A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) acionou a Advocacia-Geral da União (AGU) para pedir a investigação de perfis que divulgaram conteúdos que atribuem falsamente ao presidente Lula a prática do crime de transfobia.
As publicações nas redes sociais e em sites alinhados à extrema-direita distorceram um trecho do discurso do presidente durante um evento oficial no Rio de Janeiro, descontextualizando uma fala em evento que Erika Hilton sequer estava presente e gerando uma onda coordenada de ataques e fake news.
A controvérsia surgiu depois de um discurso de Lula na Casa da Moeda, na sexta-feira 16, durante a celebração dos 90 anos do salário mínimo. O presidente tratava dos riscos da inteligência artificial, especialmente para mulheres, quando usou o pronome masculino ao se referir à deputada estadual Elika Takimoto (PT-RJ), que estava sentada na plateia. Elika é uma mulher cis.
“Eles são capazes de tirar uma foto sua, sentada do jeito que você está aqui, e colocar você pelada no celular. É isso que é inteligência artificial. Ele é capaz de tirar uma foto da Erika, vestidinha do jeito que ele (sic) tá, com a perna cruzada, e amanhã aparecer no celular a Erika sentada pelada aqui”, disse Lula.
Dois dias após o discurso, políticos e influenciadores da extrema-direita, entre eles Eduardo Bolsonaro (PL-SP), Nikolas Ferreira (PL-MG) e o vereador paulista Rubinho Nunes (União Brasil), passaram a associar o trecho a Erika Hilton. Publicações insinuaram que Lula teria usado o pronome masculino para se referir à congressista, que não estava presente no evento e encontrava-se no interior de São Paulo.
Erika Hilton disse que já identificou ao menos 90 publicações com a informação falsa, além de milhares de compartilhamentos. Disse que os responsáveis podem responder judicialmente. Para ela, a prática pode configurar crimes como calúnia, difamação, transfobia, violência política de gênero e até infrações eleitorais. “Não é polêmica, é crime”, afirmou.

