Mariane Andrade, da Liderança do PSOL na Câmara
A Câmara dos Deputados foi cenário de ato histórico na noite desta quarta-feira, 12 de fevereiro. Foi a primeira votação de um processo de cassação de mandato por voto aberto. Os deputados, por 467 votos favoráveis e 1 abstenção, cassaram o mandato de Natan Donadon, que cumpre pena na Penitenciária da Papuda, em Brasília, por formação de quadrilha e desvio de recursos públicos.
“Foi uma vitória da democracia brasileira, não falo da cassação em si, mas da votação por voto aberto”, destacou o líder do PSOL, deputado Ivan Valente (SP). Coordenador da Frente Parlamentar em Defesa do Voto Aberto por 8 anos, Ivan Valente disse que várias resistências foram vencidas nesse período para que o voto aberto se concretizasse.
Para o deputado, a instituição do voto aberto para os casos de cassação de mandato, no ano passado, foi resultado da exigência da população pela transparência nas atitudes parlamentares. Segundo ele, também foi uma reparação do erro gravíssimo de não ter cassado Donadon, em agosto de 2013, quando foi mantido o mandato, mesmo com o parlamentar já estando preso.
“A transparência e a visibilidade operam milagres. Acabou o conluio”, comemorou Ivan Valente. “Me orgulho de ter presidido a Frente Parlamentar, superando todas as resistências. Vitória da exigência popular”.
A luta pelo voto aberto no Congresso Nacional não se encerrou. O PSOL defende o voto aberto para todas as votações – o voto ainda é secreto para eleição da mesa diretora do Senado e da Câmara, para a escolha de autoridades (função exclusiva do Senado) e em deliberações das assembleias legislativas, da Câmara Legislativa do Distrito Federal e das câmaras de vereadores.

