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Luiz Araújo | Afastamento de Renan: com uma década de atraso

Faz uma década que o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) alerta para a necessidade de investigação e punição do senhor Renan Calheiros por suas práticas criminosas. Essa semana, felizmente, o STF finalmente o tornou réu em uma das ações que tramitam contra ele e o ministro Marco Aurélio tomou a sábia decisão de afastá-lo da presidência do Senado Federal, impedindo que este senhor assuma interinamente a presidência do país.

Estamos diante de um governo ilegítimo e em crise ética permanente. Ao invés da convocação de novas eleições e punição a todos os culpados pelos escândalos de corrupção, o que vemos é uma tentativa da maioria do Congresso Nacional de se resguardar contra futuras punições por caixa-dois e um governo que a cada crise acelera os ataques aos direitos sociais, forma que encontra para ganhar sobrevida junto ao mercado.

A cada revelação de corrupção envolvendo um ministro, o ilegítimo Michel Temer envia às pressas mais uma tentativa de tirar direitos dos trabalhadores. A reforma da Previdência, que deve ser enviada esta semana ao Congresso Nacional, é sua mais recente ação nefasta.

É urgente que seja paralisada toda e qualquer votação que ataque os direitos sociais conquistados na Constituição Federal de 1988, começando pela suspensão da votação da PEC 55 no Senado Federal. Da mesma forma é necessário que a operação Lava Jato apresente para a sociedade brasileira todos os elementos que envolvam políticos de vários partidos, pondo fim à seletividade na divulgação destes dados, especialmente a tão aguardada lista de citados pela deleção premiada da empreiteira Odebrecht.

Para superar a instabilidade política e para reverter a ilegitimidade do atual governo, defendemos imediata convocação de eleições para a Presidência da República. É antidemocrático que sejam votadas medidas que jogam na lata do lixo os direitos sociais conquistados pelos trabalhadores sem que esse programa tenha sido respaldado pelo povo brasileiro em eleições legítimas. É um ataque ao principio constitucional de que o poder emana do povo. Que Temer e seus aliados submetam seu programa de austeridade de forma clara e límpida ao povo brasileiro.

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