Deputadas do PSOL na Assembleia Legislativa do Rio, Mônica Francisco e Renata Souza protocolaram uma representação por quebra de decoro parlamentar contra o deputado Alexandre Freitas (Novo). Na última quarta-feira (5), o deputado defendia que a esquerda “parasse de falar bobagem” sobre a polícia”, quando emendou que “coincidentemente” as duas deputadas “vieram de uma comunidade onde a facção que é mais violenta a domina”.
Renata Souza diz que sentiu um misto de tristeza e revolta ao ouvir o que disse Freitas. “É muito preconceito, muita discriminação e uma leviandade que extrapola a ética parlamentar. Não podemos naturalizar violências como essa”, diz ela. “Criminalizar a favela é criminalizar um terço da população do Rio de Janeiro”. Para Renata, que é a pré-candidata do PSOL à Prefeitura do RJ, esse ataque foi um “prenúncio do que virá na corrida eleitoral”.
Por sua vez, Mônica custou a acreditar no que o deputado falou. “Entendi o quanto de teor racista e preconceituoso estava impregnado o discurso do deputado”, relata ela. “É repulsa pela presença de pessoas como eu num espaço de poder historicamente visto como não sendo franqueado para quem tem a minha origem, a minha história de vida, a minha cor”.
A deputada diz que houve vários ataques semelhantes na Aerj. “Os partidos ultraconservadores relacionaram nosso nome a traficantes, apoio a traficantes, defesa do crime organizado e insinuações racistas. Isso é uma recorrência, infelizmente”, lamenta. “Esse caso não pode ser jogado para baixo do tapete, a sociedade fluminense merece uma resposta”.
Antes de serem eleitas em 2018 para representar o PSOL na Alerj, tanto Renata quanto Mônica trabalharam na Câmara Municipal do Rio, na equipe da vereadora Marielle Franco, assassinada em março de 2018.


