados aos grandes oligop\u00f3lios das plataformas digitais ou continuar exportando riquezas naturais para importar produtos de alto valor agregado. A disputa internacional j\u00e1 n\u00e3o acontece apenas pelos territ\u00f3rios, mas pelo conhecimento, pelos algoritmos, pelos minerais estrat\u00e9gicos, pela energia, pelos dados e pela capacidade de inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Brasil re\u00fane condi\u00e7\u00f5es extraordin\u00e1rias para ser protagonista de um novo ciclo hist\u00f3rico. Somos uma pot\u00eancia ambiental, energ\u00e9tica e cient\u00edfica. Possu\u00edmos uma das maiores biodiversidades do planeta, universidades e centros de pesquisa reconhecidos internacionalmente, um parque industrial que ainda pode ser reconstru\u00eddo e reservas estrat\u00e9gicas de minerais essenciais para a economia do futuro, como as terras raras. Mas durante s\u00e9culos exportamos riquezas naturais e importamos tecnologia pronta. Essa hist\u00f3ria n\u00e3o pode se repetir com os minerais estrat\u00e9gicos, com a intelig\u00eancia artificial nem com a economia ligada \u00e0 transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica.<\/p>\n<p>Defendemos um Brasil com S capaz de fazer a gest\u00e3o soberana dos seus recursos naturais, produzindo tecnologias como patrim\u00f4nios estrat\u00e9gicos para o povo brasileiro, tendo como objetivos o bem comum e o equil\u00edbrio ambiental. Da mesma forma, os dados produzidos diariamente por milh\u00f5es de brasileiros devem ser tratados como patrim\u00f4nio estrat\u00e9gico e n\u00e3o como mercadorias. N\u00e3o podemos aceitar que a economia digital seja controlada por plataformas estrangeiras ou que nossos dados circulem sem a devida privacidade.<\/p>\n<p>O Brasil pode ser um protagonista, mas n\u00e3o pode cair nas m\u00e3os de falsos patriotas. Na luta por soberania, \u00e9 necess\u00e1rio enfrentar o rentismo interno e o imperialismo externo. E isso n\u00e3o se faz com neutralidade. N\u00e3o h\u00e1 paz poss\u00edvel com os inimigos da p\u00e1tria que levantam a bandeira dos Estados Unidos no dia da independ\u00eancia do Brasil e que continuam de joelhos perante Trump pedindo interven\u00e7\u00e3o no Brasil para anistiar Bolsonaro e os golpistas.<\/p>\n<p><strong>O nosso compromisso \u00e9 com a defesa de uma pol\u00edtica nacional de soberania digital<\/strong> com a regula\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica das plataformas digitais desenvolvendo par\u00e2metros democr\u00e1ticos para o uso de dados e da intelig\u00eancia artificial. <strong>Com a constru\u00e7\u00e3o de um novo ciclo<\/strong>: reindustrializar o pa\u00eds com base na inova\u00e7\u00e3o, fortalecer as universidades p\u00fablicas, retomar o controle pelo Estado de setores estrat\u00e9gicos (como energia, \u00e1gua, minerais), ampliar os investimentos em ci\u00eancia e tecnologia, apoiar empresas nacionais estrat\u00e9gicas, como a cria\u00e7\u00e3o da Terrabr\u00e1s, e fazer do Estado um indutor da transforma\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. <strong>A revers\u00e3o das privatiza\u00e7\u00f5es \u00e9 condi\u00e7\u00e3o de soberania.<\/strong> Nenhum pa\u00eds que hoje lidera a economia mundial abriu m\u00e3o do planejamento p\u00fablico em setores estrat\u00e9gicos. O Brasil tamb\u00e9m n\u00e3o pode. <strong>A transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica \u00e9 central para esse projeto<\/strong>, com ela \u00e9 poss\u00edvel produzir energia limpa, proteger a Amaz\u00f4nia e os demais biomas e gerar empregos qualificados.<\/p>\n<p><strong>III. Coragem para combater privil\u00e9gios<\/strong><\/p>\n<p>O Brasil n\u00e3o \u00e9 um pa\u00eds pobre. \u00c9 um pa\u00eds desigual onde os privil\u00e9gios custam caro demais para a maioria do povo brasileiro. Enquanto milh\u00f5es de fam\u00edlias fazem contas para comprar comida, pagar o aluguel, usar transporte p\u00fablico ou abastecer o carro, uma pequena parcela da sociedade continua protegida por um sistema que socializa sacrif\u00edcios e concentra benef\u00edcios, que \u00e9 organizado para concentrar riquezas e o poder.<\/p>\n<p>\u00c9 essa l\u00f3gica que encarece a vida de quem trabalha. Enquanto faltam recursos para reduzir o custo do transporte, universalizar as creches, fortalecer o SUS, investir em educa\u00e7\u00e3o, cultura e ci\u00eancia, nunca falta espa\u00e7o para benef\u00edcios tribut\u00e1rios e isen\u00e7\u00f5es fiscais para as maiores empresas do pa\u00eds, para lucros extraordin\u00e1rios dos grandes bancos ou para um mercado de apostas que transforma o desespero de milh\u00f5es em um neg\u00f3cio bilion\u00e1rio.<\/p>\n<p>\u00c9 isso que gera privil\u00e9gio toda vez que a trabalhadora e o trabalhador paga imposto quando entra no supermercado, enquanto quem vive de grandes fortunas consegue contribuir proporcionalmente menos. Privil\u00e9gio \u00e9 quando uma professora financia o Estado toda vez que compra arroz, feij\u00e3o ou g\u00e1s de cozinha, mas os bancos anunciam juros e lucros bilion\u00e1rios ano ap\u00f3s ano sem que isso se traduza em mais investimentos para o pa\u00eds. Privil\u00e9gio \u00e9 quando empresas de apostas transformam o endividamento e a esperan\u00e7a de milh\u00f5es em um neg\u00f3cio extremamente lucrativo, enquanto comunidades inteiras convivem com a falta de equipamentos p\u00fablicos, esporte, cultura e oportunidades para a juventude.<\/p>\n<p>Essa conta precisa mudar de endere\u00e7o. A riqueza produzida pelo povo brasileiro deve financiar direitos e a possibilidade de viver bem. Toda democracia precisa responder a uma pergunta simples: quem paga a conta do desenvolvimento? N\u00f3s acreditamos que ela n\u00e3o pode continuar recaindo sobre quem acorda cedo para fazer este pa\u00eds funcionar.<\/p>\n<p><strong>O nosso compromisso \u00e9 com a coragem para defender a taxa\u00e7\u00e3o dos BBBs: bilion\u00e1rios, bancos e bets, as plataformas de apostas<\/strong>. Defender uma tributa\u00e7\u00e3o verdadeiramente progressiva, capaz de reduzir o peso dos impostos sobre o consumo e financiar transporte p\u00fablico, educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, cultura, ci\u00eancia e pol\u00edticas que ofere\u00e7am tempo, renda e tranquilidade \u00e0s fam\u00edlias brasileiras.<\/p>\n<p>O nosso compromisso \u00e9 com a <strong>democratiza\u00e7\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o<\/strong> e isso significa regulamentar as Big Techs e enfrentar a concentra\u00e7\u00e3o de poder dos monop\u00f3lios da m\u00eddia. Essa \u00e9 <strong>a mesma coragem necess\u00e1ria para enfrentar os privil\u00e9gios e a concentra\u00e7\u00e3o de poder pol\u00edtico<\/strong>, acabando com o or\u00e7amento secreto, fortalecendo medidas de combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o e est\u00edmulo da participa\u00e7\u00e3o popular: democracia direta e transpar\u00eancia na gest\u00e3o p\u00fablica s\u00e3o estrat\u00e9gicos. \u00c9 preciso <strong>acabar com os privil\u00e9gios de quem especula, a concentra\u00e7\u00e3o de poder do rentismo no Brasil<\/strong>. \u00c9 nessa dire\u00e7\u00e3o que o PSOL defende o fim do arcabou\u00e7o fiscal, e as regras limitadoras de investimentos p\u00fablicos.<\/p>\n<p><strong>IV. O Brasil \u00e9 de quem trabalha<\/strong><\/p>\n<p>O povo brasileiro acorda antes do sol nascer e movimenta o pa\u00eds gra\u00e7as \u00e0 energia e ao suor de quem dirige o \u00f4nibus, amassa o p\u00e3o, ensina, cuida, limpa, ergue pontes e edif\u00edcios, faz a ind\u00fastria produzir, faz entrega por meio de aplicativo e abre o com\u00e9rcio. S\u00e3o milh\u00f5es de trabalhadoras e trabalhadores dispostos a fazer qualquer sacrif\u00edcio para fazer valer seu sonho de uma vida melhor.<\/p>\n<p>O trabalho deve servir \u00e0 vida digna. N\u00e3o o contr\u00e1rio. Durante muito tempo disseram \u00e0 classe trabalhadora que trabalhar at\u00e9 a exaust\u00e3o era sin\u00f4nimo de m\u00e9rito. N\u00f3s recusamos essa l\u00f3gica. O progresso s\u00f3 faz sentido quando melhora a vida de quem produz a riqueza do pa\u00eds. Nenhuma sociedade ser\u00e1 verdadeiramente democr\u00e1tica enquanto milh\u00f5es de pessoas continuarem vivendo apenas para trabalhar e o sal\u00e1rio n\u00e3o seja suficiente para pagar as contas no fim do m\u00eas.<\/p>\n<p>O tempo tamb\u00e9m \u00e9 uma riqueza. E hoje ele \u00e9 distribu\u00eddo de maneira profundamente desigual. A tecnologia deveria significar menos jornadas exaustivas e mais produtividade. No entanto, a intelig\u00eancia artificial, os aplicativos e as novas tecnologias correm o risco de ampliar os lucros sem repartir seus benef\u00edcios com quem trabalha. Queremos fazer a escolha oposta. A tecnologia precisa libertar as pessoas, n\u00e3o abandona-las sem prote\u00e7\u00e3o. O crescimento econ\u00f4mico precisa significar sal\u00e1rios maiores, jornadas menores e mais tempo livre.<\/p>\n<p>Para as mulheres, especialmente as mulheres negras e para todas as pessoas respons\u00e1veis pelo trabalho dom\u00e9stico e de cuidados, um dia de descanso quase nunca significa descanso de verdade. Quando termina um trabalho, come\u00e7a outra jornada: preparar a comida, limpar a casa, cuidar das crian\u00e7as, dos idosos e de quem precisa de aten\u00e7\u00e3o. Um trabalho indispens\u00e1vel para a sociedade, mas historicamente invisibilizado, desvalorizado e distribu\u00eddo de forma profundamente desigual.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que defender o fim da escala 6&#215;1 e a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho \u00e9 muito mais do que uma pauta trabalhista. \u00c9 defender o direito de viver. Queremos um pa\u00eds onde o trabalho permita construir uma fam\u00edlia, estudar, descansar, viver sua religiosidade, ouvir uma m\u00fasica que voc\u00ea gosta, dan\u00e7ar, cuidar da sa\u00fade, assistir uma s\u00e9rie ou um jogo de futebol, brincar com as crian\u00e7as e estar com quem se ama. Um pa\u00eds que proteja os trabalhadores de aplicativos, enfrente a precariza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de trabalho, fortale\u00e7a a negocia\u00e7\u00e3o coletiva e amplie direitos em vez de transform\u00e1-los em mercadoria.<\/p>\n<p><strong>O nosso compromisso \u00e9 com o fim da escala 6&#215;1<\/strong>, a valoriza\u00e7\u00e3o permanente dos sal\u00e1rios acima da infla\u00e7\u00e3o, a prote\u00e7\u00e3o dos trabalhadores de aplicativos, a redu\u00e7\u00e3o das jornadas exaustivas e uma nova agenda nacional de direitos para o trabalho do s\u00e9culo XXI. Porque o Brasil pertence a quem acorda cedo para faz\u00ea-lo acontecer. E quem trabalha merece tempo para viver. <strong>O nosso compromisso \u00e9 com trabalho digno, sal\u00e1rio com valoriza\u00e7\u00e3o real, igualdade salarial entre homens e mulheres, negros e brancos<\/strong> e com pol\u00edticas de gera\u00e7\u00e3o de emprego e <strong>valoriza\u00e7\u00e3o do trabalho dom\u00e9stico e do cuidado<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>V. Planejamento para enfrentar a crise clim\u00e1tica<\/strong><\/p>\n<p>Somos um pa\u00eds com grandes reservas de \u00e1gua, terras f\u00e9rteis e uma exuberante beleza natural. Nossas florestas e biodiversidade convivem h\u00e1 milhares de anos com povos que resistem \u00e0 explora\u00e7\u00e3o e ensinam formas de vida em equil\u00edbrio com a natureza. Da imensid\u00e3o da Amaz\u00f4nia, da Mata Atl\u00e2ntica e do Cerrado, da Caatinga aos Pampas, existe um pa\u00eds de riqueza natural \u00fanica, sustentado por uma rela\u00e7\u00e3o profunda entre seus povos e territ\u00f3rios. Isso \u00e9 um patrim\u00f4nio do povo brasileiro e das gera\u00e7\u00f5es que vir\u00e3o.<\/p>\n<p>Agora, esse equil\u00edbrio est\u00e1 amea\u00e7ado. A emerg\u00eancia clim\u00e1tica deixou de ser uma previs\u00e3o para se tornar parte do cotidiano. N\u00e3o vamos esquecer que as enchentes destru\u00edram vidas e cidades no Rio Grande do Sul, em Pernambuco, Bahia e S\u00e3o Paulo, ao mesmo tempo que a seca vitimou povos amaz\u00f4nicos. Nem dos desastres ambientais causados pela Vale e mineradoras.<\/p>\n<p>A crise clim\u00e1tica bate \u00e0 porta dos mais pobres e chega primeiro \u00e0s periferias alagadas, \u00e0s cidades que enfrentam ondas de calor cada vez mais intensas, \u00e0s fam\u00edlias que perdem suas casas nas enchentes, aos agricultores e ribeirinhos atingidos pelas secas prolongadas e aos trabalhadores que enfrentam temperaturas extremas para garantir o sustento. Os primeiros a sentir os impactos dessa destrui\u00e7\u00e3o s\u00e3o aqueles que menos contribu\u00edram para ela. Povos ind\u00edgenas, quilombolas, comunidades tradicionais, trabalhadores do campo e popula\u00e7\u00f5es das periferias urbanas enfrentam o racismo socioambiental, a perda de territ\u00f3rios, a amea\u00e7a aos seus modos de vida e os efeitos de uma crise que atinge de forma desigual quem historicamente protegeu e preservou a natureza. A injusti\u00e7a clim\u00e1tica tem endere\u00e7o e classe social. Por isso, enfrentar a crise clim\u00e1tica significa proteger a natureza e as pessoas. Justi\u00e7a clim\u00e1tica \u00e9 justi\u00e7a social.<\/p>\n<p>Mas a raiz dessa crise \u00e9 outra: n\u00e3o se trata de uma fatalidade da natureza, mas do resultado das pol\u00edticas econ\u00f4micas que colocam o lucro acima da vida. O Brasil re\u00fane todas as condi\u00e7\u00f5es para liderar a transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica mundial. Podemos produzir energia limpa, recuperar \u00e1reas degradadas, fortalecer a agricultura familiar, colocar comida na mesa barata e sem agrot\u00f3xicos, ampliar o transporte p\u00fablico de baixa emiss\u00e3o e criar milh\u00f5es de empregos de qualidade ligados \u00e0 transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Mas isso exige planejamento. N\u00e3o existe transi\u00e7\u00e3o verdadeira se ela for subordinada ao mercado. Precisamos de um Estado capaz de coordenar investimentos, preparar nossas cidades para eventos clim\u00e1ticos extremos, proteger os biomas brasileiros e gerar empregos. Esse \u00e9 um debate de modelo de desenvolvimento. O que defendemos \u00e9 uma transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica justa, que rompa com a l\u00f3gica de explora\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria, com a depend\u00eancia f\u00f3ssil, proteja nossos biomas, respeite os povos ind\u00edgenas e comunidades tradicionais, fortale\u00e7a a produ\u00e7\u00e3o de base agroecol\u00f3gica, garanta cidades preparadas para os eventos extremos cada vez mais frequentes e garanta trabalho digno em uma economia comprometida com a vida e a preserva\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p><strong>O nosso compromisso \u00e9 com o desmatamento zero<\/strong>, com a defesa de um <strong>plano nacional de adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica<\/strong>, com investimentos p\u00fablicos destinados \u00e0 preven\u00e7\u00e3o de desastres, reflorestamento, recupera\u00e7\u00e3o dos biomas, transporte limpo, energia renov\u00e1vel, articulando desenvolvimento econ\u00f4mico, gera\u00e7\u00e3o de empregos e justi\u00e7a clim\u00e1tica. Porque n\u00e3o existe prosperidade poss\u00edvel em um planeta em colapso. O compromisso de uma bancada do povo \u00e9 dar voz \u00e0 <strong>necessidade da reforma agr\u00e1ria agroecol\u00f3gica, do direito \u00e0 cidade, da defesa da terra, do teto, do trabalho e da comida na mesa para quem constr\u00f3i o pa\u00eds com as pr\u00f3prias m\u00e3os<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>VI. Intelig\u00eancia para defender a vida<\/strong><\/p>\n<p>Nenhuma m\u00e3e cria um filho para enterr\u00e1-lo. Cada vida carrega uma hist\u00f3ria, afetos, uma parte da sua comunidade e possibilidades de futuro. Mas ainda vivemos em um pa\u00eds onde algumas vidas s\u00e3o tratadas como se valessem menos: jovens negros e pobres das periferias est\u00e3o entre as principais v\u00edtimas da viol\u00eancia, mulheres s\u00e3o assassinadas por serem mulheres e pessoas LGBTQIAPN+ enfrentam diariamente a viol\u00eancia motivada pelo \u00f3dio e pela intoler\u00e2ncia. Nenhuma fam\u00edlia deveria aprender a conviver com o feminic\u00eddio, o racismo e a LGBTfobia como se isso fosse parte da rotina.<\/p>\n<p>No entanto, milh\u00f5es de brasileiros vivem entre o receio da viol\u00eancia e a falsa promessa de que mais armas e mais \u00f3dio resolver\u00e3o o problema da viol\u00eancia, que \u00e9 justamente consequ\u00eancia de escolhas pol\u00edticas erradas. Por isso, \u00e9 preciso ter firmeza para dizer que a crise da seguran\u00e7a p\u00fablica brasileira n\u00e3o ser\u00e1 enfrentada com falsas solu\u00e7\u00f5es. Mais armas, encarceramento em massa ou redu\u00e7\u00e3o da maioridade penal n\u00e3o produzem mais seguran\u00e7a. Pelo contr\u00e1rio: aprofundam um modelo que criminaliza a pobreza, fortalece ciclos de viol\u00eancia e transforma territ\u00f3rios negros e populares em espa\u00e7os permanentes de conflito.<\/p>\n<p>Essa l\u00f3gica produziu mais mortes, fortaleceu organiza\u00e7\u00f5es criminosas, aprofundou o encarceramento em massa e deixou as periferias presas entre o crime organizado e a viol\u00eancia estatal. Quem mais morre continua sendo o povo pobre, a juventude negra, as mulheres v\u00edtimas de feminic\u00eddio e as comunidades abandonadas pelo poder p\u00fablico.<\/p>\n<p>N\u00f3s recusamos essa falsa escolha entre autoritarismo e abandono. A seguran\u00e7a p\u00fablica que defendemos coloca a defesa da vida no centro da pol\u00edtica. Isso significa enfrentar o crime organizado com intelig\u00eancia, investiga\u00e7\u00e3o, coopera\u00e7\u00e3o e capacidade do Estado de atingir suas estruturas de poder e financiamento. O Brasil precisa superar uma pol\u00edtica que concentra sua for\u00e7a sobre as popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis e avan\u00e7ar para um modelo capaz de desarticular redes criminosas onde mais importa: nas suas fontes de recursos e nas redes que permitem sua expans\u00e3o e influ\u00eancia.<\/p>\n<p>\u00c9 investiga\u00e7\u00e3o qualificada para combater o crime organizado e as mil\u00edcias. \u00c9 integra\u00e7\u00e3o entre as pol\u00edcias e valoriza\u00e7\u00e3o dos profissionais da seguran\u00e7a. \u00c9 educa\u00e7\u00e3o, cultura, esporte e oportunidades para a juventude antes que o crime organize o territ\u00f3rio. \u00c9 uma pol\u00edtica nacional de enfrentamento ao feminic\u00eddio, protegendo mulheres antes que a viol\u00eancia se torne irrevers\u00edvel. Quem governa pelo medo transforma a viol\u00eancia em instrumento pol\u00edtico. Quem governa para o povo protege a vida.<\/p>\n<p>O crime organizado n\u00e3o tem seus centros de poder localizados nas periferias. Ele se estrutura a partir de economias ilegais que movimentam recursos, se alimentam de redes de lavagem de dinheiro, corrup\u00e7\u00e3o e rela\u00e7\u00f5es de poder que atravessam diferentes setores da sociedade, principalmente as elites. Enquanto comunidades negras e populares sofrem com opera\u00e7\u00f5es violentas e mortes em massa, estruturas criminosas ampliam sua atua\u00e7\u00e3o, disputam mercados e buscam espa\u00e7os dentro das institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica de guerra \u00e0s drogas, mantida h\u00e1 d\u00e9cadas, n\u00e3o trouxe seguran\u00e7a. Ao contr\u00e1rio, produziu encarceramento em massa, fortaleceu organiza\u00e7\u00f5es criminosas e atingiu principalmente a juventude negra e as popula\u00e7\u00f5es perif\u00e9ricas, sem enfrentar as economias ilegais que sustentam o crime organizado. A quest\u00e3o das drogas precisa ser tratada como um tema de sa\u00fade p\u00fablica, com pol\u00edticas de preven\u00e7\u00e3o, cuidado, tratamento e redu\u00e7\u00e3o de danos, substituindo uma l\u00f3gica de puni\u00e7\u00e3o e abandono por uma pol\u00edtica p\u00fablica capaz de proteger vidas e enfrentar os impactos sociais relacionados ao uso problem\u00e1tico de subst\u00e2ncias.<\/p>\n<p>A classifica\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es criminosas brasileiras como \u201cnarcoterroristas\u201d, defendida pela extrema direita trumpista, n\u00e3o contribui para enfrentar o problema e ainda amea\u00e7a a soberania brasileira ao abrir caminho para interven\u00e7\u00f5es e solu\u00e7\u00f5es impostas de fora. O combate ao crime organizado deve ser conduzido pelo Estado brasileiro, com intelig\u00eancia, responsabilidade e compromisso com a prote\u00e7\u00e3o da vida.<\/p>\n<p>O Brasil tamb\u00e9m vive uma epidemia de viol\u00eancia contra as mulheres. O feminic\u00eddio \u00e9 a express\u00e3o mais brutal de uma sociedade marcada pelo machismo, pelo patriarcado e pela tentativa de controlar os corpos, as escolhas e as vidas das mulheres. Mulheres continuam sendo assassinadas por serem mulheres, muitas vezes dentro de suas pr\u00f3prias casas e por pessoas com quem mantinham rela\u00e7\u00f5es de afeto. Cada feminic\u00eddio \u00e9 uma vida interrompida e uma den\u00fancia da falha do Estado em garantir prote\u00e7\u00e3o, autonomia e seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>O avan\u00e7o da cultura de \u00f3dio, do autoritarismo e da desvaloriza\u00e7\u00e3o dos direitos humanos fortalecida pelo bolsonarismo agravou um ambiente de toler\u00e2ncia \u00e0 viol\u00eancia de g\u00eanero e \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o. Enfrentar os feminic\u00eddios exige fortalecer a rede p\u00fablica de prote\u00e7\u00e3o, ampliar servi\u00e7os especializados, garantir medidas protetivas, promover pol\u00edticas de preven\u00e7\u00e3o e construir uma sociedade baseada na igualdade.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia contra a popula\u00e7\u00e3o LGBTQIAPN+ tamb\u00e9m revela os limites de uma sociedade que ainda convive com a intoler\u00e2ncia e a exclus\u00e3o. Os crimes de \u00f3dio e assassinatos seguem acometendo a vida de pessoas da comunidade, em especial das pessoas trans. Embora avan\u00e7os importantes tenham sido conquistados, como o casamento e o nome social, o Brasil ainda possui poucos direitos LGBTQIAPN+ assegurados em lei, e a criminaliza\u00e7\u00e3o de condutas discriminat\u00f3rias, embora necess\u00e1ria, n\u00e3o \u00e9 suficiente para proteger pessoas vulnerabilizadas. Pessoas LGBTQIAPN+ seguem sendo expulsas das casas de suas fam\u00edlias, seguem sendo o foco do p\u00e2nico moral alastrado pela extrema direita. A garantia de uma vida segura exige pol\u00edticas p\u00fablicas permanentes, educa\u00e7\u00e3o para a diversidade e contra o bullying, moradia, assist\u00eancia e pol\u00edticas de sa\u00fade para todas as pessoas, combate \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o e um Estado comprometido com a dignidade de todas as pessoas.<\/p>\n<p><strong>O nosso compromisso \u00e9 com uma pol\u00edtica nacional de seguran\u00e7a baseada em intelig\u00eancia, investiga\u00e7\u00e3o, preven\u00e7\u00e3o e coordena\u00e7\u00e3o entre Uni\u00e3o, estados e munic\u00edpios<\/strong>, voltada ao combate \u00e0s mil\u00edcias e ao crime organizado; pol\u00edticas permanentes de enfrentamento ao feminic\u00eddio e \u00e0 viol\u00eancia contra mulheres; valoriza\u00e7\u00e3o dos profissionais da seguran\u00e7a p\u00fablica; controle rigoroso das armas e investimentos sociais capazes de valorizar os territ\u00f3rios por meio de quem vive neles. Porque nenhuma democracia ser\u00e1 completa enquanto o medo continuar determinando quem pode viver, circular e sonhar.<\/p>\n<p><strong>VII. A cidade pertence a quem vive nela<\/strong><\/p>\n<p>As cidades de hoje roubam horas do nosso tempo no tr\u00e2nsito. Roubam o conv\u00edvio entre pais e filhos. Roubam o descanso de quem atravessa a cidade para trabalhar. Roubam o direito de caminhar com seguran\u00e7a, respirar um ar mais limpo, brincar em uma pra\u00e7a ou simplesmente encontrar os amigos sem que isso custe uma parte enorme do or\u00e7amento familiar.<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 feito justamente no ch\u00e3o das cidades, onde se produzem encontros, mem\u00f3rias, trabalho, cultura e sonhos. Mas para milh\u00f5es de brasileiras e brasileiros, viver a cidade ainda \u00e9 uma experi\u00eancia marcada pela desigualdade. O bairro onde se mora, a renda que se tem e o pre\u00e7o da passagem definem quanto tempo sobra para viver, conviver participar da vida urbana.<\/p>\n<p>Por isso, a mobilidade n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de deslocamento: \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o para exercer direitos. Quando trabalhadores e trabalhadoras passam horas no transporte p\u00fablico, quando jovens deixam de acessar oportunidades, quando fam\u00edlias precisam escolher entre pagar a passagem ou outras necessidades b\u00e1sicas, a pr\u00f3pria cidade se torna mais desigual. H\u00e1 d\u00e9cadas, o transporte coletivo \u00e9 submetido \u00e0 l\u00f3gica do lucro, transformando um direito essencial em mercadoria.<\/p>\n<p>A cidade n\u00e3o pode continuar sendo organizada para os carros, para a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria ou para quem transforma o solo urbano em mercadoria. Ela precisa voltar a ser organizada para as pessoas. O direito \u00e0 cidade significa morar perto das oportunidades, acessar cultura, lazer, educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade, deslocar-se rapidamente e ocupar os espa\u00e7os p\u00fablicos como lugares de conviv\u00eancia e democracia.<\/p>\n<p>Nenhuma fam\u00edlia deveria escolher entre pagar a passagem ou comprar comida. Por isso, a tarifa zero \u00e9 muito mais do que uma pol\u00edtica de transporte. \u00c9 uma pol\u00edtica para viver bem. Uma cidade onde as pessoas circulam sem barreiras econ\u00f4micas \u00e9 uma cidade onde o trabalho, o estudo, a cultura e a cidadania deixam de depender da renda.<\/p>\n<p>O direito \u00e0 cidade tamb\u00e9m exige enfrentar a crise da moradia, recuperar os centros urbanos para quem vive neles, ampliar \u00e1reas verdes, fortalecer os equipamentos p\u00fablicos de bairro e colocar o planejamento urbano acima da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria. As cidades brasileiras precisam voltar a ser lugares onde vale a pena viver.<\/p>\n<p><strong>Nosso compromisso \u00e9 com a defesa da tarifa zero no transporte coletivo<\/strong>, um grande programa nacional de moradia digna e requalifica\u00e7\u00e3o dos centros urbanos, que controle o pre\u00e7o dos alugu\u00e9is e garanta investimentos em mobilidade sustent\u00e1vel, parques e \u00e1reas verdes, equipamentos p\u00fablicos de bairro e planejamento urbano voltado para reduzir o tempo de deslocamento e ampliar a qualidade de vida. Porque a cidade n\u00e3o pertence aos mapas nem ao mercado. Pertence \u00e0s pessoas que todos os dias lhe d\u00e3o vida.<\/p>\n<p><em><strong>Diret\u00f3rio Nacional do PSOL<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>18 de julho de 2026<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Diret\u00f3rio Nacional do PSOL se reuniu neste s\u00e1bado (18) e aprovou um manifesto com a plataforma do partido para as elei\u00e7\u00f5es de 2026. 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