A última terça-feira (21) foi um dia muito triste para os direitos humanos em todo o mundo. Um atentado terrorista e covarde promovido, ao que tudo indica, pelo Estado Islâmico levou à morte mais de trinta pessoas e feriu mais de cem. Reunidos no sul da Turquia, em Suruc, o grupo, composto principalmente por membros da juventude socialista e outras organizações de esquerda, buscava organizar-se para prestar ajuda aos habitantes de Kobani – cidade curda que resiste ao avanço do Estado Islâmico. Dentre os objetivos da visita estavam a reconstrução material da cidade, a criação de uma biblioteca, a distribuição de brinquedos a crianças e o plantio de árvores, simbolizando o renascimento libertador. Seria uma grande demonstração de solidariedade.
A responsabilidade pelo ataque também recai sobre o governo de direita e conservador de Racep Edorgan, o qual é acusado de ter mantido laços com o grupo terrorista. As forças imperialistas que há anos marcam sua presença com guerras e hostilidades no Oriente Médio não deixam de ter a sua parte na história, na medida em que abriram espaço para o avanço da facção autoritária e fundamentalista em questão.É bom lembrar que a grande maioria dos muçulmanos nada tem a ver com o Estado Islâmico e repudia as suas ações. O Estado Islâmico, ao combinar fundamentalismo, sectarismo e violência extrema, conforma uma espécie “fascismo islâmico”, inconcebível e rechaçado pela maioria dos seguidores do islã.A ONU deve assumir sua vocação de promover a paz e agir no sentido de criar um processo de pacificação racional das relações entre os povos nessa área, o que inclui a garantia da tolerância e da diversidade, o respeito à autodeterminação dos povos e o combate à espoliação imperialista.Sentimos profundamente a morte precoce e intolerável dos ativistas turcos. Pensamos em divulgar uma foto do acidente, no entanto preferimos outra – de uma manifestação que ressalta a vontade de construir outro mundo por parte daqueles que se foram.
Fonte: Mandato deputado Ivan Valente

