{"id":547,"date":"2012-01-24T00:00:00","date_gmt":"2012-01-24T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/psol50.org.br\/arquivo\/2012\/01\/24\/na-europa-oriental-saudades-do-nazismo\/"},"modified":"2012-01-24T00:00:00","modified_gmt":"2012-01-24T00:00:00","slug":"na-europa-oriental-saudades-do-nazismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/psol50.org.br\/na-europa-oriental-saudades-do-nazismo\/","title":{"rendered":"Na Europa Oriental, saudades do nazismo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\"><strong><a href=\"http:\/\/psol50.org.br\/blog\/2012\/01\/24\/na-europa-oriental-saudades-do-nazismo\/hungria_neonazi\/\" rel=\"attachment wp-att-13343\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-13343\" src=\"http:\/\/psol50.org.br\/files\/2012\/01\/Hungria_NeoNazi.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"238\" \/><\/a>Por Rafael Poch, do <em>La Vanguardia<\/em> | Tradu\u00e7\u00e3o: Daniela Frabasile<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O parlamento da <strong>Est\u00f4nia<\/strong> aprovar\u00e1 em mar\u00e7o, com ampla maioria, a concess\u00e3o do t\u00edtulo de \u201clutadores da liberdade\u201d aos membros da \u201cLegi\u00e3o SS\u201d estoniana que combateu ao lado de Hitler contra os sovi\u00e9ticos, na II Guerra Mundial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os veteranos estonianos da SS, aproximadamente 12 mil homens em 1944, h\u00e1 anos glorificam sua participa\u00e7\u00e3o na guerra, em atos oficiais aos quais convidam ex-SS e jovens neonazistas de outros pa\u00edses. Mas a primeira lei em favor dos \u201clutadores pela liberdade\u201d ser\u00e1 a de mar\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Algo parecido acontece na regi\u00e3o ocidental da <strong>Ucr\u00e2nia<\/strong>, onde os combatentes da divis\u00e3o \u201cGalizia\u201d das SS se glorificam de seus atos h\u00e1 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em Budapeste, capital da Hungria, grupos de ultra-direita da Alemanha, Eslov\u00e1quia, Bulg\u00e1ria e S\u00e9rvia re\u00fanem-se a cada 11 de fevereiro, para comemorar o chamado \u201cdia de honra\u201d. A jornada recorda o fim da batalha pela cidade, na qual um ex\u00e9rcito de 100 mil soldados alem\u00e3es e h\u00fangaros, cercados por sovi\u00e9ticos, manteve posi\u00e7\u00e3o durante 52 dias, em 1945.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cO ocidente se defendeu das ondas vermelhas das estepes da \u00c1sia com um imenso tributo de sangue e hero\u00edsmo\u201d, afirma, neste ano, a convoca\u00e7\u00e3o de grupos neonazistas alem\u00e3es para o ato de Budapeste.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os cerco de Budapeste teve como consequ\u00eancia a aniquila\u00e7\u00e3o de grande parte dos judeus que ainda permanecia na cidade, nas m\u00e3os dos fascistas h\u00fangaros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cEm muitos pa\u00edses do antigo bloco oriental est\u00e1 se abrindo um caminho para uma vers\u00e3o unilateral da Hist\u00f3ria, constru\u00edda sob medida pela ultra-direita avan\u00e7a\u201d, constata o jornalista alem\u00e3o William Totok. O fen\u00f4meno supera o meramente hist\u00f3rico para se manifestar em uma crescente hegemonia pol\u00edtica direitista, que parece seguir as pegadas dos anos trinta, quando a regi\u00e3o esteve dominada por regimes ultradireitistas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Regresso a um passado conhecido<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os pa\u00edses b\u00e1lticos, Rom\u00eania, Bulg\u00e1ria, Hungria, o oeste da Ucr\u00e2nia e a Pol\u00f4nia cat\u00f3lica e conservadora, voltam a se apresentar nos pap\u00e9is que representaram \u00e0s v\u00e9speras da II Guerra Mundial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Naquele conflito, seis pa\u00edses europeus foram aliados militares de Hitler: Finl\u00e2ndia, Hungria, Rom\u00eania, It\u00e1lia, Eslov\u00e1quia e Cro\u00e1cia. Apenas a Finl\u00e2ndia, que n\u00e3o se identificou com a ideologia racista que animava a guerra, manteve um sistema democr\u00e1tico dentro do bloco. Contou, at\u00e9 o final, com soldados e oficiais judeus em seu ex\u00e9rcito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Outro grupo de pa\u00edses oficialmente \u201cneutros\u201d ou ocupados, como Espanha, Fran\u00e7a, B\u00e9lgica, Holanda, Dinamarca e Noruega, enviaram volunt\u00e1rios para lutar com Hitler.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nos pa\u00edses b\u00e1lticos, no C\u00e1ucaso do norte, na Pol\u00f4nia, Ucr\u00e2nia e Bielorr\u00fassia (e mesmo em partes da R\u00fassia), as lembran\u00e7as hist\u00f3ricas do dom\u00ednio imperial russo, da repress\u00e3o e deporta\u00e7\u00e3o stalinistas, da coletiviza\u00e7\u00e3o agr\u00e1ria, al\u00e9m da quest\u00e3o nacional, traduziram-se em lutas ativas contra a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica (URSS) de St\u00e1lin. Hitler usou-as em seu favor de diversas maneiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Lan\u00e7ada por Vaclav Havel e outros dissidentes anticomunistas do antigo bloco oriental, a chamada <a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Prague_Declaration_on_European_Conscience_and_Communism\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201cDeclara\u00e7\u00e3o de Praga\u201d<\/a>, de junho de 2008, abriu espa\u00e7o para que muitas tend\u00eancias internas, nesses pa\u00edses, equiparassem nazismo e comunismo. O documento foi parcialmente aplaudido pela Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Com o pacote do anticomunismo, voltam o antissemitismo e o desprezo pelos ciganos. Na <strong>Litu\u00e2nia<\/strong>, por exemplo, desapareceu de vista a aniquila\u00e7\u00e3o de 95% dos 220 mil judeus locais, entre 1941 e 1944. Os alem\u00e3es davam as ordens, mas a maioria dos executores do exterm\u00ednio foram volunt\u00e1rios lituanos. A mem\u00f3ria dessa colabora\u00e7\u00e3o criminosa n\u00e3o existe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Para construir uma consci\u00eancia nacional \u201climpa\u201d e \u201csem manchas\u201d, os lituanos, que sofreram muito nas m\u00e3os dos sovi\u00e9ticos, usam como escudo seus 30 mil concidad\u00e3os deportados para a Sib\u00e9ria, em 1941; e as dezenas de milhares de novas deporta\u00e7\u00f5es ou execu\u00e7\u00f5es, ao final da guerra. Estes fatos lastim\u00e1veis, no entanto, n\u00e3o os livram dos 195 mil cad\u00e1veres judeus que t\u00eam no arm\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No Museu Nacional de Vilnius, a capital, a narrativa salta o per\u00edodo entre 1941 e 44, para n\u00e3o se deter nos anos-chaves do holocausto e colabora\u00e7\u00e3o. Desde junho de 2010, o c\u00f3digo penal lituano criminaliza o questionamento do \u201cgenoc\u00eddio duplo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em 2008, estabeleceu-se a proibi\u00e7\u00e3o de s\u00edmbolos nazistas e comunistas, mas um tribunal de Klaipeda \u2013 a terceira maior cidade do pa\u00eds \u2013 decidiu, em 2010, que a su\u00e1stica pertence ao \u201cpatrim\u00f4nio cultural lituano\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Devido \u00e0 mesma tentativa de equiparar nazismo e comunismo, na <strong>Rom\u00eania<\/strong> uma organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode se denominar \u201ccomunista\u201d sem arriscar-se a ser considerada \u201camea\u00e7a \u00e0 seguran\u00e7a nacional\u201d. O governo romeno prepara uma lei que pro\u00edbe atos p\u00fablicos que \u201cpropaguem ideias totalit\u00e1rias, ou seja, fascistas, comunistas, racistas ou chauvinistas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na <strong>Rep\u00fablica Checa<\/strong>, o Partido Comunista est\u00e1 amea\u00e7ado de cair na ilegalidade pela mesma ideia. A situa\u00e7\u00e3o na Pol\u00f4nia ficou clara em dezembro passado, quando o jornalista polaco Kamil Majchrzak, redator do <em>Le Monde Diplomatique<\/em>, pediu, durante uma confer\u00eancia que ofereceu em Berlim, para n\u00e3o ser fotografado, pois estava amea\u00e7ado pela extrema direita em seu pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na Hungria, os membros do ex-Partido Comunista, muitos deles agora no Partido Socialista, poder\u00e3o ser perseguidos judicialmente por \u201cdelitos comunistas\u201d cometidos antes de 1989, de acordo com as novas normas introduzidas pelo governo de Viktor Orban.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Revanchismo nacional e questionamento de fronteiras<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A nova legisla\u00e7\u00e3o eleitoral adotada por Budapeste, em favor dos h\u00fangaros residentes no estrangeiro \u2013 ou seja, as minorias h\u00fangaras na Eslov\u00e1quia, S\u00e9rvia e Rom\u00eania \u2013 \u00e9 um convite \u00e0 revis\u00e3o das fronteiras. Sugere que o pa\u00eds questiona o Tratado de Trianon, que, depois da Primeira Guerra Mundial, tirou do pa\u00eds quase um ter\u00e7o de seu territ\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Tal revisionismo \u00e9 impens\u00e1vel, ou muito dif\u00edcil, no quadro da Uni\u00e3o Europeia. Por isso, \u00e9 preciso acompanhar as tend\u00eancias anti Uni\u00e3o Europeia que come\u00e7am a aflorar ao calor da crise.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A degrada\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-econ\u00f4mica despertou o sonho da \u201cGrande Hungria\u201d, explica o jornalista e estudioso em cultura nacional, Bruno Ventavoli. \u201cOs valores da democracia, do pluralismo, do di\u00e1logo ou da diversidade parecem sup\u00e9rfluos, quando na vida cotidiana n\u00e3o h\u00e1 dinheiro para fazer compras ou pagar as contas. Nasce a tenta\u00e7\u00e3o de retroceder sobre si mesmos, sonhando com uma Grande Hungria, adornada com a suspeita de vitimiza\u00e7\u00e3o pelas feridas da Hist\u00f3ria; desde as guerras contra os turcos at\u00e9 a invas\u00e3o sovi\u00e9tica, passando pelo Tratado de Trianon\u201d, diz Ventavoli.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Os reveladores crit\u00e9rios da Uni\u00e3o Europeia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na sede da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia, Bruxelas, n\u00e3o aconteceu muita coisa enquanto o primeiro-ministro h\u00fangaro, Viktor Orban, limitava-se a restringir a democracia com medidas e projetos que atentam contra a liberdade de imprensa ou a divis\u00e3o de poderes. Tamb\u00e9m n\u00e3o houve queixas enquanto expurgava, do governo e dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, vozes cr\u00edticas. O Partido Popular Europeu, a que pertencem os partidos que governam a Fran\u00e7a e Alemanha, n\u00e3o se incomodou com isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O problema come\u00e7ou de verdade quando Orban anunciou medidas como a mudan\u00e7a do sistema fiscal, a nacionaliza\u00e7\u00e3o dos fundos privados de pens\u00f5es, a concess\u00e3o, ao Parlamento, de direito de veto sobre a legisla\u00e7\u00e3o europeia e, principalmente, a submiss\u00e3o do Banco Central ao controle direto do governo. Foi ent\u00e3o que Bruxelas afirmou que \u201cos valores europeus\u201d est\u00e3o em perigo na Hungria e come\u00e7ou a tecer, junto com o FMI, o objetivo de afastar Orban do governo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os bancos austr\u00edacos est\u00e3o muito expostos a uma eventual crise da economia h\u00fangara, perto de quebrar. Ainda que a Hungria n\u00e3o esteja na zona do euro, essa conex\u00e3o com a \u00c1ustria \u00e9 vista com enorme temor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mas promover um terceiro \u201cgolpe tecnocr\u00e1tico\u201d na Europa, depois do grego e do italiano, \u00e9 complicado, aponta o di\u00e1rio h\u00fangaro N\u00e9pszabads\u00e1g. \u201cN\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil destituir um primeiro ministro do exterior quando foi eleito, conta com dois ter\u00e7os das cadeiras do Parlamento, e a oposi\u00e7\u00e3o est\u00e1 fragilizada\u201d, observa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Orban chegou ao poder em 2010, em consequ\u00eancia do desencanto com uma coaliz\u00e3o de governo anterior, encabe\u00e7ada pelos socialistas. Aquele sentimento tamb\u00e9m consagrou ao partido fascista Jobbik como terceira for\u00e7a do pa\u00eds. Em 2008, os socialistas e seus aliados haviam iniciado, sob ordens do FMI, duras medidas de ajuste e de desmonte do setor p\u00fablico \u2013 que Orban continuou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O primeiro ministro tem uma s\u00f3lida maioria apoiando seu projeto retr\u00f3grado. Os cem mil h\u00fangaros que sa\u00edram em 2 de janeiro \u00e0s ruas de Budapeste contra Orban est\u00e3o presos entre dois cen\u00e1rios antidemocr\u00e1ticos: o nacional-direitista, de seu governo, e o europeu tecnocr\u00e1tico, de Berlim e Bruxelas. Ambos t\u00eam muito em comum \u2013 por exemplo, dissolver a democracia e a soberania nacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cAl\u00e9m de querer conservar um regime representativo e constitucional, as pot\u00eancias ocidentais e a Comiss\u00e3o Europeia reivindicam que a Hungria adote uma pol\u00edtica econ\u00f4mica que n\u00e3o serve aos interesses do povo h\u00fangaro\u201d, aponta o fil\u00f3sofo G\u00e1sp\u00e1s Mikl\u00f3s Tam\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cDecepcionado em muitas ocasi\u00f5es, o povo h\u00fangaro poderia n\u00e3o ver no \u2018motivo democr\u00e1tico\u2019 de Bruxelas mais que um mero adorno, algo para disfar\u00e7ar o peso das medidas de \u201causteridade\u201d cada vez mais pesadas, impostas pelas pot\u00eancias ocidentais preocupadas com a estabilidade financeira\u201d, diz. Essa contradi\u00e7\u00e3o torna \u201cmuito fr\u00e1gil\u201d a situa\u00e7\u00e3o da oposi\u00e7\u00e3o h\u00fangara, conclui Tam\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>A extrema direita pode liderar<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Questionar a \u201cindepend\u00eancia\u201d do Banco Central (ou seja, sua submiss\u00e3o \u00e0s finan\u00e7as privadas) e as pol\u00edticas de \u201causteridade\u201d da Uni\u00e3o Europeia \u00e9 um perigoso precedente de rebeldia, um desafio \u00e0 democracia submetida ao mercado, propugnada por governantes como Angela Merkel e Nicolas Sarkozy. O paradoxo \u00e9 que tal precedente est\u00e1 sendo aberto n\u00e3o por um governo de esquerda \u2013 mas de extrema-direita. A mensagem n\u00e3o pode ser mais clara: na Europa, a crise est\u00e1 criando buracos negros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O caso h\u00fangaro adverte, da forma mais clara, que a extrema direita, com seu desprezo ao fraco, seu racismo, sua xenofobia e sua propens\u00e3o ao militarismo, est\u00e1 disposta a rechear esse buraco com programas e propostas perfeitamente capazes de conquistar a rua e a lideran\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Rafael Poch, do La Vanguardia | Tradu\u00e7\u00e3o: Daniela Frabasile O parlamento da Est\u00f4nia aprovar\u00e1 em mar\u00e7o, com ampla maioria, a concess\u00e3o do t\u00edtulo de \u201clutadores da liberdade\u201d aos membros da \u201cLegi\u00e3o SS\u201d estoniana que combateu ao lado de Hitler contra os sovi\u00e9ticos, na II Guerra Mundial. 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