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Jean Wyllys | O PMDB e o colapso na segurança pública do Rio

No Rio de Janeiro, hoje, mais uma vez, boa parte dos moradores teve dificuldade para transitar pela cidade. É mais um dia em que as ruas foram transformadas em praças de guerra, em campos de batalha entre facções criminosas e entre tais facções e as forças policiais.

Motoristas que passavam mais cedo pela Linha Amarela, uma das mais importantes vias de ligação da cidade, tiveram que abandonar seus carros e utilizar as muretas como proteção para as balas perdidas. O trânsito precisou ser interrompido. E nas comunidades onde têm sido realizadas operações policiais, os moradores vivem um terror permanente, às vezes abrigam-se em casa de amigos e parentes, ou precisam ficar presos em casa, longe de janelas e portas. 

A situação geral é de um verdadeiro colapso na segurança pública. 

Após os jogos olímpicos, em vez de modernização da cidade e investimento do capital externo, a população assistiu o governador em exercício ser condenado em diferentes instâncias do judiciário, mas manter-se no cargo ainda assim. Viu o governador decretar estado de calamidade por causa do rombo nas contas públicas; indicar para o Tribunal de Contas um aliado que acabou preso; o ex-governador ser acusado de uma quantidade cada vez maior de crimes; e quase todo secretariado atual e das gestões anteriores ser acusado com provas robustas em acordos de delação premiada. 

Ficou impossível para os fluminenses separar qualquer análise sobre a crise na segurança pública e a evolução da política local – comandada há mais de uma década pelo grupo político do PMDB. 

Naturalmente, a quantidade de operadores – homens públicos e laranjas, testas de ferro, lobistas, doleiros, empresários, donos de empresas fantasmas etc – que enriqueceram no período recente têm relação direta com os tiroteios na Linha Amarela e com todos os outros que se espalham, pois foi a sistemática entrega de políticas públicas ruins e que não atendem às necessidades mais urgentes dos locais mais carentes do estado, principalmente as comunidades e favelas onde agora se tornam mais comuns os tiros, que gerou a tendência geral de barbárie.

Se o exército e a marinha, agora, são chamados no desespero para tentar conter um colapso, é por causa do descaso daqueles que deveriam ter adotado ações para evitar que chegássemos a esse ponto. E a conta que chega é caríssima. São famílias destruídas.

Os cidadãos e as cidadãs do RJ não podem continuar pagando esse preço. Uma nova política capaz de dar as respostas que precisam ser dadas, com novas prioridades, precisará também substituir a velha tradição dos sanguessugas. A prioridade deve ser a proteção da vida das pessoas e a redução de homicídios.

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