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Jean Wyllys | Um ano de golpe

Há um ano, marcado nesta quinta-feira (31/08), o Senado Federal cassava o mandato da presidenta Dilma Rousseff por suposto cometimento de crime de responsabilidade que jamais existiu, como ficou provado durante o próprio processo. O mesmo Senado que destituiu a presidenta eleita, apenas dois dias depois, declarou em lei federal a legalidade daquilo que afirmara ser crime: abrir créditos suplementares sem autorização do Congresso passou a ser permitido, com o voto dos mesmos parlamentares que condenaram a presidenta Dilma sob essa alegação.

Há um ano, um golpe institucional concretizou a “profecia” de Romero Jucá, de colocar Michel Temer em um grande acordo nacional, “com o Supremo, com tudo”, sob o argumento de retomada da economia e fim da crise política.

Um ano depois, a economia não demonstra reação (ainda que, para agradar rentistas, o ilegítimo governo Temer tenha congelado despesas com educação e saúde pública por vinte anos, penalizando a população em benefício do pagamento de juros ao mercado financeiro), a carga tributária penaliza ainda mais severamente a população e o governo tenta recortar direitos trabalhistas e acabar com a Previdência. O desemprego cresceu a ponto de em 21% dos lares (um em cada cinco!) não existir renda proveniente de emprego formal ou informal, porque absolutamente todos os membros não encontram colocação no mercado de trabalho. E agora querem privatizar tudo, vendendo empresas públicas a preço de banana para solucionar o déficit fiscal.

A crise política também se aprofundou e o ataque a direitos e garantias da população é tocado com muito dinheiro público entregue aos deputados da base governista! O presidente ilegitimo foi gravado negociando propina e compra do silêncio do seu ex-aliado Cunha (o organizador do golpe, hoje preso por ladrão) em reunião secreta no porão do Palácio do Jaburu, à meia-noite, com um empresário corrupto. Seu aliado Aécio também foi gravado pedindo 2 milhões de reais ao mesmo empresário. As provas da corrupção da quadrilha que está no poder são gigantescas, mas uma presidenta democrática foi derrubada por eles por “pedaladas fiscais”.

Há um ano, Temer vem estabelecendo uma curiosa relação de parceria com Gilmar Mendes (o Supremo?), em encontros fora da agenda, na intimidade do lar presidencial. A amizade não se restringe às conversas privadas, e já deu origem a um suspeitíssimo projeto de instauração do parlamentarismo no Brasil, o que daria, de vez, o poder ao partido de Temer sem precisar vencer uma eleição presidencial, e à tentativa de adotar o sistema eleitoral do Afeganistão e da Jordânia. A quem não ganha uma eleição no voto majoritário, só resta o tapetão (e o tapetão vai virando regra!).

Falando em Jucá – que acumula mais três denúncias por corrupção em casos relativos à Odebrecht, Transpetro e Gerdau – , sua filha, Marina Jucá, é justamente a maior beneficiada com a extinção da Reserva Nacional do Cobre, tentada por Temer com um decreto (“misteriosamente” vazado meses antes ao mercado de mineração. Sim, fui irônico!) que viola o disposto na própria Constituição. Marina Jucá é sócia majoritária da Boa Vista Mineração, e já havia declarado seu interesse em uma fatia de 90 mil hectares naquela região. Coincidência?

Há um ano o golpe foi confirmado. Aqueles movimentos, “boquinhas livres”, financiados por baixo dos panos pelo PMDB, PSDB, Democratas e Solidariedade, fugiram das ruas. Nem mesmo a possibilidade de dar sequência à investigação dos gravíssimos crimes pelos quais Temer fora denunciado os motivou a qualquer coisa senão alguns protestos genéricos e vazios. A população sequer lhes deu apoio, diante de tamanha desfaçatez!

E ainda há quem diga que não foi golpe… seria vergonha de assumir que foi enganado ou incapacidade de ver qualquer coisa para além do seu ódio à esquerda?

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