Como já coloquei em outros textos, a mesmice política brasileira, em que os projetos do governo e da oposição conservadora são muito próximos e a lógica clientelista, obrigam os parlamentares a estarem em partidos de situação para, desta forma, trazerem “recursos” para suas “bases”. Essa questão está na raiz da justificativa das mudanças partidárias, especialmente em partidos que fazem oposição oportunista a governo A ou B.
Na última semana, a fundação do Solidariedade (SDD) e do PROS, mostraram que a cada 2 anos teremos “novos” partidos no Brasil. É o “jeitinho” que atropelou a resolução do TSE, que terá de ser atualizada, sob pena de não servir mais para nada. Estes partidos absorveram 38 deputados federais, além de outros tantos parlamentares nas esferais estaduais e municipais. Ainda é possível dizer que o SDD tem algum fundamento, visto que nasceu a partir de uma central sindical (a Força Sindical) mas o PROS… Bom, o PROS ninguém sabe de onde surgiu.
A fundação do PROS e do SDD também mostrou que já há uma indústria de coletas das assinaturas necessárias para a legalização dos partidos. Para substituir essa indústria é preciso muita militância e trabalho de base, o que parece ter faltado ao REDE Sustentabilidade, que teve seu registro negado no TSE por 6 votos a 1 (apenas Gilmar Mendes, sempre ele, votou a favor).
Os números das trocas de partido mostram a situação difícil de PSDB, DEM e PPS, legendas que, apesar de concordarem com a maior parte das medidas do governo federal, optaram por estarem em oposição ao governo. Desde que o PT chegou ao governo federal, esses partidos vem vendo suas bancadas diminuírem a cada ano. Neste período, ganharam corpo legendas que são da base do governo federal sem significar que tenham uma aliança nacional com o PT, visto que a maior parte delas também é base de governos do PSDB e outros partidos nos estados.
Segundo mapa feito pelo G1, foram 52 trocas partidárias na Câmara Federal nesta última semana. Quem mais perdeu foi o PDT (ficou com 19), especialmente por conta da criação do SDD. O PMDB perdeu 7 e o PSD provou de seu próprio veneno, perdendo 6 deputados federais. Ainda perderam deputados as seguintes legendas: PSDB, PR, PSB, DEM, PPS, PP, PSL, PT, PSC, PV, PEN, PRTB, PRB e PTB.
Segundo levantamentos no site da Câmara, teremos as seguintes bancadas na Câmara Federal neste último ano de mandato: PT: 87; PMDB: 77; PSDB: 45; PSD: 41; PP: 40; PR: 34; DEM: 25; PSB: 23; SDD: 20; PTB: 18; PDT: 19; PSC: 14; PCdoB: 13; PROS: 13; PRB: 11; PV: 10; PPS: 8; PMN: 3; PTdoB: 3; PSOL: 3; PRP: 2; PEN: 1 e PHS: 1. O levantamento ainda é parcial, visto que muitos parlamentares ainda não oficializaram sua mudança na secretaria da Câmara. Ainda temos 9 partidos sem representantes na Câmara Federal: PSTU, PSL (tinha 1 e perdeu), PTN, PCB, PSDC, PRTB (tinha 1 e perdeu), PCO, PTC e PPL.
Chama atenção a diminuição do PPS, que atualmente tem uma das menores bancadas parlamentares. Em 2002, Ciro Gomes, então candidato a presidente do partido, chegou a ser cotado para ir ao segundo turno daquelas eleições. O PPS, surgido de um golpe contra o PCB no começo dos anos 1990, tem uma trajetória que o está levando a míngua. Também vale registro o tamanho do DEM, que no final dos anos 1990, ainda com o nome de PFL, teve cerca de 100 deputados federais.
O troca-troca da última semana mostra que as bandeiras de uma reforma política popular e democrática permanecem mais do que necessárias: fidelidade partidária (com exceção apenas para mudanças programáticas), fim das emendas individuais no orçamento, proibição de financiamento de empresas, revogabilidade de mandatos e democratização da comunicação.

