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Parlamentares negras e trans denunciam violência política no Brasil a órgão internacional

Diversas vereadoras negras, tanto cis como transexuais, denunciaram a violência política e eleitoral que sofrem no Brasil à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) na última terça-feira (23). A audiência internacional denunciou a negligência do Estado brasileiro em adotar medidas urgentes de proteção a estas parlamentares e solicitou que o órgão internacional cobre o Estado brasileiro pela criação de mecanismos de enfrentamento à violência contra mulheres negras e trans.

Carolina Iara, co-vereadora negra e intersexo e representante do mandato coletivo Bancada Feminista em São Paulo pelo PSOL, relatou um atentado político que sofreu na madrugada de 26 de janeiro. “Que Estado é esse, que além de se calar, incentiva a LGBTfobia em declarações inúmeras do próprio presidente? Eu não vou e nem quero ser mártir”, disse Carolina.

Erika Hilton (PSOL), primeira vereadora trans e negra da cidade de São Paulo e a mulher mais votada do Brasil em 2020, relatou perseguição a defensores de direitos humanos e mulheres negras.

“Eu mesma fui perseguida na Câmara de Vereadores de São Paulo. Tentaram invadir meu gabinete. Iniciei meu mandato tendo que processar mais de 50 pessoas por ataques racistas e transfóbicos”, protestou. Ela relatou sobre as dificuldades de ser parlamentar no Brasil. “A situação das mulheres e defensores dos direitos humanos no Brasil é gravíssima e precisamos denunciar isso ao mundo”, disse.

“Violência política priva mulheres negras e trans de manifestarem suas posições políticas”, ressaltou Anielle Franco, Diretora Executiva do Instituto Marielle Franco e irmã da vereadora assassinada em uma emboscada no Rio de Janeiro, em março de 2018.

Ana Lucia (PT), primeira vereadora negra eleita em Joinville (SC), protestou sobre as ameaças que sofreu logo após o resultado do pleito do ano passado. “A violência dirigida a mim atinge diretamente meus filhos, amigos e meus eleitores”, sublinhou. “Sabemos que a omissão do Estado tem uma origem, a mesma que nega o racismo no qual a população negra sofre”, disse.

Representando a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), Bruna Benevides fez questão de ressaltar a importância da denúncia à Comissão. Para ela é importante que a comunidade internacional tome conhecimento dos abusos que parlamentares negras e trans têm sofrido no Brasil. Ela lamentou que essa violência tenha aumentado de forma considerável após o início do governo Bolsonaro.

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