Com os trabalhos paralisados desde o dia 29 de outubro, petroleiros de várias regiões do país entraram nesta quinta-feira (05/11) no 8º dia da paralisação enfrentando uma série de repressão e práticas antissindicais por parte dos patrões. O eixo central da greve da categoria é impedir o desmonte e a privatização da Petrobras e ataques aos direitos históricos conquistados pelos trabalhadores. Segundo a FNP (Federação Nacional dos Petroleiros), que reúne vários sindicatos de base, a mobilização está sendo capaz de afetar a produção das unidades da estatal e de obrigar a própria companhia a admitir os efeitos – os números oficiais citam queda de produção de 273 mil barris de petróleo (13% da produção diária no Brasil).
Ainda de acordo com a entidade, o cenário é de grande enfrentamento por parte da categoria. Tentativas de travar a luta com interditos proibitórios, acionamento das Polícias Militares para intimidar os trabalhadores e prender dirigentes sindicais, manobras jurídicas de todo o tipo para impedir que a categoria exerça o direito de greve é a realidade atual da greve nacional dos petroleiros. Mas o movimento segue forte em várias unidades por todo o país. Na base da FUP (Federação Única dos Petroleiros), a greve teve início no último dia 1º de novembro.
Na Refinaria Presidente Bernardes, no polo petroquímico de Cubatão-SP, cerca de 300 petroleiros em greve fizeram hoje (05) ato na porta da empresa. Os grevistas tentaram barrar a entrada de cerca de três mil terceirizados contratados para trabalhar na parada obrigatória para a manutenção de segurança dos equipamentos.
Na mesma refinaria, aproximadamente 30 funcionários estão trabalhando há oito dias, sem interrupção. Eles fazem parte do último turno de operações antes da deflagração da greve da categoria. Segundo matéria publicada na Agência Brasil, inicialmente 90 funcionários estavam nessa situação e foram sendo liberados aos poucos conforme as visitas de Oficiais de Justiça, que cumpriam decisão de uma liminar concedida ao Sindicato dos Petroleiros do Litoral Paulista. A Justiça determinou que os funcionários que deixarem os postos não poderão ser penalizados.
O Sindicato defende a paralisação total das atividades da refinaria para que os funcionários possam sair do local, sem risco de acidente ou explosão. A refinaria trabalha com alta capacidade de conversão gás-óleo, gerando derivados de grande valor de mercado. São produzidos 178 mil barris por dia, que tem como destinos a cidade de São Paulo, a Baixada Santista e as regiões Norte, Nordeste e Sul do país. “A Petrobras não colocou equipes de contingência suficientes para operar a unidade com segurança e os trabalhadores se sentiram inseguros de abandoná-la”, disse Rafael Góes, diretor do Sindicato do Litoral Paulista.
A greve atinge várias unidades no estado de São Paulo – como São José dos Campos e o Litoral Paulista -, em Alagoas, Sergipe, Minas Gerais, Rio de Janeiro – incluindo a capital e o Norte Fluminense -, Bahia, Rio Grande do Norte, Espírito Santo, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Sul, Amazonas, Paraná e Santa Catarina.
Ato de solidariedade no centro do Rio
Nesta sexta-feira (06), o centro do Rio de Janeiro ainda será palco de uma grande manifestação de solidariedade à greve dos petroleiros e contra a venda de ativos da Petrobras. Segundo informações do Sindipetro-RJ, o protesto sairá da Candelária, às 17h. A expectativa é que centrais sindicais, entidades estudantis e movimentos populares participem da passeata e se somem nesta luta em defesa da Petrobras 100% pública.
O Sindipetro-RJ ressalta que a direção da empresa vem adotando diversas práticas antissindicais contra o legítimo direito de greve da categoria. Mas em vez de arrefecer a luta, tais medidas têm feito a categoria avançar na mobilização. “A produção já começa a ser afetada e os petroleiros entendem que é fundamental o amplo apoio social para sairmos vitoriosos desta luta contra a privatização da Petrobras e contra a retirada de direitos dos trabalhadores. Essa luta é de todos os brasileiros”, afirmou o sindicato.
Do PSOL Nacional, com informações da Agência Brasil e da FNP

