Na Espanha, as eleições locais deste domingo (24/05) representaram o aumento de poder do partido de esquerda Podemos, rompendo com o tradicional bipartidarismo entre o governista PP (Partido Popular) e o oposicionista PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol).
Ontem, mais de 35 milhões de espanhóis foram às urnas para escolher 8.122 prefeitos e governadores de 13 regiões da nação europeia. Em um termômetro para as eleições gerais previstas para novembro, Podemos teve conquistas importantes, como a vitória da candidata Ada Colau para a prefeitura de Barcelona.
Ativista e contra medidas de austeridade, Colau venceu na segunda maior cidade do país após ficar conhecida por liderar uma organização que luta para impedir o despejo de inquilinos que não conseguem pagar a hipoteca aos bancos em meio à forte crise econômica que afeta a Espanha.
Segundo a Agência Efe, o líder do Podemos, Pablo Iglesias, garantiu nesta manhã, que a sua legenda está em posição de disputar a vitória nas próximas eleições gerais e acrescentou que têm a “mão estendida” para negociar com qualquer força que se dê um giro de 180 graus à política de cortes.
Embora tenha obtido maioria em Madri, há grandes chances de perder a prefeitura da capital para Manuela Carmena, uma antiga juíza de 71 anos da coalizão local “Ahora Madrid”, que é composta pelo movimento dos “indignados”, do qual Podemos faz parte.
Com esse resultado eleitoral, pode-se dizer que o panorama político territorial espanhol conhecido até os dias de hoje ficou tremendamente abalado. Um dos fatos mais marcantes desta mudança eleitoral é a perda de poder do PP (Partido Popular), que obteve 27% dos votos, mais de dez pontos abaixo do obtido há quatro anos, seguido pelo PSOE, com 25%. Embora as duas legendas concentrem o maior número de votos, o resultado foi considerado para ambas uma derrota e um desgaste da imagem de seus líderes.
O PP perdeu, ainda, a maioria absoluta nas dez comunidades que governava, em grande parte desde 1995. Isso significa uma perda de pelo menos oito governos autônomos, segundo informações do Esquerda.net.
Em artigo publicado no blog Brasil em 5, a presidente da Fundação Lauro Campos e candidata à Presidência da República pelo PSOL, Luciana Genro, considera que o resultado das eleições municipais na Espanha neste domingo foi “uma primavera de mudança”. Segundo ela, representa a continuidade de um processo que teve seu início eleitoral no ano passado, quando o Podemos surpreendeu nas eleições para o Parlamento Europeu. “Foi, sem dúvida, mais um recado claro do povo contra a política de cortes e ajuste”.
Com relação aos desafios que o Podemos enfrentará a partir de seu crescimento nas urnas, Genro considera que o caminho não será fácil, fazendo uma alusão ao enfrentamento feito pelo Syriza, de Alexis Tsipras, na Grécia. “Assim como na Grécia o Syriza sofre pressões gigantescas para abandonar a sua postura de intransigência frente à Troika e aos interesses dos mercados, na Espanha o Podemos não está livre das mesmas pressões do establishment político, da mídia e dos capitalistas”.

