A bancada do PSOL na Câmara Municipal de São Paulo acionou a Corregedoria do parlamento paulistano para pedir a cassação do vereador Camilo Cristófaro, que usou a expressão racista “coisa de preto” durante sessão da CPI dos Aplicativos na última terça-feira (3).
Sem saber que seu áudio estava aberto durante a sessão, que ocorria de forma híbrida, o parlamentar comentou: “Eles arrumaram e não lavaram a calçada. É coisa de preto, né?”
A vereadora do PSOL que estava presente na sessão, Luana Alves, se sentiu diretamente ofendida com a fala do parlamentar e solicitou a suspensão imediata da sessão. Um pedido de abertura de inquérito contra Cristófaro foi realizado também nesta semana na Delegacia de Crimes Raciais de SP.
Acabamos de solicitar a instauração de inquérito policial, na Delegacia de Crimes Raciais, para investigação do crime de raciais cometido pelo vereador Camilo Cristófaro durante a CPI dos Aplicativos, na Câmara de São Paulo. NÃO PASSARÁ IMPUNE! pic.twitter.com/MbWgUkBfe0
— Luana Alves (@luanapsol) May 4, 2022
Paula Nunes, covereadora negra do mandato coletivo Bancada Feminista do PSOL, defendeu a cassação do mandato de Camilo. “Não podemos mais aceitar o racismo na sociedade e nem na Câmara Municipal. Ou punimos aqueles que cometem racismo ou estaremos sendo coniventes com estas atitudes violentas contra a maioria da população brasileira”, diz.
O racista Camilo Cristófaro é alvo de outras nove representações por quebra de decoro parlamentar desde 2017 – duas delas também por racismo. Ele diz que a expressão foi “infeliz” e nega ser racista.
A representante do PSOL na Corregedoria da Câmara Municipal atualmente é a vereadora negra Elaine do Quilombo Periférico, que defenderá a cassação do mandato de Cristófaro.

