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Em Brasília, Slavoj Žižek afirma, para mais de mil pessoas, que não há alternativas dentro do capitalismo

Conferência internacional Marx: a criação destruidora chega a Brasília e reúne estudantes, acadêmicos e militantes. Filósofo lança seu novo livro “Menos que nada: Hegel e a sombra do materialismo histórico”
 
Diante de uma plateia que reuniu mais de mil pessoas, entre estudantes, professores e militantes sociais, o filósofo esloveno Slavoj Žižek participou, na noite desta terça-feira (12), na Universidade de Brasília, de mais uma etapa da conferência internacional Marx: a criação destruidora, promovida pela Editora Boitempo e pela Fundação Lauro Campo. Estudioso da teoria marxista e da psicanálise, Žižek mostrou, durante mais de uma hora de conferência, suas qualidades que o levam a ser hoje um dos filósofos mais lidos por acadêmicos, psicanalistas e militantes de esquerda, não só na Europa, como também no Brasil e em outros países da América Latina. Com declarações algumas vezes polêmicas, abordando temas que passam pela crise do capitalismo, ideologia, religião, psicanálise, levantes no mundo árabe e cultura de massas, ele foi capaz de arrancar diferentes reações nos rostos e ouvidos atentos que encheram ontem o Centro Comunitário da UnB. Na ocasião, ele também lançou seu último livro “Menos que nada: Hegel e a sombra do materialismo histórico”.
 
“Se ainda queremos ser esquerdistas revolucionários, precisamos compreender que as soluções do século XX já foram e não nos proporcionaram um novo modelo de sociedade”, disse Žižek, logo no início de sua fala, fazendo um contraponto às alternativas que apenas tentam “humanizar” o capitalismo, modelo que para ele precisa ser superado. “Não acredito em novo capitalismo, no Estado de Bem Estar Social eurocêntrico. E nem esses inviabilizam levantes efetivos. O processo revolucionário pode se instalar em uma conjuntura econômica em ascensão”, afirmou. Sobre as reações dos trabalhadores europeus, mais precisamente os de Portugal, Espanha e Grécia, o filósofo considera que essas experiências “ainda não atingiram um nível de organização capaz de chegar a um processo de transformação social”.
 
Violência institucional
Num momento em que o mundo estava com as atenções voltadas para a escolha do novo Papa, Žižek não poupou críticas à Igreja Católica. “É um ritual sistemático, obsceno e não apenas um caso isolado. Não é algo particular e insignificante”, considerou, se referindo aos casos de pedofilia praticados por integrantes do clero, o que ele apontou como um dos claros exemplos de “violência institucional”.
 
Já quase ao final da conferência, em resposta a uma pergunta da plateia sobre o que para ele era ser comunista, Žižek respondeu que é o termo mais correto para designar o que representa o interesse dos “comuns”. “Se a humanidade não enfrentar os problemas dos comuns, da plebe, certamente chagaremos à barbárie”, enfatizou.
 
Leitura crítica da conjuntura para o processo de transformação
Em Brasília, a conferência Marx: a criação destruidora foi organizada pela Editora Boitempo e pela Fundação Lauro Campos, com o apoio do Sindireceita (Sindicato dos Servidores da Receita Federal), do Instituto de Ciências Sociais da UnB e do Ceppac-UnB (Centro de Pesquisa e Pós-graduação sobre as Américas).
 
O jornalista do Sindireceita e militante do PSOL, Rodolfo Mohr, que trabalhou na organização e também mediou a conferência, considera que o debate foi um momento importante “para escutar e refletir sobre o marxismo”. “Evidente que Žižek torna tudo mais divertido e atraente. Provocação pura quase o tempo todo. Brasília mostrou que tem capacidade e ousadia de discutir e pulsar os novos tempos. Tempos interessantes, onde as revoluções saíram dos livros e passeiam pelas ruas de alguns lugares do mundo”, avaliou Rodolfo.

Para Juliano Medeiros, do Diretório Nacional do PSOL e da Fundação Lauro Campos, que também saudou os participantes na abertura da atividade, ciclo de palestras como esses é fundamental para proporcionar a leitura crítica da conjuntura à classe trabalhadora e aos militantes de esquerda. “Žižek é um dos mais importantes intelectuais críticos da atualidade. Sua intensa atividade em apoio aos movimentos de contestação à ordem capitalista demonstra que ainda existem pensadores dispostos a fazer da teoria uma arma a serviço da transformação. A Fundação Lauro Campos se orgulha de contribuir com a sua vinda ao Brasil”, avalia.

 
 
 
 
 
 

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