A crise na Grécia caminha para um desfecho. Cinco anos de austeridade imposta pelos credores e hoje a divida é maior que em 2011, o PIB caiu 25%, o desemprego é de 26,2%, entre os jovens de 52%, e a Troika quer mais. A única coisa que mudou em 5 anos foi que a divida de 250 Bilhões com bancos privados foi “estatizada”, ficando com os bancos apenas cerca de 3 bilhões e com as instituições multilaterais, FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia com mais de 320 Bilhões.
Desde 2011 se sabia que esta divida era impagável. Todos sabiam, principalmente as instituições multilaterais, conhecidas como “a Troika”, mas os seus objetivos eram claros. Sob o caridoso nome de “resgate à Grécia”, foi colocada em curso uma mega operação de resgate aos bancos privados europeus estatizando a divida grega, enquanto aos gregos foi aplicado um programa de ajuste desumano que levou a que 40% da população esteja abaixo da linha de pobreza. Socialismo para os bancos e neoliberalismo para o povo.
Neste domingo os gregos serão chamados a decidir se preferem o horror sem fim ou um final horroroso. Aceitar as condições da União Européia é continuar sofrendo de forma permanente sem solução à vista. Rejeitar a chantagem é enfrentar uma situação que vai piorar antes de melhorar. A volta à Drakma não se fará sem perdas de renda no curto prazo, sem aumento da inflação e sem alguns meses de incerteza. Mas é condição básica para que a Grécia retome a competitividade com uma moeda mais desvalorizada que o Euro, retome o controle sobre a sua economia e, em alguns meses, retome o crescimento econômico de forma sustentada.
As primeiras pesquisas dão a vitória ao não por 46% a 37%. Por enquanto é a esperança vencendo o medo. Que assim seja. Na Europa de Merkel o destino de países como a Grécia, Portugal e Espanha é a pobreza. Os programas de “ajuste” em curso buscam reduzir os custos unitários do trabalho com a ruptura do contrato social, visando reproduzir na periferia da Europa condições de trabalho asiáticas. Cabe aos gregos darem o 1º passo negando esse projeto, salvando a democracia e mostrando que outro caminho é possível.

