Eduardo Cunha sabe que tem de agir rápido e de forma incisiva para ter êxito em suas empreitadas.
Para isso, desfechou uma pauta reacionária no atacado: redução da maioridade penal, reforma política, CPI da Petrobras, terceirizações, o estatuto da família e apoios a demandas empresariais. Esboçou até uma giro pela diplomacia, ao excursionar por Israel e Rússia.
É o líder da oposição de direita que se vale do fato de integrar também a base do governo.
Não discorda da essência do ajuste fiscal e tem ajudado a gestão federal a aprová-lo. Claro, retirando dele detalhes que comprometem interesses localizados, como desonerações e aumento do orçamento para o Legislativo e o Judiciário.
Justamente por sua concordância com a ação essencial do governo – o ajuste – é que Dilma não tem como combatê-lo de frente.
Controla a maioria da bancada do PMDB e, por isso, legitima-se no Palácio através da figura de Michel Temer. Se é certo que suas luas não estão na mesma casinha, é bem verdade que um depende do outro para ficar onde está.
Cunha não busca derrotar o governo todo. Seguramente, o vice comemora cada movimento de seu correligionário, apesar de atritos pontuais.
Por isso, a ala petista do governo não busca desestabilizá-lo seriamente. Porque ele, com todos os problemas, é funcional aos propósitos últimos do oficialismo. Esse setor não vê a redução da maioridade como um problema central em sua ação imediata, apesar das turbulências criadas pelo presidente da Câmara. Tanto é verdade que Lula, em encontro com lideranças do PMDB nesta semana, reafirmou a importância da aliança entre os dois partidos..
Cunha desestabiliza a ordem construída a partir da Constituição de 1988. Busca desmontá-la tijolo a tijolo. E emergir – contraditoriamente – como fiador essencial de uma institucionalidade montada a partir do terreno movediço de um estelionato eleitoral e do desalento que toma conta do país.

