O governo tem se recusado a informar com quem o presidente Jair Bolsonaro se reúne em sua residência oficial, o Palácio da Alvorada. Desde o ano passado, ao menos oito pedidos feitos pela Câmara dos Deputados para saber se houve acesso de lobistas à residência oficial foram negados pela Presidência.
Recentemente, o governo passou a usar o mesmo argumento, de que informar quem entra e quem sai do local pode pôr em risco a segurança de Bolsonaro e sua família, para impedir o acesso à lista de entrada de políticos e do ex-advogado da família Bolsonaro, Frederick Wassef. Um dos pedidos de informação sobre as visitas de Wassef ao Palácio do Planalto foi realizado pelo deputado federal Ivan Valente (PSOL).
A divulgação dos compromissos das autoridades está prevista em lei, mas o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) se vale de pareceres da Controladoria-Geral da União (CGU) para justificar as negativas e manter os encontros secretos.
Depois que Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, foi preso em 18 de junho numa casa de Wassef, em Atibaia, o advogado deu uma série de declarações desencontradas e acabou saindo do caso. Queiroz, hoje em prisão domiciliar, é investigado por comandar um esquema de rachadinha no gabinete de Flávio, quando o senador era deputado no Rio, e fazer relações entre o clã Bolsonaro e reconhecidos milicianos do Rio de Janeiro.


