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Chico Alencar abre série de entrevistas com candidatos eleitos do PSOL: “A consciência digna e rebelde de parte da nossa gente se manifestou!”

Nesta semana o site do PSOL Nacional dará início a uma série de entrevistas com os candidatos eleitos pelo partido: Chico Alenas, Marcelo Freixo, Jean Wyllys, Janira Rocha, Ivan Valente, Carlos Ginnazi, Marinor Brito, Randolfe Rodrigues e Edmilson Rodrigues. Ao todo serão nove matérias com os candidatos avaliando a campanha eleitoral e colocando as prioridades dos seus mandatos. O deputado federal reeleito no Rio de Janeiro, o segundo mais votado no Estado, Chico Alencar, é quem abre a sequência. Confira abaixo:

Como você avalia a campanha desse ano em relação às outras pelas quais já passou?

Foi a mais surpreendente e paradoxal: a mais difícil, por um lado, em função do enorme desencanto da população com a política – produto final dos quase 16 anos de FHC e Lula. A mais fácil – o que só percebemos depois do resultado extraordinário – porque o PSOL ocupou o lugar vazio do idealismo, das boas causas, da Política com P maiúsculo, e uma militância jovem e generosa propagou isso maravilhosamente bem. Os 240.724 votos superaram nossas previsões mais otimistas. No Rio de Janeiro o povo percebeu que o PSOL é um partido necessário, ao menos no Parlamento…

Qual foi o papel da militância nesse processo?
Decisivo. A peça material de maior sucesso na campanha foi a camiseta com o lema ‘Não recebo um real, tô na rua por ideal’. E na internet, no boca a boca, além das contínuas panfletagens e organização de debates, a nossa militância fez a diferença. Partidos ditos de esquerda, como PT e PCdoB, apostaram nos meios dos fisiológicos e perderam muitos votos. Foi deprimente ver aquelas bandeiras nas mãos de quem não tinha a menor noção do que elas já representaram um dia.

Na sua avaliação, qual impacto sua reeleição traz para a política brasileira e do Rio de Janeiro?
Ainda estou sob o impacto da emocionante votação para falar do impacto social e político…Mas creio que mostra que há espaço para uma esquerda autêntica, coerente, honesta, que aposta na organização e nas lutas populares. A essa votação somou-se o resultado do site Congresso Em Foco, no qual 183 jornalistas colocaram os três deputados do PSOL na Câmara dos Deputados entre os 30 melhores.

Você foi o segundo deputado mais votado do Rio. Isso te surpreendeu? A que você atribui esse resultado?
Muita gente diz que fui o primeiro, politicamente, já que o ex-governador Garotinho está sub judice e fez campanha na base do apelo pseudoreligioso: “fica combinado assim: eu oro  por você, você ora por mim”… Seguramente ganhamos na relação gasto/voto. Campanha franciscana e clara. Sem dúvida, um resultado surpreendente. Trabalhamos muitíssimo, gastamos saliva e sola de sapato, mas não imaginávamos tamanha votação. A consciência digna e rebelde de parte da nossa gente carioca e fluminense se manifestou!

Quais são as prioridades do seu próximo mandato?

Reforma Política com participação popular, auditoria da dívida, mais recursos públicos para Educação, Cultura, Saúde, Reforma Agrária, Reforma Urbana, cumprimento da Plataforma Ambiental, ampliação de direitos trabalhistas, civis, humanos. E fiscalização forte dos gastos, em especial os relativos aos megaeventos esportivos que vão moldar a vida do Rio de Janeiro nos próximos anos. Se não acompanharmos com rigor, haverá muita corrupção e nenhum legado social. O apoio permanente às lutas sociais e o estímulo à organização do povo também são prioridades, bem como a construção do PSOL, o ‘pequeno notável’.

O PSOL alcançou ótimos resultados em alguns Estados, como no Rio e no Pará, por outro lado não conseguiu eleger nomes importantes, conhecidos e respeitados como Luciana Genro, Heloisa Helena e Raul Marcelo. Como você vê o futuro do PSOL e sua consolidação na política brasileira?
Fiquei muito triste com as derrotas desses valorosos companheiros. No lugar deles, tanta gente sem espírito público… Teremos que nos desdobrar na institucionalidade. Como dissemos na belíssima campanha de Plínio, sem o PSOL a democracia brasileira perde um lado. O PSOL segue sendo um partido indispensável, pois é o único da esquerda consequente e coerente, que busca ressignificar o ideário socialista. Nossa tarefa, no parlamento nacional, será também tentar reaglutinar a esquerda brasileira, hoje muito fracionada. É uma quadra de resistência. Vamos moer no áspero, mas a militância nos anima, nos dá muita energia.

PERFIL

Chico Alencar é carioca da Tijuca desde meados do século passado. Filho de dois – um piauiense, uma paulista – e pai de quatro: Emanuel, Ana, Lia e Nina, das zelosas mães Angela (os três primeiros) e Claudia.

Chico é professor, formado em História pela Universidade Federal Fluminense. Defendeu tese de Mestrado em Educação na Fundação Getúlio Vargas sobre o movimento das Associações de Moradores do Rio, do qual foi um dos líderes no início dos anos 80. Lecionou durante mais de duas décadas em colégios da rede pública e particular do Rio de Janeiro. É professor licenciado de Prática do Ensino de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ.

Dirigiu, entre 1987 e 1988, a Coordenadoria de Apoio ao Educando, da Secretaria Municipal de Educação, que encaminhou a primeira eleição direta das direções das escolas públicas do Rio de Janeiro.

Foi vereador do Rio de Janeiro, pelo PT, de 1989 a 1996. Participou da elaboração da Lei Orgânica e do Plano Diretor da Cidade, sempre apresentando emendas reivindicadas pelos movimentos populares. Em 1998 foi eleito deputado estadual: presidiu a Comissão de Direitos Humanos e foi vice-presidente da Comissão de Educação da ALERJ. É Deputado Federal, eleito pelo PT em 2002 – de novo o mais votado – e reeleito em 2006 pelo PSOL, com 119 mil votos. Titular do Conselho de Ética, foi um dos integrantes mais ativos por ocasião da investigação sobre o “mensalão”. Em 1996 candidatou-se à prefeitura do Rio e, mesmo boicotado pela direção nacional petista, obteve a terceira colocação, com 642 mil votos, faltando 1,5% para chegar ao segundo turno.

Chico é autor de 26 livros, como História da Sociedade Brasileira (com Marcus Venicio Ribeiro e Lucia Carpi), Brasil Vivo (com Marcus Venicio Ribeiro e Claudius), BR-500 e Educar na Esperança em Tempos de Desencanto (com Pablo Gentili), além de infanto-juvenis das coleções Viramundo e Educar nos Valores.

Seu lema de vida vem de Gandhi: “seja a mudança que você quer no mundo”.

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