O vice-presidente da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão (PP/MA), anunciou nessa semana uma decisão que confirma os temores de que, após a aprovação da admissibilidade do impeachment na Casa, o próximo passo é um grande “acordão” para salvar Eduardo Cunha (PMDB/RJ) das acusações de corrupção que tramitam no Conselho de Ética.
Na decisão, Maranhão decidiu que o processo será limitado às mentiras de Cunha à CPI da Petrobras, em 2015, quando afirmou que não possuía contas financeiras no exterior. Assim, ficam de fora, por exemplo, as delações premiadas que colocam o presidente da Câmara como beneficiário direto do esquema de corrupção na maior estatal do país.
O golpe não para por aí: Maranhão avisou que, caso outros temas sejam incorporados ao texto do relator, ele corre o risco de ter sua nulidade declarada.
O grupo de Cunha usa como argumento o fato de que, durante o processo de formulação do relatório do impeachment de Dilma, a decisão foi por impossibilitar acréscimos de acusações. Porém, há uma diferença fundamental: no caso da presidenta, a decisão era sobre abertura ou não do processo. Na denúncia a Cunha, já há um processo de cassação aberto e, como em todo processo criminal, um fato leva à investigação do outro.
A limitação à suspeita inicial é considerada por juristas e advogados uma forma de impossibilitar investigação profunda sobre os casos ilícitos envolvendo o presidente da Câmara.
Waldir Maranhão é um dos principais aliados de Cunha na Casa e, em fevereiro deste ano, anulou a sessão do Conselho de Ética de 2015 que havia aprovado a admissibilidade do processo contra o presidente da Câmara.

