Os trabalhadores argentinos sofreram um duro ataque do governo de Maurício Macri. Na manhã desta terça-feira (19), a Câmara dos Deputados da Argentina aprovou, por 128 votos a favor e 116 contrário, além de duas abstenções, a proposta de reforma da Previdência, que muda o cálculo da aposentadoria e das pensões. A sessão foi aberta na noite desta segunda (18), durou mais de 12 horas e só terminou às 8h20 desta terça (hora de Brasília, 7h20 em Buenos Aires).
A votação aconteceu em meio a uma greve geral e uma onda de protestos em todo o país. Na semana passada, os deputados governistas já haviam tentado votar a proposta, mas a forte mobilização nas ruas adiou a sessão, prevista para a última quinta-feira (14). Centrais sindicais, federações e sindicatos de base realizaram uma greve geral na sexta-feira (15).
A reforma, que contou com o apoio de governadores de províncias aliadas ao governo de Macri, muda o cálculo para o pagamento de aposentadorias e pensões e da Quota Universal por Filho –um programa de assistência social parecido com o bolsa-família criado durante o kirchnerismo. Antes, esse cálculo era reajustado a cada trimestre, usando vários índices, entre eles a evolução dos salários e a arrecadação tributária. Agora, pretende-se usar apenas o índice de inflação, com reajuste semestral.
O projeto prevê um corte de cerca de US$ 5,7 milhões nas aposentadorias, nas atribuições universais e nos vencimentos dos veteranos das Malvinas. A expectativa é a reforma gere impacto na vida de cerca de 17 milhões de pessoas.
Os protestos, que acontecem desde a semana passada, foram marcados pela reação truculenta das forças de segurança do governo argentino. Dezenas de pessoas ficaram feridas. Nesta terça-feira, sindicatos farão nova reunião para decidir se retomam a greve geral já imediatamente.
O novo presidente nacional do PSOL, Juliano Medeiros, comenta que os trabalhadores argentinos enfrentam, assim como os trabalhadores do Brasil, uma forte ofensiva do governo conservador contra seus direitos. “Os protestos e a greve geral deflagrada na última semana demonstraram a disposição dos argentinos em reagir à retirada de direitos imposta pelo governo Macri. No Brasil, vivemos um processo semelhante de enfrentamento à reforma da Previdência, cuja votação foi adiada como resultado da pressão dos movimentos sindicais e sociais. Esperamos ter força para conseguir um desfecho melhor por aqui, com a convocação de uma grande greve geral e os trabalhadores indo às ruas no início de 2018 para derrotar, de vez, essa proposta”, destaca.

