{"id":563,"date":"2012-02-19T00:00:00","date_gmt":"2012-02-19T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/psol50.org.br\/arquivo\/2012\/02\/19\/a-reoganizacao-ativa-dos-movimentos-sociais-em-angola\/"},"modified":"2012-02-19T00:00:00","modified_gmt":"2012-02-19T00:00:00","slug":"a-reoganizacao-ativa-dos-movimentos-sociais-em-angola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/psol50.org.br\/a-reoganizacao-ativa-dos-movimentos-sociais-em-angola\/","title":{"rendered":"A (re)oganiza\u00e7\u00e3o ativa dos movimentos sociais em Angola"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify\">\n<p><em><strong><a href=\"http:\/\/psol50.org.br\/blog\/2012\/02\/19\/a-reoganizacao-ativa-dos-movimentos-sociais-em-angola\/movimentossociaisangola\/\" rel=\"attachment wp-att-13802\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-13802\" src=\"http:\/\/psol50.org.br\/files\/2012\/02\/Movimentossociaisangola-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" \/><\/a>*Por Adill Abel<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Essa \u00e9 a quest\u00e3o que urge ser respondida. \u00c9 em fun\u00e7\u00e3o dela que objetivamos contribuir ao participar da pol\u00eamica sobre a suposta &#8220;reorganiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e surgimento destes movimentos&#8221;. Pois, a meu ver, a ideia de &#8220;reorganiza\u00e7\u00e3o politica&#8221;, tal como vem sendo vinculadas por alguns grupos, t\u00eam na pr\u00e1tica contribu\u00eddo para desviar a quest\u00e3o central em pauta. Que \u00e9 o &#8220;fenomenal&#8221; comprometimento da massa juvenil africano, com as quest\u00f5es sociopol\u00edticas em nossos pa\u00edses.<\/p>\n<p>Partindo desse princ\u00edpio, &#8220;cujo protagonismo nos compete&#8221;, n\u00e3o podemos apontar apenas a minoria juvenil; esta ou aqueles como a vanguarda e a base das ideias reformistas. H\u00e1 outras for\u00e7as pol\u00edticas que tamb\u00e9m a defendem, inclusive for\u00e7as pol\u00edticas que fazem &#8220;esquerda&#8221; emergir em meio a caos, uma oposi\u00e7\u00e2o que tem propostas de mudan\u00e7as orientadas por ideias revolucion\u00e1rias e n\u00e3o sanguin\u00e1rias como os lun\u00e1ticos e fan\u00e1ticos no poder t\u00eam apregoado. Como os pressupostos fundamentais as quais partem todas essas for\u00e7as s\u00e3o os mesmos, e os mesmos s\u00e3o discutidos aqui, consideremos que, apesar das diferen\u00e7as que existem entre n\u00f3s, estamos dialogando na verdade com toda uma corrente de pensamento que se identifica com a ideia central, da qual todo sujeito oprimido faz parte e nos angolanos mais ainda.<\/p>\n<p>Na mesma perspectiva, refor\u00e7o que, nosso objetivo \u00e9 discutir ideias e perspectivas de rupturas-politicas \u2013 e, portanto, defender certas ideias e combater certas ideias, defender certas condutas e combater certas condutas, mas n\u00e3o este ou aquele partido. Ser duro no debate de ideias n\u00e3o \u00e9 ser sect\u00e1rio. O sectarismo \u00e9 a nega\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a dessa ou daquela for\u00e7a pol\u00edtica no movimento, e o n\u00e3o reconhecimento de seu lugar no movimento, e evidentemente n\u00e3o se trata disso aqui.<\/p>\n<p>A provar que a &#8220;reorganiza\u00e7\u00e3o do movimento&#8221; \u00e9 concreta, se materializa quando, vislumbramos uma grande corrente no seio da sociedade. O fato \u00e9 de que as lutas passam a ser fomentadas por diversos &#8220;atores sociais&#8221;, a come\u00e7ar pela m\u00eddia privada e as redes sociais. Ao mesmo tempo, vale salientar que um movimento na sua efervesc\u00eancia sem dire\u00e7\u00e3o, assume um suposto car\u00e1ter unilateral, no qual a inexist\u00eancia de dire\u00e7\u00e3o e projeto determina todo seu fracasso. Portanto, se algumas for\u00e7as e institui\u00e7\u00f5es nos atribuem \u00e0 ideia de &#8220;aventureiros ou movimento sem dire\u00e7\u00e3o&#8221; de um car\u00e1ter unilateral \u2013 pelo menos \u2013 \u00e9 porque essa ideia de fato tem para estas for\u00e7as este car\u00e1ter, mesmo que seja m\u00ednima.<\/p>\n<p>Embora alguns companheiros e companheiras das redes sociais se esforcem em propagandear a exist\u00eancia de um movimento dessa natureza, o fato \u00e9 que ele ainda n\u00e3o existe. Prova disso \u00e9 que reconhecemos isso quando afirmamos, que tratar-se apenas de uma minoria do movimento combativo que assumiu o compromisso de massa. A base real para a cria\u00e7\u00e3o de movimentos populares capaz de articular nacionalmente as lutas vislumbra-se na necessidade de um movimento de massas que sinta essa necessidade e que defenda isso na sua pr\u00e1tica. O que ocorre na verdade \u00e9 que muitos querem que exista um movimento dessa natureza, e lan\u00e7aram o slogan achando que dessa forma o movimento imergiria entre as massas. Creio que ainda n\u00e3o atingimos este patamar. Mas n\u00e3o podemos desconsiderar as novas express\u00f5es e for\u00e7as que se levantam n\u00f3s espa\u00e7o alternativo.<\/p>\n<p>Essas contradi\u00e7\u00f5es ocorrem porque se mistura a an\u00e1lise subjetiva da realidade (&#8230;) com a express\u00e3o da pr\u00f3pria vontade. Ou seja, ainda n\u00e3o h\u00e1 um movimento de massas no sentido de romper com atual ESTADO e criar uma nova entidade, o que vivemos ainda \u00e9 a vontade de algumas for\u00e7as pol\u00edticas de se posicionar contra as atrocidades deste Estado, idealizando outro. Embora seja um elemento necess\u00e1rio da luta pol\u00edtica, a vontade n\u00e3o determina a realidade. &#8220;Os homens fazem a hist\u00f3ria, mas n\u00e3o fazem como querem, e sim de acordo com as condi\u00e7\u00f5es que lhe s\u00e3o impostas&#8221;. E as condi\u00e7\u00f5es para a realiza\u00e7\u00e3o da vontade dos angolanos n\u00e3o est\u00e3o dadas e n\u00e3o surgir\u00e3o &#8220;messianicamente&#8221;, caso contr\u00e1rio, j\u00e1 teriam surgido com a efervesc\u00eancia das entidades messi\u00e2nicas que brotam a cada dia no nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>Na verdade, o surgimento de um grande movimento de massas nacional no meio juvenil depende de outras tarefas, que n\u00e3o t\u00eam nada de abstracto, mas, ao contr\u00e1rio, s\u00e3o bastante concretas, a come\u00e7ar pelo trabalho de base. E o fato \u00e9 que a ideologia da &#8220;reorganiza\u00e7\u00e3o do movimento&#8221;, tal como vem sendo colocada, tem contribu\u00eddo para desarticular as bases de qual quer movimento e do cumprimento dessas tarefas.<\/p>\n<p>Diante disso, poder\u00edamos pensar que esses movimentos e outros atores estejam ent\u00e3o partindo do pressuposto de que todos aqueles que t\u00eam &#8220;compromisso com as lutas ou n\u00e3o&#8221; e que n\u00e3o concorda com o rumo da pol\u00edtica angolana \u2013 em algum momento vestir\u00e3o a camisa e as bandeiras de luta a reboque e seguir\u00e3o as ideias de fulano e ciclano. Mas como n\u00e3o \u00e9 razo\u00e1vel que uma for\u00e7a pol\u00edtica parta deste pressuposto, n\u00e3o acredito que os companheiros e companheiras trabalhem com essas perspectivas.<\/p>\n<p>Nesse caso as articula\u00e7\u00f5es nacionais s\u00e3o necess\u00e1rias e, portanto, devem ser constru\u00eddas. N\u00e3o me refiro em articula\u00e7\u00e3o no sentido abstrato, pois mobilizar n\u00e3o \u00e9 organizar. Me refiro ao esfor\u00e7o, levado a cabo por algumas for\u00e7as, em construir determinadas articula\u00e7\u00f5es confusas, que na pr\u00e1tica t\u00eam escamoteado os reais desafios que dev\u00edamos enfrentar. Numa linguagem mais simpl\u00f3ria \u00e9 que precisamos entender que estamos todos no mesmo barco, por\u00e9m, nem todos remam na mesma dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse balan\u00e7o deve ser feito pela pr\u00e1tica, afinal, a pr\u00e1tica \u00e9 o crit\u00e9rio da verdade: em quantas discuss\u00f5es, reuni\u00f5es, encontros e passeatas e debates deixamos de discutir temas candentes para discutir <a href=\"http:\/\/www.mpla-angola.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">MPLA<\/a> x <a href=\"http:\/\/www.unitaangola.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">UNITA<\/a> ou MPLA x FULANO? E, passados anos, que diferen\u00e7a essa discuss\u00e3o fez na pr\u00e1tica? Algum movimento ou partido cresceu? Tem mais base? Est\u00e1 mais coeso? Melhor organizado? Est\u00e1 mais democr\u00e1tico? Menos sect\u00e1rio? Avan\u00e7ou na forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e ideol\u00f3gica de sua milit\u00e2ncia? Avan\u00e7ou na rela\u00e7\u00e3o com outros movimentos sociais? Vendo a realidade como ela \u00e9, com objetividade, \u00e9 for\u00e7oso reconhecer que para todas perguntas a resposta \u00e9 n\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que essa pol\u00eamica MPLA x UNITA n\u00e3o foi a \u00fanica respons\u00e1vel por isso, mas contribuiu e muito por exemplo para INEXISTENCIAS de um MOVIMENTO POPULAR COMBATIVO em Angola e sem falar dos outros partidos que n\u00e3o conseguiram se articular e nem comporem uma frente de oposi\u00e7\u00e3o ao governo. Perdemos a oportunidade de enfrentar todos estes desafios, mas isso n\u00e3o significa que \u00e9 o fim.<\/p>\n<p>O questionamento a ser feito \u00e9 que, se o problema central da n\u00e3o ades\u00e3o dos JOVENS aos Movimentos Sociais \u00e9 o MEDO, ent\u00e3o naquelas entidades de chapas identificadas como milit\u00e2ncia juvenil a exemplo da JMPLA, Movimento Espont\u00e2neo, entre outros. Ser\u00e1 que venceram o medo ou vivem uma realidade transcendente a nossa, afinal, o principal &#8220;entrave&#8221;, &#8220;bloqueio&#8221; que permeia a nossa realidade n\u00e3o \u00e9 o mesmo que os permeia? \u2013 No entanto, alguns dir\u00e3o que n\u00e3o, mas eu prefiro acreditar que n\u00e3o e nem sim. (KK, 2011)<\/p>\n<p>Acredito nisso por dois motivos: primeiro porque n\u00f3s os jovens angolanos temos in\u00fameros problemas, de modo que a quest\u00e3o do medo est\u00e1 longe de ser o problema central (e, portanto, a mera substitui\u00e7\u00e3o da &#8220;a-politicos e medrosos&#8221; pela &#8220;revolucionarios e ativistas combativos&#8221; n\u00e3o resolve os problemas (&#8230;) nem dos jovens, nem dos demais partidos!).<\/p>\n<p>Segundo porque, temos insistido em cometer os mesmo erros a anos, boa parte desses erros ocorre justamente porque covardemente demos centralidade e subordinamos indiretamente a essas &#8220;JMPLAs e companias&#8221; o trabalho de base e de representa\u00e7\u00e3o da juventude angolana. Tudo o que n\u00e3o acumulasse para a constru\u00e7\u00e3o de uma identidade juvenil era secundarizado, quando n\u00e3o ignorado.<\/p>\n<p>Quest\u00f5es pol\u00edticas para n\u00f3s sempre foram assuntos para malucos e militantes partid\u00e1rios. E o resultado disso n\u00e3o poderia ser outro: hoje sentimos na pele os reflexos dessa simbiose. H\u00e1 uma massa juvenil partid\u00e1ria que confunde politica com partidarismo fan\u00e1tico e dizem ser a juventude angolana engajada na pol\u00edtica do pa\u00eds, legitimo ou n\u00e3o, n\u00f3s temos contribu\u00eddo para este processo e de vez em quando ca\u00edmos em suas teias melindrosas.<\/p>\n<p>Cabe ent\u00e3o indagar-se? E dar uma resposta proporcional aos ataques? N\u00e3o, creio que o caminho n\u00e3o seja rebater ou bater de frente. Mas n\u00e3o quer dizer que devemos nos silenciar. Precisamos fazer um balan\u00e7o dos motivos e os aspectos a serem defendidos. (Quando me refiro \u00e0 luta esque\u00e7a a sua pouca imagina\u00e7\u00e3o que o leva a crer que falo de guerra, me refiro a outros meios).<\/p>\n<p>Perdemos tempo porque esta n\u00e3o \u00e9 uma demanda real nem da base nem da maioria da milit\u00e2ncia, mas uma demanda imposta por algumas for\u00e7as pol\u00edticas, dentre elas o MPLA e as suas artimanhas. Se fosse uma demanda real da base, hoje existiria uma entidade nacional alternativa \u00e0 JMPLA, com ou sem a participa\u00e7\u00e3o dos jovens angolanos. Essa pol\u00e9mica s\u00f3 serviu para desgastar os espa\u00e7os e serem monopolizados por eles. Por causa dessa pol\u00eamicas, a oposi\u00e7\u00e3o e consequentemente a esquerda deixou de construir a unidade de amplos setores em torno de a\u00e7\u00f5es capazes de rebater e debater as a\u00e7\u00f5es e os ataques desse governo anti-democraticas.<\/p>\n<p>Voc\u00ea pode dizer e afirma que o questionamento que fa\u00e7o &#8220;despolitiza o debate&#8221;. Ora, qual debate foi mais despolitizado e despolitizante nos \u00faltimos 20 anos para o nos angolano do que a &#8220;pol\u00e9mica&#8221; MPLA x UNITA?! Todos os espa\u00e7os na midia e n\u00e3o s\u00f3 foram praticamente monopolizados por essa pol\u00eamica, e que diferen\u00e7a isso fez no final das contas?! S\u00f3 contribuiu para desarticular, desorganizar e enfraquecer a sociedade civil angolana! Dificilmente uma pol\u00eamica despolitizou tanto o debate na sociedade civil do que essa.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata aqui de n\u00e3o reconhecer o valor dos outros partidos que deveriam construir a &#8220;oposi\u00e7\u00e3o&#8221;. A verdade \u00e9 que este movimentos nunca existiram, e, no entanto, parece-me que n\u00f3s jovens temos uma inclina\u00e7\u00e3o a hiperdimensionar o pr\u00f3prio valor: caso contr\u00e1rio, onde se quer chegar ao insistir que &#8220;o MPLA foi a \u00fanica que fez isso e fez aquilo&#8221;, quando a verdade \u00e9 que a sociedade angolana foi \u00fanica, que lutou e vestiu o luto!! Seriamos fi\u00e9is \u00e0 realidade se dissessem que a MPLA foi um dos catalisadores das lutas em defesa do POVO ANGOLANO, fora e dentro do cen\u00e1rio Africano, isso a 45 anos atr\u00e1s. No fundo, \u00e9 essa cren\u00e7a narcisista; &#8220;eu sou o principal&#8221;, &#8220;eu sou o \u00fanico&#8221;: a postura de subordinar tudo \u00e0 autoconstru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 leg\u00edtimo que as for\u00e7as pol\u00edticas que atuam como movimento de massa busquem se autoconstruir, mas n\u00e3o \u00e9 leg\u00edtimo quando essa autoconstru\u00e7\u00e3o se d\u00e1 na base da ideia de que &#8220;o objetivo ao qual tudo deve estar subordinado \u00e9 o meu fortalecimento, afinal, eu sou a \u00fanica alternativa, e, portanto, este objetivo deve ser perseguido inclusive \u00e0s custas do enfraquecimento do movimento&#8221; Este tipo de pensamento \u00e9 um dos desvios mais graves. Quando se parte da\u00ed, caminha-se justamente na dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria do objetivo maior, que \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o de um movimento de massas combativo, com base real e articulado nacionalmente. (Portanto, se o objetivo realmente \u00e9 articular o movimento nacionalmente, a autoproclama\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o caminho. Ao contr\u00e1rio, s\u00f3 atrapalha).<\/p>\n<p>S\u00e3o muitos os desafios a serem enfrentados pelos movimentos sociais angolanos. A articula\u00e7\u00e3o nacional das lutas \u00e9 um deles, o qual depende do trabalho de base em cada movimento n\u00e3o daquele &#8220;trabalho de base&#8221; voltado \u00fanica e exclusivamente para a autoconstru\u00e7\u00e3o do partido, mas do trabalho de base que, al\u00e9m do partido, fortalece o movimento, em si, e suas organiza\u00e7\u00f5es: (Associa\u00e7\u00e3o de moradores do Bairro A e D, Executivas, Grupo de Revolucionarios A e B, Coletivos Feministas etc )\u2013 independentemente de quem seja a gest\u00e3o \u00e9 importante que as ideias sejam centradas e fundas em perspectivas do MATERIALISMO HISTORICAS DIALETICAS.<\/p>\n<p>Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio que as for\u00e7as pol\u00edticas que atuam no movimento, a come\u00e7ar pelos segmentos JUVENIS, entendam que autoconstru\u00e7\u00e3o n\u00e3o precisa vir acompanhada da autoproclama\u00e7\u00e3o; que a autoproclama\u00e7\u00e3o \u00e9 um desvio e que \u00e9 perfeitamente poss\u00edvel cada for\u00e7a se autoconstruir sem se autoproclamar &#8220;a melhor&#8221;, muito menos &#8220;a \u00fanica&#8221;; que entre as for\u00e7as pol\u00edticas de esquerda n\u00e3o h\u00e1 uma que seja &#8220;a principal&#8221;, mas todas contribuem com o movimento (ou pelo menos podem contribuir); que uma for\u00e7a pol\u00edtica n\u00e3o pode almejar dirigir sozinha UMA LUTA COLETIVA (seja local, nacional ou internacionalmente), e esperar que a milit\u00e2ncia independente e as demais for\u00e7as venham a reboque; e que o melhor caminho inclusive para viabilizar a pr\u00f3pria autoconstru\u00e7\u00e3o \u00e9 subordin\u00e1-la \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do movimento e ao fortalecimento do movimento e de suas organiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso que todos aqueles que atuam em qualquer MOVIMENTO e que t\u00eam compromisso com a luta se conscientizem de que h\u00e1 todo um conjunto de desafios a serem enfrentados, e que o movimento s\u00f3 vai conseguir enfrent\u00e1-los quando superar as posturas autoproclamat\u00f3rias que persistem nele. Porque a meu ver o car\u00e1cter na nossa sociedade ainda vale menos que uma grade de CERVEJA ou um TOYOTA. E usamos a palavra medo para mascarar o que todos n\u00f3s j\u00e1 vivemos h\u00e1 anos. Conhecer quem s\u00e3o os nossos e se reorganizar para lutar, faz-se necess\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>Adill Abel<\/strong> \u00e9 angolano, mora no Brasil e estuda Servi\u00e7os Sociais na UNITAU (Universidade de Taubat\u00e9) no interior de S\u00e3o Paulo. Atualmente cursa mestrado em Ci\u00eancias Pol\u00edticas na PUC-SP.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>*Por Adill Abel Essa \u00e9 a quest\u00e3o que urge ser respondida. \u00c9 em fun\u00e7\u00e3o dela que objetivamos contribuir ao participar da pol\u00eamica sobre a suposta &#8220;reorganiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e surgimento destes movimentos&#8221;. 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