{"id":701,"date":"2007-11-30T00:00:00","date_gmt":"2007-11-30T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/psol50.org.br\/arquivo\/2007\/11\/30\/entrevista-multinacionais-e-latifundio\/"},"modified":"2007-11-30T00:00:00","modified_gmt":"2007-11-30T00:00:00","slug":"entrevista-multinacionais-e-latifundio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/psol50.org.br\/entrevista-multinacionais-e-latifundio\/","title":{"rendered":"Entrevista &#8211; Multinacionais e latif\u00fandio"},"content":{"rendered":"<p>Hugo Scotte entrevista\u00a0 Mauro Zibulski, do MST\/RS.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><em>\u201cHoje as pol\u00edcias estaduais t\u00eam uma for\u00e7a especial para cuidar das lavouras. No caso do Paran\u00e1, onde o Governador n\u00e3o tem essa pol\u00edtica, as empresas contratam seguran\u00e7a privada. A Via Campesina e o MST ocuparam os terrenos da Syngenta para denunciar que a empresa fazia experimentos com transg\u00eanicos e estava descumprindo a lei, porque l\u00e1 \u00e9 proibido produzir transg\u00eanicos. <\/em><\/p>\n<p><em>Os pistoleiros assassinaram o companheiro Keno e feriram mais seis, alguns deles est\u00e3o ainda em estado grave, com a sa\u00fade comprometida para o resto da vida. As multinacionais utilizam agora essas \u201cempresas de seguran\u00e7a\u201d formadas por pistoleiros, como fachada, para reprimir os trabalhadores que lutam por terra e as outras organiza\u00e7\u00f5es sociais, n\u00e3o s\u00f3 no Paran\u00e1, mas em todo o Brasil. <\/em><\/p>\n<p><em>Aqui, no Rio Grande do Sul, temos o caso da fazenda Coqueiros, protegida pela Brigada Militar (pol\u00edcia militar do Estado) h\u00e1 quatro anos.<\/em><\/p>\n<p><em>Quando os fazendeiros atacam os trabalhadores, como ocorreu em v\u00e1rios lugares: Bag\u00e9, S\u00e3o Sep\u00e9&#8230;, a pol\u00edcia do estado nada faz.<\/em><\/p>\n<p><em>Na viol\u00eancia contra os trabalhadores, a Justi\u00e7a \u00e9 conivente, grande parte da m\u00eddia \u00e9 c\u00famplice e o Estado protege os fazendeiros e as multinacionais\u201d. <\/em><\/p>\n<p><em>Mauro Zibulski<\/em><\/p>\n<p><strong>As multinacionais est\u00e3o se instalando na Regi\u00e3o Sul?<\/strong><\/p>\n<p>As tr\u00eas grandes empresas que est\u00e3o impedindo que a reforma agr\u00e1ria avance no Estado do Rio Grande do Sul s\u00e3o: Aracruz Celulose, Votorantins e Stora Enso.<\/p>\n<p>As multinacionais s\u00e3o donas de latif\u00fandios que crescem cada vez mais. H\u00e1 um projeto para plantar eucalipto em um milh\u00e3o de hectares para produzir celulose at\u00e9 o ano de 2020. Nessa \u00e1rea daria para assentar 43 mil fam\u00edlias. Cada planta consome por volta de 30 litros de \u00e1gua por dia; al\u00e9m disso, o eucalipto n\u00e3o deixa outra vegeta\u00e7\u00e3o se criar no meio. <\/p>\n<p>N\u00f3s iniciamos uma marcha no dia 11 de setembro, composta por tr\u00eas colunas de 500 pessoas cada uma. Durante os primeiros dias, fizemos o debate com a sociedade e a den\u00fancia do que significa essa monocultura da celulose. Fizemos mobiliza\u00e7\u00f5es em Porto Alegre, em frente ao pal\u00e1cio da Governadora Yeda Crusius. Ela simplesmente trocou a Secret\u00e1ria do Meio Ambiente, exonerou funcion\u00e1rios e n\u00e3o aceitou o relat\u00f3rio feito pelos t\u00e9cnicos e pelas universidades, que alertava sobre os danos ecol\u00f3gicos dessa produ\u00e7\u00e3o. Liberou, inclusive, plantios de eucalipto em a\u00e9reas de fronteira. Por lei, as empresas multinacionais, estrangeiras, n\u00e3o poderiam se instalar a menos de 15 quil\u00f4metros das fronteiras, por uma quest\u00e3o de seguran\u00e7a nacional. A governadora autorizou isso e a Justi\u00e7a \u00e9 conivente. A Stora Enso, que \u00e9 uma empresa da Finl\u00e2ndia, agora pode instalar-se em nossas fronteiras.<\/p>\n<p>L\u00e1, no pa\u00eds deles, o eucalipto leva quase trinta anos para crescer. Mas no Brasil, especialmente no Rio Grande do Sul, por causa do clima, do solo, da \u00e1gua, passados sete ou oito anos, j\u00e1 est\u00e1 pronto para o corte. A madeira \u00e9 cortada, esmagada, branqueada com cloro \u2013 o que leva a toda uma destrui\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, da natureza &#8211; e, finalmente, \u00e9 enviada ao exterior, onde \u00e9 transformada verdadeiramente em mat\u00e9ria prima. Eles dizem que geram empregos, mas deve ser em outros pa\u00edses. Aqui s\u00f3 fica a destrui\u00e7\u00e3o da natureza. \u00c9 o grande neg\u00f3cio das empresas no Uruguai, na Argentina, no Sul do Brasil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 uma transforma\u00e7\u00e3o do latif\u00fandio?<\/strong><\/p>\n<p>As grandes empresas de celulose est\u00e3o se instalando nos principais reservat\u00f3rios de \u00e1gua doce: o Gua\u00edba, o Rio Uruguai e o Aq\u00fc\u00edfero Guarani. Elas est\u00e3o ali para lavar celulose. A \u00e1gua ser\u00e1, com certeza, o neg\u00f3cio do futuro. <\/p>\n<p>O governo brasileiro \u00e9 c\u00famplice porque financia as empresas que compram o latif\u00fandio, em lugar de financiar assentamentos de trabalhadores sem terra.<\/p>\n<p>Hoje, para um latifundi\u00e1rio, o melhor neg\u00f3cio \u00e9 vender a terra para as multinacionais. A Federa\u00e7\u00e3o da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul\u00a0 (FARSUL), participa ativamente desses neg\u00f3cios. <\/p>\n<p>Na \u00e1rea de S\u00e3o Gabriel, a Fazenda da fam\u00edlia Southal possui uma d\u00edvida de 54 milh\u00f5es de reais. Se vendesse toda a \u00e1rea de 13 mil hectares que ocupa, n\u00e3o conseguiria pagar o total dessa d\u00edvida, a maior parte contra\u00edda com bancos p\u00fablicos (Banco do Brasil, Caixa Econ\u00f4mica Federal, Banrisul) e com o INSS. A Justi\u00e7a deveria executar essa fazenda por conta da d\u00edvida hist\u00f3rica n\u00e3o paga.<\/p>\n<p>Hoje, a disputa est\u00e1 colocada e s\u00f3 h\u00e1 duas sa\u00eddas: ou se assentam as fam\u00edlias de sem terra ou a terra vai ser vendida para o plantio de eucalipto. A Aracruz j\u00e1 est\u00e1 comprando. Ent\u00e3o, por que os fazendeiros deixam a Aracruz, comprar essa terra e n\u00e3o querem que os pobres se assentem a\u00ed, onde seriam gerados, imediatamente, 1.500 empregos?<\/p>\n<p>O plantio de eucalipto gera, hoje, segundo dados das universidades, um emprego a cada 185 hectares. A agricultura familiar gera um emprego a cada cinco hectares, \u00e0s vezes, mais.<\/p>\n<p>A maioria dos governadores est\u00e1 comprometida com essas grandes empresas, at\u00e9 porque as suas campanhas eleitorais s\u00e3o financiadas por elas. Pouqu\u00edssimos candidatos a deputado ou ao governo n\u00e3o receberam doa\u00e7\u00f5es para campanha dessas empresas. <\/p>\n<p>E o Governo Federal n\u00e3o tem a coragem, a vontade, de enfrentar a bancada ruralista que historicamente mama nas tetas do Estado. Fica negociando com eles, que acabam sempre levando a melhor fatia. Assim, a reforma agr\u00e1ria n\u00e3o avan\u00e7a, como tantas outras quest\u00f5es sociais que j\u00e1 deveriam ter avan\u00e7ado no Governo Lula. O presidente deveria assumir uma posi\u00e7\u00e3o diferente pela sua origem, pelo seu compromisso, pela sua hist\u00f3ria&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Por que n\u00e3o avan\u00e7a a reforma agr\u00e1ria?<\/strong><\/p>\n<p>No Rio Grande do Sul h\u00e1 em torno de 130 mil fam\u00edlias sem terra &#8211; segundo dados do IBGE de tr\u00eas anos atr\u00e1s &#8211; e 838 latif\u00fandios com mais de 2 mil hectares. Desapropriadas essas terras, daria para assentar as 130 mil fam\u00edlias. Isso praticamente resolveria o problema da terra no Estado.<\/p>\n<p>Por exemplo, a Fazenda da fam\u00edlia Guerra, em Coqueiros do Sul, tem 9 mil hectares, ali daria para assentar 450 fam\u00edlias. Ela gera, hoje, 2 empregos diretos, com carteira assinada, e 20 indiretos, pessoas que, temporariamente, trabalham naquela fazenda. Ela abrange 28% do munic\u00edpio e gera s\u00f3 6% do imposto de todo o munic\u00edpio. O prefeito de Coqueiros do Sul tem dito que quatro avi\u00e1rios de pequenos agricultores geram mais impostos que toda a Fazenda Guerra, uma vez que ela, produzindo soja para a exporta\u00e7\u00e3o, beneficia-se da Lei Kandir, que insenta de impostos quem produz para exportar.<\/p>\n<p>O Governo do Estado n\u00e3o tem nenhuma pol\u00edtica a favor da reforma agr\u00e1ria e o Governo Federal apenas assenta, \u00e0s vezes, um pequeno n\u00famero de fam\u00edlias, para amenizar a situa\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Para o primeiro plano de assentamentos do Governo Lula, n\u00f3s, do MST, prop\u00fanhamos 1 milh\u00e3o de fam\u00edlias assentadas. O Governo aceitou mas, depois, baixou para 460 mil. E assentou apenas 105 mil fam\u00edlias no pa\u00eds durante todos seus anos de mandato. No RS, somente 810 fam\u00edlias foram assentadas.<\/p>\n<p>O Governo Federal justifica-se dizendo que n\u00e3o h\u00e1 \u00e1reas improdutivas, que tem problemas, que h\u00e1 terras que n\u00e3o podem ser mexidas&#8230; Mas para encarar esse problema, deveria ter pol\u00edticas. Por exemplo, os \u00edndices de produtividade vigentes n\u00e3o foram mexidos, eles t\u00eam mais de 35 anos. Os fazendeiros ganharam, nesse tempo, o cultivo de transg\u00eanicos, uma tecnologia avan\u00e7ad\u00edssima, que gera uma produtividade maior. Se o Governo n\u00e3o atualizar esses \u00edndices, se n\u00e3o tomar novas determina\u00e7\u00f5es sobre o tamanho das propriedades, a reforma agr\u00e1ria n\u00e3o vai avan\u00e7ar. <\/p>\n<p>\u00c9 por isso que n\u00f3s, n\u00e3o tendo mais sa\u00edda, pois no Estado temos fam\u00edlias que est\u00e3o acampadas h\u00e1 mais de cinco anos, organizamos essa marcha de tr\u00eas colunas, 1.500 pessoas no total. E estabelecemos um debate com a sociedade: a den\u00fancia qu<br \/>\ne a Reforma Agr\u00e1ria n\u00e3o avan\u00e7a e a transforma\u00e7\u00e3o do latif\u00fandio para a produ\u00e7\u00e3o de celulose. As multinacionais est\u00e3o desenvolvendo uma pesada propaganda na imprensa, nas escolas est\u00e3o distribuindo cadernos, onde aparecem como os \u201csalvadores da p\u00e1tria\u201d.<\/p>\n<p>Os grandes meios de comunica\u00e7\u00e3o t\u00eam trabalhado criminalizando os movimentos sociais. N\u00e3o mostram a luta pela reforma agr\u00e1ria, n\u00e3o mostram a realidade dos assentamentos do MST, apenas mostram o conflito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Qual a avalia\u00e7\u00e3o da Marcha?<\/strong><\/p>\n<p>Acreditamos que esta marcha est\u00e1 sendo muito boa porque retoma o debate da import\u00e2ncia da reforma agr\u00e1ria, do apoio social, dos movimentos populares, do movimento sindical, das associa\u00e7\u00f5es de bairro&#8230; Trata-se de debater um projeto alternativo ao do agroneg\u00f3cio da celulose para exporta\u00e7\u00e3o, que \u00e9 colocado pela grande imprensa como a grande solu\u00e7\u00e3o. N\u00f3s convidamos a popula\u00e7\u00e3o para visitar nossos assentamentos e comparar a nossa produtividade e utilidade social com a dos latif\u00fandios, porque temos um projeto de desenvolvimento agr\u00e1rio, porque somos contra a produ\u00e7\u00e3o de transg\u00eanicos. Somos contra a produ\u00e7\u00e3o de celulose em grande escala para exporta\u00e7\u00e3o. As multinacionais tentam arrendar terras das fam\u00edlias assentadas para o cultivo de eucalipto, oferecendo financiamento para parcerias que visem a planta\u00e7\u00e3o de madeira para produzir celulose. N\u00f3s dizemos que \u00e9 necess\u00e1rio produzir alimentos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Que produzem os assentamentos do MST?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00f3s temos produ\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica na regi\u00e3o de Porto Alegre, onde h\u00e1 pouco mais de mil fam\u00edlias assentadas. Este ano colhemos 55 mil sacas de arroz org\u00e2nico.<\/p>\n<p>Temos uma vasta produ\u00e7\u00e3o de hortigranjeiros que vendemos diretamente nas feiras, e produzimos sementes org\u00e2nicas certificadas.<\/p>\n<p>Muitas das nossas experi\u00eancias provam que \u00e9 poss\u00edvel um outro projeto de agricultura. Mas os meios de comunica\u00e7\u00e3o, as grandes empresas, vendem o agroneg\u00f3cio como a solu\u00e7\u00e3o para agricultura no Brasil, desde o adubo e os transg\u00eanicos at\u00e9 a celulose &#8211; um pacote completo que s\u00f3 beneficia as grandes empresas. <\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Os assentamentos est\u00e3o recebendo ajuda do governo?<\/strong><\/p>\n<p>O cr\u00e9dito que hoje \u00e9 repassado para os pequenos agricultores, para os assentados, o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF), \u00e9 um cr\u00e9dito que n\u00e3o serve para a agricultura familiar. \u00c9 um cr\u00e9dito que endivida. Toda a agricultura do mundo, n\u00e3o s\u00f3 a familiar \u2013 veja o exemplo da Europa -, \u00e9 subsidiada pelos governos. E aqui, no Brasil, n\u00e3o \u00e9. A agricultura familiar n\u00e3o vai sobreviver sem apoio do governo.<\/p>\n<p>O dinheiro repassado, em torno de 20 mil reais, deve come\u00e7ar a ser pago no terceiro ano. As fam\u00edlias n\u00e3o conseguem, em tr\u00eas anos, estruturar a propriedade para produzir e pagar essa d\u00edvida. <\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio criar outro tipo de programa, porque o agricultor n\u00e3o consegue pagar o financiamento. Esperamos, atrav\u00e9s da luta, alter\u00e1-lo para o pr\u00f3ximo ano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O Brasil necessita novas institui\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p>A estrutura do Estado n\u00e3o serve para o povo brasileiro, nem o Judici\u00e1rio, nem o Executivo, nem o Legislativo.<\/p>\n<p>O antigo \u201crevolucion\u00e1rio\u201d Lula dizia que o Congresso era \u201cum bando de picaretas\u201d. O Parlamento \u00e9 um grande balc\u00e3o de neg\u00f3cios para votar projetos que s\u00f3 servem \u00e0 articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos poderosos e quem, historicamente, resta prejudicada \u00e9 a classe trabalhadora. \u00c9 um esc\u00e2ndalo atr\u00e1s do outro. Ou voc\u00ea luta para mudar o Estado Brasileiro, ou a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o vai ser alterada. <\/p>\n<p>O Governo Lula, pelas posi\u00e7\u00f5es que tomou, cumpriu um papel de esfacelamento da esquerda brasileira e de desmobiliza\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais, atrav\u00e9s da troca de favores para a vota\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas que historicamente Lula combatia e hoje negocia para aprovar. A reforma da previd\u00eancia e as outras reformas que v\u00eam a\u00ed, com certeza, v\u00e3o tirar direitos dos trabalhadores, mais uma vez.<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o h\u00e1 rea\u00e7\u00e3o suficiente do povo. O Governo Lula \u00e9 um governo fraco, ele foi eleito num refluxo de massas muito grande e envolveu-se em tantos esc\u00e2ndalos que esfacelou demais a esquerda e os movimentos. <\/p>\n<p>Antes, o Partido dos Trabalhadores aglutinava outros partidos da esquerda nas suas lutas; hoje, surgem novos partidos, novas centrais sindicais, a tend\u00eancia n\u00e3o \u00e9 para somar.<\/p>\n<p>A bandeira da reforma agr\u00e1ria ainda consegue unificar, mas com muita dificuldade. Para modificar isso, acho que \u00e9 necess\u00e1ria uma grande mobiliza\u00e7\u00e3o social, que dever\u00e1 demorar um pouco porque tudo est\u00e1 muito fragmentado. N\u00e3o pode, cada movimento, brigar s\u00f3 pela sua bandeira. Ou se juntam os movimentos sociais do campo e da cidade para debater alguns pontos centrais que atingem todos, ou n\u00e3o iremos avan\u00e7ar. H\u00e1 alguns sinais de que \u00e9 poss\u00edvel come\u00e7ar a debater, porque a crise vai vir a\u00ed. <\/p>\n<p>Penso que h\u00e1 uma bandeira importante: a luta contra a reforma da previd\u00eancia, que vai tirar direitos de todos os trabalhadores, tanto urbanos como rurais. Hoje, h\u00e1 que lutar para defender direitos j\u00e1 conquistados. Esse \u00e9 um ponto que poderia unificar as lutas da classe trabalhadora. <\/p>\n<p>Nossa marcha tem muita import\u00e2ncia para o debate; atingimos muitas escolas, igrejas, movimentos sociais. Ela cumpre o papel que seria da grande imprensa, quando atinge a pequena imprensa local. Muita gente nos viu marchando, falamos com muita gente e chamamos para que se juntassem a n\u00f3s no enfrentamento ao grande Capital, a essas transnacionais que est\u00e3o transformando o latif\u00fandio em agroneg\u00f3cio que acreditam ser \u201cde primeiro mundo\u201d, mas que destr\u00f3i o nosso. <\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como v\u00ea a situa\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina?<\/strong><\/p>\n<p>Na luta contra o grande Capital, a Am\u00e9rica Latina d\u00e1 sinais e parece que o processo mais avan\u00e7ado est\u00e1 na Venezuela. N\u00f3s temos uma rela\u00e7\u00e3o muito boa com a Venezuela e com o Governo Ch\u00e1vez, com quem temos parcerias na \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o. Com Cuba tamb\u00e9m, temos muitos alunos ali, alguns j\u00e1 formados, que est\u00e3o voltando. Recentemente, foi aberta uma escola latino-americana de Agronomia na Venezuela. Muitos dos nossos filhos de acampados e assentados est\u00e3o estudando l\u00e1, sustentados pelo Governo Ch\u00e1vez. Estamos nos preparando para exportar leite em p\u00f3. Paran\u00e1, Santa Catarina e Rio Grande do Sul est\u00e3o debatendo fazer parcerias para mandar leite em p\u00f3 para a Venezuela. Nossa produ\u00e7\u00e3o daria conta de 2% da demanda venezuelana. E temos muitos militantes trabalhando na Venezuela, ajudando os agricultores a plantar sementes \u2013 eles t\u00eam muitas dificuldades porque nunca havia sido dada antes import\u00e2ncia \u00e0 agricultura familiar.<\/p>\n<p>H\u00e1 tratativas bem avan\u00e7adas para que o Governo venezuelano financie uma f\u00e1brica de suco no Rio Grande do Sul, com a id\u00e9ia de tamb\u00e9m exportar para a Venezuela.<\/p>\n<p>Agora Ch\u00e1vez est\u00e1 chamando a um plebiscito para mudar a Constitui\u00e7\u00e3o, acho importante que a popula\u00e7\u00e3o se manifeste sobre os rumos do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A Venezuela est\u00e1 avan\u00e7ando a passos largos, isso talvez sirva como exemplo para outros pa\u00edses, principalmente ao Brasil.<\/p>\n<p>Acredito que h\u00e1 uma revolu\u00e7\u00e3o na Venezuela, ainda falta muito para criar a Rep\u00fablica Bolivariana, socialista, mas avan\u00e7a-se nesse sentido.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hugo Scotte entrevista\u00a0 Mauro Zibulski, do MST\/RS.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[4766],"tags":[],"class_list":{"0":"post-701","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","6":"category-arquivo"},"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.5 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Entrevista - Multinacionais e latif\u00fandio - PSOL 50<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/psol50.org.br\/entrevista-multinacionais-e-latifundio\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Entrevista - Multinacionais e latif\u00fandio - PSOL 50\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Hugo Scotte entrevista\u00a0 Mauro Zibulski, do MST\/RS.\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/psol50.org.br\/entrevista-multinacionais-e-latifundio\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"PSOL 50\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/psol50\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2007-11-30T00:00:00+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/psol50.org.br\/inc\/uploads\/2018\/07\/capa.png\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"1350\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"900\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/png\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Comunica\u00e7\u00e3o PSOL\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@psol50\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@psol50\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Comunica\u00e7\u00e3o PSOL\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"13 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\/\/psol50.org.br\/entrevista-multinacionais-e-latifundio\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/psol50.org.br\/entrevista-multinacionais-e-latifundio\/\"},\"author\":{\"name\":\"Comunica\u00e7\u00e3o PSOL\",\"@id\":\"https:\/\/psol50.org.br\/#\/schema\/person\/475dfa57d0b815993c714c2e96491fcd\"},\"headline\":\"Entrevista &#8211; 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