{"id":4403,"date":"2013-07-25T12:28:27","date_gmt":"2013-07-25T12:28:27","guid":{"rendered":"http:\/\/179.190.55.146\/~psol5185\/?p=4403"},"modified":"2013-07-25T12:28:27","modified_gmt":"2013-07-25T12:28:27","slug":"pais-mudo-nao-muda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/psol50.org.br\/pais-mudo-nao-muda\/","title":{"rendered":"Pa\u00eds mudo n\u00e3o muda"},"content":{"rendered":"<div id=\"blocoDadosPrint\">As manifesta\u00e7\u00f5es que tomaram as ruas das cidades brasileiras mexem com as categorias tradicionais de an\u00e1lise. Tudo o que se elabore a respeito ser\u00e1 insuficiente, pr\u00e9-texto que \u00e9 tamb\u00e9m pretexto para justificar o n\u00e3o entendimento completo desse contexto singular. A r\u00e9gua usada para medir movimentos anteriores n\u00e3o \u00e9 adequada para avaliar os atuais, que \u201cn\u00e3o t\u00eam CNPJ\u201d. Uma boa embocadura \u00e9 fazer considera\u00e7\u00f5es a partir do que diziam alguns cartazes que os milhares de manifestantes, na sua maioria jovens, portavam:<\/div>\n<div class=\"txtPrint\">\n<div>\n<em>\u201cO gigante acordou\u201d<\/em>? A hist\u00f3ria brasileira registra manifesta\u00e7\u00f5es massivas e explosivas de car\u00e1ter urbano. Em 1890, ainda no II Reinado, o Rio de Janeiro agitou-se por dias seguidos, em rea\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o contra o aumento de 20 r\u00e9is na passagem dos bondes. Portanto,\u00a0<strong>tanto o<\/strong><strong>\u2018gigante\u2019 j\u00e1 acordou antes quanto<\/strong>\u00a0<strong>\u00e9 poss\u00edvel que volte, agora, a adormecer<\/strong>\u00a0\u2013 sedado pela inorganicidade dos protestos e pela sua extrema diversidade, reflexo de uma sociedade que, historicamente, tem mais\u00a0<em>estadania\u00a0<\/em>do que<em>\u00a0cidadania<\/em>. Que os conservadores n\u00e3o se sintam aliviados, por\u00e9m:\u00a0<strong>seu sono ser\u00e1 leve, assombrando com a possibilidade de acordar a qualquer momento<\/strong>. H\u00e1 setores sociais novos, apelidados de \u2018classe C\u2019, que parecem ter chegado ao limite de sua estimulada capacidade de consumo. Agora, engarrafados nas \u2018carrocracias\u2019 urbanas, no sufoco da especula\u00e7\u00e3o que aumentou violentamente os pre\u00e7os dos alugu\u00e9is e dos im\u00f3veis, sem planos privados de sa\u00fade e possibilidades de pagar escolas particulares, clamam por servi\u00e7os p\u00fablicos de qualidade.<\/p>\n<p><em>\u201cN\u00e3o \u00e9 por centavos, \u00e9 por direitos\u201d<\/em>. A quest\u00e3o das tarifas foi a fa\u00edsca que incendiou uma plan\u00edcie de insatisfa\u00e7\u00f5es at\u00e9 ent\u00e3o conformadas. A repress\u00e3o policial adicionou combust\u00edvel e demandas reprimidas de diversos setores provocaram o incandescente protesto \u201ccontra tudo o que a\u00ed est\u00e1\u201d. A irrita\u00e7\u00e3o cotidiana com a p\u00e9ssima mobilidade urbana do pa\u00eds \u2013 segundo o IBGE, apenas 3,8% dos nossos 5.567 munic\u00edpios t\u00eam Plano Diretor de Transportes, embora 74% deles possuam estrutura administrativa\/burocr\u00e1tica para o setor \u2013 criou caldo de cultura que engrossou os protestos. Mais que em busca de negocia\u00e7\u00e3o, os atos eram de rebeldia: n\u00e3o demandavam das autoridades que as recebessem nem constitu\u00edam comiss\u00e3o representativa para este \u2018di\u00e1logo\u2019. \u00c9 como se a multid\u00e3o clamasse: \u2018quem quiser nos ouvir, que ou\u00e7a!\u2019. As manifesta\u00e7\u00f5es multitudin\u00e1rias de junho est\u00e3o tendo um efeito-demonstra\u00e7\u00e3o: de l\u00e1 para c\u00e1, milhares de pequenos movimentos reivindicat\u00f3rios eclodiram ou se reanimaram.<\/p>\n<p><em>\u201cQueremos escolas e hospitais padr\u00e3o Fifa\u201d<\/em>. Est\u00e1dios suntuosos foram reformados ou constru\u00eddos pelo cons\u00f3rcio negocista Fifa-Governo Brasileiro-Parlamento \u2013 que aprovou a Lei Geral da Copa e o Regime Diferenciado de Contrata\u00e7\u00f5es de Obras P\u00fablicas, dando arcabou\u00e7o jur\u00eddico ao empreendimento. As arenas fara\u00f4nicas cumpriram papel pedag\u00f3gico, ao demonstrar que recursos existem, que prazos podem ser cumpridos&#8230; e a falta de crit\u00e9rios no uso do dinheiro p\u00fablico, que n\u00e3o chega para escolas e hospitais. O \u201cpadr\u00e3o Fifa\u201d que se reclama, por \u00f3bvio, n\u00e3o \u00e9 o da gest\u00e3o da entidade, com tantas den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em>\u201cFora todos os governos\u201d<\/em>. A t\u00f4nica personalista da pol\u00edtica vigente levou a uma contradi\u00e7\u00e3o: h\u00e1 3 meses, a aprova\u00e7\u00e3o ao desempenho dos governantes \u2013 no plano federal e estadual \u2013 j\u00e1 contrastava com a avalia\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a, moradia e tr\u00e2nsito, de tend\u00eancia claramente negativa. Nas ruas, o rep\u00fadio era contra os partidos, pois, no senso comum, nenhum presta. Pesquisa recente revela que 81% dos consultados os consideram corruptos, sem exce\u00e7\u00e3o. E tamb\u00e9m contra a p\u00e9ssima qualidade dos servi\u00e7os p\u00fablicos e contra os meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa, com seu notici\u00e1rio interessado. Tudo foi posto em quest\u00e3o por uma gera\u00e7\u00e3o que n\u00e3o conheceu o PT contestador e sim o do poder. Que n\u00e3o viveu qualquer polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, mas sim o avassalador processo de \u2018peemedebiza\u00e7\u00e3o\u2019 e despolitiza\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica, com sua devassid\u00e3o \u00e9tica, azeitada m\u00e1quina de captar votos e voracidade de ocupa\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os.<\/p>\n<p><em>\u201cN\u00e3o adianta rugir como um le\u00e3o e votar como um jumento!\u201d<\/em>. Aqui h\u00e1 uma media\u00e7\u00e3o com a democracia representativa tradicional, chamando a aten\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio cidad\u00e3o eleitor: ele tamb\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel pela degrada\u00e7\u00e3o do sistema pol\u00edtico, ao n\u00e3o dar um voto consciente nem acompanhar a vida p\u00fablica. Os muito interessados na pol\u00edtica de neg\u00f3cios prevalecente s\u00e3o alimentados pelos muitos \u201canalfabetos pol\u00edticos\u201d, pouco interessados nessa dimens\u00e3o essencial da exist\u00eancia. O sistema partid\u00e1rio-eleitoral em vigor, fulanizador, excludente, marqueteiro e fisiol\u00f3gico, favorece a capta\u00e7\u00e3o de sufr\u00e1gio e a elei\u00e7\u00e3o de pessoas sem o menor esp\u00edrito p\u00fablico, a despeito das leis que criminalizam a capta\u00e7\u00e3o de sufr\u00e1gio e tornam ineleg\u00edveis os \u2018fichas-sujas\u2019.<\/p>\n<p>\u201c<em>Sa\u00ed do Facebook!\u201d<\/em>\u00a0A maior novidade \u00e9 a articula\u00e7\u00e3o em rede saindo da telinha para a vida real: \u2018o post nos libertar\u00e1!\u2019. Nunca na hist\u00f3ria desse pa\u00eds houve tamanho \u201cenxameamento viral\u201d, de uma certa forma mais \u2018social\u2019 que \u2018pol\u00edtico\u2019, e que tende a ser n\u00e3o cont\u00ednuo e crescente, mas intermitente, como um \u2018foco guerrilheiro p\u00f3s-moderno\u2019 que surpreende o poder com a\u00e7\u00f5es ousadas, exemplares, e depois recua \u2013 sem sequer saber da exist\u00eancia do manual do velho Che e das estrat\u00e9gias do general Giap&#8230; As manifesta\u00e7\u00f5es revelavam um desejo difuso de participa\u00e7\u00e3o, de cada um ser ator de sua hist\u00f3ria \u2013 de certa forma, cada um sendo sua pr\u00f3pria manifesta\u00e7\u00e3o. No contexto ideol\u00f3gico do hiperindividualismo capitalista em que vivemos, muitos, inteiramente \u00e0 margem de partidos, sindicatos, gr\u00eamios e associa\u00e7\u00f5es, levaram demandas a partir de sua percep\u00e7\u00e3o pessoal, coletivizando-as em sua debut\u00e2ncia militante, colocando-as na cena p\u00fablica.<\/p>\n<p><em>\u201cPenso, logo n\u00e3o assisto\u201d.\u00a0<\/em>As redes sociais confrontaram as redes empresariais e seus grupos restritos, monopolistas. A m\u00eddia direta polarizou com a m\u00eddia tradicional, embora venham desta \u2013 especializada, por dever de of\u00edcio \u2013 a maioria das intensas e diversas informa\u00e7\u00f5es que circulam nas redes. Ineg\u00e1vel que a internet promove uma democratiza\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, abalando a for\u00e7a indutora da m\u00eddia grande, questionad\u00edssima em todas as manifesta\u00e7\u00f5es. N\u00e3o por acaso est\u00e1 montada uma rede de espionagem, a partir dos EUA, para o controle destas informa\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de, em alguns pa\u00edses, a internet ser rigorosamente controlada e restrita. Nas passeatas, a cobertura das TVs foi hostilizada a ponto de seus rep\u00f3rteres terem que ir sem a canopla dos microfones com as logomarcas de suas empresas. T\u00e3o questionada como os partidos, a m\u00eddia grande comercial, por \u00f3bvio, pouco destacou esse aspecto dos protestos. Mesmo os jornais impressos, muitos pertencentes \u00e0 mesma rede de comunica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o noticiaram essa forte contesta\u00e7\u00e3o. Fundamentalismos religiosos tamb\u00e9m foram fustigados.<\/p>\n<p><em>\u201cQuem luta, conquista\u201d<\/em>. Revelando a for\u00e7a da press\u00e3o direta da pra\u00e7a sobre os pal\u00e1cios \u2013 antiga proclama\u00e7\u00e3o das esquerdas -, as manifesta\u00e7\u00f5es j\u00e1 produziram resultados concretos, tanto em a\u00e7\u00f5es do Poder Executivo (redu\u00e7\u00e3o de tarifa para 70% da popula\u00e7\u00e3o de cidades grandes e m\u00e9dias e an\u00fancio de projetos para melhorar a mobilidade urbana), do Legislativo (acelerando-se a aprova\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias que tramitavam em passo lento) e mesmo do Judici\u00e1rio (pris\u00e3o de um deputado ladr\u00e3o). As diferentes tribos sem tribunos, ocupando os espa\u00e7os centrais das cidades, constitu\u00edram uma original e multifacetada tribuna popular. Disse, sem dizer, que democracia \u00e9 mais que votar. A antiga cultura participativa da qual emergiu o PT negou o \u2018mestre\u2019 hoje acomodado. Quem tem a obriga\u00e7\u00e3o de decodificar e formular pol\u00edticas p\u00fablicas a partir das demandas necessariamente difusas \u2013 e, aqui e ali, confusas \u2013 s\u00e3o os agentes pol\u00edticos que se assumem como tais ou est\u00e3o mandatados para tanto. A cidadania aponta os problemas, com a autenticidade de quem os sofre na carne e na alma. Resolv\u00ea-los \u00e9 tarefa dos que s\u00e3o pagos por ela para esse servi\u00e7o, que \u00e9 pol\u00edtico e t\u00e9cnico. Desafio grande para quem andava t\u00e3o blindado contra as massas, s\u00f3 consideradas como de manobra nos anos eleitorais.<\/p>\n<p><em>\u201cPa\u00eds mudo n\u00e3o muda\u201d.<\/em>\u00a0S\u00f3 o prosseguimento das manifesta\u00e7\u00f5es tirar\u00e1 da in\u00e9rcia os paquid\u00e9rmicos Poderes da Rep\u00fablica. Ao contr\u00e1rio de alguns outros movimentos, no Brasil e no mundo, n\u00e3o h\u00e1 aqui, at\u00e9 o momento, formula\u00e7\u00e3o de tomada de Poder, e sim seu questionamento radical. Semelhante ao \u2018Ocupa Wall Street\u2019, aqui se enfatiza mais o que\u00a0<em>n\u00e3o se quer<\/em>\u00a0do que o que se quer. A ocupa\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os p\u00fablicos por multid\u00f5es manifestantes \u2013 multiclassistas, destaque-se \u2013 questiona a l\u00f3gica do poder que passa pelo controle do territ\u00f3rio, proclamado como \u2018dever de manuten\u00e7\u00e3o da ordem\u2019. Reivindicantes\/protestantes presentes e vis\u00edveis alteram a natureza da tradicional \u2018impot\u00eancia\u2019 das massas frente ao poder estabelecido. Esse autoempoderamento abre a possibilidade estimulante de se estar fazendo hist\u00f3ria. Para Manuel Castells, soci\u00f3logo estudioso da sociedade em redes, \u201c\u00e9 o caos criativo. Anormal seriam legi\u00f5es em ordem, organizadas por uma \u00fanica bandeira e lideradas por burocratas partid\u00e1rios. O espa\u00e7o p\u00fablico re\u00fane a sociedade em sua diversidade: a direita, a esquerda, os malucos, os sonhadores, os realistas, os ativistas, os piadistas, os revoltados&#8230;\u201d<\/p>\n<p><em>\u201cSem partido!\u201d\u00a0<\/em>A este reiterado brado, a rea\u00e7\u00e3o foi a afirma\u00e7\u00e3o, correta, de que sem partidos n\u00e3o h\u00e1 democracia. \u00c9 imprescind\u00edvel entender, por\u00e9m, que os partidos n\u00e3o s\u00e3o mais a \u00fanica forma de representa\u00e7\u00e3o da sociedade, e andam cada vez mais dissociados de suas vontades, seja por seu controle caciquista (pr\u00e1tica dos da direita), seja por suas autofagias e baluartismos (costumeiros nos de esquerda). Ali\u00e1s, os grandes partidos brasileiros \u2013 que sofrem de \u2018nanismo moral\u2019 \u2013 e os ditos \u2018nanicos\u2019, legendas de aluguel, tamb\u00e9m n\u00e3o querem aprofundar a democracia, com mais mecanismos de transpar\u00eancia e participa\u00e7\u00e3o direta da popula\u00e7\u00e3o. N\u00e3o seria exagero dizer que\u00a0<strong>com esses partidos n\u00e3o h\u00e1 democracia!<\/strong>\u00a0\u00c9 verdade, por outro lado, que o vazio ideol\u00f3gico e a progress\u00e3o, nos tempos atuais, da distopia, produzem \u2018rebeli\u00f5es do ef\u00eamero\u2019, com uma esp\u00e9cie de solidariedade p\u00f3s-moderna eventual, com o compartilhamento de reivindica\u00e7\u00f5es particularistas. Jovens representantes da Federa\u00e7\u00e3o Anarquista, por outro lado, costumam lembrar a bela consigna \u201cpovo forte n\u00e3o precisa de l\u00edderes\u201d. Frase de Emiliano Zapata, principal l\u00edder da Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana do in\u00edcio do s\u00e9culo passado&#8230; \u201cPodemos ser qualquer pessoa, as pessoas se apropriam das suas pr\u00f3prias lutas, n\u00e3o precisam ficar esperando algu\u00e9m dizer o que fazer\u201d, disse Mayara Vivian, que \u00e9 da coordena\u00e7\u00e3o do organizado Movimento Passe Livre de S\u00e3o Paulo. Alguma forma de organiza\u00e7\u00e3o e lideran\u00e7a, ainda que mutante e rotativa, \u00e9 necess\u00e1ria.<\/p>\n<p><em>\u201cV\u00e2ndalo \u00e9 o Estado\u201d.<\/em>\u00a0A sociedade de massas e as grandes metr\u00f3poles estimulam mentalidades competitivas e comportamentos de forte tom agressivo, como se v\u00ea diariamente nas discuss\u00f5es de tr\u00e2nsito. A tens\u00e3o urbana explode com frequ\u00eancia, sem controle racional poss\u00edvel. \u00c9 fato que as manifesta\u00e7\u00f5es, quase sem exce\u00e7\u00e3o, possu\u00edam uma \u2018cauda envenenada\u2019 que reunia desde jovens no limiar da marginaliza\u00e7\u00e3o \u2013 no Brasil, cerca de 24 milh\u00f5es entre 15 e 25 anos est\u00e3o fora da escola e do mundo do trabalho \u2013 at\u00e9 os ditos mais politizados, defensores da \u2018a\u00e7\u00e3o direta e violenta contra os s\u00edmbolos do estado\u2019, entre eles anarcopunks e \u2018blacks blocs\u2019. Chegavam encapuzados e com artefatos explosivos de fabrica\u00e7\u00e3o caseira em manifesta\u00e7\u00f5es pac\u00edficas que clamavam por transpar\u00eancia. Sua disposi\u00e7\u00e3o era de brigar com a pol\u00edcia. Esta, despreparada e militarizada, vendo em todos o arcaico \u201cinimigo interno\u201d dos tempos da Guerra Fria, vinha disposta a, sendo fustigada, atacar tudo e todos, sem crit\u00e9rio e economia de bombas, gases, cassetetes. A repress\u00e3o inaudita das PMs foi, sem d\u00favida, um fator de crescimento das mobiliza\u00e7\u00f5es, como protesto contra a viol\u00eancia estatal. E o vandalismo do abandono de equipamentos p\u00fablicos, sobretudo nas periferias, e da subtra\u00e7\u00e3o de recursos, que a corrup\u00e7\u00e3o estrutural realiza, foram constante e corretamente denunciados.<\/p>\n<p><em>\u201cSe voc\u00eas n\u00e3o nos deixam sonhar, n\u00e3o os deixaremos dormir\u201d.\u00a0<\/em>A prop\u00f3sito, Slavoj Zizek, em visita ao Occupy Wall Street (Liberty Plaza, Nova York), em 2011, alertava:\u00a0<em>\u201cN\u00e3o se apaixonem por si mesmos, nem pelo momento agrad\u00e1vel que estamos tendo aqui. (&#8230;) O verdadeiro teste do seu valor \u00e9 o que permanece no dia seguinte, ou a maneira como nossa vida cotidiana ser\u00e1 modificada. Apaixonem-se pelo trabalho duro e paciente \u2013 somos o in\u00edcio, n\u00e3o o fim. (&#8230;) H\u00e1 um caminho longo pela frente, e em pouco tempo teremos de enfrentar quest\u00f5es realmente dif\u00edceis, quest\u00f5es n\u00e3o sobre aquilo que\u00a0<strong>n\u00e3o<\/strong>\u00a0queremos, mas sobre aquilo que queremos.(&#8230;) Qual organiza\u00e7\u00e3o pode substituir o capitalismo vigente? Que tipos de l\u00edderes n\u00f3s precisamos? As alternativas do s\u00e9culo XX obviamente n\u00e3o servem. (&#8230;) O problema maior n\u00e3o \u00e9 a corrup\u00e7\u00e3o ou a gan\u00e2ncia, mas o sistema que nos incita a ser corruptos. (&#8230;) Da mesma maneira que compramos caf\u00e9 sem cafe\u00edna, cerveja sem \u00e1lcool e sorvete sem gordura, tentar\u00e3o transformar isso aqui em um protesto moral inofensivo. Mas a raz\u00e3o de estarmos reunidos \u00e9 o fato de j\u00e1 termos tido o bastante de um mundo onde reciclar latas de Coca-Cola, dar alguns d\u00f3lares para entidades caritativas ou comprar cappuccino da Starbucks, que reverte 1% da renda para os pobres do Terceiro Mundo, seria suficiente para nos sentirmos bem. Depois de terceirizar o trabalho, depois de terceirizar a tortura, depois que as ag\u00eancias matrimoniais come\u00e7aram a terceirizar at\u00e9 nossos encontros \u00e9 que percebemos que, h\u00e1 muito tempo, tamb\u00e9m permitimos que nosso engajamento pol\u00edtico seja terceirizado \u2013 mas agora n\u00f3s o queremos de volta! (&#8230;) Quando fundamentalistas conservadores nos disserem que os EUA s\u00e3o uma na\u00e7\u00e3o crist\u00e3, lembremo-nos do que \u00e9 o Cristianismo: o Esp\u00edrito Santo, a comunidade livre e igualit\u00e1ria de fi\u00e9is unidos pelo amor.\u00a0<strong>N\u00f3s, aqui, somos o Esp\u00edrito Santo, enquanto em Wall Street eles s\u00e3o pag\u00e3os que adoram falsos \u00eddolos!\u00a0<\/strong>Dir\u00e3o que somos violentos, que nossa linguagem \u00e9 violenta, referindo-se \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o. Sim, somos violentos no sentido em que Mahatma Gandhi o foi. Somos violentos porque queremos dar um basta no modo como as coisas andam.\u00a0<strong>Mas o que significa essa viol\u00eancia simb\u00f3lica quando comparada \u00e0 viol\u00eancia necess\u00e1ria para sustentar o funcionamento do sistema capitalista global?\u00a0<\/strong>Em breve seremos chamados de perdedores. Mas os verdadeiros perdedores n\u00e3o s\u00e3o os que se safaram com a ajuda de centenas de bilh\u00f5es do nosso dinheiro? Voc\u00eas s\u00e3o chamados de socialistas, mas nos EUA j\u00e1 existe o socialismo para os ricos. Eles dir\u00e3o que voc\u00eas n\u00e3o respeitam a propriedade privada, mas as especula\u00e7\u00f5es financeiras e imobili\u00e1rias que levaram \u00e0 queda de 2008 extinguiram mais propriedades privadas obtidas a duras penas \u2013 pense nas moradias hipotecadas \u2013 do que se estiv\u00e9ssemos as destruindo agora, dia e noite.\u201d<\/em><\/p>\n<p>\u201c<em>N\u00e3o tenho hospitais, n\u00e3o tenho escolas, n\u00e3o tenho transporte&#8230; E n\u00e3o tenho mais paci\u00eancia tamb\u00e9m!<\/em>\u201d. No Brasil, a degrada\u00e7\u00e3o da qualidade de vida das pessoas, sobretudo nos grandes centros, tem ra\u00edzes estruturais. O chamado \u201cinferno urbano\u201d n\u00e3o se explica simplesmente por raz\u00f5es demogr\u00e1ficas e imediatas, setoriais. Segundo o economista Reinaldo Gon\u00e7alves, o modelo liberal perif\u00e9rico, que a d\u00e9cada do lulopetismo n\u00e3o reverteu, implicou \u201cum pa\u00eds \u2018invertebrado\u2019, com a perda de legitimidade do Estado (Executivo, Legislativo e Judici\u00e1rio) e das institui\u00e7\u00f5es representativas da sociedade civil (partidos pol\u00edticos, centrais sindicais e estudantis, organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais&#8230;) Trata-se de um social-liberalismo corrompido por patrimonialismo, clientelismo e corrup\u00e7\u00e3o e garantido pelo \u2018invertebramento\u2019 e pela fragilidade da sociedade civil\u201d. Gon\u00e7alves lembra o crescente endividamento das fam\u00edlias pobres e de classe m\u00e9dia como fator de inquieta\u00e7\u00e3o social, no contexto econ\u00f4mico de liberaliza\u00e7\u00e3o, privatiza\u00e7\u00e3o, desregula\u00e7\u00e3o, domin\u00e2ncia do capital financeiro, subordina\u00e7\u00e3o e vulnerabilidade externa estrutural: \u201ca distribui\u00e7\u00e3o limita-se \u00e0 redistribui\u00e7\u00e3o incipente da renda entre os grupos da classe trabalhadora de tal forma que os interesses do grande capital s\u00e3o preservados; n\u00e3o h\u00e1 mudan\u00e7as na estrutura prim\u00e1ria de distribui\u00e7\u00e3o de riqueza e renda no que se refere aos rendimentos da classe trabalhadora versus renda do capital\u201d.<\/p>\n<p>\u201cDesculpe o transtorno, estamos mudando o pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p>A multid\u00e3o produz uma sensa\u00e7\u00e3o de for\u00e7a que pode se tornar t\u00e3o generosa quanto&#8230; pretensiosa. N\u00e3o se muda o pa\u00eds sem o enfrentamento, por exemplo, da quest\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica. Ela comeu 44% do Or\u00e7amento da Uni\u00e3o em 2012 (R$ 753 bi), enquanto a Sa\u00fade recebeu 4% (R$ 71 bi) e a Educa\u00e7\u00e3o 3,3% (R$ 57 bi). Transportes ficaram em 0,7%, Seguran\u00e7a 0,39% e Habita\u00e7\u00e3o 0,01%. Para este ano de 2013, o valor a ser pago em juros e amortiza\u00e7\u00f5es da d\u00edvida subir\u00e1 20%, para g\u00e1udio dos grandes rentistas do capitalismo financeirizado. As mudan\u00e7as s\u00f3 ser\u00e3o estruturais e n\u00e3o cosm\u00e9ticas com um novo paradigma de modelo econ\u00f4mico, e as consequentes Reformas Tribut\u00e1ria, Administrativa e Pol\u00edtica. A quest\u00e3o ambiental, t\u00e3o crucial, n\u00e3o estava significativamente representada nas ruas. Sem isso, o transtorno n\u00e3o transforma. E o que alguns proclamam como revolu\u00e7\u00e3o ser\u00e1 apenas pontual irrup\u00e7\u00e3o.<\/p><\/div>\n<p><span id=\"Texto\">\u00a0<\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As manifesta\u00e7\u00f5es que tomaram as ruas das cidades brasileiras mexem com as categorias tradicionais de an\u00e1lise. Tudo o que se elabore a respeito ser\u00e1 insuficiente, pr\u00e9-texto que \u00e9 tamb\u00e9m pretexto para justificar o n\u00e3o entendimento completo desse contexto singular. 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