O deputado estadual Guilherme Cortez (PSOL-SP) está à frente de uma articulação nacional inédita, que une parlamentares de diversas regiões em torno do combate às chamadas “terapias de conversão” — práticas conhecidas popularmente como “cura gay”. Inspirados no Projeto de Lei 1495/2023, de sua autoria, parlamentares de vários estados já apresentaram propostas semelhantes em suas Assembleias Legislativas.
A mobilização envolve nomes como Linda Brasil (SE), Matheus Gomes (RS), Renato Roseno (CE), Lívia Duarte (PA), Dani Portela (PE), Camila Valadão (ES) e Hilton Coelho (BA), todos do PSOL. Antes mesmo da articulação coordenada, as deputadas Bella Gonçalves (MG) e Renata Souza (RJ), também do PSOL, já haviam apresentado projetos com o mesmo objetivo.
“As terapias de conversão são extremamente discriminatórias e causam danos profundos ao bem-estar físico, mental e social das vítimas”, afirma Guilherme Cortez. “Estamos falando de práticas que configuram tortura psicológica e física contra pessoas LGBTs, submetidas a tratamentos cruéis, degradantes e em violação flagrante aos direitos humanos.”
Casos recentes divulgados pela imprensa revelam os perigos dessas práticas. Letícia Maryon, jovem travesti de 22 anos, tirou a própria vida após passar por um processo de “destransição” conduzido por um pastor autodeclarado “ex-travesti” e defensor da “cura gay”. Em vídeos, Letícia relatava viver uma “guerra espiritual entre a carne e o espírito”.
Outro caso emblemático é o de Karol Eller, influenciadora bolsonarista que afirmou ter “renunciado à prática homossexual” após retornar de um retiro religioso, em setembro de 2023. Um mês depois, Karol cometeu suicídio, deixando mensagens como “perdi a guerra” nas redes sociais.
Para Cortez, a iniciativa marca uma virada no debate legislativo. “Essa luta contra a invisibilização e a tortura de pessoas LGBTs agora é pauta das Assembleias Legislativas de norte a sul do Brasil. Precisamos barrar essas práticas violentas e proteger vidas”, conclui o deputado.

