Do PSOL Nacional, Leonor Costa
Com a expectativa de que muitos embates marcarão os próximos quatro anos e com a disposição de reforçar a atuação combativa por mais direitos, os cinco deputados federais do PSOL tomaram posse neste domingo, 1º de fevereiro, na Câmara dos Deputados, em Brasília. Agora, além dos três – Ivan Valente, Chico Alencar e Jean Wyllys – que já fazem com que o PSOL esteja entre as melhores bancadas da Câmara, Edmilson Rodrigues, do Pará, e Cabo Daciolo, do Rio de Janeiro, reforçarão o time.
A bancada, que foi considerada a melhor da Câmara por dois anos consecutivos pelo Congresso Em Foco, continuará não medindo esforços para combater o avanço do conservadorismo e enfrentar os representantes do agronegócio, das grandes empresas e dos barões da mídia. Entre os 513 deputados federais eleitos para a 55ª legislatura (2015-2019), certamente os cinco do PSOL farão a diferença como oposição de esquerda, pautando sempre as demandas da classe trabalhadora, dos estudantes e dos movimentos sociais que atuam em defesa dos direitos humanos. São cinco deputados prontos para enfrentar o Congresso mais conservador desde 1964 e um projeto neoliberal de governo que começou anunciando perdas de direitos trabalhistas.
Para o deputado Ivan Valente (PSOL-SP), que assume o seu quinto mandato na Câmara, o PSOL cresceu nas últimas eleições e agora, com certeza, dará muito mais trabalho aos demais parlamentares. “Assumimos num momento bastante difícil da vida do país, com escândalos como os revelados na investigação da operação Lava Jato e a aplicação de medidas impopulares e de supressão de direitos do povo brasileiro numa linha de submissão ao mercado neste início de governo Dilma”, disse o ex-líder do partido, pouco antes de tomar posse neste domingo. Valente reafirmou, ainda, seu compromisso com os quase 170 mil eleitores que deram a ele mais um mandato no Legislativo. “Um mandato como o nosso só é possível se feito de forma coletiva, com críticas e propostas, com as demandas dos setores organizados e com a participação direta daqueles que lutam por mudanças e em defesa de direitos”.
Depois de uma longa trajetória de luta e militância pelo povo paraense como prefeito de Belém e deputado estadual, Edmilson Rodrigues assumiu neste domingo (01), pela primeira vez, uma cadeira na Câmara Federal. “Meu mandato será de acordo com os princípios do PSOL. É para ser instrumento em favor da construção de um país mais justo, democrático e feliz. Avançar na política do Estado voltada aos direitos sociais, lutar contra qualquer ataque aos direitos dos trabalhadores e dos oprimidos”, afirmou. O deputado também afirmou que no Congresso Nacional vai atuar para que o Pará conquiste mais respeito nacional. “A desigualdade social de nosso Estado é gritante. Metade da população não recebe um salário mínimo e um terço está em extrema pobreza”.
Também assumindo o mandato de deputado federal pela primeira vez, Daciolo Benevenuto, conhecido como Cabo Daciolo em sua trajetória de liderança sindical dos bombeiros do Rio de Janeiro, afirma que suas prioridades são a valorização da defesa nacional, da segurança pública, da saúde e, especialmente, da educação. “Num momento em que o governo federal fala ‘Brasil, Pátria Educadora’ e tira R$ 7 bilhões da educação – paralelo a isto, o Parlamento reajusta os próprios salários –, quero valorizar a educação e os educadores. Todas as profissões dependem do professor e este precisa ser reconhecido, para construção de um Brasil melhor, de um mundo melhor”, ressaltou antes de tomar posse na Câmara.
Assumindo o seu segundo mandato de deputado federal, Jean Wyllys afirmou que pretende dar continuidade ao trabalho político e legislativo em favor dos direitos humanos e agradeceu aos quase 145 mil votos que obteve nas eleições de outubro. Para ele, os desafios dos próximos quatro anos serão ainda maiores. “Essa 55ª legislatura representará para nós, do PSOL, uma batalha difícil em favor dos princípios republicanos e democráticos, das liberdades individuais, da justiça social e dos direitos de trabalhadores e minorias étnicas, sociais, sexuais e religiosas. Trabalharemos também para que movimentos sociais e coletivos culturais tenham mais espaço no Congresso Nacional”, afirmou Wyllys, que assumiu o cargo de vice-líder da bancada do PSOL.
Chico Alencar é o novo líder
O deputado fluminense Chico Alencar assumiu nesta segunda-feira (02) a liderança do PSOL na Câmara. Já em seu 4º mandato de deputado federal, ele também cumpriu o desafio de ser o representante do PSOL na disputa à Presidência da Casa, enfrentando outras três candidaturas que representaram blocos formados pelos grandes partidos da ordem (Eduardo Cunha, Arlindo Chináglia e Júlio Delgado).
“Nossa unidade, enquanto bancada fiel ao programa partidário, como já praticado na disputa pela presidência da Casa, vai fazer a diferença nesta 55ª Legislatura”, disse Chico, neste domingo (01).
Formado em História pela Universidade Federal Fluminense e mestre em Educação pela Fundação Getúlio Vargas, Chico Alencar é professor licenciado de Prática do Ensino da História da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e autor de 32 livros, entre os quais “História da Sociedade Brasileira” e “Educar na Esperança em Tempos de Desencanto.”
Antes de entrar na Câmara Federal, o líder do PSOL foi vereador duas vezes e deputado estadual no Rio de Janeiro, ainda pelo Partido dos Trabalhadores. Em 2005, logo depois de o escândalo do mensalão vir à tona, já em seu primeiro mandato como deputado federal, participou da criação do PSOL. Em 2014, com 195 mil votos, foi o quarto deputado federal mais votado no Rio de Janeiro.
Na avaliação do líder, esta legislatura terá a marca da tensão e da contradição, devido, em grande medida, ao aumento do conservadorismo. “O cenário de debilidade da economia está sendo enfrentado pelo governo federal com medidas que atacam os direitos dos trabalhadores. A crise política se evidencia pela desagregação da base governista, que vai dificultar sua hegemonia no Parlamento, gerando uma instabilidade permanente. A Lava-Jato produzirá o desgaste ainda maior dos partidos dominantes e da política, por consequência. A expectativa positiva é de que, num movimento de alto defesa, organizações populares, juvenis e de trabalhadores se mobilizem mais, e as praças pressionem os palácios contra os retrocessos anunciados. ‘Nada a temer senão o correr da luta’”, ressaltou o novo líder do PSOL.

