No último domingo, cerca de 100 mil pessoas tomaram as ruas de São Paulo contra o governo ilegítimo de Michel Temer. O ato mostrou a força crescente da luta contra o golpe no país, que ultrapassa em muito os movimentos sociais organizados e partidos políticos, arrastando multidões cada vez maiores às ruas pela derrubada do presidente golpista.
O ato, absolutamente pacífico do início ao fim, marchou da Avenida Paulista ao Largo da Batata – e foi, como sabido, atacado pela Política Militar logo após o seu término, quando os manifestantes se dispersavam rumo às suas casas ou aos bares próximos ao largo.

A barbárie violenta se estendeu durante a noite pelas ruas da cidade. Amontoam-se os relatos de feridos e/ou detidos ao longo da batalha. Um dos casos é o de Helio Ramos (foto abaixo), que enfrentou o forte jato d’água do carro de guerra da PM paulista e foi detido pura e simplesmente por isso – e, hoje, relata que sofreu golpe de cassetete dos policiais, acarretando em um corte no nariz.

O caso dos 21 estudantes que não sabem por que foram presos
Porém, nada é mais estarrecedor do que os 21 jovens estudantes, sendo três menores de idade, que foram levados pelas forças policiais antes mesmo de a manifestação começar.
Foram levados sem qualquer motivo – nem sequer conseguiram chegar ao ato na Avenida Paulista. A prisão foi efetuada às 15h, no Centro Cultural São Paulo (CCSP), no Paraíso, zona sul da cidade.
E foram para o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), órgão focado em crimes ligados ao crime organizado e que não costuma lidar com manifestações. À Ponte Jornalismo, um dos soldados responsáveis pelas prisões disse apenas que “era a ordem do comando”. Leia aqui.
Após audiência de custódia no Fórum Criminal da Barra Funda realizada nesta segunda-feira (5), o juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo determinou a soltura dos jovens. Em sua sentença, ele considera a prisão ilegal e afirma que “o Brasil como Estado Democrático de Direito não pode legitimar a atuação policial de praticar verdadeira ‘prisão para averiguação’ sob o pretexto de que estudantes reunidos poderiam, eventualmente, praticar atos de violência e vandalismo em manifestação ideológica. Esse tempo, felizmente, já passou.”

Antes disso, as mães e pais dos detidos enviaram ao governador do estado, Geraldo Alckmin (PSDB), uma carta exigindo a soltura dos jovens. Leia na íntegra clicando aqui.
Leia aqui a sentença completa do juiz:
Sofia, uma das estudantes detidas injustamente, narrou à Mídia Ninja os momentos de tensão nas 30 horas que passou presa. Assista:
Na saída, os jovens não contiveram o grito: “Fora Temer!” Porque a democracia se defende de diversas formas. Amanhã vai ser maior.


