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Eleição de Edmilson Rodrigues reforçará atuação de esquerda do PSOL no Congresso Nacional

Do site nacional do PSOL, Leonor Costa

A bancada de deputados combativos do PSOL na Câmara Federal ganhará um importante reforço a partir de fevereiro de 2015, com a eleição de Edmilson Rodrigues como deputado federal pelo Pará. Com mais de 170 mil votos, o atual deputado estadual ficou entre os mais votados no pleito do dia 5 de outubro. Durante pronunciamento na Assembleia Legislativa do Pará em sessão do último dia 7, o recém eleito deputado federal do PSOL agradeceu a confiança recebida pelos eleitores e ressaltou a vitória como resultado de um esforço coletivo. “Agradeço a cada cidadão e cidadã que nos acompanhou nesse processo. O resultado não dependeu apenas do meu histórico pessoal, mas de um esforço coletivo. Para aqueles que acreditam na nossa candidatura, tenham a certeza que terão um deputado que honrará cada um dos mais de 170 mil votos recebidos. Num país com 200 milhões de habitantes e 140 milhões de eleitores, vou compor um colegiado de 513 deputados federais. Para mim, que sou filho de um comerciante e de uma dona de casa e neto de operários, é uma honra muito grande”, destacou.

O novo integrante da bancada do PSOL no Congresso Nacional foi prefeito de Belém nos períodos de 1997 a 2000 e de 2001 a 2004, quando ainda era militante do PT. Arquiteto graduado pela Universidade Federal do Pará, com especialização em Desenvolvimento de Áreas Amazônicas, mestrado em Planejamento do Desenvolvimento, pelo Núcleo de Altos Estudos Amazônicos, e doutorado em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo, Edmilson também é professor do Instituto de Ciências Agrárias da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA).
 
Antes de ser prefeito da capital paraense, exerceu dois mandatos de deputado estadual, de 1987 a 1990 e de 1991 a 1994. Em 2005, filiou-se ao PSOL e em 2010 foi eleito o deputado mais votado da história do Pará.
 
É autor dos livros “Amazônia, Território e Soberania na Globalização – Jardim de Águas Sedento”, “Aventura Urbana: urbanização, trabalho e meio-ambiente”; “Os Desafios da Metrópole: reflexões sobre o desenvolvimento para Belém”, “Estado Nacional, Cidades e Desenvolvimento”; “Do Mito da Sustentabilidade Capitalista à Construção Social da Utopia”; e “La città, uma nuova cultura collaborativa, il potere populare”. Como co-autor, participou da elaboração dos livros “Tembé-Tenetehara: a nação resiste (Relatório final da Comissão Especial de Estudos sobre os índios Tembé Tenetehara da Reserva Indígena do Alto Rio Guamá no Pará)”; “Congresso da Cidade: construir o poder popular reinventando o futuro” (editado também em francês e italiano); “Luzes na floresta: o governo democrático popular em Belém (1997/2001)”; “Cooperação e relações internacionais”; “Reflexiones sobre la ciudad y su gestión”; “Instituições políticas no socialismo”; “Desafios do poder local: o modo petista de governar”; e “Reflexões sobre o PT e o poder local”.
 
A redação do site do PSOL fez uma entrevista* com o mais novo integrante da bancada federal, que ao lado de Chico Alencar, Jean Wyllys, Ivan Valente e Cabo Daciolo (também eleito pela primeira vez em 5 de outubro), certamente fará diferença na luta por mais direitos.
 
1-    Você foi eleito com mais de 170 mil votos, sendo o terceiro deputado federal mais votado do Pará. Qual a expectativa com esse mandato na Câmara Federal?
A tarefa de um mandatário que tem a confiança do povo, daquele que é eleito sem compra de voto, é colocar o mandato a serviço das lutas populares e a serviço da produção de um futuro justo, democrático, feliz e socialista. Lutarei pelo projeto soberano e democrático de nação, afirmando o projeto estratégico da unidade dos povos, particularmente da América Latina e do Cone Sul, através de proposições e políticas que consolidem a perspectiva anti-imperialista e anti-monopolista e que busquem o avanço da democracia, inspirada no poder popular.
 
2-    Quais as principais bandeiras você pretende defender durante o seu mandato na Câmara?
O meu mandato terá o objetivo de defender o direito dos que vivem do trabalho, dos explorados, dos oprimidos, das vítimas da fome e do preconceito. E, ao mesmo tempo, vai prezar pelo respeito aos direito que o estado do Pará e seu povo tem a participar de forma mais equitativa da riqueza produzida no Brasil e, particularmente, da fração paraense do território nacional. Não é admissível que há muitas décadas mantenhamos a condição de mero almoxarifado do desenvolvimento nacional. O buraco cresce, o minério é exportado aos milhões de toneladas, a floresta está sendo dizimada, os rios poluídos e barrados com várias hidrelétricas sendo construídas e a biodiversidade destruída junto com a diversidade social. Porque destroem-se povos e etnias, faz-se desaparecer línguas. É uma forma de desenvolvimento que reafirma a destruição e o subdesenvolvimento para o povo paraense. O meu mandato de deputado federal será uma trincheira a serviço do povo paraense e, ao mesmo tempo, dos mais pobres, dos trabalhadores, dos oprimidos, da juventude e dos idosos, entre outros.
 
3-    Você já é deputado estadual e também teve uma excelente votação no pleito do último dia 5 de outubro, o que mostra credibilidade junto ao eleitorado paraense. A que você atribui esse bom desempenho nessa eleição?
É a coerência política que conseguiu ser percebida por uma boa parcela da população, ainda que predominem o fisiologismo eleitoral, o viés conservador e a compra de votos que determinam a eleição da maioria. Honrarei os votos recebidos para continuar merecendo a confiança do povo.
 
4-     A bancada do PSOL cresceu, aumentando de 3 para 5 deputados federais e de 5 para 12 deputados estaduais, e Luciana Genro teve uma votação quase o dobro em relação à eleição de 2010. Como você avalia esse crescimento do PSOL, num cenário em que as bancadas conservadoras também tiveram um aumento no Congresso Nacional?
É uma grande contradição, nós, que lutamos contra a ditadura, vermos, hoje, o crescimento da representação dos setores mais atrasados e perversos da sociedade, do latifúndio, do agronegócio, das grandes corporações estrangeiras e daqueles que evocam a violência e o preconceito contra negros, indígenas e LGBTs. 
 
Em grande medida, isso se explica pela crise internacional vivenciada pelo pensamento crítico, de esquerda e socialista. Vivemos uma crise econômica profunda com repercussão na crise política e ideológica. No entanto, a resistência baseada em projeto de um futuro transformador e revolucionário, é necessária. O PSOL mostra que está sendo eficaz. Nosso crescimento é lento, mas é gradual e seguro.
 
Aumentamos a bancada e não reduzimos a ação partidária às eleições, que são espaços de luta fundamentais para a construção desse projeto de futuro revolucionário junto com os movimentos vivos da sociedade. O grande desafio é o fortalecimento das lutas por moradia, terra, salário, trabalho, dignidade e democracia, pelo direito de pensar e pelo direito de ser diferente.
 
5-    Há uma expectativa que com o seu mandato de deputado federal o PSOL cresça ainda mais no Pará?
Com certeza. Teremos agora a tribuna da Câmara Federal. Levaremos a voz de quase 8 milhões de trabalhadores paraenses, que, hoje, praticamente não têm representação. Mesmo alguns que advogam ser de esquerda, tiveram os mandatos sequestrados, defendem as grandes mineradoras, não agem contra a Lei Kandir, não se empenham na reforma tributária, nada fazem diante do monopólio de algumas empresas nos setores estratégicos, como o petróleo e a energia, que se calam diante dos aumentos absurdos das tarifas de transporte e de eletricidade. É necessário que o povo tenha voz. Somos ideologicamente comprometidos com a produção de um futuro que não pode ser a repetição da barbárie do presente.
 
6-    Por fim, na sua avaliação, o que faz do PSOL um partido diferente dos demais?
É diferente porque é socialista, que não detém a verdade absoluta, mas tem a humildade para reconhecer a necessidade de aprofundar o debate estratégico sobre o projeto de socialismo. No entanto, quando dizemos que o Brasil precisa ser soberano, que a solidariedade entre os povos e os estados territoriais é um princípio para nós, estamos afirmando o projeto de futuro. Hoje, o cidadão é meio cidadão, vilipendiado pela miséria. Democracia para nós é o exercício do poder popular, significa o protagonismo do povo em geral. É para afirmar a possibilidade de transformação que existe o PSOL. Para combater todas as formas de opressão e de exploração, para mostrar que atuamos de forma lúcida, consciente e competente para produzir um programa socialista, de justiça social, equilíbrio ambiental e desenvolvimento verdadeiro e não daquele que alguns chamam de desenvolvimento, mas que é o crescimento do lucro para o enriquecimento da minoria à custa do aumento da miséria e da exploração da maioria da humanidade.
 
*Cabo Daciolo, também eleito pela primeira vez, será o nosso próximo entrevistado. 

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