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Áurea Carolina | Poder às mulheres negras

Não temos igual possibilidade de acesso aos espaços de poder. Aqueles que dizem o contrário tentam apagar os processos históricos do nosso país que levaram – e seguem levando – à sistemática exclusão social e política de grupos vulnerabilizados e ao seu extermínio simbólico e físico.

Hoje, 25 de julho, é uma data de resistência frente às tentativas de apagamento das vidas e da história do povo negro. No mundo, celebramos o Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha. No Brasil, é o Dia Nacional de Tereza de Benguela, data que homenageia Rainha Tereza, mulher quilombola que liderou sua comunidade na resistência contra a escravidão durante mais de duas décadas.

Cento e trinta anos depois da assinatura da Lei Imperial nº 3.353, que marca, apenas no papel, o fim da escravidão, vivemos uma realidade ainda desoladora: a população negra, jovem e de baixa escolaridade continua totalizando a maior parte das vítimas de homicídios, sofremos com a permanência do racismo estrutural e a escalada assustadora da violência machista e transfóbica segue destruindo vidas sobretudo de mulheres negras e da comunidade LGBT negra.

São muitas as Terezas no país da falsa Abolição. Nós, mulheres negras, fazemos política todos os dias: no campo, na cidade, nas quebradas. Estamos em movimentos sociais, grupos culturais, sindicatos, escolas, universidades, igrejas, organizações comunitárias, favelas, quilombos, ocupações. Apesar de acumularmos ao longo do tempo uma imensa força de organização social, seguimos lutando diariamente por nossas vidas e estamos extremamente sub-representadas na política institucional.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD) de 2017 mostra que 55,4% da população brasileira é negra. No entanto, em 2016, as mulheres foram apenas 14% do total de vereadores eleitos. Dessas, apenas 36,7% eram negras. Entre os 811 vereadores eleitos nas capitais em 2016, estavam somente 32 mulheres negras – ínfimos 3,9% do total. Entre elas, nossa irmã de luta tombada, Marielle Franco.

Mudar essa realidade se faz urgente. Para isso, precisamos ocupar os espaços de poder. Precisamos construir outras práticas políticas. Precisamos de mulheres negras comprometidas com a resistência contra o racismo, o machismo, a pobreza, a miséria, as desigualdades e todas as formas de exploração e violência. Precisamos assumir o protagonismo na política institucional como ferramenta para transformação das nossas realidades e pela vida plena do nosso povo.

Somos Tereza de Benguela. Somos Marielle Franco. Somos mulheres de luta e juntas seremos multidão.

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