1- As eleições municipais de 2008 ocorreram no marco de que o presidente Lula tem o índice máximo de aprovação de que se tem notícia: cerca de 80% de ótimo ou bom de avaliação.
Era previsível, portanto, que os partidos que compõem a base do governo- como o PT e o PMDB- alcançariam uma grande votação e até um triunfo eleitoral. Mas a avaliação das eleições não pode estar descolada das perspectivas abertas para cada partido. E aí veremos que o balanço não se resume a aritmética dos votos.
De fato as urnas confirmaram a grande votação do PMDB e do PT, embora em SP tenha vencido o DEM/Serra, diga-se, por sinal, que aí o governo federal sofreu uma derrota acachapante, que se estendeu também a Santo André. A isto temos que somar também as derrotas petistas em Porto Alegre e Salvador. Já o PMDB é o partido que mais saiu fortalecido, um triunfo do fisiologismo puro, mas não tem um nome para disputar as eleições, colocando-se como um fiel da balança nas eleições presidenciais de 2010.
Assim, como colocamos antes, os resultados eleitorais não podem ser vistos apenas na aritmética dos números, mas no seu significado político global e seus elementos qualitativos. O governo Lula e seu partido, embora tenha sido o que mais avançou em número de prefeituras, na perspectiva política de 2010 saiu mal porque não tem uma figura nacional que tenha se fortalecido na eleição.
O PSDB, do ponto de vista de 2010 sai fortalecido com o resultado eleitoral de SP, que possibilitou consolidar sua aliança como o DEM, mesmo tendo diminuído o número de prefeituras sob seu comando. Serra coloca-se, por enquanto, como o candidato mais forte para 2010. O resultado eleitoral acaba fortalecendo a possibilidade de se criar um pólo burguês de governo sem a necessidade do PT. Frente à crise, para a burguesia pode ser mais útil Serra do que o candidato petista escolhido por Lula. O PMDB será o fiel da balança em um ou outro sentido.
Outro dado importante é que o “bloquinho de esquerda ao governo”, do PSB, PCdoB e PDT foi um fracasso eleitoral, isso também do ponto de vista da construção de uma política para aparecer como pólo de centro-esquerda no futuro. Não conseguiram unir-se em várias cidades. Em Porto Alegre, por exemplo, o PDT não apoiou a candidata lançada pelo PCdoB e PSB; e também no Rio de Janeiro a candidatura de Jandira fracassou. Então, esta alternativa supostamente de esquerda por dentro do governo, materializada na candidatura de Ciro para 2010, acabou derrotada.
2- As eleições mostraram uma foto distorcida da realidade, pois a gravíssima crise econômica mundial foi ignorada e ocultada no debate político. O fato da crise ainda não ter se manifestado com força no Brasil durante o processo eleitoral fez com que apenas o PSOL ( ainda que pouco) falasse da crise. A cantilena das eternas promessas eleitorais e de que o país vai bem, se sobrepôs, na base de um fato real de que a economia estava estável até agosto/setembro, estabilidade que foi a base da aprovação a Lula de mais de 80%. Entretanto esta realidade já mudou. A grande estabilidade que garantiu a vitória eleitoral do governo acabou. Se abre dois processos novos: a necessidade das classes populares de defender-se diante da crise, e as disputas entre a burguesia – que sempre existiram mais estavam mais anestesiadas no último período – em torno de que medidas tomar diante da crise. Nesta situação podem aparecer fortes matizes e até certo ponto projetos diferenciados. O governo petista pode ter uma política com algum elemento estatizante e se chocar com outros setores burgueses que querem que se reduza ainda mais o custo do Estado. Não resta dúvida, porém, que, em última instância, todos eles vão unir-se em torno da estratégia de fazer o povo pobre e a classe trabalhadora em particular pagar a conta da crise. A luta de classes vai acirrar-se, portanto.
3.- Para fazer o balanço da intervenção do PSOL nestas eleições é útil lembrar o que acreditávamos ser as tarefas das eleições de 2008 para o partido: “O P-sol definiu que as eleições de 2008 serão uma prioridade tática do partido. Temos condições de apresentar nossas propostas para milhões de brasileiros e brasileiras. Podemos e devemos disputar a influência de massas em cidades importantes, algumas fundamentais como Porto Alegre, Belém, RJ onde o partido se apresenta com reais chances de disputa aos olhos do povo, e construir em todo o pais, seja com candidaturas às prefeituras, seja com nossa nominata de vereadores, novas lideranças capazes de aumentar de modo substancial nossa inserção junto ao povo e a classe trabalhadora em particular.
Onde for possível disputaremos com todas as nossas forças no sentido de eleger nossos candidatos. Não é a mesma coisa, por exemplo, sair com vereadores eleitos ou não. As eleições expressam de modo distorcido a correlação de forças entre as classes e a vitória de candidatos do P-sol ajudará a alterar a favor da luta do povo a correlação de forças. Conquistar mandatos de vereadores e colocar estes mandatos, como faremos, a serviço da luta, como postos avançados de combate, é uma tarefa fundamental do partido. Em alguns casos, como em cidades do estado de São Paulo da importância de Campinas, São Caetano do Sul, em Goiânia, Rio de Janeiro, Belém, Viamão no RS, entre outras, teremos que lutar para reeleger nossos vereadores. Na maioria, porém, como na capital de SP, Maceió, Recife, Natal, Porto Alegre, enfim, todas as capitais, sobretudo onde a possibilidade existe, além de centenas de municípios em nosso imenso Brasil, teremos que mobilizar o partido para disputar e tentar eleger novos vereadores. E devemos atuar com um critério claro: se trabalhamos seriamente vamos sair mais fortes, elegendo ou não elegendo nossos candidatos e vereadores. Sabemos que não será fácil, mas temos a obrigação de tentar de modo sério e profissional. Heloísa Helena apresentou uma definição correta do que viveremos no processo eleitoral. “será para o PSOL uma batalha duríssima, como foram as eleições em 2006 e como são todas as frentes de lutas e campos de batalha onde nós, socialistas, atuamos com disciplina, solidariedade e combatividade a serviço da nossa classe trabalhadora”
4.- Neste contexto, temos que avaliar os resultados obtidos pelo P-Sol, que apresentou candidatos em 22 das 26 capitais e em mais de 450 cidades do país. Este fato, em si mesmo, já pode ser considerado como a primeira vitória do partido. O P-sol foi o partido que mais apresentou candidatos à prefeitura nas capitais do país. O esforço de ter nomes para tantas cidades foi enorme e o partido passou esta prova. Assim, apresentamos para a sociedade nossos militantes, erguemos nossas bandeiras e postulamos novas lideranças. Mas de cara podemos agregar: as eleições de 2008 foram ainda mais difíceis do que as de 2006, onde o partido afirmou sua alternativa com 7 milhões de votos. Em 2008 fomos para uma eleição mais difícil porque tínhamos a reeleição de Lula. Ademais, as prefeituras são eleições cuja pressão para a solução dos problemas imediatos, administrativo das cidades, é maior. É mais difícil a discussão política geral de projetos de sociedade.
5.- Apesar disso, como veremos, de conjunto, o P-sol saiu vitorioso e fortalecido. Saiu mais implantado nacionalmente. Saiu com mais lideranças. Os resultados, logicamente, foram desiguais. O marco, contudo, é de triunfo político-eleitoral do partido.
6.- Não faremos um balanço de uma por uma das capitais, cujos resultados, como dissemos, foram desiguais. É lógico que tivemos capitais onde a função da candidatura era justamente colocar a cara do partido para fora, marcar posição e mostrar que o partido existe e luta. Era nossa expectativa em várias capitais, como Boa Vista, Porto Velho, Rio Branco. Na capital de Roraima, com o socialista José Luis Oca, obtivemos mais de 2% dos votos, sem
recursos, em condições precárias de disputa. Mas em duas importantes capitais tivemos uma baixa votação em relação ao potencial do partido, 1,81% no Rio de Janeiro, e, sobretudo de 0,67% em São Paulo, nas quais se apresentaram os deputados federais Ivan Valente e Chico Alentar, respectivamente, dois nomes, portanto, já bastante conhecidos do partido. É lógico que o partido terá que fazer um balanço mais profundo das razões desta votação baixa. Felizmente, no RJ, na capital, o partido logrou conquistar uma vaga na câmara dos vereadores, reelegendo o companheiro Eliomar Coelho com uma ótima votação individual e com uma votação excepcional – metade dos votos de todos os candidatos – para a legenda partidária, mostrando a força do P-sol no RJ. Os cerca de 9% de Luis Eduardo Gomes em Niterói – com a reeleição do vereador Renatinho – e os mais de 3% do professor Josemar no segundo principal município do RJ, São Gonçalo, mostraram também o potencial do partido no estado. Em SP, embora tenhamos dois deputados estaduais e um deputado federal, os índices baixos do partido não permitiram conquistar nem uma vaga de vereador na capital e obter apenas duas cadeiras em cidades do interior.
Sem dúvida, porém, houve outras capitais onde se superou a marginalidade eleitoral. Obteve-se mais de 3% dos votos em Cuiabá, com o companheiro Mauro. Em Goiânia, com Martiniano, foi 4,88%, além de conquistar a reeleição de Elias Vaz. O partido com Edilson Silva conquistou mais de 3% dos votos em Recife. Foram 4% dos votos dados para Hilton em Salvador e, em Fortaleza, foram 5,67% dos votos para Rosseno. Em Fortaleza cabe destacar a eleição de João Alfredo, a conquista de uma cadeira na Câmara. Fica evidente a força crescente do partido no nordeste.
Para jogar uma luz comparativa em como se saiu o P-sol vale a pena olhar rapidamente como se saiu uma vez mais uma outra experiência de construção de um partido socialista que foi fundado em 1994: o PSTU. Não vamos fazer seu balanço geral, mas apenas citar a capital em que eles foram apoiados pelo P-SOL e que era mais promissora para eles em termos eleitorais: BH. Ali, as primeiras pesquisas davam 6% para Vanessa Portugal; foram caindo semana após semanas e terminaram com menos de 1%. Esta campanha demonstrou a incapacidade deste partido de propor uma linha que consiga ao mesmo tempo manter um perfil de esquerda e dialogar com as necessidades mais sentidas pelos trabalhadores. O PSTU teve como centro a denúncia da alta dos alimentos, agitou a mobilização em torno do congelamento de preços e fez propaganda do socialismo como saída. Nem eleitoral nem socialmente esta linha teve êxito visto que as votações foram em média menos de 1% e as mobilizações em torno desses eixos foram inexistentes.
No total o PSOL elegeu vereadores em 13 estados diferentes e teve mais de 800 votos onde disputou (conferir no detalhe os números e ver o total de votos em todos os candidatos a prefeito). Foi um belo resultado para a primeira participação eleitoral do partido. Infelizmente, em Belém, não apresentamos nosso principal nome, Edimilson Rodrigues, e o partido teve que colocar sua vereadora para disputar a prefeitura.
7.- Entretanto, sem dúvida nenhuma, há resultados que se sobressaem em relação a média dos 3% a 5% e se converteram em grandes triunfos políticos do PSOL. Em Maceió, Heloisa Helena, disputando uma cadeira de vereadora, obteve 29.516 votos, mais de 7% dos votos, um recorde histórico alcançado por uma vereadora em uma capital do país. E teve este resultado contra a poderosa máquina de Renan Calheiros e toda a burguesia alagoana, que como todos os partidos do regime – em especial o PT e o presidente Lula – estavam interessados em aplastar essa candidatura para mostrar que o PSOL e sua presidente não podem ser alternativa para as próximas eleições de 2010. Com a votação de Heloísa o partido obteve mais uma cadeira, elegendo como vereador o companheiro Ricardo Barbosa, fundador do partido e ex-candidato a governador de Alagoas pelo P-sol. A candidatura de prefeito em Maceió, de Mário Agra, obteve um pouco menos de 2%, numa cidade onde o prefeito – reeleito no primeiro turno – tinha os maiores índices de aprovação do Brasil, e tendo que carregar a correta tarefa de priorizar a votação da própria Heloísa Helena.
Por sua vez, em Porto Alegre, cidade emblemática que foi sede do Fórum Social Mundial, Luciana Genro alcançou 9,22% dos votos, e o PSOL obteve duas cadeiras na Câmara de Vereadores. Pedro Ruas foi o segundo vereador mais votado, perdendo apenas para o Secretário de Obras do município. O PSOL logrou eleger também a candidata mais representativa de nossa juventude, a Fernanda. Ao total obtivemos mais de quarenta mil votos para a Câmara dos Vereadores, sendo que mais 13 mil votos foram para a legenda, o que indica o alto Grau de identificação com o PSOL dos quase 80 mil que votaram em Luciana . Luciana Genro se converteu em uma alternativa de poder municipal e está entre @s dez líderes mais reconhecidas do estado, e entre os três ou quatro da capital. Abre-se o desafio de transformar esta influência eleitoral em organização política.
Plinio Arruda Sampaio, em reportagem ao Jornal Brasil de Fato fez um balanço correto do resultado de Porto Alegre, ainda que não coincidamos com o tom negativo que atribui ele ao resultado do conjunto do PSOL. “Eu acho que o PSOL usou o discurso errado, fez o discurso administrativo. Se você, sabidamente pelos Ibopes e pelas pesquisas não tem chance, o eleitor não presta atenção à sua proposta. Ele tinha que fazer um discurso ideológico político, mas ele não conseguiu sair do formato que a mídia fez para o debate. Os que conseguiram ir mais para a política tiveram resultados um pouco melhores, foram para a faixa dos 4% ou 5%. A Luciana Genro, em Porto Alegre, conseguiu o melhor resultado (9%) porque se engalfinhou no debate político” (Jornal Brasil de fato de 10 de outubro de 2008)
Nesta avaliação Plinio Arruda Sampaio acerta ao definir que Luciana teve o melhor resultado e de fato “se engalfinhou no debate político”. Mas essa é uma opinião de dez entre dez das pessoas que vivem em Porto Alegre. Todos sabem que Luciana Genro foi quem esquentou todos os debates. Mas para se engalfinhar nos debates ao longo da campanha é preciso também apresentar propostas. Luciana Genro tinha um programa e depois utilizou o eixo do combate à corrupção e ao parasitismo político para demonstrar que se pode governar de modo diferente. Ter um eixo que apareça como factível aos olhos do povo é correto independente de se ter mais ou menos chances de vitória. Uma campanha para ser de massas, para ser escutada, tem que saber dialogar levando em conta o nível de consciência do povo e conduzindo à conclusão acerca da importância de um novo governo. Finalmente, vale dizer que é um grande acerto trabalhar com a cor amarela – como fizemos nos atos de luta em Brasília e agora novamente em Porto Alegre e outras cidades, bem como reafirmar a marca de Ziraldo. O amarelo nos diferencia no terreno visual do PT e esta não é uma questão menor para quem quer ser uma real alternativa.
8.- Luciana Genro e o PSOL de Porto Alegre alcançaram este resultado enfrentando as poderosas máquinas eleitorais do prefeito Fogaça do PMDB, do aparato nacional do PT, e do PCdoB, partido que também está no governo e que apresentou a jovem candidata Manuela, que em 2006, graças a sua simpatia e uma forte campanha havia alcançado o recorde de votação para deputado neste estado.
Para se ter idéia da desigualdade de recursos, Luciana Genro teve o tempo de televisão três vezes menor do que a candidata do PCdoB e do PT e gastou um décimo do que gastou Manuela, tendo além disso o estabilishment e a imprensa boicotando a sua candidatura.
9.- Este resultado foi possível porque se encarou a campanha como uma disputa de massas (campanhas da saúde, luta contra o governo estadual do PSDB de Yeda, apoio de Luis Ed
uardo Soares, Capitão Nascimento, Protógenes). Evitou-se cair em uma campanha propagandista, golpearam-se duramente os outros candidatos e partidos responsáveis por graves casos de corrupção e junto com isto se apresentou propostas alternativas para administrar a cidade.
10.- Um setor da população trabalhadora e do povo escutou e tomou nossa proposta, rompendo em parte a tendência ao voto útil que desde o início esteve posta e que dificilmente se rompe em meio a uma situação de passividade e sem ascenso da luta de classes. Ao mesmo tempo, o PSOL, em sua primeira eleição municipal, obteve dois vereadores com a possibilidade de implantar-se nos bairros populares, para fazer um trabalho real de massas, que consolide esta alternativa. Agora, o maior desafio que temos é superar o desenvolvimento desigual que há entre uma figura política que tem influência de massas e o débil trabalho de organização política que tem o partido.
11.- Mas para trabalhar planos neste sentido é importante reafirmar as caracterizações e políticas que realizamos antes do início da campanha eleitoral. Em primeiro lugar o acerto de termos votado e realizado a aliança com o PV. Este acerto se inscreveu na confiança na capacidade do partido de hegemonizar numa linha alternativa ao PT e ao PSDB como blocos políticos nacionais com suas expressões locais. Armamos o partido para realizar uma disputa de massas, uma disputa para vencer, para aproveitar todas as oportunidades, tratando de penetrar todas as brechas e hipóteses de vitória. Não colocamos como o mais provável que fossemos para o segundo turno, mas não descartamos antes da batalha. E isso foi fundamental porque uma direção que não trabalha assim quando existe uma hipótese, mesmo que remota de que possa acontecer, não merece ser apoiada porque jamais lutará pelo poder.
12.- Vencemos o DEM, o PP e o PSDB, três dos quatro (o PMDB foi o mais votado no primeiro turno) principais partidos burgueses tradicionais do Brasil. Todos com muito mais recursos, e muito mais tempo de TV/rádio. Também cabe destacar que o PC do B, partido que fez uma aliança sem princípios e teve sua carismática candidata apoiada pela mídia (o ibope dava para Manuela no dia das eleições 20% das intenções de voto para ela, empatando com Maria do PT, quando no final ficou com 15% dos votos, num claro estímulo ao voto útil contra Luciana).Apesar disso o PC do B saiu derrotado, não só porque Manuela não foi para o segundo turno, mas se descaracterizou e não elegeu vereadores, perdendo o que tinham.
Tivemos que encarar uma campanha de massas com uma estrutura infinitamente menor do que os demais candidatos. Ao mesmo tempo teve que resistir aos ataques internos quando corretamente a executiva municipal do partido aceitou os recursos empresarias, sobretudo no momento da crise envolvendo a doação de 100 mil da Gerdau. Esta doação não teve repercussão externa, apenas sendo explorada pelo PSTU, cujo resultado eleitoral mais uma vez pífio, demonstra que não teve resultado. Assim, apenas o fogo amigo tentou explorar o episódio da Gerdau. Em relação a este tema, aliás, será importante o partido fazer um balanço e definir uma política. Reivindicamos o que foi feito em Porto Alegre. Isso não quer dizer que o partido não deva ter uma política de finanças rigorosa. Mas em Porto Alegre o partido teve muito rigor, porque em nenhum momento condicionou sua política aos apoios financeiros, assumindo uma política claramente independente e denunciando as grandes empresas capitalistas como fizemos durante a campanha, em particular quando o partido do RS conseguiu até mesmo que reportagens da Revista Veja dessem repercussão para estas denúncias.
13.- Como aprendizado para os processos eleitorais cremos importante também reivindicar a construção da política da candidatura de Luciana Genro. Será importante que outros candidatos com bons resultados também socializem suas experiências, como é o caso de Fortaleza, por exemplo. Também os companheiros do Amapá necessitam socializar a participação que tiveram, marcada pelo brutal ataque antidemocrático levado adiante por Sarney/PDT, PT e PSDB contra a coligação do PSB/P-SOL No caso de Porto Alegre sustentamos que foi um acerto ter uma candidata com propostas municipais claras, factíveis, sem deixar de fazer a disputa política nacional e mostrar o vínculo das distintas candidaturas com os distintos projetos em disputa no país. E na reta final da campanha, quando a crise econômica mundial entrou no Brasil, mas ainda não na consciência do povo, apontando que a crise econômica mundial estava sendo escondida pelos candidatos que prometiam o paraíso municipal.
14.- Esquematicamente os resultados do PSol colocam objetivamente dois níveis de tarefas com toda força.
a) Retomar uma política para o P-Sol em seu conjunto que no próximo período terá que estar centrada na agitação contra o governo e a direita; temos que continuar a política contra a corrupção e ter propostas para enfrentar a crise econômica que devem incluir o controle de capitais, a defesa dos recursos naturais(Amazônia), integração latino americana, privilegiar a defesa dos pequenos produtores e do povo e não da Sadia e Aracruz também envolvidos em especulação). Agora rejeitar a MP do governo de socorro aos bancos, etc.
Temos que pensar que junto com o jornal necessitamos de outra ferramenta de trabalho mais dinâmica que podem ser os vídeos para apoiar as campanhas de agitação política.
b) Dar um salto qualitativo com medidas político-organizativas para ocupar e organizar uma parte do espaço político conquistado.
Para isso temos que desencadear uma campanha de filiações e organização dos núcleos do partido. Filiar as pessoas que simpatizam com o partido, não só a vanguarda que irá se reunir, mas também o povo que nos apoiou e nos reconhece enquanto uma alternativa de esquerda. Ao mesmo tempo temos que convidar a aqueles que são mais militantes a participar dos núcleos, plenárias e atividades do partido, ampliando o engajamento da vanguarda que esteve em torno de nós na campanha eleitoral.
Movimento de Esquerda Socialista – MES

