A Setorial Nacional de Mulheres do PSOL realizou na última segunda-feira (1), sua primeira plenária nacional virtual para organizar a luta das mulheres neste mês de março.
Esse tipo de evento costuma ocorrer presencialmente a nível estadual, mas desta vez a plenária foi por vídeo chamada devido ao grave contexto da pandemia da COVID-19 que assola o país. A reunião contou com a participação de quase 200 mulheres, entre dirigentes nacionais e locais da Setorial, assessoras, parlamentares, militantes do partido e público externo, que reuniram-se em torno da necessidade de construção de um março de lutas forte, apesar das restrições sanitárias geradas pela conjuntura atual, e ainda mais necessário pela defesa da vida das mulheres.
Entre as dezenas de falas, destaca-se a importância de combater a política de morte do atual governo, cujo projeto de vacinação inexiste. E além disso, o aumento da violência contra as mulheres e do feminicídio, agravados pelo contexto do isolamento social gerado pela pandemia.
Pautas como o fortalecimento da luta e organização das mulheres indígenas e quilombolas foram lembradas, dado o governo etnocida sob o qual vivemos.
O enfrentamento ao genocídio da população negra, o aumento do encarceramento que atinge sobretudo mulheres negras, e as violências de classe e gênero ainda mais agravadas pelo racismo, também figuraram entre os discursos.
As reformas, como a reforma administrativa no funcionalismo público, as privatizações de serviços básicos como o da CEDAE, cujo governo federal com sua política neoliberal e com o auxílio de governos estaduais tentam emplacar, estiveram contempladas nas falas das participantes.
A pandemia da COVID-19, que com a ausência de uma política de enfrentamento efetivo vinda do governo Bolsonaro, potencializou diversas desigualdades do contexto social do nosso país, entre elas, a falta de investimentos no nosso Sistema Único de Saúde, a rede pública de educação, cujo os profissionais seguem sendo expostos na rotina de trabalho, e o aumento do preço dos alimentos em um contexto em que o auxílio emergencial foi suspenso, foram levantadas durante a plenária, e também estão apontadas na Resolução do chamado de construção do 08 de março, publicada pelas Mulheres do PSOL.
Os ataques sistemáticos que diversas militantes e parlamentares do campo da esquerda vêm sofrendo nos últimos anos também foram lembrados em um contexto em que a violência política contra mulheres tem sido uma pauta bastante recorrente no debate público. “Sem a luta das mulheres, não há democracia”, frisou uma das companheiras.
As atividades de construção desse março de lutas foram apresentadas pelas diversas representantes regionais e a construção do 8 de março nacional unificado que reuniu 80 entidades e organizações de dentro e fora do partido foi saudada.
Em memória da vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018, a Setorial Nacional também está construindo um 14 de março combativo na busca por justiça e na defesa da participação política de mulheres, negras, indígenas, trans, cujas vozes e vidas não serão interrompidas.
Na reunião plenária, também foram apresentadas as duas campanhas de comunicação, que dentro e fora das redes da Setorial, estão sendo construídas neste mês de março. As campanhas do 8 e do 14 de março, que denúncia os três anos do assassinato de Marielle e Anderson, contam com cartazes e outros materiais impressos, além de vídeos e uma série de posts temáticos.
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