
“Passa da hora de jogar luz nas engrenagens mofadas do poderio tucano em SP”, diz Boulos
17 de agosto de 2021
Em seu artigo semanal na Folha de S. Paulo, Guilherme Boulos comentou o arcaico clientelismo aplicado pelo PSDB no governo de São Paulo há quase 30 anos.
No começo da semana, reportagem divulgou que o governo Doria liberou mais de R$ 1 bilhão em emendas parlamentares em 2021 para atender deputados estaduais, federais e uma senadora. Esse valor refere-se somente às emendas extras, sem contar as que são asseguradas por lei aos deputados estaduais. A soma até julho é seis vezes maior do que os R$ 182 milhões de 2020.
“Além de representar uso escandaloso da máquina pública como trampolim à pré-candidatura de Doria à Presidência —inclusive para influenciar nas prévias de seu partido— e de Rodrigo Garcia ao governo estadual, a operação desvela um modus operandi do PSDB que ajuda a explicar sua permanência no poder de São Paulo por 25 anos”, analisa Boulos.
“É o clientelismo tucano, conhecido como política do cafezinho”, caracterizou ao continuar a avaliação. “Consagrou-se o padrão da relação clientelista com os prefeitos e deputados, liberando a conta gotas verbas para as regiões em troca de apoio à eleição do candidato tucano ao governo, em encontros regados pelo famoso cafezinho”.
“O preço disso é o desmonte de um planejamento de políticas públicas que considere as vocações e carências de cada região e viabilize um projeto de desenvolvimento econômico e social para o estado mais rico do país. Não por acaso, São Paulo está há tempos numa inércia sem rumo nem ousadia”, avalia.
“Estamos falando do estado que representa 30% do PIB e tem orçamento de R$ 250 bilhões. Passa da hora de jogar luz nas engrenagens mofadas do poderio tucano em São Paulo”, conclui Boulos.
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