O PSOL tem cinco deputados e uma deputada no Congresso Nacional. Suas trajetórias, propostas e combatividade orgulham nosso partido. O PSOL tem como líder o deputado Ivan Valente: eleito pelo estado de São Paulo, governado há duas décadas pelo tucanato, Ivan tem 40 anos de militância em favor do socialismo e da justiça social. É um verdadeiro sobrevivente. Preso e torturado pela ditadura militar, Ivan fundou o PT nos anos 80 e rompeu com o partido dez anos atrás para ingressar no PSOL, partido do qual já foi presidente. Profundamente comprometido com a luta dos “de baixo”, nunca se rendeu ou se vendeu. É um deputado como poucos.
Como vice-líderes, a bancada do PSOL tem os deputados Chico Alencar e Glauber Braga, ambos eleitos pelo Rio de Janeiro. Chico é um cristão socialista. Tipo raro nos dias de hoje. Formado na boa cepa da igreja católica que ama os pobres e excluídos do mundo, Chico se destaca pela defesa intransigente da ética na política, obrigação de todo detentor de mandato eletivo, mais ainda que das “pessoas comuns”. Já Glauber Braga, jovem revelação da política brasileira, maravilhou os defensores da democracia em todo Brasil com seu voto na lamentável sessão que afastou Dilma Rousseff da Presidência da República. Lembrando aqueles que doaram sua vida à justiça social no Brasil, Glauber uniu o passado, o presente o futuro que ele mesmo representa. Ambos, Chico Alencar e Glauber Braga, são deputados que honram a melhor tradição da esquerda brasileira.
A bancada do PSOL ainda tem entre seus membros Edmilson Rodrigues e Luiza Erundina. O primeiro, eleito pelo Pará, é um dos raros representantes da esquerda socialista do norte do país. Defensor incansável dos povos da Amazônia, do meio ambiente, da integração soberana e do desenvolvimento com respeito aos modos de vida, foi prefeito de Belém, onde implementou experiências radicais de participação popular e controle social sobre o poder público, assim como Luiza Erundina. Ela, eleita por São Paulo e ex-prefeita da capital paulista, maior metrópole latino-americana, Erundina usa sua experiência em defesa dos excluídos, da democratização da comunicação, das mulheres, dos direitos humanos e da transparência. Do alto de seus 82 anos, essa mulher nordestina que enfrentou toda forma de preconceitos é um patrimônio da esquerda brasileira. Tanto Erundina quanto Edmilson são parlamentares incomparáveis.
Mas há na bancada do PSOL um deputado que transcende atributos como “raro” ou “incomparável”. Há nessa bancada um deputado único. Ele dedica seu mandato a temas que poucos querem enfrentar, como a legalização do aborto ou das drogas. Ele enfrenta a escalada conservadora representada pelas novas “estrelas” do obscurantismo religioso, padres, pastores e outros indivíduos que, escondendo-se sob essas e outras dignas denominações, envergonham cristãos que pregam sinceramente o amor ao próximo e a compreensão.
Esse deputado é o único representante legítimo da comunidade LGBT, por ter levado consigo, desde a infância, “o signo da injúria”, como disse recentemente num emocionante depoimento. Negro, nordestino, homossexual, de esquerda.
Um deputado assim não seria tolerado indefinidamente por um Congresso Nacional dominado por homens brancos conservadores. Esse congresso formado majoritariamente por ruralistas, empresários, líderes religiosos; esse Congresso que concede seu apoio a um governo ilegítimo, um Congresso que promove um golpe; esse Congresso que chegou a ter Eduardo Cunha e Renan Calheiros simultaneamente como presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, não aceitaria um deputado como Jean Wyllys. Não podem perder a oportunidade gerada por um incidente irrelevante, diante do escárnio diário promovido por eles próprios, para condenar o único deputado assumidamente homossexual da Câmara dos Deputados. Essa é a razão última da tentativa de calá-lo.
Jean Wyllys é um deputado imprescindível não apenas para o PSOL ou para a esquerda brasileira. Nem para as minorias que ele tão bem representa. Jean é imprescindível para a própria democracia brasileira. Sem ele, a política ficaria ainda mais pobre no Brasil. Por isso defender Jean Wyllys da tentativa de suspensão proposta no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados é defender a própria democracia.
Ainda há tempo para evitar um crime contra um deputado honesto, íntegro e combativo, evitando-se que se cruze, assim, a última fronteira antes da instituição de um Estado de exceção no Brasil. Lutaremos até o fim por Jean Wyllys e pela democracia brasileira.

