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Esquerda se renova em Portugal e Espanha

A esquerda europeia se renovou nos últimos anos. Com as políticas de “austeridade econômica”, impostas pelos organismos econômicos como a União Europeia e o FMI, uma nova onda de descontentamento popular tomou o velho continente, fazendo surgir novos atores políticos.

Na Grécia, um dos países mais afetados pela crise econômica de 2008, as políticas de ajuste econômico impostos pelas potências europeias deram origem a um poderoso movimento anti-austeridade, cuja principal expressão política e eleitoral foi o fortalecimento da Coalizão da Esquerda Radical, que tomou a forma de partido sob o nome de Syriza, nas últimas eleições legislativas gregas.

Na França, menos afetada que a Grécia com a crise econômica, a estagnação do crescimento e as dificuldades com o constante aumento do fluxo migratório – inclusive com o fortalecimento de posições xenofóbicas e racistas – uma nova frente política, liderada por Jean-Luc Melenchon, expressou a crítica ao ajuste dos organismos multilaterais através da Frente de Esquerda (Front de Gauche) com uma plataforma de esquerda nas últimas eleições presidências.

Em Portugal, a resistência aos ajustes econômicos da “troika” (Banco Europeu, Comissão Europeia e FMI) foi liderada, dentre outros, pelo Bloco de Esquerda, partido formado em 1999 e renovado pelos ventos da luta anti-austeridade.

Na Espanha, a luta nas praças da capital Madri, simbolizada pelo movimento conhecido como “15-M”, deu origem a um novo partido de esquerda chamado Podemos, que conquistou mais de 10% dos votos nas últimas eleições ao Parlamento Europeu na Espanha.

Estes dois partidos viveram importantes momentos de renovação e discussão sobre seus desafios nos últimos dias. O Bloco de Esquerda realizou sua IX Convenção Nacional (equivalente ao Congresso dos partidos brasileiros) no último dia 21. Na Convenção com maior participação e também mais disputada do Bloco de Esquerda, a moção política apoiada pelos coordenadores saiu vitoriosa com 8 votos; mas as listas U, encabeçada por João Semedo e Catarina Martins e E, liderada por Pedro Filipe Soares, para a Mesa Nacional empataram (259 votos cada uma). A moção U – Moção Unitária em Construção, venceu a IX Convenção Nacional do Bloco de Esquerda, com 266 votos, mais oito que a E – Bloco Plural, Fator de Viragem, que obteve 258 votos. Em terceiro lugar ficou a moção B – Refundar o Bloco na Luta Contra a Austeridade, com 34 votos, a R – Reiventar o Bloco, em quarto com 30 votos e a A – Uma Resposta de Esquerda – Por um Bloco que Responda já aos Problemas das Pessoas, em quinto, com 7 votos. Na votação, em urna, das listas para a Mesa Nacional, houve um inédito empate entre as moções U e E, ambas com 259 votos. A Mesa Nacional passa assim a ser composta por 34 eleitos da moção U, 34 eleitos da moção E, 7 da moção B, 4 da moção R. A Comissão de Direitos passa a ser composta por 3 eleitos da moção U, 3 da E e 1 da B.

O primeiro subscritor da moção vencedora da IX Convenção do Bloco começou por chamar ao palco todos os membros dos órgãos dirigentes, acabados de eleger por parte das várias listas que se candidataram. João Semedo quis deixar um convite para que a nova direção saiba começar “um novo ciclo político” no partido. “A nova direção do Bloco não tem que enterrar diferenças porque respeita as opiniões. Mas que não fique nenhuma dúvida, deve certamente encerrar a disputa interna que nos trouxe até aqui”, afirmou Semedo.

A intervenção de Semedo sublinhou os grandes temas de debate na Convenção e as ideias fortes de todas as moções em disputa, reunidas pelo “objetivo comum” de “interromper as medidas de austeridade e reverter os danos que já causaram”. Para isso, defendeu Semedo, há que apostar na recuperação da mobilização social que se oponha “ao poder europeu que comanda o assalto”.

Podemos
Uma semana antes ocorreu na Espanha o Congresso de Fundação do Podemos. A indignação que empurrou milhares de cidadãos espanhóis, em 2011, a ocupar as praças de todo o país, agora toma definitivamente a forma de partido. Muitos daqueles indignados que reivindicavam uma mudança urgente no modelo político, social e econômico do país compõem o novo partido.

O partido liderado por Pablo Iglesias chegou como uma enxurrada, sacudindo um tabuleiro eleitoral no qual há décadas jogam os mesmos: o socialdemocrata PSOE e o conservador PP. Já em maio – quando ganharam cinco cadeiras no Parlamento europeu, com apenas quatro meses de vida – não restaram dúvidas de que Podemos surgia com força. O que não estava tão claro, no entanto, era se esse êxito se sustentaria no tempo ou seria apenas o lampejo de alguns fogos de artifício, fruto da combustão entre o cansaço das pessoas e o indiscutível carisma do porta-voz do grupo.

No último fim de semana, porém, o Podemos confirmou sua disposição de se consolidar como alternativa, disputando com a já tradicional Izquierda Unida, liderada pelo Partido Comunista Espanhol, a condição de alternativa à esquerda.

Para surpresa de todos, as primeiras pesquisas realizadas sobre a intenção de voto dos espanhóis para as próximas eleições – as regionais e municipais – confirmam que não apenas o êxito da incipiente formação não foi efêmero, como também poderia conduzi-la até o Palácio de Governo. Segundo a pesquisa do instituto Metroscopia para o jornal El País, Podemos seria o mais votado, com 27% dos votos, alcançando 1,5 ponto de vantagem em relação ao PSOE e 7 acima do PP, que cairia até atingir os 20,7% do apoio eleitoral. Os resultados do congresso de formalização do partido divulgados no último dia 15 confirmam a aclamação de Pablo Iglesias para a liderança do Podemos: 88,7% dos votos na eleição para o cargo de secretário-geral. As bases entregaram-lhe o controle absoluto do partido. Os 62 lugares do Conselho Cidadão, equivalente ao Diretório Nacional, e os dez da “Comisión de Garantías”, órgão encarregado de dirimir conflitos internos, são todos ocupados por apoiadores do líder, segundo o jornal El Mundo.

“As verdadeiras dificuldades começam agora, e quando ganharmos as eleições do próximo ano, começarão as dificuldades de verdade”, disse, segundo o El País, no momento em que a direção foi proclamada, no Teatro Nuevo Apolo, em Madri. “O Podemos não é uma experiência política, o Podemos é o resultado do fracasso do regime”, afirmou também, no primeiro discurso como secretário-geral, o professor de ciência política, de 36 anos.

Num discurso recheado de mensagens contra a austeridade, Iglesias referiu-se também à Catalunha. “A Espanha é um país de países, um país de nações”, afirmou.

Criticou o que considera ser uma “concepção agressiva de Espanha” dos conservadores de Mariano Rajoy, no poder, e defendeu uma reforma da Constituição em que “tudo possa ser discutido”.

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