Agora pede que STF paralise inquérito até que deixe o comando da Câmara
Mesmo acusado de receber 5 milhões de dólares em propina e de manter contas não declaradas na Suíça, o deputado Eduardo Cunha pede ao STF que paralise o andamento de inquéritos abertos contra ele na Operação Lava Jato até que deixe a presidência da Câmara em fevereiro de 2017. O argumento não poderia deixar de ser ao seu estilo mais um escárnio, alega que como terceiro na sucessão presidencial não poderia ser responsabilizado no exercício do seu mandato por crimes cometidos em períodos anteriores. Cunha tenta cinicamente inverter a questão: é justamente por usar o cargo para obstruir as investigações que ele precisa ser afastado e seus crimes devidamente apurados.
Além de pedir a paralisação do inquérito, Cunha pede em sua defesa a nulidade das provas coletadas contra ele e da delação do executivo Júlio Camargo.
O desespero de Cunha e a tentativa de se vitimar perante a opinião pública se explica pelo fato de que em fevereiro o STF decidirá sobre seu afastamento do cargo de deputado e da presidência da Câmara. Cunha é denunciado por corrupção e lavagem de dinheiro. O pedido apresentado pela Procuradoria Geral da República lista 11 motivos para afastá-lo do cargo. A PGR sustenta que o presidente da Câmara usa o cargo e aliados para constranger e intimidar parlamentares, advogados, agentes públicos e os réus delatores da Operação Lava Jato.
De fato Cunha não deixa de surpreender, mesmo com provas robustas contra ele, insiste em negar o óbvio. Suas pérolas mais recentes foram dadas numa entrevista ao jornal Folha de São Paulo no último sábado (16) quando afirmou ser vítima de perseguição, como se os inúmeros fatos que comprovam seu envolvimento em casos de corrupção não falassem por si. Cunha ainda diz com todas as letras que não teme perder seu mandato ou ser preso. Parece que sua certeza na impunidade é inabalável.
Declarações como essas e as inúmeras ações usando da prerrogativa do cargo para obstruir e atrapalhar as investigações e o desenrolar do processo de cassação no Conselho de Ética fazem com que seja necessária mais pressão popular pelo afastamento imediato de Cunha da presidência da Câmara e do seu mandato de deputado. Seguimos na defesa de que todos os envolvidos em casos de corrupção, do governo, da oposição de direita ou ligados às empresas citadas na operação Lava Jato sejam devidamente investigados e punidos.

