{"id":9690,"date":"2014-07-25T00:00:00","date_gmt":"2014-07-25T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/psol50.org.br\/arquivo\/2014\/07\/25\/palestina-a-brutal-agressao-de-netanyahu-e-a-situacao-da-revolucao-arabe\/"},"modified":"2014-07-25T00:00:00","modified_gmt":"2014-07-25T00:00:00","slug":"palestina-a-brutal-agressao-de-netanyahu-e-a-situacao-da-revolucao-arabe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/psol50.org.br\/palestina-a-brutal-agressao-de-netanyahu-e-a-situacao-da-revolucao-arabe\/","title":{"rendered":"Palestina: A brutal agress\u00e3o de Netanyahu e a situa\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o \u00e1rabe"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\n\t<span style=\"font-size:12px;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">O agravamento da agress\u00e3o israelense, que o povo palestino est\u00e1 respondendo heroicamente, tamb\u00e9m nos coloca a necessidade de responder algumas perguntas mais de fundo sobre o que est\u00e1 ocorrendo. Por que esta pol\u00edtica de Netanyahu? O estado sionista pode ser democratizado? Que est\u00e1 acontecendo no mundo \u00e1rabe depois das revolu\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas e da primavera \u00e1rabe?<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tA primeira resposta est\u00e1 mais clara para n\u00f3s por conta dos fatos brutais cometidos pelo sionismo. A resposta \u00e0 segunda pergunta \u00e9 mais problem\u00e1tica, e assim, ainda que n\u00e3o tenhamos respostas acabadas e precisas n\u00e3o podemos deixar de tocar neste tema e na vincula\u00e7\u00e3o que tem com a situa\u00e7\u00e3o mundial.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\t<strong>O estado sionista quer destruir a Palestina<\/strong><br \/>\n\tA atual agress\u00e3o do estado sionista em terra Palestina n\u00e3o deixa d\u00favidas: Netanyahu quer destruir a Palestina. Uma das caracter\u00edsticas do sionismo \u00e9 sua ilimitada capacidade de mentir. Sempre teve que faz\u00ea-lo para justificar sua brutal pol\u00edtica colonialista, racista, de limpeza \u00e9tnica, de apartheid, de agress\u00e3o militar permanente sob o manto de seu \u201cdireito a existir\u201d.&nbsp; Mas suas \u00faltimas a\u00e7\u00f5es n\u00e3o deixam d\u00favidas: n\u00e3o \u00e9 coexistir, \u00e9 eliminar todo vest\u00edgio de palestinos sobre sua terra. Salem Nasser publicou um artigo na Folha de S\u00e3o&nbsp; Paulo,&nbsp; no dia 17 de Julho sobre este racismo que merece ser destacado.&nbsp;<em>\u201cTrata-se de um tipo especial de racismo, que n\u00e3o se basta em representar sua v\u00edtima como trai\u00e7oeira e naturalmente orientada para a viol\u00eancia, o que quer \u00e9 destitu\u00ed-la do direito de definir sua identidade, negar o seu direito de ser, apagar sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria\u201d<\/em>.&nbsp;&nbsp;Nasser diz que para isso tem que elimin\u00e1-la, e como qualquer ladr\u00e3o, ocultar o cad\u00e1ver.&nbsp;Quem est\u00e1 levando adiante esta tarefa suja n\u00e3o \u00e9 somente Netanyahu, ele \u00e9 o porta-voz do fundamentalismo sionista que diretamente se op\u00f5e a este m\u00ednimo direito palestino a<strong>&nbsp;existir, a viver<\/strong>.&nbsp;<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tA resist\u00eancia diante da agress\u00e3o permanente (e o leg\u00edtimo uso de m\u00e9todos de defesa armada) pode levar a atos desesperados como no caso dos tr\u00eas meninos israelenses mortos. Mas, nem este, nem nenhum outro fato, justificam uma das mais b\u00e1rbaras agress\u00f5es da hist\u00f3ria da humanidade e que tem um objetivo: n\u00e3o \u00e9 defender a exist\u00eancia de Israel, mas arrasar definitivamente o que sobra da Palestina depois de anos de coloniza\u00e7\u00e3o, limpeza \u00e9tnica e apartheid, O informe do relator da ONU Richard Falk, disponibilizado na p\u00e1gina web da ONU, no dia 4 de mar\u00e7o, o atesta com toda clareza: Israel promove \u201ccolonialismo\u201d, \u201capartheid\u201d e \u201climpeza \u00e9tnica\u201d na Palestina: tr\u00eas qualificativos que englobam os objetivos que tem (e por tanto do que \u00e9), o estado de Israel.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tIsto \u00e9 o essencial da situa\u00e7\u00e3o atual, o determinante. Esta \u00e9 a linha que se consolidou e se tem afirmado no tempo. Os muros que cercam Gaza e Cisjord\u00e2nia, (mais extenso e mais sinistro que o Muro de Berlim, porque \u00e9 uma pris\u00e3o, falar de apartheid \u00e9 pouco), a sistem\u00e1tica pol\u00edtica de aumentar os assentamentos, s\u00e3o um salto de quantidade em qualidade, um processo irrevers\u00edvel, da burguesia sionista \u201cdona\u201d, n\u00e3o apenas dominante, do estado sionista.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tNo estado sionista de Israel se consolidou firmemente o setor mais extremo da direita fascista, assentado no mais sinistro racismo que tem o mundo nestes \u00faltimos 70 anos.&nbsp; Benjamin Netanyahu deve estar sendo apoiado pelos setores mais fascistas da comunidade judaica, por um aparato e uma burguesia que atuam com for\u00e7a pr\u00f3pria (como dizia Trotsky o fascismo se apoia nos setores pequeno-burgueses desesperados e em seguida termina sendo aceito pelo grande capital financeiro). Se o sionismo sempre foi um aliado dos EUA com o imperialismo ianque sendo seu s\u00f3cio maior, agora parece que essa associa\u00e7\u00e3o, que \u00e9 e ser\u00e1 indestrut\u00edvel, est\u00e1 invertida.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tCom a primavera \u00e1rabe, Obama amea\u00e7ou assumir uma pol\u00edtica mais \u201cindependente\u201d em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Netanyahu.&nbsp; Esta pol\u00edtica tinha que se concretizar no consenso mundial de que h\u00e1 dois estados (n\u00e3o sobre a base das resolu\u00e7\u00f5es da ONU de 1968, pela qual Israel devia devolver os territ\u00f3rios, mas sobre certas bases m\u00ednimas que permitam \u00e0 burguesia palestina sobreviver e nesse sentido tamb\u00e9m aos palestinos que habitam Gaza e Cisjord\u00e2nia).&nbsp; De forma cr\u00edtica, Hamas tamb\u00e9m terminaria aceitando esta pol\u00edtica, e essa deve ter sido a explica\u00e7\u00e3o para o acordo Hamas-Al Fatah. Mas esta pol\u00edtica do imperialismo, com a qual muitos setores de esquerda conciliaram, se transformou em uma farsa.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tA pol\u00edtica de destrui\u00e7\u00e3o da Palestina encerra uma grande contradi\u00e7\u00e3o: Por um lado, se afirma como pol\u00edtica estrat\u00e9gica, quase como princ\u00edpio para as for\u00e7as consequentemente democr\u00e1ticas e anticapitalistas que n\u00e3o h\u00e1 outra forma de paz e de autodetermina\u00e7\u00e3o do povo palestino sen\u00e3o com a destrui\u00e7\u00e3o deste estado (breve abordaremos o tema do estado como conjunto de institui\u00e7\u00f5es e do estado como pa\u00eds).<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tPor outra parte, como t\u00e1tica e como pol\u00edtica concreta, consequ\u00eancia do desenvolvimento da pol\u00edtica sionista e da atual correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as, a palavra de ordem presente e concreta \u00e9<strong>&nbsp;o&nbsp;<\/strong>reconhecimento do estado palestino j\u00e1, a retirada dos assentamentos e a abertura das fronteiras derrubando o muro. Esta \u00e9 a \u00fanica forma pela qual as massas palestinas podem respirar e se pode ganhar a primeira batalha contra o sionismo. Esta \u00e9 a consigna pela qual agora pode lutar o povo palestino que come\u00e7a com a retirada das tropas sionistas, o fim da agress\u00e3o, dos bombardeios e matan\u00e7as e o bloqueio. &nbsp;Em n\u00edvel internacional, temos que exigir a ruptura de todo tipo de rela\u00e7\u00f5es com o estado sionista. A mobiliza\u00e7\u00e3o unit\u00e1ria internacional tem que fazer essa exig\u00eancia aos governos, como j\u00e1 est\u00e1 fazendo o PSOL com toda energia no Brasil.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\t<strong>As contradi\u00e7\u00f5es da situa\u00e7\u00e3o mundial<\/strong><br \/>\n\tTemos que incrustar o que acontece na Palestina no marco de una situa\u00e7\u00e3o mundial que vai se tornando mais incerta e ca\u00f3tica. Basta olhar para o que acontece na Ucr\u00e2nia para verificar esta afirma\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tEste caos e incertezas se explicam, em \u00faltima inst\u00e2ncia, pela desigualdade muito grande que h\u00e1 entre o objetivo e o subjetivo.&nbsp; De um lado, a crise de domina\u00e7\u00e3o do imperialismo se acentua.&nbsp; Mostra-se nitidamente na fragilidade de Obama, empantanado no Afeganist\u00e3o, paralisado no Iraque, onde o conflito entre sunitas e xiitas tornou a situa\u00e7\u00e3o ca\u00f3tica. Tamb\u00e9m na crescente desestabiliza\u00e7\u00e3o que provoca na Ucr\u00e2nia o fortalecimento do neoimperialismo russo.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tA apari\u00e7\u00e3o, nessas e em muitas outras partes do mundo, de setores direitistas exacerbados, que fogem ao controle do imperialismo e de seus planos (que cada vez demonstram mais precariedade) mostram esta cara da realidade. O estado de crise da domina\u00e7\u00e3o hegem\u00f4nica faz com que prevale\u00e7am as for\u00e7as centr\u00edfugas sobre as centr\u00edpetas.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tO imperialismo americano (primeiro ex\u00e9rcito do mundo) sendo a principal ferramenta de domina\u00e7\u00e3o do capitalismo-imperialista. Mas o que aconteceu \u00e9 que, em fun\u00e7\u00e3o da crise econ\u00f4mica mundial e de seus pr\u00f3prios desastres pol\u00edtico-militares no Iraque e no Afeganist\u00e3o, seu controle geral se tornou mais prec\u00e1rio. Ao mesmo tempo, a exacerba\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o provocou a crise dos regimes pol\u00edticos de domina\u00e7\u00e3o democr\u00e1tico-burgueses e o surgimento de for\u00e7as mais \u00e0 direita, por fora dos regimes, como no caso do neofascismo na Europa, o Tea Party nos Estados Unidos, as direitas fascistas pr\u00f3-russas e pr\u00f3-ocidentais na Ucr\u00e2nia. &nbsp;Tamb\u00e9m se deram as condi\u00e7\u00f5es para o aparecimento do neoimperialismo russo (segundo ex\u00e9rcito do mundo) que no meio dessa crise toma for\u00e7a, sobretudo, para recuperar sua \u00e1rea de influencia.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tE, por outro lado, a outra caracter\u00edstica da realidade mundial \u00e9 a desigualdade com o fator subjetivo. O mundo est\u00e1 repleto de inumer\u00e1veis lutas que mostram que o estado de \u00e2nimo das massas n\u00e3o cai, as mobiliza\u00e7\u00f5es se estendem, mas, ao mesmo tempo, existe uma aus\u00eancia de alternativa de dire\u00e7\u00e3o de classe, ou dito de outro modo, de uma alternativa democr\u00e1tica, anti-imperialista e anticapitalista que seja consequente e capaz de unir o conjunto das massas contra o imperialismo e seus agentes. Assim aconteceu em dois elevados processos revolucion\u00e1rios. No Egito, depois das grandes mobiliza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias, por essa aus\u00eancia, terminaram tomando o poder os militares.&nbsp; E na Ucr\u00e2nia, depois do grande levante da Pra\u00e7a Maidan, acabou impondo-se um governo pr\u00f3-ocidental de direita no oeste, e um separatismo manipulado pelo neoimperialismo russo no leste.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tEm raz\u00e3o dessa aus\u00eancia se reavivam lutas \u00e9tnicas, aparecem nacionalismos xen\u00f3fobos e por isso ocorrem impasses em processos revolucion\u00e1rios e inclusive avan\u00e7os da contra-revolu\u00e7\u00e3o; por essa mesma raz\u00e3o tomam for\u00e7a os m\u00e9todos de luta n\u00e3o classistas como o terrorismo da Al-Qaeda.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tSomos da ideia de que essa contradi\u00e7\u00e3o ir\u00e1 se resolvendo. A crise do capitalismo-imperialista n\u00e3o apenas segue, como parece que \u00e9 cada vez maior, sobretudo no terreno pol\u00edtico. H\u00e1 mais desestabiliza\u00e7\u00e3o de seus regimes, mais crises e por isso a luta de classes entra cada vez mais em todos os rinc\u00f5es do mundo. N\u00e3o podemos ver o mundo a n\u00e3o ser em sua totalidade e nos centros de poder mais importantes. Temos de olhar muito para os Estados Unidos, onde tudo aponta que a luta de classes est\u00e1 se fortalecendo e que o mesmo vai acabar acontecendo na China. E temos que pensar que esses processos s\u00e3o e ser\u00e3o fundamentais para a constru\u00e7\u00e3o de alternativas anticapitalistas e a supera\u00e7\u00e3o da crise de dire\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\t<strong>A encruzilhada da revolu\u00e7\u00e3o \u00e1rabe e a luta palestina<\/strong><br \/>\n\tDesde que se iniciou a mobiliza\u00e7\u00e3o no final de 2010 na Tun\u00edsia, dissemos, em documentos do MES e de nossa corrente, que havia come\u00e7ado um processo de revolu\u00e7\u00e3o no mundo \u00e1rabe, do qual a derrubada de Ben Ali e Mubarak foram os pontos mais altos. Sustentamos (e seguimos sustentando) que a derrubada daqueles regimes foi provocada por revolu\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas. Essa mobiliza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria se estendeu, com desigualdades, por todo o mundo \u00e1rabe, chegou at\u00e9 a Ar\u00e1bia Saudita, Bahrein, Qatar, derrubou o ditador Kadafi e desatou a grande e her\u00f3ica mobiliza\u00e7\u00e3o de massas contra Bashar Al Assad, na S\u00edria.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tDesde o final de 2010 at\u00e9 o final de 2012, tivemos um ascenso revolucion\u00e1rio. Primou no movimento de massas a luta popular democr\u00e1tica, laica, revolucion\u00e1ria contra as ditaduras da regi\u00e3o (Ben Ali, Mubarak, Kadafi, Assad). Ao final de 2012 come\u00e7ou o impasse da situa\u00e7\u00e3o na S\u00edria, e um perigo que havia sido apontado por Gilbert Archcar e outros militantes da IV Internacional, entre eles os companheiros tunisianos, come\u00e7ou a tomar for\u00e7a: o fortalecimento do fundamentalismo religioso isl\u00e2mico com o consequente perigo de dissolver o car\u00e1ter democr\u00e1tico revolucion\u00e1rio do processo levando em dire\u00e7\u00e3o a um enfrentamento religioso e inter\u00e9tnico. &nbsp;<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tNa S\u00edria a mobiliza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria tornou poss\u00edvel a forma\u00e7\u00e3o de um ex\u00e9rcito de liberta\u00e7\u00e3o formado a partir da deser\u00e7\u00e3o de soldados e oficiais, dos comit\u00eas revolucion\u00e1rios e da mil\u00edcia popular.&nbsp; Em meio da repress\u00e3o brutal do regime surgiu a guerrilha isl\u00e2mica do ISIS (Ex\u00e9rcito Isl\u00e2mico do Iraque e do Levante) vinculada a Al Qaeda como uma terceira for\u00e7a que terminou enfrentando tanto os rebeldes quanto o regime. Esta guerrilha sunita avan\u00e7ou sobre o Iraque onde agora ocupa uma parte consider\u00e1vel do territ\u00f3rio e, em especial, a zona petroleira. O imperialismo assiste, com as m\u00e3os atadas, a esse enfrentamento inter\u00e9tnico que agora divide o Iraque. (Os m\u00e9todos b\u00e1rbaros do ISIS parecem t\u00e3o cru\u00e9is que Al Qaeda rompeu rela\u00e7\u00f5es oficialmente, segundo informa um artigo no The Washington Post: \u201cAl Qaeda disavows any ties with radical Islamim ISIS group in Syria, Iraq\u201d).<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tNo Egito, o partido da Irmandade Mu\u00e7ulmana ganhou as elei\u00e7\u00f5es e subiu ao poder Morsi que, em meio da crise econ\u00f4mica a resolver h\u00e1 anos, pretendeu fortalecer-se atrav\u00e9s de medidas que iam ao sentido de criar um estado sob normas isl\u00e2micas. Em 2013 o povo eg\u00edpcio deu uma prova de sua for\u00e7a e \u00e2nimo revolucion\u00e1rio; milh\u00f5es sa\u00edram \u00e0s ruas em todo pa\u00eds para p\u00f4r fim a seu governo. Nesse processo, as for\u00e7as preponderantes n\u00e3o constru\u00edram uma alternativa de poder democr\u00e1tica revolucion\u00e1ria. Os principais l\u00edderes, entre eles El Baradei, cometeram um erro hist\u00f3rico ao deixar que, no meio da crise, o ex\u00e9rcito tomasse o poder. Este utilizou o leg\u00edtimo descontentamento do povo com o governo da Irmandade Mu\u00e7ulmana para iniciar a repress\u00e3o contra esse partido e sua base islamita, provocando grandes matan\u00e7as e, sem d\u00favida, a confus\u00e3o e a divis\u00e3o do movimento popular.<\/p>\n<p>\tEm novas elei\u00e7\u00f5es, que tiveram muito pouca participa\u00e7\u00e3o, se legitimou no governo do caudilho do ex\u00e9rcito Sissi, instalando-se um regime de caracter\u00edstica bonapartista. Parece-nos que seria um erro dizer j\u00e1 que uma contra-revolu\u00e7\u00e3o triunfou em toda linha. N\u00e3o parece que Sissi seja igual ao regime de Mubarak, j\u00e1 que enquanto aquele surgiu de um processo degenerativo longo do nasserismo, agora o ex\u00e9rcito tem que governar sobre recentes mobiliza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tMas para o imperialismo n\u00e3o veio mal \u00e0 retomada do ex\u00e9rcito porque o governo mu\u00e7ulmano de Morsi, por causa de sua base mu\u00e7ulmana, era menos afim com os EUA na quest\u00e3o palestina.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tEstamos escrevendo desde muito longe e ent\u00e3o a possibilidade de nos equivocar \u00e9 muito maior. A pesar disso, \u00e9 importante arriscar certas caracteriza\u00e7\u00f5es at\u00e9 que uma boa discuss\u00e3o na esquerda marxista, especialmente na que milita na regi\u00e3o, ou esteja mais pr\u00f3xima a ela, ajude a clarificar mais a situa\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tEm documento do MES de 2013 escrevemos que a revolu\u00e7\u00e3o \u00e1rabe vivia uma situa\u00e7\u00e3o de impasse. Pois bem, esse impasse est\u00e1 se prolongando. S\u00edria, primeiro, e depois o Egito, foram dois golpes na primavera \u00e1rabe. Assim, no profundo do movimento de massas n\u00e3o se perdeu o processo da revolu\u00e7\u00e3o, a situa\u00e7\u00e3o objetivamente mudou e a raz\u00e3o principal \u00e9 a debilidade de uma alternativa democr\u00e1tica revolucion\u00e1ria nos pa\u00edses da regi\u00e3o. Por causa dessa aus\u00eancia se afirmaram dois processos contra a revolu\u00e7\u00e3o nesses pa\u00edses. Se esse curso segue, e n\u00e3o se d\u00e3o novos processos revolucion\u00e1rios em outros pa\u00edses do conflitivo mundo \u00e1rabe, ter\u00edamos que dizer que a situa\u00e7\u00e3o deixa de ser de impasse e adotar outra caracteriza\u00e7\u00e3o; Dizer que a revolu\u00e7\u00e3o \u00e1rabe foi degenerada, deformada, que triunfou o thermidor, como j\u00e1 aconteceu na Arg\u00e9lia, Egito e S\u00edria, nos anos 70 e 80. Assumir esta caracteriza\u00e7\u00e3o tem um perigo: perder a vis\u00e3o de totalidade do mundo e o avan\u00e7o em ele das lutas democr\u00e1ticas. &nbsp;<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tA Palestina tamb\u00e9m sofre esse processo de impasse (para n\u00e3o utilizar outra caracteriza\u00e7\u00e3o) da primavera \u00e1rabe. Em 2011 a primavera chegou at\u00e9 Israel, onde houve uma manifesta\u00e7\u00e3o de cem mil contra os aparatos do estado sionista. E tamb\u00e9m entre os jovens palestinos que exigiram a unifica\u00e7\u00e3o entre o Hamas e Al Fatah. Foram liberados e legalizados os t\u00faneis e at\u00e9 se liberou a fronteira de Gaza com o Egito. A primavera teve como pano de fundo a causa palestina que era agitada em todas as mobiliza\u00e7\u00f5es em todos os pa\u00edses.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tAs possibilidades de repercuss\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica eram imensas na \u00e1rea, podiam abalar o estado sionista e superar as dire\u00e7\u00f5es palestinas: o velho aparato burocr\u00e1tico e corrupto que domina Al Fatah, de um lado, e do outro, a dire\u00e7\u00e3o isl\u00e2mica do Hamas que conduz uma pol\u00edtica paternalista sobre os sofridos palestinos de Gaza. Foi nesse contexto que uma grande quantidade de pa\u00edses, entre eles o Brasil, reconheceu o estado palestino.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tMas parece que esse processo se estancou. Os t\u00faneis foram fechados, o acordo do Hamas com Al Fatah \u00e9 progressivo, mas superestrutural, n\u00e3o um processo que tenha entusiasmado e unificado o movimento de massas palestino.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\t<strong>Acirram-se as disputas na regi\u00e3o<\/strong><br \/>\n\tAs lutas do povo palestino, do mundo \u00e1rabe e curdo, Iraque, Ir\u00e3 e Afeganist\u00e3o n\u00e3o est\u00e3o absolutamente definidas, h\u00e1 tamb\u00e9m uma situa\u00e7\u00e3o ca\u00f3tica nessa regi\u00e3o do mundo, sempre atravessada pelos interesses do imperialismo e sua interven\u00e7\u00e3o militar. &nbsp;<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tNa atualidade est\u00e3o dominando os interesses geopol\u00edticos das burguesias e dos imperialismos (sem claras linhas divis\u00f3rias) aos das massas. Mas estas mesmas disputas, que s\u00e3o parte da crise e decad\u00eancia do sistema, se d\u00e3o sob o pano de fundo da luta de classes e podem reaviv\u00e1-la; as contradi\u00e7\u00f5es seguem, como seguir\u00e1 por longo tempo a luta palestina.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tA deforma\u00e7\u00e3o em curso de processos revolucion\u00e1rios em lutas raciais inter\u00e9tnicas (especialmente entre sunitas e xiitas), se d\u00e1 em meio de uma acirrada disputa entre as potencias: entre EUA, Europa (especialmente Alemanha que tem seus objetivos) e o neoimperialismo russo. Seus objetivos geopol\u00edticos est\u00e3o sujeitos e tem que se acomodar tamb\u00e9m \u00e0s oscila\u00e7\u00f5es das burguesias petroleiras regionais que incidem diretamente nas lutas inter\u00e9tnicas. Um polo deste processo \u00e9 a autocracia sunita da Ar\u00e1bia Saudita, aliada hist\u00f3rica dos EUA; o outro \u00e9 o regime xiita do Ir\u00e3, que se enfrenta desde 1979 com os EUA (a rep\u00fablica isl\u00e2mica do Ir\u00e3 \u00e9 tamb\u00e9m uma teocracia que surgiu da degenera\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o iraniana de 1979, que teve um claro car\u00e1ter democr\u00e1tico e anti-imperialista, na qual os trabalhadores petroleiros tiveram um papel fundamental).<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tO regime dos aiatol\u00e1s do Ir\u00e3 apoia a ditadura s\u00edria e tamb\u00e9m \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es de base xiita do Hezbolah, no L\u00edbano, e do Hamas, na Palestina, que sustentam a luta contra o estado sionista de Israel. A contradi\u00e7\u00e3o \u00e9 que o Ir\u00e3 (apoiador da S\u00edria) tamb\u00e9m desempenha um papel chave na sustenta\u00e7\u00e3o do governo do Iraque (de base xiita), nascido da interven\u00e7\u00e3o imperialista dos EUA.<\/p>\n<p>\tO Iraque est\u00e1 destro\u00e7ado como consequ\u00eancia do papel nefasto da interven\u00e7\u00e3o imperialista (que se apoiou na maioria xiita) para derrotar a ditadura de Saddam Hussein. Mas agora se agregou uma nova guerra na qual a mil\u00edcia sunita radical, alentada pela Ar\u00e1bia Saudita, est\u00e1 controlando a zona petroleira e pode rachar o pa\u00eds.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tN\u00e3o por casualidade os EUA postergam as san\u00e7\u00f5es ao Ir\u00e3, porque este passa a ter um papel chave no Iraque e tamb\u00e9m no Afeganist\u00e3o, onde o regime pr\u00f3-imperialista se enfrenta contra o talib\u00e3 ligado aos sunitas (o imperialismo ianque j\u00e1 mostrou capacidade de negocia\u00e7\u00e3o quando estava em plena bancarrota no Vietn\u00e3 e, de forma secreta, j\u00e1 havia empreendido negocia\u00e7\u00f5es com a China, muito bem detalhadas em livro de Kissinger sobre a China).<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tEssa situa\u00e7\u00e3o mostra a debilita\u00e7\u00e3o e n\u00e3o a for\u00e7a dos EUA, ainda que isso n\u00e3o mude seu car\u00e1ter agressor. A atual a\u00e7\u00e3o sangrenta de Netanyahu pode muito bem se dever a que foi contrariado pelos EUA quando tinha a pol\u00edtica de atacar o Ir\u00e3.<\/p>\n<p>\tO Oriente M\u00e9dio e toda a regi\u00e3o que o rodeia, historicamente nunca tiveram estabilidade. Prova disso \u00e9 que quando ocorreu a degenera\u00e7\u00e3o dos processos na Arg\u00e9lia, S\u00edria e Egito (na d\u00e9cada de 70), logo veio a revolu\u00e7\u00e3o iraniana, e a regi\u00e3o nunca se estabilizou. Isso pode acontecer novamente; n\u00e3o se pode perder esse marco nem tampouco o da situa\u00e7\u00e3o mundial.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\t<strong>Pode existir um estado de Israel democr\u00e1tico?<\/strong><br \/>\n\tO estado sionista sempre ser\u00e1 fonte de desestabiliza\u00e7\u00e3o. Temos que aprofundar a quest\u00e3o do estado sionista e a diferen\u00e7a entre estado como pa\u00eds e estado como o conjunto das institui\u00e7\u00f5es pelas quais uma classe, ou um setor de classe, domina o pa\u00eds, assim como problematizar (neste caso) a diferen\u00e7a entre regime e estado. Os estados burgueses como pa\u00edses ou como na\u00e7\u00f5es se formaram em um processo revolucion\u00e1rio que arrasou os feudos, formaram um mercado nacional e ao redor dele uma superestrutura de organiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds (de dom\u00ednio burgu\u00eas obviamente), vinculada a rela\u00e7\u00f5es de classe entre os homens que se construiu sob o impulso do capitalismo em sua fase progressiva, quando desempenhava um papel revolucion\u00e1rio.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tNo caso de Israel n\u00e3o foi assim. Como pa\u00eds \u00e9 um engendro imperialista contrarrevolucion\u00e1rio que se construiu sobre a base de uma ideologia super-reacion\u00e1ria que \u00e9 o sionismo e sobre a base da expropria\u00e7\u00e3o e expuls\u00e3o dos palestinos que formavam 93% da popula\u00e7\u00e3o. Construiu-se na fase imperialista, de rapina do mundo pelo capital financeiro, como definiu L\u00eanin. Este estado, fundado sobre a base da comunidade de f\u00e9 \u00e9 tamb\u00e9m um retrocesso em rela\u00e7\u00e3o ao projeto moderno de \u201cestado fundado na comunidade nacional\u201d.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\t&nbsp;Seguindo a sistematiza\u00e7\u00e3o de Nahuel Moreno dizemos que o estado (como tal) \u00e9 uma superestrutura formada pelo conjunto de institui\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s das quais uma classe (ou setor de classe) domina. E que regime \u00e9 a forma como se organizam, se relacionam ou estruturam as diferentes institui\u00e7\u00f5es em determinada situa\u00e7\u00e3o, ou seja, qual \u00e9 a que domina (Ex\u00e9rcito no bonapartismo, parlamento eleito na democracia burguesa, etc.).<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tA pergunta \u00e9: no estado sionista (racista) de Israel, \u00e9 poss\u00edvel separar as institui\u00e7\u00f5es do estado, ou seja, elas t\u00eam a possibilidade de alternar-se ou organizar-se de diferentes formas de poder estatal? Parece-me que \u00e9 um estado irreversivelmente contra-revolucion\u00e1rio: a) se funda sobre um pa\u00eds artificial, engendrado por interesses imperialistas; b) necessita de uma ideologia reacion\u00e1ria que n\u00e3o pode mudar que \u00e9 o sionismo (n\u00e3o pode ser laico, por exemplo), sem sionismo n\u00e3o h\u00e1 estado; c) tem que manter um ex\u00e9rcito em agress\u00e3o permanente, n\u00e3o pode ter outro papel dentro do estado (h\u00e1 um estado de guerra). Em um estado burgu\u00eas mais normal h\u00e1 institui\u00e7\u00f5es mais independentes como os sindicatos e os partidos pol\u00edticos. Estes existem em Israel, mas parecem que s\u00e3o marionetes, cada vez mais meros instrumentos absorvidos pelo estado sionista. O argumento que no interior de Israel h\u00e1 \u201cdemocracia\u201d, porque os palestinos que l\u00e1 habitam t\u00eam representa\u00e7\u00e3o parlamentar \u00e9 errado. \u00c9 uma minoria reprimida que nunca pode sair dessa condi\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tDerrubar este estado \u00e9 algo muito distante de querer dizer que h\u00e1 que terminar com todos os habitantes judeus (como que fazer Netanyahu com os palestinos).&nbsp; Pelo contrario \u00e9 a \u00fanica forma de alcan\u00e7ar o fim definitivo da viol\u00eancia e chegar \u00e0 forma de conviv\u00eancia entre judeus e palestinos.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\t<strong>Sionismo e islamismo<\/strong><br \/>\n\tTamb\u00e9m h\u00e1 que distinguir entre ideologia sionista e a islamita. A primeira \u00e9 a base do racismo opressor, base de sustenta\u00e7\u00e3o da ocupa\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios e do avan\u00e7o no exterm\u00ednio do povo palestino.&nbsp; Para mostrar ainda mais a cara deste racismo basta recordar a posi\u00e7\u00e3o sustentada por uma parlamentar israelense que disse que \u201chavia que matar todas as mulheres palestinas para n\u00e3o haja mais terroristas\u201d (O sionismo tomou for\u00e7a sobre as bases do anti-semitismo desenvolto at\u00e9 suas \u00faltimas consequ\u00eancias pelo estado nazista, felizmente derrotado com a Segunda Guerra Mundial).<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tA ideologia islamita \u00e9 tamb\u00e9m uma ideologia reacion\u00e1ria, retr\u00f3grada, que quer obstaculizar conquistas da humanidade, em particular, em rela\u00e7\u00e3o aos direitos da mulher, e que deforma a luta contra o imperialismo sob a falsa oposi\u00e7\u00e3o cultural entre Ocidente e Oriente. Deu origem a diferentes movimentos pol\u00edticos que, a partir desse ponto em comum, abarcam desde a reacion\u00e1ria e autocrata burguesia saudita at\u00e9 Hamas e Hezbolah. Tornou-se forte a partir da trai\u00e7\u00e3o ou adapta\u00e7\u00e3o dos movimentos pan-\u00e1rabes nacionalistas radicais das d\u00e9cadas de 50 a 70 como o nasserismo, ou diretamente revolucion\u00e1rios e marxistas como foi a Frente de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional, na Arg\u00e9lia, e Al Fatah, na Palestina.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tAs ideologias s\u00e3o superadas ou s\u00e3o fortes segundo o estado da luta de classes e a mobiliza\u00e7\u00e3o. Quando a mobiliza\u00e7\u00e3o avan\u00e7a se abre o caminho para uma consci\u00eancia de classe e internacionalista. A consci\u00eancia democr\u00e1tica revolucion\u00e1ria \u00e9 um passo nessa dire\u00e7\u00e3o. Assim aconteceu no mundo \u00e1rabe; se avan\u00e7ou e se retrocedeu, mas nada indica que a mobiliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o volte a avan\u00e7ar e por tanto a consci\u00eancia. &nbsp;<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\t<strong>Palestina triunfar\u00e1<\/strong><br \/>\n\tO povo palestino \u00e9 o que est\u00e1 mais sujeito e mais dependente da luta de classes no mundo. A brutal agress\u00e3o e o terr\u00edvel sofrimento transformam a Palestina n\u00e3o s\u00f3 em uma luta do povo \u00e1rabe, mas tamb\u00e9m em uma causa mundial. A contradi\u00e7\u00e3o formulada por Rosa Luxemburgo \u00e9 atual e h\u00e1 que repeti-la. Socialismo ou barb\u00e1rie deixou de ser um progn\u00f3stico para o futuro para se tornar presente; o estado de Israel \u00e9 a barb\u00e1rie para os palestinos e para o futuro da humanidade, n\u00e3o pode seguir de p\u00e9.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tA decad\u00eancia do capitalismo imperialista colocou as tarefas democr\u00e1ticas na ordem do dia e mostrou tamb\u00e9m a incapacidade da burguesia de resolv\u00ea-las. Se fizermos um balan\u00e7o das \u00faltimas d\u00e9cadas, houve mais avan\u00e7os que retrocessos das causas democr\u00e1ticas e eles foram arrancados pelas lutas, mobiliza\u00e7\u00f5es e revolu\u00e7\u00f5es. Foi a mobiliza\u00e7\u00e3o do povo russo que, em \u00faltima instancia, derrotou o fascismo. Assim ca\u00edram as ditaduras na Am\u00e9rica Latina. Assim se p\u00f4s fim ao apartheid na \u00c1frica do Sul, e assim tamb\u00e9m ca\u00edram as ditaduras do estalinismo.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\t\u00c9 verdade que a consci\u00eancia socialista, que \u00e9 o que supera os nacionalismos entre os povos, e com a que se pode come\u00e7ar a conquistar toda a liberdade, teve um retrocesso porque as massas conheceram como socialismo a degenera\u00e7\u00e3o da burocracia estalinista. Felizmente se acabou, e seu fim foi provocado pela mobiliza\u00e7\u00e3o popular e \u00e9 uma conquista democr\u00e1tica.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tCremos que a resist\u00eancia palestina n\u00e3o vai baixar a guarda e cada vez mais vai impactar sobre a consci\u00eancia do mundo.&nbsp;Somos todos palestinos e sua causa triunfar\u00e1.<br \/>\n\t&nbsp;<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O agravamento da agress\u00e3o israelense, que o povo palestino est\u00e1 respondendo heroicamente, tamb\u00e9m nos coloca a necessidade de responder algumas perguntas mais de fundo sobre o que est\u00e1 ocorrendo. Por que esta pol\u00edtica de Netanyahu? O estado sionista pode ser democratizado? Que est\u00e1 acontecendo no mundo \u00e1rabe depois das revolu\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas e da primavera \u00e1rabe? 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