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PM age com violência e abuso de autoridade em vários estados nos atos Fora Temer

Na tarde da última quarta-feira (14) a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados realizou uma audiência pública sobre os abusos policiais que vêm acontecendo durante as manifestações contra Michel Temer. Estavam presentes parlamentares, representantes de movimentos sociais e vítimas da repressão policial. Maria Alessio (DF), Mauro Rogério dos Santos (RS) e Renato Freitas Júnior (PR) foram vítimas de agressão em suas cidades e descreveram os abusos durante a audiência. Também esteve presente Fausto Salvadori Filho, do Ponte Jornalismo, que falou sobre a presença de um militar infiltrado em diversos coletivos. A Comissão agora cobra providências em relação aos abusos que foram constatados.

Desde os protestos de junho de 2013, o crescimento da violência policial e a criminalização dos movimentos sociais têm ficado em evidência. Na época, Giuliana Vallone, repórter da Folha de São Paulo, foi atingida no olho por uma bala de borracha. A história se repetiu no início desse mês, também em São Paulo. A estudante Deborah Fabri, militante do Levante Popular da Juventude, foi atingida por um estilhaço de bomba lançada pela Polícia Militar e pode não recuperar mais a visão do olho esquerdo.

A repressão é tanta que a sociedade civil começou movimentos de auto-organização para se proteger. O grupo Advogados Ativistas, surgido em São Paulo, questiona a ação das autoridades e oferece defesa de manifestantes detidos. A Defensoria Pública do Estado de São Paulo lançou no início do mês um plantão para prestar serviço semelhante.

Foi com ajuda dos Advogados Ativistas que a jovem Júlia Hausner foi liberada de uma delegacia de polícia após quatro horas detida, acusada de agressão e depredação. Ela participou no dia 1º de setembro de um ato contra Temer, o segundo após a consolidação do golpe parlamentar/institucional. Júlia chegou no ato após a saída da concentração e encontrou o grupo na Praça Roosevelt, rumo à sede da Folha de São Paulo. Ela estava em uma esquina com cerca de trinta pessoas, a alguns metros da multidão.

Foto: Nunah Alle/PSOL
Ato SP 6 - Nunah

Quando o grupo chegou ao Largo do Arouche, um rojão foi lançado de cima de um prédio. A polícia acreditou ser uma bomba caseira, e os manifestantes, uma bomba de efeito moral, o que desencadeou o conflito. Os policiais cercaram o grupo menor, imobilizaram Júlia e a jogaram no chão, enquanto arremessavam bombas em direção à multidão. “A bomba começou a se espalhar no chão e eu comecei a sufocar. Depois de gritar muito que eu tava sufocando, a PM me levou pra um canto, me algemou e começou a tortura psicológica deles. Me xingaram, falaram que eu não podia mais falar que eu era garota de família e que eu era uma vagabunda que não fazia nada”, conta.

Além da moça, outras três pessoas foram algemadas e obrigadas a deitar próximas à viatura e, depois, próximos às motos da polícia, que aceleravam em direção aos manifestantes para causar pânico. “Tanto eu quanto os outros três ficamos com muito medo de ser atropelados pelas motos. Foi agonizante. Além de que eu fui direto do trabalho, estava de saia e meu medo de ser abusada só crescia”, desabafa a jovem. Além disso, em nenhum momento os policiais permitiram a aproximação da imprensa. O grupo ainda seria algemado, revistado e insultado mais uma vez. “Falaram que se a gente mexesse um músculo eles iam acabar com a gente”.

Quando chegaram à delegacia, os policiais saíram do carro e os manifestantes continuaram na viatura por cerca de 15 minutos, confinados em um espaço pequeno e quente. Ao entrar na DP, os policiais apresentaram paus e garrafas, que alegaram ser do grupo. “Eles só pegaram do chão e falaram que essas coisas estavam na nossa mão na hora da confusão. Um policial se machucou na confusão e também queriam colocar a culpa na gente”, conta Júlia.

Um boletim de ocorrência foi registrado com os dados pessoais dos manifestantes, a história segundo os policiais e a versão de que uma lixeira explodiu e o grupo foi visto mexendo no local minutos antes. Segundo a PM, isso não tinha como ser certificado porque o local encontrava-se prejudicado para a realização da perícia. O fato dos jovens estarem usando roupas pretas também foi indicado como fator de suspeita. Ainda segundo o documento, a Polícia Militar ‘conteve o conflito com uso de força moderada’. “No boletim consta como violência moderada, apesar de terem pisado na cabeça de um de nós, terem nos jogado várias vezes no chão e usado mata leão”.

Além disso, a jovem conta que na delegacia os agentes passaram a falar de modo calmo e em tom de voz baixo, mudando completamente o comportamento. “Acho bizarra essa lavagem cerebral que fazem na PM para eles mudarem tanto de personalidade”.

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